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Matemática

Como calcular polígonos: lados, ângulos, perímetro e área

Aprenda quais cálculos podem ser feitos em polígonos e como escolher a fórmula adequada para cada situação. Veja exemplos com figuras regulares e irregulares.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Para entender como calcular polígonos, é preciso identificar o número de lados da figura e o que o problema pede: soma dos ângulos, medida de cada ângulo, quantidade de diagonais, perímetro ou área. Cada cálculo usa uma fórmula diferente, e a escolha correta depende também de o polígono ser regular ou irregular.

O que são polígonos e quais dados observar

Polígono é uma figura plana, fechada, formada apenas por segmentos de reta. Esses segmentos são os lados, e seus encontros formam os vértices. Triângulos, quadriláteros, pentágonos e hexágonos são exemplos de polígonos. Uma circunferência não é um polígono, pois possui uma linha curva.

Em exercícios, a letra n geralmente representa a quantidade de lados do polígono. Como todo polígono tem o mesmo número de lados e de vértices, um octógono, por exemplo, tem n = 8, oito lados e oito vértices. Esse valor aparece nas fórmulas de ângulos e diagonais.

Antes de fazer contas, observe as informações fornecidas no enunciado. Ele pode indicar a medida do lado, o apótema, a base e a altura, a quantidade de lados ou a medida de um ângulo. Também verifique se a figura é regular. Um polígono regular possui todos os lados congruentes e todos os ângulos internos com a mesma medida. Já o irregular não apresenta necessariamente essas igualdades.

Atenção: as fórmulas gerais de soma dos ângulos e de diagonais valem para polígonos simples, isto é, figuras cujos lados não se cruzam. Para calcular cada ângulo individualmente por divisão, porém, o polígono deve ser regular.

Classificação e elementos dos polígonos

Os polígonos são nomeados de acordo com a quantidade de lados. Saber esses nomes ajuda a interpretar textos e questões, mas, para aplicar as fórmulas, o mais importante é determinar n corretamente.

Número de ladosNome do polígonoExemplo de uso de n
3Triângulon = 3
4Quadriláteron = 4
5Pentágonon = 5
6Hexágonon = 6
8Octógonon = 8
10Decágonon = 10

Além dos lados e vértices, aparecem com frequência os seguintes elementos:

  • Ângulo interno: região formada por dois lados consecutivos, no interior da figura.
  • Ângulo externo: ângulo obtido entre um lado e o prolongamento do lado vizinho.
  • Diagonal: segmento que une dois vértices não consecutivos.
  • Perímetro: soma dos comprimentos de todos os lados.
  • Apótema: no polígono regular, segmento perpendicular que liga o centro ao ponto médio de um lado.

Um polígono pode ser convexo ou não convexo. No convexo, todos os ângulos internos são menores que 180° e qualquer segmento entre dois pontos internos permanece dentro da figura. As fórmulas mais comuns estudadas na educação básica são aplicadas principalmente aos polígonos convexos.

Como calcular a soma dos ângulos internos

A soma das medidas dos ângulos internos de um polígono convexo é dada pela fórmula S = (n − 2) · 180°. Nela, S é a soma procurada e n é o número de lados. A expressão funciona porque é possível dividir um polígono em triângulos a partir de um mesmo vértice, e cada triângulo tem soma interna igual a 180°.

Em um pentágono, n = 5. Portanto, S = (5 − 2) · 180° = 3 · 180° = 540°. Isso quer dizer que os cinco ângulos internos somados medem 540°, mesmo que o pentágono seja irregular. Não significa que cada um mede 540°: esse resultado se refere ao total.

Considere agora um decágono. Como ele tem dez lados, S = (10 − 2) · 180° = 8 · 180° = 1.440°. Se a questão informar a soma e pedir a quantidade de lados, basta montar a equação. Se S = 1.260°, então:

(n − 2) · 180 = 1.260. Dividindo por 180, obtém-se n − 2 = 7. Logo, n = 9. O polígono é um eneágono.

Uma verificação útil é lembrar que o triângulo tem soma igual a 180°: ao substituir n = 3 na fórmula, resulta (3 − 2) · 180° = 180°. Para um quadrilátero, o resultado é 360°.

Ângulos de polígonos regulares

Quando o polígono é regular, todos os seus ângulos internos têm a mesma medida. Assim, depois de encontrar a soma S, divida-a pelo número de lados. A fórmula da medida de cada ângulo interno é a = [(n − 2) · 180°] / n.

Em um hexágono regular, n = 6. A soma interna é (6 − 2) · 180° = 720°. Como os seis ângulos são iguais, cada um mede 720° / 6 = 120°. Essa divisão só é válida porque foi informado que o hexágono é regular.

Também é possível descobrir o número de lados conhecendo cada ângulo interno. Suponha que cada ângulo de um polígono regular meça 150°. Monta-se a igualdade [(n − 2) · 180] / n = 150. Multiplicando os dois lados por n, temos 180n − 360 = 150n. Assim, 30n = 360 e n = 12. Trata-se de um dodecágono regular.

Por que não dividir em figuras irregulares?

Em um quadrilátero irregular, por exemplo, a soma interna sempre é 360°, mas seus ângulos podem medir 80°, 110°, 70° e 100°. Dividir 360° por quatro produziria 90°, valor que corresponde apenas à média aritmética das medidas, não à medida real de cada ângulo. Por isso, leia com atenção a palavra “regular” no enunciado.

Diagonais e ângulos externos

A quantidade total de diagonais de um polígono é calculada por D = n(n − 3) / 2. A fórmula considera que, de cada vértice, podem partir diagonais para n − 3 vértices: não se conta o próprio vértice nem os dois vizinhos, pois eles formam lados. A divisão por dois evita contar duas vezes a mesma diagonal.

Para um octógono, D = 8(8 − 3) / 2 = 8 · 5 / 2 = 20 diagonais. Já um pentágono possui 5(5 − 3) / 2 = 5 diagonais. Não confunda essa fórmula com o número de diagonais que saem de um único vértice: nesse caso, a resposta é apenas n − 3.

Nos polígonos convexos, a soma de um conjunto de ângulos externos, um em cada vértice e tomados no mesmo sentido, é sempre 360°. Em um polígono regular, cada ângulo externo mede 360° / n. Logo, em um nonágono regular, cada externo vale 360° / 9 = 40°.

Em cada vértice de um polígono convexo, o ângulo interno e o externo adjacente são suplementares. Portanto, suas medidas somam 180°. No nonágono do exemplo, cada interno será 180° − 40° = 140°. Essa relação é outra maneira de chegar aos ângulos internos de uma figura regular.

Perímetro e área dos polígonos

O perímetro é o contorno da figura. Para calculá-lo, some todos os lados. Se o polígono for regular e cada lado medir l, use a forma simplificada P = n · l. Um heptágono regular com lados de 4 cm, por exemplo, tem perímetro P = 7 · 4 = 28 cm.

Em um polígono irregular, não há atalho baseado apenas em n: é necessário somar os comprimentos conhecidos. Um quadrilátero com lados de 3 cm, 5 cm, 4 cm e 6 cm apresenta perímetro de 18 cm. Perímetro é medido em unidades de comprimento, como cm, m ou km.

A área mede a superfície interna e é expressa em unidades quadradas, como cm² ou m². Não existe uma única fórmula de área que sirva para todos os polígonos, pois ela depende da forma e das medidas disponíveis. Para um polígono regular, uma fórmula importante é A = P · ap / 2, em que P é o perímetro e ap é o apótema.

Se um hexágono regular tem perímetro de 36 cm e apótema de 5,2 cm, sua área é A = 36 · 5,2 / 2 = 93,6 cm². A ideia da fórmula é dividir a figura em triângulos congruentes com vértice no centro; a soma das áreas desses triângulos leva ao resultado.

Decomposição de figuras

Para polígonos irregulares, uma estratégia frequente é decompor a figura em formas conhecidas, como triângulos, retângulos e trapézios. Calculam-se as áreas das partes e, depois, somam-se os resultados. Se houver um recorte interno, como em uma figura em L, calcule a área do retângulo maior e subtraia a área da região retirada. Desenhar as divisões auxilia na organização dos dados.

Roteiro de revisão e síntese

Os cálculos com polígonos ficam mais seguros quando são feitos em uma sequência lógica. Primeiro, determine o número de lados; depois, identifique se a figura é regular e qual grandeza a questão solicita. Só então escolha a fórmula e confira se a unidade final corresponde ao que foi calculado.

  1. Para a soma dos ângulos internos, use S = (n − 2) · 180°.
  2. Para cada ângulo interno de um polígono regular, divida a soma por n.
  3. Para o total de diagonais, aplique D = n(n − 3) / 2.
  4. Para ângulos externos de uma figura regular, calcule 360° / n.
  5. Para o perímetro, some os lados ou faça P = n · l quando todos forem iguais.
  6. Para a área, escolha a fórmula específica da figura ou decomponha-a em formas mais simples.

Como conferência final, não misture grandezas: ângulos são medidos em graus, perímetro em unidades lineares e área em unidades quadradas. Além disso, a soma dos ângulos internos pode ser aplicada a polígonos irregulares, mas o cálculo de um ângulo individual por divisão exige regularidade. Distinguir essas situações é essencial para resolver exercícios de geometria plana com precisão.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Qual é a fórmula da soma dos ângulos internos de um polígono?

A fórmula é S = (n − 2) · 180°, sendo n o número de lados. Ela é usada para polígonos convexos e fornece a soma total dos ângulos internos, não a medida de cada um deles.

Como descobrir quantos lados tem um polígono pela soma dos ângulos internos?

Substitua a soma conhecida na fórmula S = (n − 2) · 180° e resolva a equação para n. Por exemplo, uma soma de 900° leva a n − 2 = 5, portanto n = 7.

Quando posso dividir a soma dos ângulos pelo número de lados?

Essa divisão pode ser feita quando o polígono é regular, pois nesse caso todos os ângulos internos têm a mesma medida. Em um polígono irregular, a divisão gera apenas uma média, e não necessariamente a medida de cada ângulo.

Como calcular a área de qualquer polígono?

Não há uma fórmula única para toda forma poligonal. Em polígonos regulares, pode-se usar A = P · ap / 2; em figuras irregulares, é comum dividi-las em triângulos, retângulos ou outras figuras de área conhecida.

Resumo em imagem

Resumo visual: Como calcular polígonos: lados, ângulos, perímetro e área

Referências

  1. A Matemática do Ensino Médio, volume 2 — Elon Lages Lima e outros, Sociedade Brasileira de Matemática (2006)
  2. Matemática: Ciência e Aplicações, volume 1 — Gelson Iezzi, Osvaldo Dolce e outros, Atual Editora (2016)
  3. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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