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Língua Portuguesa

O que são vozes verbais? Ativa, passiva e reflexiva

As vozes verbais mostram a relação entre o sujeito e a ação indicada pelo verbo. Saiba identificar voz ativa, passiva e reflexiva e veja como transformar orações.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Vozes verbais são as formas pelas quais o verbo expressa a relação entre o sujeito da oração e a ação verbal. Em português, as principais são a voz ativa, a voz passiva e a voz reflexiva. Identificá-las ajuda a compreender quem pratica, recebe ou pratica e recebe uma ação, além de ser importante em análises sintáticas e na produção de textos.

O que são vozes verbais?

A voz verbal não deve ser confundida com o tempo ou o modo do verbo. O tempo informa quando algo ocorre, como no presente ou no passado; o modo indica a atitude do falante, como certeza, hipótese ou ordem. Já a voz mostra a posição do sujeito diante da ação.

Observe a oração: Os pesquisadores analisaram os dados. O sujeito os pesquisadores realiza a ação de analisar. Por isso, o verbo está na voz ativa. Agora veja: Os dados foram analisados pelos pesquisadores. Nessa construção, o sujeito os dados recebe a ação. Trata-se de voz passiva.

Assim, para reconhecer a voz, é necessário localizar primeiro o verbo e depois perguntar qual é a relação do sujeito com o que ele expressa. O sujeito age? Sofre ou recebe a ação? Age sobre si próprio? As respostas conduzem à classificação adequada.

Atenção: só é possível haver voz passiva quando o verbo é transitivo direto ou transitivo direto e indireto, isto é, quando há objeto direto na construção ativa. Verbos intransitivos, de ligação e transitivos indiretos não formam passiva de acordo com a norma-padrão.

Voz ativa

Na voz ativa, o sujeito é o agente da ação verbal. Isso significa que ele pratica ou desencadeia o fato indicado pelo verbo. É a construção mais comum na comunicação cotidiana e costuma apresentar uma ordem direta: sujeito, verbo e complemento.

Na frase A escola promoveu uma feira de ciências, o sujeito é a escola, o verbo é promoveu e o objeto direto é uma feira de ciências. A escola realizou a promoção; portanto, a oração está na voz ativa.

Como identificar a voz ativa

  • Localize o sujeito da oração.
  • Verifique se ele realiza a ação indicada pelo verbo.
  • Quando houver objeto direto, confira se ele recebe a ação praticada pelo sujeito.

Outros exemplos são: A atleta venceu a corrida; Os estudantes resolveram o exercício; O governo anunciou novas medidas. Em todos eles, os sujeitos — atleta, estudantes e governo — são agentes das ações.

A voz ativa pode ser escolhida para dar mais clareza a um texto, pois evidencia quem é responsável por uma ação. Em textos informativos, por exemplo, dizer A equipe divulgou os resultados é mais direto do que ocultar o agente em uma construção passiva.

Voz passiva

Na voz passiva, o sujeito recebe a ação verbal. Ele é chamado de sujeito paciente, pois não a pratica: é afetado por ela. O agente, quando aparece, recebe o nome de agente da passiva e geralmente é introduzido pela preposição por ou por suas contrações, como pelo e pela.

Há duas formas principais de voz passiva: a analítica e a sintética, também chamada de pronominal. A diferença está na estrutura usada para apresentar a ação.

Voz passiva analítica

A passiva analítica é formada, em geral, pelo verbo auxiliar ser mais o particípio do verbo principal. Por exemplo: O projeto foi aprovado pelos vereadores. O sujeito paciente é o projeto; foi aprovado é a locução verbal passiva; e pelos vereadores é o agente da passiva.

O auxiliar pode aparecer em vários tempos verbais: As inscrições serão abertas amanhã; As inscrições eram abertas no início do ano; As inscrições tinham sido abertas anteriormente. O particípio concorda com o sujeito paciente: O texto foi revisado; As redações foram revisadas.

Voz passiva sintética

A passiva sintética é formada por verbo transitivo direto, ou direto e indireto, acompanhado do pronome apassivador se. Em Vendem-se livros usados, livros usados é o sujeito paciente. Isso se comprova pela concordância: no singular, dizemos Vende-se um livro usado; no plural, Vendem-se livros usados.

Tipo de vozExemploRelação do sujeito com a ação
AtivaOs alunos organizaram o evento.O sujeito pratica a ação.
Passiva analíticaO evento foi organizado pelos alunos.O sujeito recebe a ação.
Passiva sintéticaOrganizou-se o evento.O sujeito recebe a ação.
ReflexivaO aluno se feriu.O sujeito pratica e recebe a ação.

Como transformar a voz ativa em passiva

A passagem da ativa para a passiva exige atenção à função sintática dos termos, e não apenas à troca de palavras. O objeto direto da oração ativa torna-se sujeito paciente na passiva. O sujeito agente da ativa pode se transformar em agente da passiva.

Veja o processo com a oração Os técnicos consertaram o equipamento. Primeiro, identificamos os elementos: os técnicos é sujeito; consertaram é o verbo; o equipamento é objeto direto. Na passiva analítica, temos: O equipamento foi consertado pelos técnicos.

  1. Encontre o objeto direto da frase ativa.
  2. Coloque esse objeto na posição de sujeito paciente.
  3. Use o verbo ser no mesmo tempo e modo do verbo original.
  4. Empregue o verbo principal no particípio, concordando com o novo sujeito.
  5. Introduza o antigo sujeito com por, caso seja relevante mencioná-lo.

Em A comissão avaliará as propostas, o verbo está no futuro do presente. A forma passiva correspondente é As propostas serão avaliadas pela comissão. Note que avaliará se torna serão avaliadas, preservando a ideia de futuro e estabelecendo concordância com propostas.

Nem toda frase ativa pode ser convertida em passiva. A oração Os turistas gostam da cidade não admite a forma passiva padrão, pois gostar é transitivo indireto: exige o complemento introduzido por de. Não existe objeto direto que possa assumir a função de sujeito paciente.

Voz reflexiva

Na voz reflexiva, o sujeito pratica e recebe a ação ao mesmo tempo. O pronome oblíquo átono indica que a ação retorna ao próprio sujeito. Em Marina penteou-se, Marina é quem penteia e quem é penteada. O pronome se equivale, nesse caso, a a si mesma.

Além de se, podem ocorrer os pronomes me, te, nos e vos: Eu me preparei para a apresentação; Tu te machucaste; Nós nos encontramos no laboratório. A análise depende do sentido expresso no contexto.

Voz reflexiva recíproca

Existe ainda a construção reflexiva recíproca, em que dois ou mais sujeitos praticam ações uns sobre os outros. Em Os amigos se abraçaram, cada amigo abraçou o outro. Para evitar ambiguidades, podem ser usadas expressões como um ao outro, entre si ou mutuamente: Os adversários respeitaram-se mutuamente.

Não se deve classificar automaticamente como reflexiva toda oração que contenha se. Esse pronome desempenha funções variadas na língua portuguesa, e a interpretação da frase é indispensável.

Casos que geram dúvida

Uma dúvida frequente envolve a diferença entre passiva sintética e índice de indeterminação do sujeito. Compare: Alugam-se casas e Precisa-se de voluntários. Na primeira, casas é sujeito paciente, pois o verbo alugar é transitivo direto e concorda no plural. A frase equivale a Casas são alugadas.

Na segunda, o verbo precisar, com o sentido de necessitar, é transitivo indireto: quem precisa, precisa de algo. Por isso, de voluntários não é sujeito, e o se indetermina o sujeito. O verbo permanece no singular: Precisa-se de voluntários, e não Precisam-se de voluntários.

Também há verbos pronominais, que exigem pronome como parte de sua estrutura e não representam voz reflexiva. Em Ela se arrependeu da decisão, o verbo é arrepender-se. Não faz sentido dizer que ela arrependeu a si mesma; logo, não há ação refletida sobre o sujeito.

Uma estratégia útil é tentar reescrever a oração com a si mesmo ou uns aos outros. Se a substituição fizer sentido, pode haver reflexividade. Se a construção puder ser reescrita com o verbo ser mais particípio, pode haver passiva.

Revisão das vozes verbais

As vozes verbais revelam o papel do sujeito diante da ação. Na voz ativa, o sujeito é agente: A pesquisadora publicou o artigo. Na passiva, ele é paciente: O artigo foi publicado pela pesquisadora. Na reflexiva, ele age sobre si: A pesquisadora se preparou.

Para revisar o tema, observe sempre a transitividade verbal, identifique sujeito e complementos e analise o valor do pronome se. Na transformação entre ativa e passiva, preserve o tempo e o modo verbal, além da concordância do particípio com o sujeito paciente. Esse procedimento torna a análise mais segura e evita confundir construções parecidas.

Pontos essenciais: voz ativa apresenta sujeito agente; voz passiva apresenta sujeito paciente; voz reflexiva indica que o sujeito pratica e recebe a ação. A presença de se, por si só, não basta para definir a voz de uma oração.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Quais são as três principais vozes verbais?

As principais vozes verbais são a ativa, a passiva e a reflexiva. Na ativa, o sujeito pratica a ação; na passiva, recebe a ação; e na reflexiva, pratica uma ação que recai sobre ele mesmo.

Como saber se uma oração está na voz passiva?

Verifique se o sujeito recebe a ação expressa pelo verbo. A voz passiva pode aparecer com o verbo ser e o particípio, como em “A carta foi enviada”, ou com o pronome apassivador se, como em “Vendem-se bicicletas”.

Todo verbo pode ser passado para a voz passiva?

Não. Em geral, apenas verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos permitem a transformação, pois o objeto direto da ativa se torna sujeito paciente na passiva. Verbos que exigem preposição, como gostar de, não formam passiva padrão.

Qual é a diferença entre voz reflexiva e verbo pronominal?

Na voz reflexiva, a ação volta para o próprio sujeito, como em “Carlos se machucou”. No verbo pronominal, o pronome integra o verbo e não indica necessariamente uma ação sobre si, como em “Carlos se arrependeu”.

Resumo em imagem

Resumo visual: O que são vozes verbais? Ativa, passiva e reflexiva

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon (2017)
  2. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo, Publifolha (2011)
  3. Gramática Pedagógica do Português Brasileiro — Marcos Bagno, Parábola Editorial (2012)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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