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Língua Portuguesa

Modelo de conectivos para redação: como usar e exemplos

Os conectivos organizam as relações de sentido entre frases e parágrafos. Saiba escolher expressões adequadas para tornar sua redação mais coesa, clara e argumentativa.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino médio

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Um modelo de conectivos para redação é uma seleção organizada de palavras e expressões que unem ideias, indicam relações de sentido e orientam a leitura do texto. Em vez de decorar conectivos isolados, o mais importante é saber qual relação lógica cada um estabelece: causa, consequência, oposição, explicação, conclusão, comparação ou adição. Assim, a redação se torna mais clara e coesa.

Em textos dissertativo-argumentativos, como os solicitados no ENEM e em vestibulares, os conectivos ajudam a construir uma linha de raciocínio. Eles mostram, por exemplo, que um argumento complementa o anterior, que um fato explica outro ou que uma proposta decorre de um problema discutido. Contudo, seu uso não substitui ideias bem desenvolvidas: o conector organiza o pensamento, mas não cria conteúdo.

O que são conectivos e por que eles importam

Conectivos, também chamados de conectores ou operadores argumentativos, são termos que estabelecem ligação entre palavras, orações, períodos e parágrafos. Podem ser conjunções, advérbios, locuções conjuntivas ou outras expressões com função semelhante. Em “A medida é necessária, pois reduz os riscos”, a palavra “pois” introduz uma explicação ou causa para a afirmação anterior.

Na redação, a presença desses elementos contribui para a coesão textual, isto é, para a ligação formal entre as partes do texto. Já a coerência depende da lógica geral das ideias. Os dois aspectos se relacionam: um conector inadequado pode prejudicar a coerência, mesmo que a frase esteja gramaticalmente correta.

Regra essencial: escolha o conectivo depois de identificar a relação entre as ideias. Não use “portanto” apenas para deixar a frase mais formal; use-o quando a segunda ideia for realmente uma conclusão da anterior.

Compare as frases: “A desigualdade limita o acesso à educação. Além disso, afeta a permanência escolar” apresenta adição. Já “A desigualdade limita o acesso à educação. Por isso, são necessárias políticas de permanência” apresenta consequência e encaminha uma resposta ao problema. O vocabulário de ligação muda o sentido construído pelo leitor.

Modelo prático de conectivos por partes da redação

Não existe uma lista obrigatória, nem é recomendável repetir sempre a mesma fórmula. Ainda assim, um modelo por etapas ajuda a planejar o texto. A introdução costuma apresentar e delimitar o tema; o desenvolvimento expõe argumentos, dados, exemplos e explicações; a conclusão retoma a discussão e encaminha uma síntese ou proposta, quando necessária.

Parte do textoFunções frequentesConectivos possíveis
IntroduçãoApresentar tema, contextualizar, delimitarInicialmente, diante desse cenário, no contexto atual, em primeiro plano
Desenvolvimento 1Iniciar argumento e explicarEm primeiro lugar, sob essa perspectiva, isso ocorre porque, uma vez que
Desenvolvimento 2Adicionar, contrastar ou aprofundarAlém disso, ademais, entretanto, por outro lado, do mesmo modo
ConclusãoConcluir, sintetizar, propor encaminhamentoPortanto, logo, desse modo, em síntese, assim

Na abertura, expressões como “atualmente” ou “no cenário brasileiro” podem situar o assunto, mas devem ser acompanhadas de uma informação relevante. No primeiro desenvolvimento, “em primeiro lugar” sinaliza a apresentação de um argumento. No parágrafo seguinte, “além disso” funciona se houver soma de razões; “por outro lado” é mais adequado para contrapor perspectivas.

Uma estrutura possível é a seguinte:

  1. Contextualize o tema e apresente sua tese: “Diante desse cenário, percebe-se que...”
  2. Introduza o primeiro argumento: “Em primeiro lugar, essa realidade decorre de...”
  3. Acrescente ou contraste o segundo argumento: “Além disso, o problema se agrava quando...”
  4. Feche o raciocínio: “Portanto, torna-se necessário...”

Esse esquema é um ponto de partida, não uma fórmula fixa. Caso todos os parágrafos comecem de modo idêntico, o texto pode parecer mecânico. A variedade é positiva desde que preserve a precisão da relação de sentido.

Funções dos conectivos e exemplos de uso

Conhecer as funções semânticas é mais útil do que memorizar uma lista extensa. Um mesmo conectivo pode assumir nuances conforme o contexto, mas há usos recorrentes que auxiliam na escrita escolar.

Adição, explicação e exemplificação

Para acrescentar informações compatíveis, use “além disso”, “também”, “ademais” e “bem como”. Exemplo: “A leitura amplia o repertório linguístico. Além disso, favorece a construção de argumentos.” Para explicar uma afirmação, empregue “pois”, “porque”, “visto que” ou “uma vez que”: “A medida deve ser ampliada, pois alcança apenas parte da população.”

Na introdução de exemplos, são úteis “por exemplo”, “como ocorre em” e “a exemplo de”. Eles devem apresentar um caso que comprove ou torne mais concreto o argumento. Não basta citar uma situação aleatória: o exemplo precisa ser explicado e relacionado à tese defendida.

Causa, consequência e conclusão

“Porque”, “já que”, “visto que” e “em razão de” podem indicar causa. “Por isso”, “assim”, “desse modo” e “como consequência” indicam resultado. “Portanto”, “logo”, “assim sendo” e “em síntese” introduzem uma conclusão. Observe: “Muitas escolas não possuem acervo atualizado; por isso, o acesso dos estudantes a diferentes obras fica restrito.” O segundo segmento é consequência do primeiro.

É importante distinguir “por isso” de “portanto”. O primeiro costuma apontar uma consequência direta; o segundo retoma premissas para concluir um raciocínio. Em uma redação, ambos podem aparecer, mas não devem ser empregados automaticamente como sinônimos perfeitos.

Oposição, concessão e comparação

Para opor ideias, use “mas”, “porém”, “contudo”, “entretanto” e “todavia”. Para reconhecer uma ressalva sem abandonar a ideia principal, use “embora”, “ainda que”, “mesmo que” e “apesar de”. Exemplo: “Embora existam campanhas de conscientização, parte da população ainda desconhece o problema.”

Comparações podem ser marcadas por “da mesma forma”, “assim como”, “em comparação com” e “ao passo que”. Elas são úteis quando dois fenômenos são aproximados ou diferenciados. A comparação deve ter um critério claro, evitando analogias vagas que não contribuam para o argumento.

Como usar conectivos nos parágrafos

Um bom parágrafo argumentativo costuma apresentar uma ideia central, desenvolvê-la e relacioná-la à tese. Os conectivos podem atuar em cada etapa. No início, orientam a função do parágrafo; entre as frases, mostram como evidências e explicações se encadeiam; no fim, ajudam a retomar o efeito do argumento sobre a discussão principal.

Veja um modelo curto: “Em primeiro lugar, a circulação de informações falsas dificulta o debate público. Isso ocorre porque conteúdos enganosos podem ser compartilhados sem verificação. Consequentemente, decisões individuais e coletivas podem se basear em dados incorretos.” A sequência apresenta argumento, causa e consequência de modo progressivo.

Ao iniciar um novo desenvolvimento, é possível usar “além disso” apenas se o segundo ponto somar algo ao primeiro. Se a intenção for mostrar um limite, uma contradição ou uma perspectiva diferente, prefira “entretanto”, “por outro lado” ou “apesar disso”. A seleção correta revela domínio das relações argumentativas.

Também é recomendável evitar conectivos em excesso. Frases curtas ligadas artificialmente podem tornar a leitura pesada: “Além disso, o problema cresce. Além disso, afeta jovens. Além disso, exige medidas.” Nesse caso, a repetição pode ser substituída por uma organização mais natural, com períodos que detalhem a mesma ideia.

Conectivo eficiente é aquele que o leitor percebe pela clareza da relação que estabelece, e não pela aparência de linguagem rebuscada.

Erros comuns no uso de conectivos

O primeiro erro é usar uma expressão incompatível com a ideia seguinte. Escrever “portanto” antes de uma informação que apenas adiciona outro argumento quebra a lógica do texto. Antes de escolher a palavra, pergunte: estou concluindo, explicando, contrapondo ou acrescentando?

O segundo problema é confundir registro formal com vocabulário excessivamente raro. Termos como “destarte”, “outrossim” e “consoante” existem na língua portuguesa, mas não são obrigatórios para uma redação de qualidade. “Desse modo”, “além disso” e “de acordo com” são claros, adequados e geralmente mais naturais.

Outros cuidados importantes incluem:

  • não iniciar todos os parágrafos com “em primeiro lugar” ou “além disso”;
  • não empregar “onde” para se referir a situações, conceitos ou fatos; prefira “em que”, “na qual” ou reformule;
  • não usar “pois” depois de ponto final como se fosse sempre equivalente a “portanto”, pois ele pode ter valor explicativo ou conclusivo conforme a posição;
  • não colocar vírgulas apenas por haver um conectivo: a pontuação depende da estrutura da oração;
  • não substituir a explicação do argumento por uma sequência de conectores.

Na revisão, leia cada transição e tente nomear a relação criada. Se você não consegue dizer por que usou “entretanto” ou “logo”, provavelmente é necessário trocar o conector ou reorganizar as frases. Essa prática torna a escolha mais consciente.

Pontos de revisão

Um modelo de conectivos é útil quando serve à organização das ideias, e não quando vira uma lista decorada. Para revisar a redação, verifique se cada parágrafo tem uma função clara e se as ligações entre as frases correspondem ao sentido pretendido.

  • Use conectivos de adição para somar argumentos e informações.
  • Use conectivos de causa e consequência para explicar relações entre fatos.
  • Use oposição e concessão quando houver contraste ou ressalva.
  • Reserve conectivos conclusivos para a síntese de um raciocínio.
  • Varie as expressões, mantendo a clareza e o registro formal.
  • Priorize argumentos consistentes: conectivos organizam o texto, mas não compensam a ausência de desenvolvimento.

Com planejamento e revisão, os conectores deixam de ser enfeites e passam a cumprir sua função central: conduzir o leitor por um texto lógico, articulado e compreensível.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que são conectivos em uma redação?

Conectivos são palavras ou expressões que ligam partes do texto e indicam relações de sentido entre elas. Eles podem expressar adição, causa, consequência, oposição, explicação, conclusão e outras relações.

Quais conectivos posso usar para começar o desenvolvimento?

Expressões como “em primeiro lugar”, “sob essa perspectiva”, “inicialmente” e “no que se refere a” podem iniciar um desenvolvimento. A escolha deve combinar com a função do parágrafo e com o argumento que será apresentado.

Posso repetir conectivos na redação?

Sim, desde que a repetição não seja excessiva e que o termo seja adequado ao contexto. Em geral, é preferível variar as expressões para tornar a leitura mais fluida, sem trocar palavras apenas por parecerem mais sofisticadas.

Qual é a diferença entre coesão e coerência?

Coesão é a ligação linguística entre as partes do texto, construída com conectivos, pronomes e repetições controladas, entre outros recursos. Coerência é a lógica global das ideias; um texto pode ter conectivos e ainda ser incoerente se seus argumentos não fizerem sentido entre si.

Resumo em imagem

Resumo visual: Modelo de conectivos para redação: como usar e exemplos

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra (2017)
  2. Texto e coerência — Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Luiz Carlos Travaglia (2015)
  3. A coesão textual — Ingedore Grunfeld Villaça Koch (2018)
  4. Cartilha do Participante: Redação do ENEM — Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) (2023)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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