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Língua Portuguesa

Erros comuns na redação: como identificar e evitar

Entenda os erros que mais comprometem uma redação e aprenda estratégias práticas para planejar, escrever e revisar seu texto com mais clareza.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Erros comuns na redação podem ser evitados quando o estudante compreende bem a proposta, planeja a defesa de suas ideias e revisa o texto antes de entregá-lo. Eles não se limitam à ortografia: fugir ao tema, apresentar argumentos pouco desenvolvidos, usar conectivos de modo inadequado e concluir sem responder ao problema também prejudicam a qualidade da produção.

Em avaliações escolares, vestibulares e no ENEM, uma boa redação precisa ser clara, organizada e adequada ao gênero solicitado. Isso não significa empregar palavras difíceis ou decorar fórmulas prontas. Significa construir um texto que tenha um ponto de vista definido, informações relacionadas à tese e uma progressão compreensível para quem lê.

Por que os erros comprometem o texto

A redação é uma situação de comunicação: alguém escreve para que outra pessoa compreenda uma ideia. Por isso, os problemas de escrita devem ser analisados em conjunto. Um texto pode ter poucos desvios gramaticais e, ainda assim, ser fraco se não desenvolver o assunto. Da mesma forma, argumentos interessantes perdem força quando aparecem sem organização ou com frases difíceis de entender.

Em textos dissertativo-argumentativos, espera-se que o autor apresente uma tese, isto é, uma posição sobre o tema, e a sustente com argumentos. Cada parágrafo deve colaborar com esse objetivo. Quando há repetição, contradição ou informações desconectadas, o leitor encontra obstáculos para acompanhar o raciocínio.

Ideia central: revisar não é somente procurar erros de português. É verificar se o texto responde à proposta, se os argumentos comprovam a tese e se a conclusão fecha o percurso de ideias.

Também é importante considerar o contexto. Uma redação escolar pode pedir narração, descrição, carta, resenha ou dissertação. Já o ENEM exige um texto dissertativo-argumentativo em prosa. Antes de escrever, portanto, leia atentamente o comando e identifique tema, gênero, finalidade, quantidade esperada de linhas e possíveis textos de apoio.

Erros de compreensão do tema

Um dos problemas mais graves é a fuga ao tema. Ela ocorre quando o texto aborda um assunto diferente daquele proposto. Há também a tangência: o estudante trata de algo próximo ao tema, mas não enfrenta seu recorte principal. Se a proposta discute os desafios da mobilidade urbana para pessoas com deficiência, por exemplo, escrever apenas sobre trânsito nas grandes cidades é insuficiente. É necessário relacionar a discussão à acessibilidade e às pessoas com deficiência.

Para diminuir esse risco, transforme o tema em perguntas. Pergunte-se: qual é o problema apresentado? Quem é afetado? Quais causas e consequências podem ser discutidas? Que recorte não pode ficar de fora? Em seguida, formule uma tese que responda a essas questões. Essa etapa evita introduções genéricas que poderiam servir para quase qualquer assunto.

Repertório sem relação com a discussão

Outro erro frequente é inserir referências culturais, históricas ou científicas apenas para parecer mais elaborado. Uma citação, um livro, um dado ou um acontecimento só ajudam quando têm função argumentativa. Não basta mencionar uma obra conhecida; é preciso explicar como ela esclarece a tese defendida.

Evite também dados imprecisos ou informações inventadas. Caso você não recorde um número com segurança, prefira uma formulação geral e verificável, como “levantamentos de órgãos públicos apontam”. Em uma prova, o repertório produtivo é aquele que é pertinente, explicado e conectado ao argumento.

  • Leia o tema mais de uma vez e destaque seus termos essenciais.
  • Defina o recorte que obrigatoriamente aparecerá em sua tese.
  • Escolha apenas exemplos que possam ser explicados no parágrafo.
  • Não substitua a análise do problema por frases prontas sobre “a sociedade atual”.

Organização, argumentação e coesão

Muitas redações apresentam uma opinião, mas não mostram por que ela é válida. Argumentar não é repetir a tese com outras palavras. É desenvolver razões, exemplos, relações de causa e consequência, comparações ou explicações que levem o leitor a aceitar o ponto de vista. Um parágrafo argumentativo consistente costuma apresentar uma ideia principal, detalhá-la e relacioná-la ao tema.

Um modelo simples de planejamento para a dissertação é organizar a introdução com contextualização e tese; reservar cada desenvolvimento para um argumento; e elaborar uma conclusão coerente com o que foi discutido. Esse esquema não deve virar uma fórmula rígida, mas ajuda a evitar parágrafos sem função definida.

ProblemaComo apareceComo corrigir
Repetição de ideiaOs dois desenvolvimentos dizem praticamente o mesmo.Planeje argumentos diferentes, como uma causa social e uma falha institucional.
GeneralizaçãoAfirmações como “todos pensam assim” surgem sem explicação.Delimite grupos, situações e consequências do problema.
Conectivo inadequado“Portanto” é usado onde há oposição ou exemplo.Escolha o termo conforme a relação lógica entre as frases.
Parágrafo curto demaisA ideia é apresentada, mas não é desenvolvida.Explique a afirmação e mostre sua ligação com a tese.

Coesão não é enfeite

Conectivos como “além disso”, “porém”, “portanto”, “por exemplo” e “desse modo” orientam a leitura. No entanto, eles devem expressar uma relação real. “Porém” indica oposição; “portanto”, conclusão; “porque”, causa; “por exemplo”, exemplificação. Usar muitas dessas palavras de forma mecânica pode tornar o texto artificial e até confuso.

A coesão também depende da retomada adequada de palavras. Em vez de repetir um termo em todas as frases, use pronomes, expressões equivalentes e elipses, sem deixar ambiguidade. Se houver duas pessoas mencionadas no período, por exemplo, um pronome como “ele” pode tornar a referência incerta. Nesses casos, retomar o substantivo é mais claro.

Linguagem, gramática e norma-padrão

Desvios de ortografia, concordância, regência e pontuação podem dificultar a compreensão e são especialmente relevantes em contextos que avaliam o domínio da norma-padrão. Ainda assim, o objetivo da revisão não é produzir frases excessivamente rebuscadas. Períodos simples, corretos e bem articulados comunicam melhor do que construções longas cheias de interrupções.

Alguns erros são recorrentes: confundir “mas” e “mais”; empregar “a gente” em um registro muito informal; escrever “há anos atrás”, expressão redundante; usar “onde” para situações que não indicam lugar; e separar sujeito e verbo com vírgula. Também merecem atenção a concordância entre verbo e sujeito e a regência de verbos como “assistir”, “preferir” e “implicar”.

Clareza é mais importante que ornamentação. Se uma frase ficou longa demais, divida-a em duas e verifique se a relação entre as ideias continua explícita.

O registro deve ser compatível com a situação formal. Gírias, abreviações de conversa digital, marcas de oralidade e expressões ofensivas não costumam ser adequadas em uma dissertação. A primeira pessoa não é necessariamente proibida em todos os gêneros, mas, no texto dissertativo-argumentativo escolar, construções impessoais ou em terceira pessoa geralmente favorecem a objetividade.

Conclusão e proposta de intervenção

Uma conclusão fraca apenas repete a introdução ou termina de modo abrupto. A última parte do texto precisa retomar a tese e mostrar que os argumentos levaram a uma resposta para o problema. Não é preciso copiar frases anteriores: sintetize a discussão com novas construções e evidencie a relação entre causas, consequências e possíveis encaminhamentos.

No modelo do ENEM, a conclusão deve apresentar uma proposta de intervenção relacionada ao problema debatido e respeitosa aos direitos humanos. Uma proposta completa costuma informar quem deve agir, o que será feito, como a ação ocorrerá, para qual finalidade e algum detalhamento. Esses elementos precisam ser viáveis e coerentes com os argumentos apresentados.

Por exemplo, se o desenvolvimento apontou a falta de informação como causa de determinado problema, a conclusão pode propor campanhas educativas. Porém, é necessário indicar responsáveis e meios: secretarias de educação podem promover oficinas nas escolas, com materiais produzidos por especialistas, para ampliar o conhecimento dos estudantes sobre o tema. A solução não deve surgir desconectada do restante da redação.

Evite propostas vagas, como “o governo deve resolver isso”, e soluções autoritárias ou discriminatórias. A conclusão não exige resolver todos os problemas sociais, mas deve demonstrar que o autor consegue elaborar um encaminhamento lógico, específico e ético.

Roteiro de revisão e síntese

A revisão final funciona melhor quando segue uma ordem. Primeiro, analise as ideias gerais; depois, observe a organização dos parágrafos; por último, corrija aspectos linguísticos. Começar pelas vírgulas antes de verificar a fuga ao tema pode fazer o estudante gastar tempo em um texto que ainda precisa de mudanças estruturais.

  1. Confirme se o texto responde exatamente ao tema e ao gênero solicitado.
  2. Localize a tese e verifique se ela apresenta uma posição clara.
  3. Veja se cada desenvolvimento traz um argumento diferente e explicado.
  4. Cheque os conectivos e a passagem de uma ideia para outra.
  5. Leia procurando repetições, ambiguidades, frases incompletas e contradições.
  6. Revise ortografia, acentuação, concordância, regência e pontuação.
  7. Verifique se a conclusão retoma a discussão e, quando necessário, apresenta intervenção detalhada.

Em síntese, os erros mais importantes na redação não são apenas os gramaticais: compreender mal o tema, não defender uma tese, organizar mal os argumentos e concluir sem coerência afetam diretamente o texto. A prática de planejar, escrever e revisar com critérios permite reconhecer esses problemas antes da entrega. Com o tempo, o estudante passa a controlar melhor tanto o conteúdo quanto a forma de sua escrita.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Quais são os erros mais comuns em uma redação?

Entre os mais frequentes estão a fuga ao tema, a repetição de argumentos, a falta de coesão entre os parágrafos e os desvios de norma-padrão. Uma conclusão vaga ou desconectada do desenvolvimento também compromete a redação.

Como evitar fugir ao tema da redação?

Leia atentamente os termos centrais da proposta e transforme o tema em perguntas para identificar seu recorte. Durante a revisão, confira se todos os parágrafos tratam diretamente desse recorte.

É errado usar conectivos em todos os parágrafos?

Não é errado usar conectivos, pois eles ajudam a estabelecer relações entre as ideias. O problema ocorre quando são empregados em excesso ou com sentido inadequado, sem correspondência com o que a frase expressa.

Como fazer uma boa conclusão para a redação do ENEM?

A conclusão deve retomar a tese e apresentar uma proposta de intervenção relacionada aos argumentos desenvolvidos. É recomendável indicar agente, ação, meio, finalidade e detalhamento, respeitando os direitos humanos.

Resumo em imagem

Resumo visual: Erros comuns na redação: como identificar e evitar

Referências

  1. Redação no ENEM 2024: Cartilha do Participante — Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) (2024)
  2. Nova gramática do português contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra (2017)
  3. Comunicação em prosa moderna — Othon M. Garcia (2010)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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