Um modelo de conectivos para redação é uma seleção organizada de palavras e expressões que unem ideias, indicam relações de sentido e orientam a leitura do texto. Em vez de decorar conectivos isolados, o mais importante é saber qual relação lógica cada um estabelece: causa, consequência, oposição, explicação, conclusão, comparação ou adição. Assim, a redação se torna mais clara e coesa.
Em textos dissertativo-argumentativos, como os solicitados no ENEM e em vestibulares, os conectivos ajudam a construir uma linha de raciocínio. Eles mostram, por exemplo, que um argumento complementa o anterior, que um fato explica outro ou que uma proposta decorre de um problema discutido. Contudo, seu uso não substitui ideias bem desenvolvidas: o conector organiza o pensamento, mas não cria conteúdo.
O que são conectivos e por que eles importam
Conectivos, também chamados de conectores ou operadores argumentativos, são termos que estabelecem ligação entre palavras, orações, períodos e parágrafos. Podem ser conjunções, advérbios, locuções conjuntivas ou outras expressões com função semelhante. Em “A medida é necessária, pois reduz os riscos”, a palavra “pois” introduz uma explicação ou causa para a afirmação anterior.
Na redação, a presença desses elementos contribui para a coesão textual, isto é, para a ligação formal entre as partes do texto. Já a coerência depende da lógica geral das ideias. Os dois aspectos se relacionam: um conector inadequado pode prejudicar a coerência, mesmo que a frase esteja gramaticalmente correta.
Regra essencial: escolha o conectivo depois de identificar a relação entre as ideias. Não use “portanto” apenas para deixar a frase mais formal; use-o quando a segunda ideia for realmente uma conclusão da anterior.
Compare as frases: “A desigualdade limita o acesso à educação. Além disso, afeta a permanência escolar” apresenta adição. Já “A desigualdade limita o acesso à educação. Por isso, são necessárias políticas de permanência” apresenta consequência e encaminha uma resposta ao problema. O vocabulário de ligação muda o sentido construído pelo leitor.
Modelo prático de conectivos por partes da redação
Não existe uma lista obrigatória, nem é recomendável repetir sempre a mesma fórmula. Ainda assim, um modelo por etapas ajuda a planejar o texto. A introdução costuma apresentar e delimitar o tema; o desenvolvimento expõe argumentos, dados, exemplos e explicações; a conclusão retoma a discussão e encaminha uma síntese ou proposta, quando necessária.
| Parte do texto | Funções frequentes | Conectivos possíveis |
|---|---|---|
| Introdução | Apresentar tema, contextualizar, delimitar | Inicialmente, diante desse cenário, no contexto atual, em primeiro plano |
| Desenvolvimento 1 | Iniciar argumento e explicar | Em primeiro lugar, sob essa perspectiva, isso ocorre porque, uma vez que |
| Desenvolvimento 2 | Adicionar, contrastar ou aprofundar | Além disso, ademais, entretanto, por outro lado, do mesmo modo |
| Conclusão | Concluir, sintetizar, propor encaminhamento | Portanto, logo, desse modo, em síntese, assim |
Na abertura, expressões como “atualmente” ou “no cenário brasileiro” podem situar o assunto, mas devem ser acompanhadas de uma informação relevante. No primeiro desenvolvimento, “em primeiro lugar” sinaliza a apresentação de um argumento. No parágrafo seguinte, “além disso” funciona se houver soma de razões; “por outro lado” é mais adequado para contrapor perspectivas.
Uma estrutura possível é a seguinte:
- Contextualize o tema e apresente sua tese: “Diante desse cenário, percebe-se que...”
- Introduza o primeiro argumento: “Em primeiro lugar, essa realidade decorre de...”
- Acrescente ou contraste o segundo argumento: “Além disso, o problema se agrava quando...”
- Feche o raciocínio: “Portanto, torna-se necessário...”
Esse esquema é um ponto de partida, não uma fórmula fixa. Caso todos os parágrafos comecem de modo idêntico, o texto pode parecer mecânico. A variedade é positiva desde que preserve a precisão da relação de sentido.
Funções dos conectivos e exemplos de uso
Conhecer as funções semânticas é mais útil do que memorizar uma lista extensa. Um mesmo conectivo pode assumir nuances conforme o contexto, mas há usos recorrentes que auxiliam na escrita escolar.
Adição, explicação e exemplificação
Para acrescentar informações compatíveis, use “além disso”, “também”, “ademais” e “bem como”. Exemplo: “A leitura amplia o repertório linguístico. Além disso, favorece a construção de argumentos.” Para explicar uma afirmação, empregue “pois”, “porque”, “visto que” ou “uma vez que”: “A medida deve ser ampliada, pois alcança apenas parte da população.”
Na introdução de exemplos, são úteis “por exemplo”, “como ocorre em” e “a exemplo de”. Eles devem apresentar um caso que comprove ou torne mais concreto o argumento. Não basta citar uma situação aleatória: o exemplo precisa ser explicado e relacionado à tese defendida.
Causa, consequência e conclusão
“Porque”, “já que”, “visto que” e “em razão de” podem indicar causa. “Por isso”, “assim”, “desse modo” e “como consequência” indicam resultado. “Portanto”, “logo”, “assim sendo” e “em síntese” introduzem uma conclusão. Observe: “Muitas escolas não possuem acervo atualizado; por isso, o acesso dos estudantes a diferentes obras fica restrito.” O segundo segmento é consequência do primeiro.
É importante distinguir “por isso” de “portanto”. O primeiro costuma apontar uma consequência direta; o segundo retoma premissas para concluir um raciocínio. Em uma redação, ambos podem aparecer, mas não devem ser empregados automaticamente como sinônimos perfeitos.
Oposição, concessão e comparação
Para opor ideias, use “mas”, “porém”, “contudo”, “entretanto” e “todavia”. Para reconhecer uma ressalva sem abandonar a ideia principal, use “embora”, “ainda que”, “mesmo que” e “apesar de”. Exemplo: “Embora existam campanhas de conscientização, parte da população ainda desconhece o problema.”
Comparações podem ser marcadas por “da mesma forma”, “assim como”, “em comparação com” e “ao passo que”. Elas são úteis quando dois fenômenos são aproximados ou diferenciados. A comparação deve ter um critério claro, evitando analogias vagas que não contribuam para o argumento.
Como usar conectivos nos parágrafos
Um bom parágrafo argumentativo costuma apresentar uma ideia central, desenvolvê-la e relacioná-la à tese. Os conectivos podem atuar em cada etapa. No início, orientam a função do parágrafo; entre as frases, mostram como evidências e explicações se encadeiam; no fim, ajudam a retomar o efeito do argumento sobre a discussão principal.
Veja um modelo curto: “Em primeiro lugar, a circulação de informações falsas dificulta o debate público. Isso ocorre porque conteúdos enganosos podem ser compartilhados sem verificação. Consequentemente, decisões individuais e coletivas podem se basear em dados incorretos.” A sequência apresenta argumento, causa e consequência de modo progressivo.
Ao iniciar um novo desenvolvimento, é possível usar “além disso” apenas se o segundo ponto somar algo ao primeiro. Se a intenção for mostrar um limite, uma contradição ou uma perspectiva diferente, prefira “entretanto”, “por outro lado” ou “apesar disso”. A seleção correta revela domínio das relações argumentativas.
Também é recomendável evitar conectivos em excesso. Frases curtas ligadas artificialmente podem tornar a leitura pesada: “Além disso, o problema cresce. Além disso, afeta jovens. Além disso, exige medidas.” Nesse caso, a repetição pode ser substituída por uma organização mais natural, com períodos que detalhem a mesma ideia.
Conectivo eficiente é aquele que o leitor percebe pela clareza da relação que estabelece, e não pela aparência de linguagem rebuscada.
Erros comuns no uso de conectivos
O primeiro erro é usar uma expressão incompatível com a ideia seguinte. Escrever “portanto” antes de uma informação que apenas adiciona outro argumento quebra a lógica do texto. Antes de escolher a palavra, pergunte: estou concluindo, explicando, contrapondo ou acrescentando?
O segundo problema é confundir registro formal com vocabulário excessivamente raro. Termos como “destarte”, “outrossim” e “consoante” existem na língua portuguesa, mas não são obrigatórios para uma redação de qualidade. “Desse modo”, “além disso” e “de acordo com” são claros, adequados e geralmente mais naturais.
Outros cuidados importantes incluem:
- não iniciar todos os parágrafos com “em primeiro lugar” ou “além disso”;
- não empregar “onde” para se referir a situações, conceitos ou fatos; prefira “em que”, “na qual” ou reformule;
- não usar “pois” depois de ponto final como se fosse sempre equivalente a “portanto”, pois ele pode ter valor explicativo ou conclusivo conforme a posição;
- não colocar vírgulas apenas por haver um conectivo: a pontuação depende da estrutura da oração;
- não substituir a explicação do argumento por uma sequência de conectores.
Na revisão, leia cada transição e tente nomear a relação criada. Se você não consegue dizer por que usou “entretanto” ou “logo”, provavelmente é necessário trocar o conector ou reorganizar as frases. Essa prática torna a escolha mais consciente.
Pontos de revisão
Um modelo de conectivos é útil quando serve à organização das ideias, e não quando vira uma lista decorada. Para revisar a redação, verifique se cada parágrafo tem uma função clara e se as ligações entre as frases correspondem ao sentido pretendido.
- Use conectivos de adição para somar argumentos e informações.
- Use conectivos de causa e consequência para explicar relações entre fatos.
- Use oposição e concessão quando houver contraste ou ressalva.
- Reserve conectivos conclusivos para a síntese de um raciocínio.
- Varie as expressões, mantendo a clareza e o registro formal.
- Priorize argumentos consistentes: conectivos organizam o texto, mas não compensam a ausência de desenvolvimento.
Com planejamento e revisão, os conectores deixam de ser enfeites e passam a cumprir sua função central: conduzir o leitor por um texto lógico, articulado e compreensível.