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História do Brasil

Exercícios sobre a Guerra de Canudos com gabarito comentado

Revise a Guerra de Canudos por meio de questões objetivas e discursivas com respostas explicadas. Entenda o contexto social do sertão e os conflitos políticos do início da República.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino médio

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Os exercícios sobre Guerra de Canudos com gabarito ajudam a revisar um dos principais conflitos sociais da Primeira República brasileira. Para resolvê-los bem, é necessário relacionar a formação do arraial de Canudos à pobreza e à concentração de terras no sertão, à religiosidade popular e à reação violenta do governo republicano entre 1896 e 1897.

Contexto histórico da Guerra de Canudos

A Guerra de Canudos ocorreu no sertão da Bahia, nos primeiros anos da República, proclamada em 1889. Embora o novo regime tivesse substituído a monarquia, grande parte da população rural continuava submetida à desigualdade social, ao poder dos grandes proprietários e à falta de assistência pública. Secas frequentes, trabalho precário e acesso limitado à terra agravavam as condições de vida sertanejas.

Nesse cenário, surgiram comunidades religiosas e movimentos de caráter popular que acolhiam pessoas pobres, ex-escravizados, pequenos trabalhadores e sertanejos sem terra. Essas experiências eram frequentemente vistas com desconfiança pelas autoridades e pelas elites locais. Canudos foi uma delas, mas ganhou proporções extraordinárias por atrair milhares de moradores e organizar uma vida coletiva relativamente autônoma.

É incorreto explicar o conflito apenas como um choque entre “fanáticos” e o Exército. Essa expressão foi usada por adversários de Canudos e por parte da imprensa da época, mas reduz uma realidade complexa. O movimento envolvia também problemas sociais, econômicos, fundiários e políticos do sertão brasileiro.

Atenção: Canudos não foi uma tentativa de restaurar efetivamente a monarquia. A acusação de monarquismo foi mobilizada por autoridades republicanas para justificar, entre outros motivos, a repressão ao arraial.

Canudos e Antônio Conselheiro

Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro, era um líder religioso leigo e peregrino. Em suas andanças pelo Nordeste, pregava, orientava seus seguidores e participava da construção ou reforma de igrejas, cemitérios e obras comunitárias. Sua atuação se ligava a uma tradição de religiosidade popular presente no sertão, não devendo ser confundida com uma instituição política formal.

Em 1893, Conselheiro e seus seguidores se estabeleceram na fazenda Canudos, rebatizada por eles de Belo Monte. A comunidade cresceu rapidamente. Seus habitantes praticavam atividades como agricultura, criação de animais e comércio, além de formas de ajuda mútua. O arraial contrariava interesses de fazendeiros e chefes políticos locais, pois reunia trabalhadores que deixavam relações de dependência tradicionais.

As tensões aumentaram quando circularam denúncias de que os moradores não aceitavam impostos e leis republicanas. Também houve conflitos comerciais que serviram de pretexto para expedições militares. O governo baiano e, depois, o governo federal enviaram tropas contra Canudos.

ElementoCaracterística principal
LocalizaçãoSertão da Bahia, na região do atual município de Canudos.
Período1896 a 1897, durante a Primeira República.
LiderançaAntônio Conselheiro, líder religioso popular.
DesfechoDestruição do arraial pelo Exército na quarta expedição.

Temas mais cobrados em exercícios

Nas questões de escola, vestibulares e ENEM, a Guerra de Canudos costuma aparecer como exemplo dos conflitos sociais da República Oligárquica. O estudante deve evitar interpretações simplistas e observar as relações entre o Estado, a sociedade sertaneja e as elites regionais.

  • Desigualdade no campo: a concentração de terras e a pobreza contribuíram para a adesão à comunidade.
  • Messianismo: termo usado para identificar movimentos que depositam expectativas de salvação ou transformação em uma liderança religiosa; deve ser aplicado com cuidado, sem apagar os fatores sociais.
  • Coronelismo: poder local exercido por grandes proprietários e chefes políticos, importante para compreender as tensões regionais.
  • Consolidação da República: o governo tratou Canudos como ameaça à ordem e usou a força militar para eliminá-lo.
  • Fontes históricas: jornais e relatos militares podem trazer preconceitos contra os sertanejos e precisam ser analisados criticamente.

Outro ponto recorrente é a comparação com a Guerra do Contestado, ocorrida anos depois entre Paraná e Santa Catarina. Os dois movimentos tiveram componentes sociais e religiosos, mas aconteceram em contextos, lugares e circunstâncias próprios. Não se deve afirmar que eram o mesmo conflito.

Exercícios sobre a Guerra de Canudos

1. A Guerra de Canudos aconteceu principalmente porque:

  1. a comunidade defendia a expansão das ferrovias no sertão.
  2. o arraial reunia populações pobres em contexto de desigualdade e passou a ser visto como ameaça por elites e autoridades.
  3. Antônio Conselheiro liderava um partido político organizado contra a República.
  4. os moradores pretendiam separar a Bahia do restante do Brasil.

2. Sobre Antônio Conselheiro, assinale a alternativa correta.

  1. Foi um oficial do Exército que desertou para comandar Canudos.
  2. Era um fazendeiro que organizou uma revolta contra impostos sobre exportações.
  3. Foi um líder religioso leigo cuja pregação atraiu sertanejos para Belo Monte.
  4. Era um deputado monarquista eleito pela população baiana.

3. A acusação de que Canudos desejava restaurar a monarquia deve ser entendida, historicamente, como:

  1. fato comprovado por um programa político oficial do arraial.
  2. interpretação usada para reforçar a imagem de Canudos como inimigo da República.
  3. consequência da participação direta da família imperial no conflito.
  4. objetivo declarado por Antônio Conselheiro em discursos no Congresso Nacional.

4. O crescimento de Canudos afetava interesses de setores dominantes locais porque:

  1. diminuía a disponibilidade de trabalhadores submetidos a relações de dependência nas fazendas.
  2. impedia a circulação de mercadorias entre Bahia e Pernambuco.
  3. eliminava a cobrança de impostos federais em todo o Nordeste.
  4. criava uma capital independente no interior baiano.

5. A destruição final de Canudos ocorreu:

  1. após um acordo diplomático entre Conselheiro e o governo federal.
  2. na primeira expedição enviada pelo governo baiano.
  3. na quarta expedição militar, em 1897, depois de forte resistência dos habitantes.
  4. com a rendição coletiva do arraial antes da chegada das tropas.

6. Explique por que a expressão “fanatismo religioso”, sozinha, é insuficiente para interpretar a Guerra de Canudos.

7. Relacione a Guerra de Canudos à consolidação da República brasileira nos anos posteriores a 1889.

8. Um jornal republicano descreve os habitantes de Canudos como “inimigos da civilização”. Que cuidado metodológico um historiador deve ter ao usar essa fonte?

Gabarito comentado

1. Alternativa B. Canudos reuniu grupos socialmente vulneráveis e construiu uma comunidade que escapava, em parte, ao controle das elites locais. A reação não pode ser separada das disputas por trabalho, terra, autoridade e ordem política no sertão.

2. Alternativa C. Antônio Conselheiro era um líder religioso leigo. Ele não foi militar, deputado nem chefe partidário. Sua liderança tinha grande influência espiritual e social sobre os moradores de Belo Monte.

3. Alternativa B. A ideia de uma conspiração monarquista ajudou a apresentar Canudos como perigoso para a jovem República. Não há evidência de que o arraial possuísse um plano político organizado de restauração monárquica.

4. Alternativa A. Ao acolher sertanejos pobres, Canudos retirava parte da mão de obra da influência direta de fazendeiros e coronéis. Isso aumentava os conflitos com grupos que controlavam a vida econômica e política regional.

5. Alternativa C. Três expedições militares foram derrotadas ou recuaram diante da resistência sertaneja. A quarta expedição, maior e mais bem equipada, cercou e destruiu o arraial em outubro de 1897. Antônio Conselheiro morreu pouco antes do fim do conflito.

6. A resposta deve indicar que a religiosidade era relevante, mas não explica tudo. Também é preciso considerar a miséria sertaneja, a concentração fundiária, o coronelismo, as secas, a busca por proteção comunitária e a repressão do Estado. Chamar os moradores apenas de fanáticos reproduz uma visão preconceituosa presente em fontes da época.

7. Espera-se mencionar que a República ainda buscava afirmar sua autoridade. Ao interpretar Canudos como ameaça política, o governo federal enviou tropas e usou a vitória militar para demonstrar força. Contudo, a repressão revelou os limites da cidadania e a distância entre o Estado republicano e as populações pobres do interior.

8. O historiador deve identificar quem produziu o jornal, para qual público e em qual contexto. O texto pode revelar a opinião de setores republicanos, mas seus termos depreciativos não devem ser aceitos como descrição neutra dos sertanejos. É necessário comparar essa fonte com outros relatos e evidências.

Revisão final

Para revisar, lembre-se de que a Guerra de Canudos foi um conflito social ocorrido no sertão baiano entre 1896 e 1897. Belo Monte, liderada por Antônio Conselheiro, acolheu milhares de pessoas em meio à pobreza e à exclusão no campo. A comunidade foi combatida por autoridades locais e federais, que a associaram indevidamente a uma ameaça monarquista.

Nas questões, destaque que Canudos não se explica por uma única causa. A religiosidade popular se articulou à desigualdade social, ao poder dos coronéis, à concentração de terras e ao processo autoritário de consolidação da República. Ler criticamente os termos usados contra o arraial é essencial para compreender o episódio.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que foi a Guerra de Canudos?

Foi um conflito entre o Exército brasileiro e os habitantes do arraial de Belo Monte, conhecido como Canudos, no sertão da Bahia. Ocorreu entre 1896 e 1897 e terminou com a destruição da comunidade.

Quem foi Antônio Conselheiro?

Antônio Conselheiro foi um líder religioso leigo que reuniu muitos seguidores no sertão nordestino. Ele liderou a formação de Belo Monte, comunidade que se tornou o principal alvo das campanhas militares contra Canudos.

Canudos queria restaurar a monarquia?

A acusação de monarquismo foi usada por autoridades e jornais republicanos para caracterizar o arraial como uma ameaça política. Os estudos históricos não apontam a existência de um plano organizado de restauração da monarquia em Canudos.

Quantas expedições foram enviadas contra Canudos?

Foram enviadas quatro expedições militares. As três primeiras enfrentaram resistência e fracassaram ou recuaram, enquanto a quarta destruiu o arraial em 1897.

Resumo em imagem

Resumo visual: Exercícios sobre a Guerra de Canudos com gabarito comentado

Referências

  1. Os Sertões — Euclides da Cunha (1902)
  2. Brasil: uma biografia — Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling (2015)
  3. Dicionário do Brasil Imperial — Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.) (2002)
  4. Canudos: a guerra do fim do mundo — Universidade Federal da Bahia (1997)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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