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Língua Portuguesa

Atividades sobre crase com gabarito

Resolva exercícios de crase e confira explicações para entender quando o acento grave é obrigatório, proibido ou facultativo.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Atividades sobre crase com gabarito ajudam a praticar o uso do acento grave em situações reais de escrita. Para resolvê-las corretamente, é preciso lembrar que a crase ocorre, em geral, na fusão da preposição a com o artigo feminino a ou as: vou à escola. Não se trata, portanto, de um acento colocado apenas porque a palavra é feminina.

O sinal gráfico da crase é o acento grave: à, às, àquele, àquela, àquilo. Ele indica que dois elementos se uniram. Neste material, você vai rever o raciocínio necessário para identificar essa fusão, resolver exercícios e conferir um gabarito comentado.

Entendendo a crase

Em frases como Entreguei o trabalho à professora, o verbo entregar pede a preposição a: quem entrega, entrega algo a alguém. Ao mesmo tempo, o substantivo feminino professora aceita o artigo a. A união de a + a produz à.

Compare: Entreguei o trabalho ao professor e Entreguei o trabalho à professora. A forma masculina ao revela a combinação de a + o. Se, ao trocar a palavra feminina por uma masculina, aparecer ao ou aos, é muito provável que haja crase na construção feminina: assisti ao filme; logo, assisti à peça.

Ideia central: a crase depende de dois fatores: um termo anterior que exija a preposição a e um termo posterior feminino que admita artigo a ou as. Se um desses elementos não existir, não haverá crase.

É importante diferenciar crase de artigo. Em A aluna chegou cedo, há somente artigo definido antes de aluna; por isso, não se usa acento grave. Já em Dirigi-me à aluna, o verbo pronominal dirigir-se exige a preposição a, que se funde ao artigo.

Como decidir se há crase

Antes de marcar o acento grave, observe a relação entre as palavras. Alguns verbos, nomes e expressões exigem a preposição a, como ir a, voltar a, obedecer a, referir-se a, favorável a e contrário a. Porém, essa exigência não basta: o termo seguinte também precisa aceitar artigo feminino.

  1. Identifique a palavra ou expressão que vem antes do possível uso de crase.
  2. Verifique se ela pede a preposição a.
  3. Veja se a palavra seguinte é feminina e aceita o artigo a ou as.
  4. Faça o teste da substituição por um termo masculino, quando possível.

Por exemplo, em Cheguei à cidade cedo, o verbo chegar indica destino e admite a preposição a; cidade aceita artigo. No masculino, a construção seria cheguei ao vilarejo. Já em cheguei a Brasília, normalmente não há crase, pois nomes de cidades sem artigo não recebem artigo definido: dizemos voltei de Brasília, e não voltei da Brasília.

TesteExemplo masculinoConclusão no feminino
Aparece “ao”Obedeço ao regulamento.Obedeço à regra.
Aparece apenas “a”Começou a trabalhar.Começou a estudar.
Não há preposiçãoVi o aluno.Vi a aluna.

O teste do masculino é útil, mas não substitui a análise. Ele funciona melhor quando há uma palavra masculina equivalente e quando a frase mantém o mesmo sentido.

Casos importantes para lembrar

Uso obrigatório

A crase ocorre antes de substantivos femininos determinados quando há regência com preposição a: respondeu à pergunta; assistiu à palestra. Também é obrigatória nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas: à tarde, às pressas, à medida que, à procura de. Nas indicações de horas determinadas, usa-se crase: A aula começa às 14 horas.

Há crase antes dos demonstrativos aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo quando o termo anterior exige a preposição a: refiro-me àquela proposta; sou contrário àquilo. A fusão, nesse caso, é de a com a letra inicial do demonstrativo.

Uso proibido

Não há crase antes de palavras masculinas: andar a cavalo; de verbos: começou a chover; de pronomes pessoais: entreguei a ela; e, em regra, de pronomes de tratamento como Vossa Excelência: dirigi-me a Vossa Excelência. Também não se usa antes de artigo indefinido: refiro-me a uma aluna.

Antes de nomes de cidades, aplique o teste “volto de” ou “volto da”. Em vou a Recife, volto de Recife, não se usa crase. Em vou à Bahia, volto da Bahia, usa-se crase, pois o nome admite artigo. A presença de um modificador pode alterar o caso: vou à Recife dos rios, se a caracterização justificar o artigo.

Uso facultativo

A crase pode ser facultativa antes de pronomes possessivos femininos no singular: entreguei o livro a sua irmã ou à sua irmã. Também pode ser facultativa antes de nomes próprios femininos que aceitam artigo: enviei a carta a Ana ou à Ana. A escolha depende, entre outros fatores, do uso do artigo no contexto.

Atividade 1: complete as frases

Complete cada frase com a, à, as ou às, conforme a norma-padrão. Em alguns casos, a forma correta não recebe acento grave.

  1. Os estudantes foram ___ biblioteca depois da aula.
  2. A coordenadora entregou os certificados ___ alunas premiadas.
  3. O pesquisador começou ___ analisar os resultados.
  4. Chegaremos ___ 8 horas para a reunião.
  5. Ela se referiu ___quele capítulo do livro.
  6. Pedro viajou ___ Brasília no feriado.
  7. O atleta treinava ___ noite e descansava pela manhã.
  8. O diretor chamou ___ professora para conversar.
  9. O guia conduziu o grupo ___ pé até o museu.
  10. A decisão foi favorável ___ proposta apresentada.

Ao responder, não se limite a observar a palavra posterior. Em começou a analisar, por exemplo, há apenas preposição antes de verbo. Em às 8 horas, há uma locução que indica horário determinado.

Atividade 2: analise os usos

Leia as frases e classifique o emprego destacado como correto ou incorreto. Se estiver incorreto, reescreva a frase de acordo com a norma-padrão.

  1. Assistimos à um documentário sobre a Amazônia.
  2. Os convidados chegaram às sete horas.
  3. A estudante obedeceu à orientadora.
  4. O professor começou à explicar a questão.
  5. Referi-me àquela observação durante o debate.
  6. O menino foi à cavalo até a fazenda.
  7. Entregamos os materiais à você.
  8. As inscrições serão feitas à medida que surgirem vagas.

Esses exemplos reúnem erros frequentes. Muitos ocorrem porque se associa automaticamente um termo feminino ao acento grave, como em à um documentário ou à você. A análise da regência e da classe da palavra seguinte evita esse problema.

Gabarito comentado

Respostas da atividade 1

  1. à biblioteca. Quem vai, vai a algum lugar; biblioteca admite artigo.
  2. às alunas premiadas. Há preposição exigida por entregou e artigo plural.
  3. a analisar. Antes de verbo, não ocorre crase.
  4. às 8 horas. Indicação de hora determinada exige crase.
  5. àquele capítulo. O verbo referir-se pede a preposição a.
  6. a Brasília. O nome da cidade, nesse uso, não vem acompanhado de artigo.
  7. à noite. Trata-se de locução adverbial feminina.
  8. a professora. O verbo chamar, no sentido de convocar, é transitivo direto: não exige preposição.
  9. a pé. A expressão é masculina; portanto, não recebe crase.
  10. à proposta. O adjetivo favorável exige a preposição a.

Respostas da atividade 2

  1. Incorreto. O correto é Assistimos a um documentário. Há preposição, mas um é artigo indefinido masculino e não permite fusão.
  2. Correto. A expressão indica hora marcada: às sete horas.
  3. Correto. Quem obedece, obedece a alguém; orientadora aceita artigo.
  4. Incorreto. O correto é começou a explicar, pois explicar é verbo.
  5. Correto. Há preposição exigida por referir-se e o demonstrativo aquela.
  6. Incorreto. O correto é a cavalo. Antes de palavra masculina, não há crase.
  7. Incorreto. O correto é Entregamos os materiais a você. Antes do pronome de tratamento informal você, não se usa crase.
  8. Correto. À medida que é uma locução conjuntiva feminina.

Revisão final

Para usar a crase com segurança, pergunte primeiro: o termo anterior exige a preposição a? Depois: o termo seguinte aceita artigo feminino? Apenas a resposta positiva às duas perguntas justifica o acento grave. Lembre ainda das locuções femininas, das horas determinadas e dos demonstrativos iniciados por a.

  • Use crase em vou à escola, às 10 horas e à medida que.
  • Não use crase antes de verbo, palavra masculina, pronome pessoal ou artigo indefinido.
  • Use o teste do masculino: se surgir ao, a forma feminina tende a ser à.
  • Em nomes de cidades, observe se se diz volto de ou volto da.
  • Leia a frase inteira: a regência define se existe ou não preposição.

A prática é essencial porque a crase não depende de uma regra isolada. Ela resulta da relação entre os termos da oração. Ao justificar cada resposta, você aprende a reconhecer o funcionamento da estrutura, em vez de apenas decorar exemplos.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que é crase?

Crase é a fusão de dois sons iguais, geralmente da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou “as”. Na escrita, essa fusão é indicada pelo acento grave, como em “à escola” e “às aulas”.

Como saber se devo usar crase antes de uma palavra feminina?

Verifique se a palavra anterior exige a preposição “a” e se a palavra feminina seguinte admite artigo. O teste de trocar o termo feminino por um masculino também pode ajudar: se aparecer “ao”, em geral haverá “à” no feminino.

Por que não há crase antes de verbos?

Verbos não são acompanhados de artigo definido feminino. Assim, em expressões como “começar a estudar” e “aprender a escrever”, existe apenas a preposição “a”, sem fusão e sem acento grave.

Há crase antes de horas?

Sim, em indicações de horas determinadas, como “às 9 horas” e “à uma hora”. Não se emprega crase em expressões como “daqui a duas horas”, pois nesse caso a preposição indica tempo futuro, sem artigo.

Resumo em imagem

Resumo visual: Atividades sobre crase com gabarito

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon (2017)
  2. Moderna Gramática Portuguesa — Evanildo Bechara, Nova Fronteira (2019)
  3. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo, Publifolha (2014)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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