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Língua Portuguesa

Conjugação verbal: exemplos, tempos, modos e pessoas

Aprenda como os verbos se flexionam para indicar pessoa, número, tempo e modo. Veja exemplos práticos de conjugações regulares e irregulares.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino fundamental II e Ensino médio

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Conjugação verbal é a flexão do verbo para expressar quem realiza a ação, em que número, tempo, modo e, em algumas situações, voz ela ocorre. Em frases como “eu estudo”, “nós estudávamos” e “eles estudarão”, o verbo estudar muda de forma para acompanhar o sujeito e situar o fato no tempo. Conhecer essas variações ajuda tanto na interpretação quanto na escrita de textos adequados à norma-padrão.

O que é conjugação verbal

Os verbos são palavras que podem indicar ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza. A palavra “viajar”, por exemplo, apresenta uma ação; “estar” pode indicar estado; “amanhecer” indica um fenômeno natural. Diferentemente de substantivos e adjetivos, os verbos possuem muitas formas, pois se adaptam às circunstâncias daquilo que é dito.

Conjugar um verbo significa apresentar suas diferentes flexões. O infinitivo é a forma não conjugada, geralmente terminada em -ar, -er ou -ir: cantar, vender e partir. Essas terminações formam as três conjugações da língua portuguesa. A partir do infinitivo, o verbo recebe desinências, isto é, terminações que informam características gramaticais.

Exemplo: no verbo “cantávamos”, o radical é cant-. A terminação -ávamos mostra que a ação está no pretérito imperfeito do indicativo e que o sujeito é a primeira pessoa do plural: “nós cantávamos”.

Em uma análise mais detalhada, é possível separar a forma verbal em radical, vogal temática e desinências. O radical concentra o sentido básico: em “estudar”, é estud-. A vogal temática indica a conjugação: -a-, -e- ou -i-. Já as desinências revelam informações como pessoa, número, tempo e modo. Essa divisão é útil para entender padrões, mas, na leitura de uma frase, o mais importante é reconhecer o sentido que a forma verbal produz.

Pessoas, números e desinências

A pessoa verbal mostra a relação entre o verbo e os participantes da comunicação. Há três pessoas no singular e três no plural. A concordância verbal, em regra, exige que a forma do verbo esteja de acordo com o núcleo do sujeito.

PessoaPronome mais comumExemplo com “estudar”
1ª do singulareueu estudo
2ª do singulartutu estudas
3ª do singularele, ela, vocêela estuda; você estuda
1ª do pluralnósnós estudamos
2ª do pluralvósvós estudais
3ª do pluraleles, elas, vocêseles estudam; vocês estudam

No português brasileiro atual, “você” e “vocês” são muito frequentes. Embora se refiram diretamente ao interlocutor, exigem formas de terceira pessoa: “você sabe”, e não “você sabes”; “vocês sabem”, e não “vocês sabe”. O pronome “tu” continua presente em várias regiões, mas seu uso varia. Na norma-padrão, combina-se com a segunda pessoa: “tu sabes”. Na fala cotidiana, pode aparecer com verbo na terceira pessoa, como em “tu sabe”, uso que deve ser distinguido da forma recomendada em textos formais.

Também é comum o sujeito não aparecer escrito. Em “Chegamos cedo”, a terminação -mos permite identificar, em geral, a primeira pessoa do plural: “nós chegamos cedo”. Esse sujeito é chamado de oculto ou desinencial. Porém, algumas formas são iguais para mais de uma pessoa ou tempo; nesse caso, o contexto resolve a interpretação. “Estudamos” pode significar “nós estudamos agora” ou “nós estudamos em um momento passado”, conforme a situação comunicativa.

Modos e tempos verbais

O modo verbal expressa a atitude de quem fala diante do fato. Os modos principais são indicativo, subjuntivo e imperativo. Além deles, há as formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio. Cada modo organiza tempos verbais com valores específicos.

  • Indicativo: apresenta fatos considerados certos ou reais. Exemplo: “A turma realizou a pesquisa.”
  • Subjuntivo: expressa hipótese, desejo, dúvida, condição ou possibilidade. Exemplo: “Talvez a turma realize a pesquisa amanhã.”
  • Imperativo: indica ordem, pedido, conselho ou instrução. Exemplo: “Realizem a pesquisa com atenção.”
  • Formas nominais: não indicam, por si só, pessoa e tempo. Exemplos: realizar, realizando e realizado.

No indicativo, o presente situa um fato no momento da fala ou um hábito: “Leio todos os dias.” O pretérito perfeito aponta uma ação concluída: “Li o capítulo ontem.” O pretérito imperfeito sugere ação contínua, repetida ou não concluída no passado: “Eu lia quando você chegou.” O futuro do presente indica fato posterior ao momento da fala: “Lerei o capítulo amanhã.”

O subjuntivo aparece frequentemente em estruturas com palavras como “talvez”, “quando”, “se” e “embora”. Compare: “Quando ela chega, iniciamos a reunião” apresenta uma situação habitual ou tomada como certa; “Quando ela chegar, iniciaremos a reunião” aponta uma ação futura ainda não realizada. A mudança verbal altera o sentido temporal e o grau de certeza da informação.

Tempos simples e compostos

Os tempos simples são formados por uma única palavra: “escrevi”, “escreverei”, “escrevesse”. Já os compostos usam um verbo auxiliar, geralmente ter ou haver, acompanhado do particípio: “tenho escrito”, “havia estudado”, “terei concluído”. Em “quando você chegar, eu já terei saído”, o futuro do presente composto indica uma ação que estará concluída antes de outra ação futura.

Modelos de verbos regulares

Um verbo regular mantém o radical e segue as terminações previstas para sua conjugação. Os verbos cantar, vender e partir são modelos tradicionais das três conjugações. Observar suas formas facilita a conjugação de outros verbos com o mesmo padrão, como falar, aprender e dividir.

Tempo e pessoaCantar (-ar)Vender (-er)Partir (-ir)
Presente do indicativo, eucantovendoparto
Pretérito perfeito, nóscantamosvendemospartimos
Pretérito imperfeito, elescantavamvendiampartiam
Futuro do presente, eucantareivendereipartirei
Presente do subjuntivo, que eucantevendaparta

O pretérito perfeito merece atenção porque algumas formas coincidem na escrita. “Nós cantamos”, “nós vendemos” e “nós partimos” podem ser presente ou pretérito perfeito, dependendo do contexto. Em “Todos os sábados, nós cantamos no coral”, o sentido é presente habitual. Em “No festival passado, nós cantamos no coral”, trata-se de ação concluída no passado.

Para estudar verbos regulares, um procedimento eficiente é identificar primeiro a terminação do infinitivo. Depois, escolha o modo e o tempo requeridos pela frase e aplique a desinência correspondente. Não é necessário decorar todas as formas de uma vez: a compreensão dos modelos permite reconhecer regularidades.

Verbos irregulares e casos especiais

Os verbos irregulares não seguem integralmente os modelos das três conjugações. Eles podem modificar o radical, as terminações ou ambos. O verbo “fazer”, por exemplo, apresenta “eu faço”, “ele fez”, “eles fizeram” e “que eu faça”. Já “poder” assume formas como “eu posso”, “ele pôde” e “eles puderam”. Por isso, a consulta a gramáticas e dicionários é importante durante o estudo e a revisão de textos.

Alguns verbos muito usados exigem atenção especial. O verbo “ser” apresenta formas bastante diferentes, como “sou”, “era”, “fui” e “serei”. O verbo “ir” também é irregular: “vou”, “ia”, “fui”, “irei”. A forma “fui”, portanto, pode pertencer aos verbos ser e ir. Em “Fui ao museu”, indica deslocamento; em “Fui estudante daquela escola”, equivale a “era”.

Há ainda os verbos impessoais, empregados sem sujeito. O verbo “haver”, com sentido de existir ou ocorrer, fica no singular: “Havia muitos livros na biblioteca” e “Houve debates importantes”. Da mesma forma, o verbo “fazer”, ao indicar tempo decorrido ou fenômeno climático, costuma permanecer no singular: “Faz dois anos que me mudei” e “Faz dias quentes no verão”.

Em “Devem existir soluções”, o verbo principal é “existir” e concorda com “soluções”. Em “Deve haver soluções”, “haver” tem sentido de existir e é impessoal; por isso, o auxiliar fica no singular.

Como identificar a conjugação em frases

Ao analisar uma forma verbal, não tente decorá-la isoladamente. Observe a frase inteira, pois advérbios, conectivos e outras orações ajudam a definir o tempo e o modo. Em “Se eles estudassem mais, compreenderiam o conteúdo”, “estudassem” está no pretérito imperfeito do subjuntivo e expressa uma condição hipotética; “compreenderiam” está no futuro do pretérito do indicativo e mostra a consequência possível.

  1. Localize o verbo ou a locução verbal da oração.
  2. Encontre o infinitivo: em “trouxeram”, o infinitivo é “trazer”.
  3. Identifique quem pratica, sofre ou vivencia o fato: eu, tu, ele, nós, vós ou eles.
  4. Verifique se a ação é real, hipotética, desejada ou apresentada como ordem.
  5. Use o contexto para situar o fato no presente, no passado ou no futuro.

Nas locuções verbais, o auxiliar é o elemento conjugado, enquanto o principal aparece em uma forma nominal. Em “Os alunos vão revisar o texto”, “vão” é a forma flexionada do verbo ir; “revisar” está no infinitivo. Em “Os alunos tinham revisado o texto”, “tinham” é o auxiliar e “revisado”, o particípio. Reconhecer essa estrutura evita confundir duas palavras verbais com duas ações independentes.

Na produção escrita, a escolha do tempo verbal também constrói coerência. Uma narrativa pode usar predominantemente o pretérito para contar fatos passados; uma instrução pode usar o imperativo ou o infinitivo; uma dissertação geralmente recorre ao presente para apresentar ideias gerais. Mudanças de tempo são possíveis, mas devem ter uma razão de sentido clara.

Pontos de revisão

A conjugação verbal reúne informações essenciais para a organização das frases. Ela permite indicar o participante da ação, a quantidade de participantes, o momento do fato e a postura de quem enuncia. Assim, conjugar corretamente não é apenas aplicar terminações: é produzir sentidos precisos.

  • As três conjugações são identificadas pelos infinitivos terminados em -ar, -er e -ir.
  • O verbo concorda, em regra, com o sujeito em pessoa e número.
  • O indicativo expressa fatos; o subjuntivo, hipóteses e possibilidades; o imperativo, ordens, pedidos ou conselhos.
  • Verbos regulares seguem modelos; verbos irregulares exigem atenção às formas particulares.
  • O contexto é decisivo para distinguir tempos iguais na forma, como “nós estudamos”.
  • Em textos, mantenha coerência entre os tempos verbais e observe casos de impessoalidade, como “havia pessoas” e “faz dois anos”.

Uma boa revisão consiste em reler cada oração, localizar seus verbos e perguntar: quem realiza o fato, quando ele acontece e qual ideia o modo verbal transmite? Esse procedimento transforma a conjugação em uma ferramenta de leitura e escrita, e não apenas em uma lista de formas para memorizar.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que é conjugação verbal?

Conjugação verbal é a variação da forma do verbo para indicar pessoa, número, tempo e modo. Em “eu estudo” e “eles estudaram”, o verbo estudar foi flexionado de maneiras diferentes.

Quais são as três conjugações verbais?

A primeira conjugação reúne verbos terminados em -ar, como cantar. A segunda inclui os terminados em -er, como vender, e a terceira os terminados em -ir, como partir.

Qual é a diferença entre verbo regular e irregular?

O verbo regular mantém seu radical e segue as terminações esperadas para sua conjugação, como estudar. O irregular apresenta mudanças no radical ou nas terminações, como fazer em “eu faço” e “ele fez”.

Por que “havia muitas pessoas” fica no singular?

Nesse uso, o verbo haver tem sentido de existir e é impessoal, ou seja, não possui sujeito. Por isso, permanece no singular mesmo quando vem acompanhado de uma expressão no plural.

Resumo em imagem

Resumo visual: Conjugação verbal: exemplos, tempos, modos e pessoas

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon (2017)
  2. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo, Publifolha (2018)
  3. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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