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Química

Ligações químicas: características, tipos e propriedades

As ligações químicas explicam como os átomos se unem e por que as substâncias apresentam propriedades diferentes. Veja os principais tipos, suas características e exemplos.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino médio

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As ligações químicas características correspondem às formas pelas quais os átomos se unem para formar substâncias estáveis. Os três modelos principais estudados são a ligação iônica, a covalente e a metálica. Cada um envolve de modo diferente os elétrons mais externos dos átomos e, por isso, origina materiais com propriedades próprias, como condução de eletricidade, dureza, solubilidade e temperaturas de fusão.

O que são ligações químicas

Um átomo isolado possui partículas com cargas elétricas: prótons positivos no núcleo e elétrons negativos na eletrosfera. Embora o núcleo concentre quase toda a massa do átomo, são principalmente os elétrons da camada mais externa que participam das interações químicas. Essa camada é chamada de camada de valência.

As ligações químicas surgem porque a associação entre átomos pode levar o sistema a uma situação de menor energia e maior estabilidade do que a dos átomos separados. Não se trata de uma simples “necessidade de completar a camada”; esse é um modelo útil para vários casos introdutórios, mas há exceções. De maneira geral, a atração elétrica entre núcleos e elétrons mantém os átomos unidos.

Para identificar a tendência de ligação de um elemento, a tabela periódica oferece pistas importantes. Metais, localizados sobretudo à esquerda e no centro da tabela, tendem a perder elétrons. Ametais, concentrados à direita, tendem a receber ou compartilhar elétrons. Já os gases nobres apresentam baixa reatividade em condições usuais porque possuem configurações eletrônicas especialmente estáveis.

Ideia central: a natureza da ligação depende de como os elétrons de valência são transferidos, compartilhados ou ficam deslocalizados entre muitos átomos.

Estabilidade e elétrons da valência

Nos níveis escolares, a regra do octeto ajuda a prever muitas ligações. Segundo ela, os átomos tendem a ficar com oito elétrons na camada de valência, adquirindo uma configuração semelhante à de um gás nobre. Para o primeiro nível eletrônico, a situação estável é dada por dois elétrons, como ocorre no hélio.

Assim, um átomo de sódio, que possui um elétron na camada externa, pode perdê-lo com relativa facilidade. Ao fazer isso, forma o cátion sódio, de carga positiva. O cloro, que possui sete elétrons de valência, tende a receber um elétron e forma o ânion cloreto, de carga negativa. A atração entre esses íons de cargas opostas produz o cloreto de sódio, componente principal do sal de cozinha.

Contudo, a regra do octeto não explica todas as situações. O hidrogênio busca estabilidade com dois elétrons; o berílio e o boro podem formar compostos com menos de oito elétrons ao redor do átomo central; e elementos a partir do terceiro período podem aparecer em estruturas que ultrapassam o octeto. Por isso, a regra deve ser usada como instrumento de previsão inicial, e não como uma lei sem exceções.

Eletronegatividade e polaridade

A eletronegatividade é a tendência de um átomo de atrair para si os elétrons envolvidos em uma ligação. Quando a diferença de eletronegatividade é muito grande, a transferência de elétrons é favorecida, caracterizando uma ligação predominantemente iônica. Quando a diferença é pequena, ocorre compartilhamento, típico das ligações covalentes.

Em uma ligação covalente, o compartilhamento pode ser igual ou desigual. Na molécula de H₂, os dois átomos são iguais e atraem o par eletrônico com a mesma intensidade. Já na molécula de HCl, o cloro atrai mais intensamente os elétrons, formando uma ligação covalente polar. A polaridade da molécula inteira, porém, também depende de sua geometria espacial.

Ligação iônica

A ligação iônica ocorre, em geral, entre um metal e um ametal. O metal perde elétrons e se transforma em cátion; o ametal recebe esses elétrons e se transforma em ânion. Em seguida, íons de cargas opostas se atraem por força eletrostática. Não há, nesse caso, moléculas isoladas como unidades principais: os íons se organizam em uma rede cristalina extensa.

O composto formado por sódio e cloro é representado pela fórmula NaCl. Essa fórmula indica a menor proporção inteira entre os íons: um Na⁺ para cada Cl⁻. Ela não significa necessariamente que exista uma molécula individual de NaCl separada das demais no cristal. O mesmo raciocínio vale para MgO, formado por Mg²⁺ e O²⁻, e para CaCl₂, que possui um Ca²⁺ para dois Cl⁻.

Propriedades dos compostos iônicos

  • Apresentam, geralmente, altas temperaturas de fusão e ebulição, pois as atrações eletrostáticas na rede cristalina são intensas.
  • São sólidos cristalinos em temperatura ambiente, na maior parte dos casos.
  • Podem ser duros, mas também quebradiços: ao deslocar camadas do cristal, íons de mesma carga podem ficar próximos e se repelir, provocando a quebra.
  • Conduzem corrente elétrica quando fundidos ou dissolvidos em água, porque os íons ficam livres para se movimentar.
  • Não conduzem bem no estado sólido, pois seus íons estão presos na estrutura cristalina.

A água dissolve muitos compostos iônicos porque é uma substância polar. Suas moléculas conseguem cercar e estabilizar íons positivos e negativos, processo chamado de solvatação ou hidratação, quando o solvente é a água. Nem todo sólido iônico, entretanto, é muito solúvel: a solubilidade depende do equilíbrio entre as atrações no cristal e as interações com a água.

Ligação covalente

A ligação covalente é mais comum entre ametais, incluindo o hidrogênio. Nela, os átomos compartilham pares de elétrons. Um par compartilhado corresponde a uma ligação simples; dois pares, a uma ligação dupla; e três pares, a uma ligação tripla. Por exemplo, H₂ apresenta ligação simples, O₂ apresenta ligação dupla e N₂ apresenta ligação tripla.

As substâncias covalentes podem ser formadas por moléculas independentes, como água, gás carbônico e metano. Nesses casos, as forças entre uma molécula e outra costumam ser menos intensas que as ligações entre seus átomos. Isso explica por que muitas substâncias moleculares têm pontos de fusão e ebulição relativamente baixos e podem existir como gases ou líquidos em temperatura ambiente.

Entretanto, não se deve concluir que toda substância covalente tenha baixo ponto de fusão. Em redes covalentes, os átomos se ligam em uma estrutura gigante e contínua. O diamante, constituído por átomos de carbono ligados em três dimensões, é muito duro e possui elevado ponto de fusão. O quartzo, formado principalmente por dióxido de silício, também apresenta rede extensa. Nesses materiais, romper a estrutura exige muita energia.

Polaridade das moléculas

A água é um exemplo essencial. As ligações O–H são polares porque o oxigênio é mais eletronegativo que o hidrogênio. Além disso, a molécula tem geometria angular, o que impede o cancelamento completo das polaridades. Por isso, a água é polar e dissolve diversas substâncias iônicas e polares.

O dióxido de carbono também tem ligações polares entre carbono e oxigênio. Porém, sua geometria linear faz as polaridades se anularem. Portanto, a molécula de CO₂ é apolar. Esse exemplo mostra que analisar apenas a ligação não basta: é necessário observar a forma da molécula.

Ligação metálica

A ligação metálica ocorre entre átomos de elementos metálicos. Nesse modelo, os átomos organizam-se em uma rede de cátions metálicos, enquanto os elétrons de valência ficam deslocalizados, isto é, podem se mover por toda a estrutura. A expressão “mar de elétrons” é usada para representar didaticamente esse comportamento.

A mobilidade dos elétrons explica a boa condutividade elétrica e térmica dos metais. Quando uma corrente elétrica é aplicada, os elétrons deslocalizados podem se deslocar pelo material. Da mesma forma, a energia térmica é transferida com eficiência, motivo pelo qual panelas metálicas aquecem rapidamente.

Os metais são, em geral, maleáveis e dúcteis. Maleabilidade é a capacidade de formar lâminas; ductilidade é a capacidade de formar fios. Como a ligação metálica não depende de pares localizados entre dois átomos específicos, as camadas de cátions podem deslizar sem que a estrutura se rompa imediatamente. O brilho metálico também está relacionado à interação dos elétrons livres com a luz.

Ligas metálicas, como aço, bronze e latão, resultam da combinação de metais ou de metal com pequena quantidade de outro elemento. Elas podem apresentar maior resistência mecânica, resistência à corrosão ou outras propriedades adequadas a usos industriais. O aço, por exemplo, é uma liga baseada em ferro e carbono.

Comparação e revisão

Reconhecer o tipo de ligação ajuda a relacionar composição e propriedades da matéria. É importante lembrar que as classificações são modelos: em situações reais, algumas ligações podem apresentar caráter intermediário. Ainda assim, a comparação a seguir resolve a maioria das questões escolares.

Tipo de ligaçãoParticipantes mais comunsComportamento dos elétronsExemplo
IônicaMetal e ametalTransferência de elétrons e formação de íonsNaCl
CovalenteAmetais e hidrogênioCompartilhamento de pares eletrônicosH₂O, CO₂
MetálicaMetaisElétrons deslocalizados na rede metálicaCu, Fe, Al

Pontos essenciais para revisar

  1. Elétrons da camada de valência participam diretamente das ligações químicas.
  2. A ligação iônica envolve atração entre cátions e ânions, normalmente formados por metal e ametal.
  3. A ligação covalente envolve compartilhamento de elétrons e pode ser simples, dupla ou tripla.
  4. A geometria molecular interfere na polaridade total de uma molécula covalente.
  5. Na ligação metálica, elétrons deslocalizados explicam condutividade, brilho, maleabilidade e ductilidade.
  6. As propriedades de uma substância dependem não apenas do tipo de ligação, mas também da organização de suas partículas.

Ao resolver exercícios, comece identificando os elementos envolvidos e sua posição geral na tabela periódica. Depois, verifique se há transferência, compartilhamento ou deslocalização de elétrons. Por fim, associe o modelo de ligação às propriedades observadas. Esse percurso evita decorar exemplos isolados e favorece a compreensão das transformações e dos materiais presentes no cotidiano.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Quais são os três principais tipos de ligações químicas?

Os principais tipos são a ligação iônica, a covalente e a metálica. Na iônica há formação de íons, na covalente há compartilhamento de elétrons e na metálica os elétrons ficam deslocalizados na estrutura do metal.

Como diferenciar ligação iônica e covalente?

A ligação iônica ocorre, em geral, entre metal e ametal, com transferência de elétrons. A covalente é comum entre ametais e envolve o compartilhamento de pares de elétrons.

Por que compostos iônicos conduzem eletricidade em água?

Quando um composto iônico se dissolve em água, seus íons podem se separar e movimentar-se na solução. Essas partículas carregadas transportam carga elétrica, permitindo a condução.

Toda substância com ligação covalente tem baixo ponto de fusão?

Não. Substâncias moleculares costumam ter pontos de fusão menores, mas redes covalentes como o diamante e o quartzo apresentam estruturas extensas e elevada resistência ao aquecimento.

Resumo em imagem

Resumo visual: Ligações químicas: características, tipos e propriedades

Referências

  1. Química: a ciência central — Theodore L. Brown, H. Eugene LeMay Jr. e Bruce E. Bursten (2016)
  2. Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente — Peter Atkins e Loretta Jones (2012)
  3. Tabela Periódica dos Elementos Químicos — Sociedade Brasileira de Química (2024)
  4. Química cidadã: materiais, substâncias, constituintes, química orgânica — Wildson L. P. dos Santos e Gerson de Souza Mól (2016)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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