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Língua Portuguesa

O que são tempos verbais? Entenda presente, passado e futuro

Tempos verbais situam ações, estados ou fenômenos no presente, no passado e no futuro. Veja como identificá-los e entender seus efeitos de sentido.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e Ensino médio

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Tempos verbais são as formas que localizam uma ação, um estado ou um fenômeno em relação ao momento da fala: no presente, no passado ou no futuro. Eles aparecem na conjugação dos verbos e ajudam o leitor a entender quando algo aconteceu, acontece ou poderá acontecer. Em uma frase como “Os alunos estudarão amanhã”, a forma “estudarão” indica uma ação futura.

O estudo dos tempos verbais é importante porque não se limita a decorar terminações. A escolha de um tempo pode mostrar certeza, hipótese, ordem, continuidade, anterioridade ou expectativa. Por isso, compreender verbos contribui tanto para responder questões de gramática quanto para interpretar narrativas, notícias, relatos e textos argumentativos.

O que são tempos verbais

Verbo é a palavra que exprime, entre outros sentidos, ação, estado, mudança de estado e fenômeno da natureza. Quando ele varia, pode informar pessoa, número, modo e tempo. O tempo verbal situa o fato expresso pelo verbo em uma linha temporal, tomando como referência o instante em que se fala ou escreve.

Os três tempos básicos são presente, pretérito e futuro. O presente costuma indicar um fato simultâneo à fala: “Eu leio agora”. O pretérito, também chamado de passado, aponta um fato anterior: “Eu li ontem”. O futuro apresenta um fato posterior: “Eu lerei amanhã”. Contudo, a língua permite usos mais variados do que essa divisão inicial sugere.

Por exemplo, o presente pode expressar uma verdade considerada permanente, como em “A água ferve a 100 °C ao nível do mar”. Também pode ser usado para narrar fatos passados com mais vivacidade: “Em 1822, D. Pedro proclama a Independência”. Nesse caso, há um presente histórico, e o contexto mostra que o fato ocorreu no passado.

Tempo verbal não é apenas uma marca cronológica. Em muitos enunciados, ele também produz efeitos de sentido e revela a posição de quem fala diante do que é dito.

Tempo verbal e modo verbal: qual é a diferença?

Tempo e modo são categorias diferentes, embora apareçam juntos nas formas verbais. O tempo mostra a localização ou a relação temporal do fato. O modo verbal mostra a atitude do falante: se ele apresenta algo como certo, possível, desejado, duvidoso ou como uma ordem.

Na língua portuguesa, os modos verbais são indicativo, subjuntivo e imperativo. O indicativo tende a apresentar o fato como real ou certo: “Ela chegou cedo”. O subjuntivo é usado frequentemente para hipóteses, desejos e possibilidades: “Talvez ela chegue cedo”. Já o imperativo expressa pedido, orientação, conselho ou ordem: “Chegue cedo”.

Observe que “chegou” e “chegue” não mudam apenas o momento da ação. A primeira forma afirma que o fato ocorreu; a segunda depende de uma possibilidade introduzida por “talvez”. Assim, para analisar um verbo corretamente, é preciso considerar ao mesmo tempo seu modo, seu tempo e o contexto da frase.

Os tempos do modo indicativo

O indicativo possui formas simples e compostas. As simples são formadas por uma única palavra, como “estudei”; as compostas usam um verbo auxiliar, geralmente ter ou haver, seguido de particípio, como “tenho estudado”. Os tempos simples mais cobrados permitem estabelecer relações precisas entre fatos.

TempoExemploUso principal
PresenteEu estudo.Fato atual, habitual ou permanente.
Pretérito perfeitoEu estudei.Ação concluída no passado.
Pretérito imperfeitoEu estudava.Ação contínua, habitual ou não concluída no passado.
Pretérito mais-que-perfeitoEu estudara.Ação anterior a outra ação passada.
Futuro do presenteEu estudarei.Fato posterior ao momento da fala.
Futuro do pretéritoEu estudaria.Fato condicionado, hipótese ou futuro visto do passado.

A diferença entre pretérito perfeito e imperfeito merece atenção. Em “Quando criança, Marina brincava na praça”, o imperfeito sugere hábito ou duração. Em “Ontem, Marina brincou na praça”, o perfeito apresenta a ação como encerrada. Nas narrativas, o imperfeito costuma compor cenários e ações em andamento, enquanto o perfeito faz avançar os acontecimentos.

O futuro do pretérito aparece em estruturas condicionais: “Se tivesse tempo, eu viajaria”. Também pode indicar uma informação não confirmada: “O diretor teria chegado cedo”, construção comum em textos jornalísticos para marcar cautela diante da notícia.

Subjuntivo e imperativo

O subjuntivo organiza fatos que não são apresentados como plenamente certos. Seus tempos simples são presente, pretérito imperfeito e futuro. No presente, aparecem desejo, possibilidade e dúvida: “Espero que vocês compreendam o assunto” ou “Talvez chova”.

O pretérito imperfeito do subjuntivo é muito comum após a conjunção se: “Se eu soubesse a resposta, explicaria”. Já o futuro do subjuntivo indica uma condição ou eventualidade futura: “Quando você terminar a atividade, entregue-a ao professor”. Apesar de apontar para o futuro, “terminar” está no subjuntivo porque o término ainda é uma possibilidade.

O imperativo não se divide em tempos como indicativo e subjuntivo. Ele se relaciona ao momento em que a orientação é dada e pode ter valor afirmativo ou negativo. Compare: “Leia o enunciado com atenção” e “Não leia apenas o título”. As formas do imperativo variam conforme a pessoa a quem se dirige a mensagem.

As formas nominais do verbo

Infinitivo, gerúndio e particípio são chamados de formas nominais porque podem desempenhar funções próximas às de nomes, embora conservem características verbais. Elas não indicam, por si mesmas, pessoa, modo e tempo da mesma maneira que as formas conjugadas.

  • Infinitivo: é a forma básica do verbo, como “estudar”, “ler” e “partir”. Pode indicar uma ação de modo geral: “Estudar exige organização”.
  • Gerúndio: termina normalmente em -ndo e sugere ação em desenvolvimento: “Os estudantes estão revisando o conteúdo”.
  • Particípio: geralmente termina em -ado ou -ido, como “estudado” e “lido”. É usado em locuções: “Eles tinham lido o capítulo”.

As formas nominais participam de locuções verbais. Em “Ela vai estudar”, o verbo principal é “estudar”, e “vai” auxilia na expressão de futuro próximo. Em “Eles haviam saído”, “haviam” auxilia o particípio “saído” para indicar que a saída ocorreu antes de outro momento passado.

Como identificar os tempos verbais em um texto

Para reconhecer um tempo verbal, comece localizando o verbo e observando sua terminação. Em seguida, pergunte quando o fato ocorre em relação ao enunciador. Marcadores temporais, como “ontem”, “agora”, “amanhã”, “antes” e “quando”, ajudam, mas não substituem a análise da forma verbal e do contexto.

  1. Localize a palavra ou a locução que expressa ação, estado ou fenômeno.
  2. Identifique o infinitivo do verbo: “cantávamos” vem de “cantar”.
  3. Verifique o modo: fato afirmado, hipótese ou orientação.
  4. Determine a relação temporal: presente, anterioridade, posterioridade, duração ou conclusão.
  5. Leia o período inteiro para perceber possíveis usos especiais, como presente histórico ou futuro com valor de ordem.

Em uma narrativa, observe a sequência de verbos. “Quando Ana chegou, os amigos conversavam e já tinham preparado a sala” reúne três relações: “chegou” marca um fato concluído; “conversavam” mostra uma ação em curso; “tinham preparado” indica uma ação anterior à chegada. Essa comparação revela a organização temporal do texto.

O contexto é decisivo: uma mesma forma verbal pode assumir valores diferentes conforme a situação comunicativa e as palavras que a acompanham.

Pontos de revisão

Os tempos verbais situam os fatos e colaboram para a coerência de um texto. O presente se associa ao agora, a hábitos e a verdades gerais; os pretéritos organizam diferentes aspectos do passado; e os futuros projetam fatos posteriores ou condicionados. Entretanto, os usos reais da língua dependem da intenção comunicativa.

Ao estudar, evite analisar o verbo isoladamente. Verifique o modo verbal, os advérbios de tempo, as conjunções e a relação entre as ações do período. Lembre-se especialmente de que o pretérito perfeito tende a indicar conclusão, o imperfeito sugere duração ou hábito, e o mais-que-perfeito marca anterioridade em relação a outro fato passado.

Como revisão final, pergunte: qual é o verbo? Em que modo ele está? O fato é apresentado como certo, possível ou como orientação? E qual ação acontece antes, durante ou depois da outra? Essas perguntas ajudam a compreender a função dos tempos verbais em qualquer texto.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Quais são os três tempos verbais básicos?

Os três tempos básicos são presente, pretérito e futuro. Eles indicam, respectivamente, fatos simultâneos, anteriores ou posteriores ao momento da fala. Cada modo verbal pode organizar essas relações de formas específicas.

Qual é a diferença entre pretérito perfeito e pretérito imperfeito?

O pretérito perfeito geralmente apresenta uma ação concluída, como em “Ela chegou”. O pretérito imperfeito costuma indicar hábito, duração ou ação em andamento no passado, como em “Ela chegava cedo todos os dias”.

Modo verbal e tempo verbal são a mesma coisa?

Não. O tempo verbal situa o fato no presente, passado ou futuro, enquanto o modo revela como o falante encara esse fato. O indicativo tende a expressar certeza, o subjuntivo possibilidade e o imperativo orientação ou ordem.

O infinitivo tem tempo verbal?

O infinitivo é uma forma nominal e, isoladamente, não apresenta tempo e pessoa como uma forma conjugada. Contudo, no contexto, ele pode se relacionar a um momento temporal, especialmente quando integra uma locução verbal.

Resumo em imagem

Resumo visual: O que são tempos verbais? Entenda presente, passado e futuro

Referências

  1. Nova gramática do português contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon (2017)
  2. Moderna gramática portuguesa — Evanildo Bechara, Nova Fronteira (2019)
  3. Gramática Houaiss da língua portuguesa — José Carlos de Azeredo, Publifolha (2018)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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