Para saber como fazer resumo e resenha, é preciso compreender que os dois textos partem da leitura de uma obra, mas não cumprem a mesma função. O resumo apresenta, de modo breve e fiel, as ideias principais de um texto, livro, filme ou artigo. A resenha, por sua vez, além de apresentar a obra, traz uma avaliação argumentada sobre ela. Em ambos os casos, ler com atenção, selecionar informações relevantes e escrever com clareza são etapas indispensáveis.
Esses gêneros aparecem com frequência em atividades escolares, trabalhos acadêmicos e preparações para vestibulares. Produzi-los bem não significa apenas diminuir um texto ou dar uma opinião rápida. É necessário identificar o assunto, o objetivo do autor, a organização das ideias e, no caso da resenha, construir um ponto de vista sustentado por justificativas.
Diferença entre resumo e resenha
A diferença central está na presença de avaliação. No resumo, quem escreve deve priorizar a exposição das ideias do texto-base, sem acrescentar julgamentos pessoais. O objetivo é permitir que outra pessoa compreenda os pontos essenciais da obra de maneira mais rápida.
Na resenha, há também uma apresentação do conteúdo, mas ela é acompanhada de análise. O autor da resenha pode indicar qualidades, limites, contribuições e possíveis leitores da obra. Essa opinião, porém, precisa ser justificada com elementos observados na leitura, e não apenas com frases como “eu gostei” ou “é muito bom”.
| Aspecto | Resumo | Resenha |
|---|---|---|
| Objetivo | Apresentar as ideias principais de forma condensada. | Apresentar e avaliar uma obra. |
| Opinião pessoal | Não deve aparecer. | É esperada, desde que argumentada. |
| Conteúdo | Foco no texto ou na obra resumida. | Síntese da obra mais análise crítica. |
| Linguagem | Objetiva, impessoal e clara. | Clara, analítica e argumentativa. |
| Exemplo de uso | Fichamento de capítulo, síntese de artigo. | Comentário crítico sobre livro ou filme. |
Regra prática: se o texto apenas recupera as ideias mais importantes de uma obra, trata-se de um resumo. Se recupera essas ideias e apresenta uma avaliação justificada, trata-se de uma resenha.
Como fazer um resumo
Um bom resumo começa antes da escrita. Não é recomendável copiar trechos e tentar uni-los depois, pois esse procedimento costuma gerar repetições, perda de sentido e até reprodução excessiva das palavras do texto original. O resumo exige compreensão global: é preciso entender o que está sendo dito e como cada parte contribui para a ideia central.
Na primeira leitura, procure reconhecer o tema e a tese principal, isto é, a ideia que organiza o texto. Em textos narrativos, observe personagens, conflito, tempo, espaço e desfecho. Em textos expositivos ou argumentativos, identifique a questão discutida, os argumentos e a conclusão. Depois, releia e destaque conceitos, dados, exemplos decisivos e relações de causa e consequência.
Etapas para produzir o texto
- Leia integralmente o material e identifique seu assunto central.
- Selecione as ideias essenciais, descartando detalhes que não mudam a compreensão geral.
- Organize as informações em uma sequência lógica, respeitando a progressão do original.
- Reescreva com suas palavras, mantendo o sentido do texto-base.
- Revise para verificar fidelidade, clareza, coesão e correção linguística.
Ao resumir, use verbos que indiquem ações do autor ou da obra, como “apresenta”, “discute”, “defende”, “explica”, “compara” e “conclui”. Eles ajudam a deixar claro que as ideias não são suas, mas pertencem ao texto lido. Quando for necessário mencionar uma informação específica, apresente-a de forma integrada à explicação, sem transformar o resumo em uma lista desconexa.
O tamanho depende da proposta recebida. Um resumo escolar pode ter um ou mais parágrafos; um resumo de artigo científico costuma seguir orientações próprias de extensão. Em qualquer caso, o critério principal não é somente escrever pouco, mas selecionar o que é indispensável para compreender a obra.
Estrutura do resumo
Embora não exista uma fórmula única, um resumo geralmente apresenta início, desenvolvimento e fechamento. No começo, informe a obra e seu tema. Em seguida, exponha os argumentos, acontecimentos ou conceitos fundamentais. Ao final, indique a conclusão alcançada pelo autor ou o desfecho principal, se isso for pertinente à proposta.
Imagine um artigo que discute os efeitos do desperdício de água nas cidades. Um resumo adequado poderia informar que o texto apresenta causas do desperdício, explica consequências ambientais e sociais e defende medidas de consumo consciente e melhoria da infraestrutura. Não seria necessário repetir todos os exemplos, números ou casos mencionados no artigo.
Um resumo deve ser mais curto que o texto original, mas não pode deformar suas ideias. Reduzir não é eliminar partes ao acaso: é preservar o núcleo do que foi lido.
Também é importante evitar marcas de opinião, como “o texto é excelente”, “a autora está errada” ou “o filme é emocionante”. Essas avaliações pertencem à resenha. No resumo, a fidelidade ao conteúdo é mais importante que a reação pessoal de quem escreve.
Como fazer uma resenha
A resenha combina informação e argumentação. Para escrevê-la, conheça bem a obra e tenha clareza sobre o tipo de avaliação que fará. Uma resenha pode abordar um romance, um filme, uma peça teatral, um álbum, um artigo científico ou outro produto cultural. Ela orienta possíveis leitores ou espectadores ao explicar de que trata a obra e ao discutir seus aspectos relevantes.
Antes de redigir, registre dados básicos: título, autor ou autora, ano de publicação ou lançamento, gênero e assunto. Depois, anote elementos que podem fundamentar sua análise. Em um livro de ficção, por exemplo, podem ser observados o enredo, a construção das personagens, o narrador, a linguagem e os temas. Em um filme, podem ser analisados roteiro, atuações, fotografia, trilha sonora e abordagem do tema.
A avaliação deve ser equilibrada e específica. Em vez de afirmar apenas que uma história é “interessante”, explique o motivo: talvez o conflito seja bem desenvolvido, a linguagem seja acessível ou o tema dialogue com questões atuais. Da mesma forma, uma crítica negativa ganha consistência quando aponta qual aspecto é limitado e apresenta um exemplo ou explicação.
Resenha descritiva e resenha crítica
A resenha descritiva concentra-se em apresentar as características e o conteúdo de uma obra. Já a resenha crítica inclui uma apreciação mais explícita, com argumentos favoráveis ou desfavoráveis. Nas atividades escolares, o termo “resenha” costuma se referir à modalidade crítica, mas a orientação do professor deve ser observada, pois ela define extensão, foco e critérios de avaliação.
Estrutura da resenha
Uma organização eficiente ajuda o leitor a acompanhar a apresentação e a análise. A abertura identifica a obra e situa seu tema. O desenvolvimento faz uma síntese seletiva do conteúdo e discute os elementos escolhidos para avaliação. O encerramento retoma o julgamento principal e pode indicar para que público a obra é mais adequada.
- Identificação: apresente título, autoria, gênero e, quando relevante, ano de publicação ou lançamento.
- Contextualização: indique o tema ou a questão central tratada pela obra.
- Síntese: explique os pontos principais sem revelar detalhes que não sejam necessários, especialmente em narrativas.
- Análise: formule sua avaliação e sustente-a com observações concretas.
- Conclusão: reafirme a apreciação geral e, se fizer sentido, indique o público que pode se interessar pela obra.
Uma resenha não precisa elogiar nem condenar inteiramente o objeto analisado. É possível reconhecer que um livro tem linguagem envolvente, mas apresenta personagens pouco aprofundadas, por exemplo. Essa capacidade de perceber diferentes aspectos torna a análise mais consistente.
É útil diferenciar opinião de argumento. “Não gostei do final” é uma opinião. “O final parece apressado porque resolve conflitos importantes sem desenvolvê-los ao longo da narrativa” é um argumento. A segunda formulação permite que o leitor entenda o critério usado na avaliação, mesmo que não concorde com ela.
Erros comuns e revisão
Um erro frequente no resumo é copiar frases inteiras do texto-base. Além de demonstrar pouca elaboração, isso pode manter trechos secundários e deixar de fora a ideia principal. Outro problema é acrescentar informações que não aparecem no original. A tarefa de resumir exige fidelidade: explicar com outras palavras não autoriza alterar o sentido.
Na resenha, os equívocos mais comuns são contar detalhadamente toda a história, usar adjetivos sem justificativa e confundir a obra com a vida pessoal de seu autor. A síntese deve servir à análise, não substituí-la. Se a resenha revela todos os acontecimentos de um romance ou filme, pode ainda prejudicar a experiência de quem pretende conhecer a obra.
Na revisão, leia seu texto procurando responder a algumas perguntas: o assunto central está claro? As ideias aparecem em ordem compreensível? Há repetições desnecessárias? Minha opinião, se houver, está fundamentada? A linguagem está adequada à situação de produção? Corrija também ortografia, concordância, pontuação e uso de conectivos, como “porém”, “além disso”, “portanto” e “desse modo”.
Pontos de revisão
Resumo e resenha dependem de leitura atenta, seleção de informações e reescrita consciente. No resumo, a prioridade é transmitir com objetividade as ideias fundamentais de outra obra. Na resenha, essa síntese é acompanhada por uma análise que precisa ser clara, respeitosa e baseada em argumentos.
- No resumo, mantenha-se fiel ao texto e não apresente julgamento pessoal.
- Na resenha, identifique a obra, sintetize o conteúdo e defenda sua avaliação.
- Evite copiar, exagerar nos detalhes ou usar opiniões vagas.
- Adapte extensão, linguagem e profundidade ao comando da atividade e ao público leitor.
- Revise o texto final para garantir clareza, organização e correção.
Com prática, esses gêneros ajudam a desenvolver competências importantes de estudo e comunicação: compreender textos, distinguir ideias centrais de detalhes, organizar informações e argumentar de modo fundamentado.