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Química

Meia-vida: exercícios resolvidos e como calcular

Entenda o que é meia-vida, como identificar os períodos de decaimento e resolver questões com massa, porcentagem e número de núcleos radioativos.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino médio

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Meia-vida exercícios resolvidos envolvem calcular quanto de uma substância radioativa permanece após certo tempo. A ideia central é simples: em cada período de meia-vida, a quantidade inicial é reduzida à metade. Para acertar as questões, é necessário distinguir o número de períodos transcorridos do tempo total e organizar os dados com cuidado.

O que é meia-vida?

Meia-vida, também chamada de período de semidesintegração, é o tempo necessário para que metade dos núcleos radioativos de uma amostra se desintegre. Se uma amostra contém 80 g de um radioisótopo e sua meia-vida é de 10 anos, após 10 anos restarão 40 g desse radioisótopo. Depois de mais 10 anos, ou seja, após 20 anos desde o início, restarão 20 g.

O decaimento radioativo é um processo nuclear espontâneo. Isso significa que não depende, de modo significativo no tratamento escolar, de temperatura, pressão, estado físico ou de a substância estar misturada a outras. Cada isótopo radioativo possui uma meia-vida característica: alguns se transformam rapidamente, enquanto outros levam milhares ou milhões de anos para apresentar redução importante.

É importante observar que a meia-vida não indica que todos os átomos de uma amostra se desintegram exatamente naquele instante. Ela descreve um comportamento estatístico de um conjunto muito grande de núcleos. Ao fim de cada período, espera-se que aproximadamente metade da quantidade que havia no começo daquele período permaneça sem decair.

Ideia-chave: a quantidade que sobra é sempre metade da quantidade anterior, e não metade da quantidade inicial. Por isso, o decaimento segue uma progressão geométrica.

Fórmula e interpretação do decaimento

Quando o enunciado fornece a quantidade inicial, a meia-vida e o tempo transcorrido, pode-se usar a expressão abaixo. Ela vale para massa, número de átomos, atividade radioativa ou qualquer grandeza diretamente proporcional à quantidade de núcleos que ainda não decaíram.

Q = Q₀ · (1/2)n, em que n = t/T.

Nessa relação, Q é a quantidade final, Q₀ é a quantidade inicial, t é o tempo decorrido, T é a meia-vida e n é o número de meias-vidas transcorridas. Antes de aplicar a potência, confira se t e T estão na mesma unidade. Por exemplo, não se deve dividir 18 anos por uma meia-vida expressa em meses sem fazer a conversão.

Em muitas questões, a tabela é mais rápida e diminui o risco de erro. Veja a sequência para uma amostra inicial de 100 g:

Número de meias-vidasFração que restaMassa restante
01100 g
11/250 g
21/425 g
31/812,5 g
41/166,25 g

A parte que já sofreu desintegração é obtida pela diferença entre a quantidade inicial e a final. Assim, após duas meias-vidas, resta 25% da amostra e 75% já decaiu. Questões de porcentagem costumam explorar exatamente essa diferença.

Passo a passo para resolver exercícios

Nem todo problema apresenta as informações na mesma ordem. Alguns fornecem a massa final e pedem o tempo; outros descrevem o percentual restante. Um procedimento fixo ajuda a interpretar qualquer formato de questão.

  1. Identifique a quantidade inicial, indicada por Q₀. Ela pode ser uma massa, um número de núcleos ou uma atividade.
  2. Localize a meia-vida do isótopo e registre sua unidade de tempo.
  3. Determine o número de períodos, dividindo o tempo decorrido pela meia-vida. Se o tempo for desconhecido, descubra primeiro quantas vezes a quantidade foi reduzida à metade.
  4. Calcule a quantidade restante por tabela, divisões sucessivas por 2 ou pela fórmula.
  5. Verifique o resultado. A quantidade restante deve ser menor que a inicial e nunca negativa.

Quando n não é inteiro, a fórmula é a melhor ferramenta. Por exemplo, se transcorreram 15 anos e a meia-vida vale 10 anos, então n = 1,5. Não seria correto dizer que ocorreram apenas uma ou duas meias-vidas completas; o decaimento acontece continuamente, embora seja apresentado em etapas para facilitar a compreensão.

Exercícios resolvidos de meia-vida

1. Cálculo da massa após vários períodos

Exercício: uma amostra de 160 g de um elemento radioativo tem meia-vida de 6 horas. Qual será sua massa após 18 horas?

Resolução: primeiro, calcula-se o número de meias-vidas: n = 18/6 = 3. Portanto, ocorreram três períodos. Em cada um deles, a massa é dividida por 2: 160 g, 80 g, 40 g e 20 g. Pela fórmula, Q = 160 · (1/2)3 = 160/8 = 20 g. Logo, após 18 horas, restarão 20 g da substância radioativa.

2. Descoberta do tempo transcorrido

Exercício: uma amostra tinha 48 mg de um radioisótopo. Sua massa passou a ser 6 mg. Sabendo que a meia-vida é de 4 dias, determine o tempo decorrido.

Resolução: deve-se descobrir quantas reduções pela metade levam de 48 a 6. A sequência é 48 mg, 24 mg, 12 mg e 6 mg. Foram necessárias três meias-vidas. Como cada uma dura 4 dias, o tempo total é 3 · 4 = 12 dias. Note que não se divide 48 por 6 para obter diretamente o tempo: a razão 8 mostra que a quantidade final é 1/8 da inicial, correspondente a três períodos.

3. Questão com porcentagem e atividade

Exercício: a atividade de uma fonte radioativa é de 800 contagens por minuto. Após duas meias-vidas, qual será a atividade restante e qual percentual terá decaído?

Resolução: duas meias-vidas deixam 1/4 da quantidade inicial. Assim, a atividade final é 800 · 1/4 = 200 contagens por minuto. Em termos percentuais, 1/4 corresponde a 25% restante. Consequentemente, 100% − 25% = 75% da atividade inicial deixou de estar associada aos núcleos que ainda não decaíram. A atividade, tal como a massa radioativa, diminui pela metade a cada período.

4. Tempo que não corresponde a um número inteiro de períodos

Exercício: um radionuclídeo possui meia-vida de 8 anos. Uma amostra inicial de 64 g é analisada após 12 anos. Qual massa resta?

Resolução: há 12/8 = 1,5 meias-vidas. Aplicando a fórmula, Q = 64 · (1/2)1,5. Como (1/2)1,5 é aproximadamente 0,354, obtém-se cerca de 22,6 g. O valor fica entre 32 g, que restariam após 8 anos, e 16 g, que restariam após 16 anos, como era esperado.

Erros comuns e aplicações

O erro mais frequente é subtrair uma quantidade fixa a cada meia-vida. Se uma amostra de 100 g perde 50 g no primeiro período, não perde outros 50 g no segundo; perde metade dos 50 g restantes, isto é, 25 g. Por isso, as massas restantes formam a sequência 100, 50, 25, 12,5 e assim por diante.

Também é comum confundir a quantidade restante com a quantidade desintegrada. Após três meias-vidas, resta 1/8 da amostra, ou 12,5%. Isso significa que 87,5% já decaiu. Ler com atenção se a questão pede “restante”, “desintegrada” ou “tempo necessário” evita trocas de resposta.

O conceito de meia-vida aparece em diferentes contextos científicos. Na medicina nuclear, radioisótopos são empregados em exames e tratamentos sob controle especializado. Na datação radiométrica, relações entre isótopos ajudam a estimar a idade de materiais. Em questões escolares, esses usos geralmente servem como contexto para cálculos de proporção e exponenciação, sem exigir conhecimento técnico aprofundado sobre aplicações clínicas ou geológicas.

Pontos de revisão

  • Meia-vida é o tempo para a quantidade radioativa cair à metade.
  • Após n períodos, a fração restante é (1/2)n.
  • Calcule n por meio da relação tempo transcorrido dividido pela meia-vida.
  • Após uma, duas, três e quatro meias-vidas, restam 50%, 25%, 12,5% e 6,25%, respectivamente.
  • Para achar o que decaiu, subtraia a quantidade restante da quantidade inicial.
  • Use as mesmas unidades de tempo e confira se a resposta é coerente com as reduções sucessivas pela metade.

Em síntese, os exercícios de meia-vida são resolvidos ao reconhecer uma redução exponencial. Organizar os períodos em uma tabela é útil quando o número de meias-vidas é inteiro; já a fórmula permite lidar com intervalos fracionários. Com essa distinção, os problemas mais comuns de radioatividade se tornam diretos.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que acontece após duas meias-vidas?

Após duas meias-vidas, resta um quarto da quantidade inicial, equivalente a 25%. Portanto, três quartos, ou 75%, da quantidade inicial já sofreram desintegração.

A meia-vida depende da massa inicial da amostra?

Não. A meia-vida é uma propriedade do radioisótopo e não muda porque a amostra é maior ou menor. Uma massa maior terá mais material restante em termos absolutos, mas seguirá a mesma fração de decaimento.

Como calcular meia-vida quando o tempo não é múltiplo do período?

Use a fórmula Q = Q₀ · (1/2)^(t/T). Nela, t é o tempo decorrido e T é a meia-vida; a divisão t/T pode resultar em um número decimal.

Meia-vida e vida média são a mesma coisa?

Não. A meia-vida é o tempo em que a quantidade se reduz à metade. A vida média é outra grandeza estatística relacionada ao decaimento radioativo, mas não deve ser confundida com o período de semidesintegração.

Resumo em imagem

Resumo visual: Meia-vida: exercícios resolvidos e como calcular

Referências

  1. Química Cidadã: materiais, substâncias, constituintes, química nuclear e suas aplicações — Editora AJS (2016)
  2. Química: ensino médio — Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica (2006)
  3. Radiation and Radioactivity — International Atomic Energy Agency (2022)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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