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Química

Fórmula de álcoois: geral, estrutural e molecular

Os álcoois são compostos orgânicos que possuem o grupo hidroxila ligado a um carbono saturado. Veja como reconhecer suas fórmulas e nomear seus principais exemplos.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino médio

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A fórmula de álcoois indica compostos orgânicos que apresentam o grupo hidroxila, representado por –OH, ligado diretamente a um átomo de carbono saturado. Para álcoois acíclicos, saturados e com apenas uma hidroxila, a fórmula molecular geral é CnH2n+2O, também escrita como CnH2n+1OH. Entender essa condição é essencial: nem toda substância com oxigênio e hidrogênio é um álcool.

O que são álcoois

Álcoois pertencem às funções orgânicas oxigenadas. Sua característica estrutural é a presença da hidroxila (–OH) unida a um carbono que realiza apenas ligações simples com outros átomos, isto é, um carbono saturado. A parte restante da molécula costuma ser chamada de grupo alquila e pode ser indicada pela letra R. Assim, a representação funcional mais ampla é R–OH.

É importante observar a posição da hidroxila. Quando o grupo –OH está ligado a um carbono de uma dupla ligação, o composto não é classificado, em geral, como álcool: trata-se de um enol. Quando o –OH se liga diretamente a um anel benzênico, a função é fenol. Essas distinções aparecem em questões que exigem reconhecer funções orgânicas pela fórmula estrutural.

Regra de identificação: há um álcool quando existe uma ligação C–O–H e o carbono ligado ao oxigênio é saturado. A simples presença do fragmento –OH não basta para definir a função.

Fórmula geral dos álcoois

Nos álcoois monohidroxílicos, acíclicos e saturados, existe uma única hidroxila e não há anéis nem ligações múltiplas entre carbonos. Nessa série, a fórmula molecular geral é CnH2n+2O, em que n representa o número de átomos de carbono. A mesma composição pode ser evidenciada pela fórmula CnH2n+1OH: o trecho CnH2n+1 corresponde ao radical alquila, e OH corresponde à hidroxila.

Por exemplo, se n = 3, obtém-se C3H8O. Uma estrutura alcoólica possível é CH3–CH2–CH2–OH, o propan-1-ol. Contudo, a fórmula molecular sozinha não determina necessariamente a função orgânica: C3H8O também pode representar um éter, como CH3–O–CH2–CH3.

Se a molécula tiver duas ou mais hidroxilas, ela será um poliálcool, e a fórmula CnH2n+2O não poderá ser usada. O etano-1,2-diol, por exemplo, tem fórmula C2H6O2, pois possui dois grupos –OH.

Formas de representar os álcoois

Uma mesma substância pode aparecer em diferentes fórmulas. Em exercícios, saber passar de uma forma para outra ajuda a localizar a hidroxila, contar carbonos e definir o nome oficial.

Tipo de fórmulaExemplo com etanolO que informa
MolecularC2H6OQuantidade de cada elemento, sem mostrar ligações.
CondensadaCH3CH2OHOrganização dos átomos em grupos na cadeia.
EstruturalCH3–CH2–O–HAs ligações e a posição da hidroxila.
Funcional geralR–OHA função álcool de modo genérico.

A fórmula estrutural é especialmente útil para diferenciar álcool e éter. No etanol, o oxigênio faz ligação com um carbono e com um hidrogênio, formando o grupo –OH. Em um éter, o oxigênio fica entre dois carbonos, no arranjo R–O–R'.

Classificação dos álcoois

Os álcoois podem ser classificados pelo número de hidroxilas e pelo tipo de carbono ao qual a hidroxila está ligada. Essas categorias não modificam apenas o nome: elas também influenciam certas reações químicas.

Quanto ao número de hidroxilas

  • Monoálcool ou monol: apresenta uma hidroxila, como o metanol, CH3OH.
  • Diálcool ou diol: apresenta duas hidroxilas, como o etano-1,2-diol.
  • Triálcool ou triol: apresenta três hidroxilas, como o propano-1,2,3-triol, conhecido como glicerol.

Quanto ao carbono que porta a hidroxila

Um álcool é primário quando o carbono ligado ao –OH está conectado a, no máximo, outro carbono. No etanol, CH3CH2OH, esse carbono é primário. É secundário quando esse carbono se liga a dois outros carbonos, como no propan-2-ol. É terciário quando se liga a três carbonos, como no 2-metilpropan-2-ol. A classificação considera o carbono da hidroxila, e não a quantidade total de carbonos da cadeia.

Nomenclatura dos álcoois

Pela nomenclatura sistemática, o nome de um álcool é construído a partir da cadeia principal que contém o carbono ligado à hidroxila. Usa-se o prefixo relacionado ao número de carbonos, o infixo que indica o tipo de ligação entre carbonos e o sufixo -ol. A numeração deve começar pela extremidade mais próxima do –OH, porque a hidroxila tem prioridade na indicação da posição.

  1. Escolha a maior cadeia carbônica que contém o carbono ligado ao grupo –OH.
  2. Numere a cadeia pelo lado que fornece o menor número à hidroxila.
  3. Identifique ramificações e indique suas posições.
  4. Monte o nome com prefixo, infixo, número da hidroxila quando necessário e a terminação -ol.

Assim, CH3OH é metanol; CH3CH2OH é etanol; CH3CH2CH2OH é propan-1-ol; e CH3CHOHCH3 é propan-2-ol. Em cadeias com duas hidroxilas, empregam-se terminações como -diol. Por exemplo, HO–CH2–CH2–OH recebe o nome etano-1,2-diol.

Ao nomear um álcool, localize primeiro a hidroxila. Ela define o sentido da numeração e precisa estar incluída na cadeia principal.

Exemplos e isomeria

A sequência inicial dos monoálcoois saturados mostra a aplicação da fórmula geral. Metanol é CH4O; etanol, C2H6O; propanol, C3H8O; e butanol, C4H10O. À medida que um carbono é acrescentado à cadeia, acrescentam-se, nessa série, dois hidrogênios à fórmula molecular.

Com três carbonos, C3H8O pode originar dois álcoois de posição: propan-1-ol e propan-2-ol. Ambos têm a mesma fórmula molecular, mas a hidroxila ocupa posições distintas. Já a mesma fórmula também pode corresponder ao éter metoxietano. Esse caso é chamado de isomeria de função, pois as substâncias pertencem a funções orgânicas diferentes.

Os álcoois menores apresentam interações intermoleculares por ligações de hidrogênio devido ao grupo –OH. Por isso, em comparação com hidrocarbonetos de massa semelhante, costumam ter pontos de ebulição mais elevados. Os de cadeia curta são bastante solúveis em água, enquanto o aumento da parte carbônica apolar tende a reduzir essa solubilidade.

Revisão: pontos essenciais

Para reconhecer e usar a fórmula dos álcoois, verifique a estrutura antes de aplicar qualquer fórmula geral. A expressão CnH2n+2O vale apenas para monoálcoois acíclicos e saturados; ela não serve automaticamente para compostos com anel, dupla ligação ou mais de uma hidroxila.

  • Álcool possui hidroxila ligada a carbono saturado: R–OH.
  • Para monoálcoois acíclicos saturados: CnH2n+2O ou CnH2n+1OH.
  • Fórmulas moleculares iguais podem representar isômeros, inclusive compostos de funções diferentes.
  • Na nomenclatura, a cadeia deve conter o carbono da hidroxila e ser numerada pelo lado mais próximo dela.
  • O sufixo característico dos álcoois é -ol; duas hidroxilas são indicadas por -diol.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Qual é a fórmula geral dos álcoois?

Para monoálcoois acíclicos e saturados, a fórmula geral é CnH2n+2O. Ela também pode ser escrita como CnH2n+1OH, evidenciando a presença da hidroxila.

Todo composto com OH é um álcool?

Não. O grupo OH precisa estar ligado a um carbono saturado para caracterizar um álcool. Em fenóis, ele se liga ao anel aromático; em enóis, a um carbono de dupla ligação.

C3H8O é sempre um álcool?

Não. Essa fórmula pode representar propan-1-ol ou propan-2-ol, que são álcoois, mas também pode representar o éter metoxietano. A fórmula estrutural define a função orgânica.

Como saber se um álcool é primário, secundário ou terciário?

Analise o carbono ao qual a hidroxila está ligada. Se ele estiver ligado a um, dois ou três outros carbonos, o álcool será, respectivamente, primário, secundário ou terciário.

Resumo em imagem

Resumo visual: Fórmula de álcoois: geral, estrutural e molecular

Referências

  1. Química: a ciência central — Theodore L. Brown, H. Eugene LeMay Jr. e Bruce E. Bursten (2019)
  2. Química Orgânica — John McMurry (2016)
  3. Química Orgânica — T. W. Graham Solomons, Craig B. Fryhle e Scott A. Snyder (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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