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História do Brasil

Exercícios sobre o Segundo Reinado com gabarito comentado

Revise os acontecimentos centrais do Segundo Reinado e teste seus conhecimentos com questões objetivas e gabarito comentado.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II, ensino médio, vestibulares e ENEM

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Exercícios sobre Segundo Reinado com gabarito ajudam a revisar o período em que Dom Pedro II governou o Brasil, entre 1840 e 1889. Para resolver questões sobre essa fase, é essencial relacionar a estabilidade política do Império à expansão cafeeira, à permanência da escravidão, à Guerra do Paraguai e às crises que levaram à Proclamação da República.

Contexto e características do Segundo Reinado

O Segundo Reinado começou em 1840, quando Dom Pedro II, então com 14 anos, teve sua maioridade antecipada. O episódio ficou conhecido como Golpe da Maioridade. Ele encerrou o Período Regencial, marcado por revoltas em diversas províncias e por disputas entre grupos políticos sobre o grau de autonomia regional.

O imperador permaneceu no poder até 1889. Ao longo de quase cinco décadas, o Estado imperial buscou consolidar a unidade territorial brasileira e ampliar sua presença administrativa. No entanto, essa estabilidade não significava participação política ampla: o direito ao voto era limitado por critérios de renda e as eleições sofriam influência dos grupos dominantes.

Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o principal produto de exportação do país. Sua expansão, inicialmente no Vale do Paraíba e depois no Oeste Paulista, fortaleceu proprietários rurais e conectou o Brasil ao comércio internacional. A riqueza cafeeira também favoreceu ferrovias, bancos, cidades e novas relações de trabalho, sobretudo depois do avanço do fim da escravidão.

Atenção: o Segundo Reinado foi politicamente mais duradouro que o Período Regencial, mas não foi isento de conflitos. Revoltas provinciais, disputas eleitorais, tensões externas e o debate sobre a escravidão fizeram parte de todo o período.

Política, Poder Moderador e parlamentarismo

A organização política do Império baseava-se na Constituição de 1824, criada ainda no Primeiro Reinado. Ela estabelecia quatro poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e Poder Moderador. Este último era exclusivo do imperador e lhe dava atribuições importantes, como nomear senadores vitalícios a partir de listas de candidatos e dissolver a Câmara dos Deputados.

Durante o Segundo Reinado, consolidou-se o chamado parlamentarismo às avessas. Em um parlamentarismo clássico, a maioria do Parlamento define o chefe de governo. No Brasil imperial, Dom Pedro II escolhia o presidente do Conselho de Ministros; depois, organizavam-se eleições para formar uma Câmara favorável ao gabinete. Por isso, a expressão indica que o processo ocorria em sentido inverso ao modelo britânico.

Os dois principais grupos políticos eram o Partido Liberal e o Partido Conservador. Apesar das diferenças, ambos defendiam a monarquia e representavam, em geral, interesses das elites proprietárias. A alternância entre liberais e conservadores no governo foi facilitada pela ação do imperador, prática conhecida como política da conciliação, especialmente relevante nos anos 1850.

ElementoCaracterística no Segundo Reinado
Poder ModeradorInstrumento constitucional que ampliava a influência política do imperador.
VotoCensitário, restrito a homens livres que cumprissem exigências de renda.
Partidos principaisLiberal e Conservador, ligados às elites e defensores da monarquia.
ParlamentarismoGabinete era indicado pelo imperador, e não diretamente pela maioria parlamentar.

Café, trabalho escravizado e transformações econômicas

A cafeicultura foi a base econômica do Segundo Reinado. O produto atendia à crescente demanda dos mercados europeu e norte-americano e gerava recursos para os grandes proprietários. Ao mesmo tempo, a expansão das lavouras dependia intensamente do trabalho de pessoas escravizadas, o que explica a resistência de muitos fazendeiros às medidas abolicionistas.

Em 1850, dois acontecimentos tiveram grande impacto. A Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas para o Brasil. No mesmo ano, a Lei de Terras determinou que o acesso legal a terras devolutas ocorreria principalmente por compra. Essa regra dificultou o acesso à propriedade por pobres, libertos e imigrantes, contribuindo para a concentração fundiária.

Com o fim do tráfico, aumentou a pressão por formas alternativas de trabalho. Houve deslocamento interno de escravizados e experiências de parceria com imigrantes. Mais tarde, sobretudo em São Paulo, difundiu-se o trabalho assalariado de imigrantes europeus nas fazendas de café. Isso não eliminou imediatamente a escravidão, mas indicava uma mudança nas relações econômicas.

O período também registrou iniciativas de modernização. Destacaram-se investimentos em ferrovias, navegação a vapor, telégrafos e atividades industriais. O empresário Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, tornou-se símbolo desses empreendimentos. Ainda assim, a economia brasileira continuou predominantemente agrária, exportadora e dependente do café.

A questão escravista e o movimento abolicionista

A escravidão foi o principal problema social e político do final do Império. Após a proibição do tráfico em 1850, a instituição permaneceu legal por décadas. A pressão inglesa, as fugas, as revoltas, a atuação de associações abolicionistas, a imprensa e a resistência das próprias pessoas escravizadas tornaram o debate cada vez mais intenso.

O processo de abolição foi gradual e incompleto. A Lei do Ventre Livre, de 1871, declarou livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data, mas estabeleceu condições que prolongavam sua dependência. A Lei dos Sexagenários, de 1885, libertou pessoas escravizadas com mais de 60 anos, embora impusesse restrições e atingisse uma parcela pequena da população cativa.

Finalmente, em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravidão sem indenizar proprietários e sem criar políticas de inclusão social, distribuição de terras, moradia ou trabalho para os libertos. Essa ausência ajuda a explicar desigualdades raciais e sociais que persistiram após o fim formal da escravidão.

A abolição também afastou setores escravistas da monarquia. Somada ao fortalecimento do Exército depois da Guerra do Paraguai, às críticas de republicanos e aos conflitos entre Estado e Igreja, ela integrou a crise que culminou na Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.

Exercícios sobre o Segundo Reinado

  1. O Golpe da Maioridade, ocorrido em 1840, teve como consequência imediata:

    • A) o início da República brasileira.
    • B) a antecipação da posse de Dom Pedro II e o fim do Período Regencial.
    • C) a abolição imediata da escravidão.
    • D) a criação da Constituição de 1891.
  2. O chamado parlamentarismo às avessas no Brasil imperial ocorria porque:

    • A) o presidente do Conselho de Ministros era escolhido diretamente pelo eleitorado.
    • B) os senadores tinham mandato temporário e controlavam o imperador.
    • C) o imperador nomeava o gabinete e podia influenciar a formação de uma maioria na Câmara.
    • D) não existiam partidos políticos durante o Império.
  3. Assinale a alternativa que relaciona corretamente a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, ao contexto brasileiro.

    • A) Ela aboliu a escravidão em todo o território nacional.
    • B) Ela proibiu o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.
    • C) Ela garantiu terras gratuitas aos imigrantes.
    • D) Ela criou o voto universal masculino.
  4. A Lei Áurea foi importante por extinguir juridicamente a escravidão. Porém, uma limitação marcante dessa lei foi:

    • A) manter o tráfico negreiro em funcionamento.
    • B) impedir a liberdade de pessoas com mais de 60 anos.
    • C) não prever medidas de integração social e econômica para os libertos.
    • D) restringir a abolição apenas às áreas urbanas.
  5. Entre os fatores que contribuíram para a crise do Império, pode-se citar:

    • A) a completa união entre Exército, Igreja, escravistas e monarquia.
    • B) o descontentamento de setores militares, religiosos e escravistas, além do crescimento republicano.
    • C) a redução da importância política do café no século XIX.
    • D) o retorno do Brasil à condição de colônia portuguesa.

Gabarito comentado

1. Alternativa B. O Golpe da Maioridade antecipou a maioridade de Dom Pedro II. A medida foi apoiada por setores que esperavam reduzir as instabilidades regenciais e iniciar um governo central mais duradouro.

2. Alternativa C. A expressão parlamentarismo às avessas destaca o papel decisivo do imperador. Ele nomeava o presidente do Conselho de Ministros e tinha recursos políticos, inclusive a dissolução da Câmara, para favorecer gabinetes alinhados ao governo.

3. Alternativa B. A Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico atlântico de africanos escravizados. Ela não acabou com a escravidão, que só foi abolida em 1888, mas modificou o abastecimento de mão de obra no país.

4. Alternativa C. A Lei Áurea tinha somente dois artigos e extinguiu a escravidão sem oferecer reparação ou políticas públicas aos libertos. Por isso, a liberdade jurídica não foi acompanhada de condições materiais de cidadania para a maior parte da população negra.

5. Alternativa B. A crise imperial reuniu diferentes conflitos. O Exército ganhou força e questionou a monarquia após a Guerra do Paraguai; a Questão Religiosa produziu atritos com a Igreja; e parte dos fazendeiros rompeu com o regime depois da abolição.

Pontos de revisão

Ao estudar o Segundo Reinado, organize os fatos em uma sequência: Golpe da Maioridade em 1840; expansão do café e Lei Eusébio de Queirós em 1850; avanço das leis graduais de emancipação nas décadas de 1870 e 1880; Lei Áurea em 1888; e Proclamação da República em 1889.

Também é importante não reduzir o período à figura de Dom Pedro II. As questões costumam cobrar a relação entre o Poder Moderador e a limitação da participação política, a dependência do trabalho escravizado, o protagonismo da população negra na luta pela liberdade e os conflitos que enfraqueceram a monarquia.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que foi o Segundo Reinado?

O Segundo Reinado foi o período em que Dom Pedro II governou o Brasil, de 1840 a 1889. Começou com o Golpe da Maioridade e terminou com a Proclamação da República.

Por que o parlamentarismo do Segundo Reinado era chamado de às avessas?

Recebe esse nome porque o imperador escolhia o presidente do Conselho de Ministros antes de haver uma maioria parlamentar definida. Depois, eleições podiam ser organizadas para garantir apoio ao gabinete indicado.

A Lei Eusébio de Queirós aboliu a escravidão?

Não. A lei de 1850 proibiu o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas para o Brasil. A escravidão continuou legal no país até a assinatura da Lei Áurea, em 1888.

Quais foram as principais causas do fim do Segundo Reinado?

A monarquia perdeu apoios importantes em razão de conflitos com militares e membros da Igreja, do avanço do republicanismo e do descontentamento de setores escravistas após a abolição. Esses fatores contribuíram para o golpe republicano de 1889.

Resumo em imagem

Resumo visual: Exercícios sobre o Segundo Reinado com gabarito comentado

Referências

  1. História do Brasil — Boris Fausto, Editora da Universidade de São Paulo (2019)
  2. O Brasil Monárquico, v. 6: Declínio e queda do Império — Sérgio Buarque de Holanda (org.), Bertrand Brasil (2004)
  3. História do Brasil: Império — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2021)
  4. Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888 (Lei Áurea) — Arquivo Nacional (1888)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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