A fórmula de eletrostática mais conhecida é a lei de Coulomb, usada para calcular a força entre duas cargas elétricas. Porém, a eletrostática reúne outras equações importantes, como as de campo elétrico, potencial elétrico, energia potencial e capacitância. Para aplicá-las corretamente, é necessário identificar as grandezas envolvidas, usar as unidades do Sistema Internacional e analisar se a questão trata de força, energia ou efeito elétrico em uma região do espaço.
O que a eletrostática estuda
A eletrostática é a parte da Física que analisa as cargas elétricas em repouso ou em equilíbrio. Ela explica, por exemplo, por que um pente atritado no cabelo pode atrair pequenos pedaços de papel e por que descargas elétricas podem ocorrer quando há acúmulo de cargas em um corpo.
Existem dois tipos de carga elétrica: positiva e negativa. Cargas de mesmo sinal se repelem, enquanto cargas de sinais opostos se atraem. A unidade de medida da carga elétrica no Sistema Internacional é o coulomb, representado por C. Em situações comuns, a carga de um objeto resulta de ganho ou perda de elétrons, partículas que possuem carga negativa.
Nos exercícios, é essencial diferenciar corpos eletrizados de corpos neutros. Um corpo neutro tem quantidades iguais de cargas positivas e negativas; isso não significa que ele não possua cargas em sua estrutura. Já um corpo eletrizado apresenta desequilíbrio entre essas quantidades. Se houver excesso de elétrons, sua carga é negativa; se houver falta de elétrons, sua carga é positiva.
Atenção: eletrostática não é o mesmo que corrente elétrica. A eletrostática trata principalmente de cargas acumuladas ou em equilíbrio; a eletrodinâmica estuda as cargas em movimento organizado em um circuito.
Carga elétrica e quantização
A carga elétrica total de um corpo é quantizada: ela corresponde a um múltiplo inteiro da carga elementar. A relação é expressa pela fórmula Q = n · e. Nela, Q é a carga elétrica do corpo, n é um número inteiro e e é o módulo da carga elementar, aproximadamente 1,6 × 10−19 C.
Quando um corpo ganha elétrons, sua carga final é negativa. Quando perde elétrons, fica positiva. O valor de n indica quantos elétrons foram transferidos, mas o sinal de Q informa o tipo de eletrização. Assim, se um objeto tem Q = −3,2 × 10−19 C, ele possui excesso de dois elétrons, pois o módulo de sua carga equivale a 2e.
Outra ideia central é a conservação da carga elétrica. Em um sistema isolado, a soma algébrica das cargas permanece constante. As cargas não são criadas nem destruídas nos processos usuais de eletrização; elas apenas são transferidas entre corpos. Esse princípio aparece em problemas que envolvem contato entre esferas condutoras ou atrito entre materiais.
- Eletrização por atrito: ocorre transferência de elétrons entre materiais inicialmente neutros.
- Eletrização por contato: há redistribuição de cargas quando corpos entram em contato.
- Eletrização por indução: um corpo carregado provoca separação de cargas em outro corpo sem contato direto.
Lei de Coulomb
A lei de Coulomb fornece o módulo da força elétrica entre duas cargas puntiformes, isto é, cargas cujas dimensões podem ser desprezadas diante da distância que as separa. Sua expressão é F = k · |q1 · q2| / r². A força F é medida em newton, q1 e q2 são as cargas em coulomb, e r é a distância entre elas em metro.
No vácuo, a constante eletrostática vale aproximadamente k = 9,0 × 109 N·m²/C². Em meios materiais, como água ou óleo, a interação elétrica pode ser diferente, pois depende das propriedades do meio. Em questões escolares, quando não houver outra informação, costuma-se considerar o vácuo ou o ar, cujo comportamento é aproximadamente o mesmo nesse tipo de cálculo.
O módulo da força sempre é positivo na fórmula. O sentido deve ser definido depois, pela análise dos sinais das cargas: sinais iguais indicam repulsão; sinais diferentes indicam atração. Além disso, as forças que uma carga exerce sobre a outra têm mesmo módulo e sentidos opostos, conforme a terceira lei de Newton.
| Alteração no sistema | Consequência para a força elétrica |
|---|---|
| Uma das cargas dobra | A força dobra. |
| As duas cargas dobram | A força fica quatro vezes maior. |
| A distância dobra | A força passa a valer um quarto. |
| A distância é reduzida à metade | A força fica quatro vezes maior. |
Observe que a distância aparece elevada ao quadrado. Por isso, variações em r têm efeito muito importante. Uma estratégia útil é comparar grandezas por proporção antes de substituir números, especialmente em questões de múltipla escolha.
Campo elétrico
O campo elétrico descreve a influência que uma carga cria na região ao seu redor. Ele permite prever qual força atuaria sobre outra carga colocada naquele ponto. Por definição, E = F / q0, em que E é o campo elétrico, F é a força sobre uma carga de prova q0 e q0 é positiva por convenção.
A unidade do campo elétrico é newton por coulomb, N/C. Para uma carga puntiforme Q, o módulo do campo a uma distância r é dado por E = k · |Q| / r². A estrutura é parecida com a lei de Coulomb, mas há uma diferença decisiva: o campo depende apenas da carga que o produz e da posição analisada. A carga de prova não entra no cálculo do campo.
O sentido do vetor campo elétrico é para fora de uma carga positiva e para dentro de uma carga negativa. Se uma carga de prova positiva for colocada nesse campo, a força terá o mesmo sentido de E. Se a carga de prova for negativa, a força terá sentido oposto ao campo, pois F = q · E é uma relação vetorial.
Campo elétrico uniforme
Entre duas placas paralelas com cargas de sinais opostos, em uma região distante das bordas, o campo pode ser considerado uniforme. Nesse caso, o módulo do campo é E = ΔV / d, em que ΔV é a diferença de potencial entre as placas e d é a distância entre elas. Essa expressão é válida quando o campo é aproximadamente constante.
Potencial e energia elétrica
O potencial elétrico é uma grandeza escalar relacionada à energia por unidade de carga. Para uma carga puntiforme Q, a uma distância r, vale V = k · Q / r. A unidade é o volt, V, equivalente a joule por coulomb. Diferentemente do campo, o potencial pode ser positivo ou negativo, pois conserva o sinal da carga geradora.
Em uma questão com várias cargas, o potencial total em um ponto é obtido pela soma algébrica dos potenciais produzidos por cada carga: Vtotal = V1 + V2 + V3 + ... . Como o potencial é escalar, não é necessário decompor vetores. Já o campo elétrico é vetorial e exige atenção aos sentidos e às direções de cada contribuição.
A energia potencial elétrica entre duas cargas puntiformes é calculada por U = k · Q · q / r. Se as cargas tiverem sinais iguais, U será positiva; se tiverem sinais opostos, U será negativa, considerando o zero de energia no infinito. A variação de energia potencial está ligada ao trabalho realizado pela força elétrica: Wforça elétrica = −ΔU.
Uma carga positiva tende a se mover espontaneamente em direção a menores potenciais elétricos. Para uma carga negativa, a análise do movimento exige lembrar que a força sobre ela tem sentido contrário ao do campo elétrico.
Não confunda potencial elétrico com energia potencial. O potencial depende da carga que cria a região elétrica; a energia potencial depende também da carga colocada nessa região. Por isso, duas partículas diferentes, no mesmo ponto, têm o mesmo potencial, mas podem ter energias potenciais distintas.
Capacitores e equilíbrio eletrostático
Um capacitor é um dispositivo capaz de armazenar cargas elétricas e energia. Sua capacitância é dada por C = Q / ΔV, em que C é medida em farad, F, Q é o módulo da carga armazenada e ΔV é a diferença de potencial entre os condutores. Quanto maior a capacitância, maior é a quantidade de carga armazenada para uma mesma tensão.
No capacitor de placas paralelas, um modelo frequente no ensino médio, a capacitância pode ser escrita como C = ε · A / d. Nessa expressão, ε representa a permissividade do meio entre as placas, A é a área de sobreposição das placas e d é a separação entre elas. A capacitância aumenta com a área e diminui quando a distância entre as placas cresce.
A energia armazenada em um capacitor pode ser calculada por U = C · (ΔV)² / 2. Essa energia está associada ao campo elétrico estabelecido entre seus condutores. É importante notar que a letra U, em alguns materiais, também pode representar tensão elétrica; por isso, verifique o contexto e as unidades apresentadas no enunciado.
Nos condutores em equilíbrio eletrostático, as cargas livres se distribuem de modo que o campo elétrico interno seja nulo. Além disso, o potencial é o mesmo em todos os pontos do condutor. O excesso de carga localiza-se em sua superfície, com maior concentração em regiões pontiagudas. Esse fato ajuda a explicar o funcionamento de para-raios.
Síntese das fórmulas e revisão
Para resolver exercícios de eletrostática, comece identificando a situação física: interação entre cargas, influência elétrica em um ponto, transferência de energia ou armazenamento de carga. Em seguida, converta todas as unidades para o Sistema Internacional, especialmente distâncias em metro e cargas em coulomb.
- Quantização da carga: Q = n · e.
- Força elétrica: F = k · |q1 · q2| / r².
- Campo elétrico: E = F / q0 e E = k · |Q| / r².
- Potencial elétrico: V = k · Q / r.
- Energia potencial elétrica: U = k · Q · q / r.
- Capacitância: C = Q / ΔV.
Como revisão final, associe as unidades às grandezas: carga em coulomb, força em newton, campo em N/C, potencial em volt, energia em joule e capacitância em farad. Depois do cálculo, avalie se o resultado faz sentido físico: uma distância maior deve reduzir força e campo, enquanto os sinais das cargas definem atração, repulsão e o sinal de certas grandezas.