Este resumo de preposição para o ENEM explica como essa classe de palavras liga termos de uma oração e cria relações de sentido, como causa, lugar, tempo, finalidade e posse. Embora sejam palavras curtas, as preposições são decisivas para a clareza da frase, para a regência e para a interpretação de textos, aspectos frequentes nas questões de Linguagens.
No exame, não basta decorar uma lista. É necessário observar o papel da preposição no contexto: uma simples troca entre por, para, em ou com pode mudar o sentido de um enunciado. Por isso, o estudo deve combinar gramática normativa, leitura atenta e análise dos efeitos produzidos nas diferentes situações comunicativas.
O que é preposição e qual é sua função?
Preposição é uma palavra invariável que estabelece uma ligação entre dois termos. Em geral, ela introduz um termo dependente, chamado de complemento ou termo regido, e indica a relação desse termo com uma palavra anterior. Observe: “Os estudantes precisam de concentração”. O verbo precisar, nesse sentido, exige a preposição de antes de seu complemento.
Na estrutura “caderno de anotações”, a preposição relaciona o substantivo caderno a anotações. Já em “viajou para Recife”, ela une o verbo ao destino. Portanto, a preposição não costuma ter sentido completo de forma isolada; seu valor aparece na relação que ela constrói entre os elementos da frase.
As preposições são invariáveis: não variam em gênero, número, pessoa, tempo ou modo. Isso as diferencia de substantivos, adjetivos, verbos e artigos. Entre as preposições essenciais mais usuais estão: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre e trás.
Atenção: em muitos casos, a retirada da preposição torna a construção gramaticalmente inadequada ou altera seu significado. Compare: “gostar de música” e “gostar música”. Na norma-padrão, o verbo gostar exige de.
Sentidos estabelecidos pelas preposições
Uma mesma preposição pode expressar vários sentidos, definidos pelo contexto. A preposição de, por exemplo, pode indicar posse em “o livro de Ana”, matéria em “mesa de madeira”, origem em “veio de Salvador” e assunto em “falou de cinema”. Por essa razão, classificar seu sentido exige analisar a frase inteira, não apenas a palavra isolada.
Veja algumas relações semânticas recorrentes:
- Lugar: “Mora em Belo Horizonte”; “caminhou até a praça”.
- Tempo: “Estuda desde cedo”; “chegou após a reunião”.
- Causa: “Tremia de medo”; “faltou por doença”.
- Finalidade: “Treina para a competição”; “material para estudo”.
- Meio ou instrumento: “Enviou o arquivo por e-mail”; “cortou com a tesoura”.
- Companhia: “Saiu com os colegas”.
- Assunto: “Debateram sobre educação pública”.
- Oposição: “Votou contra a medida”.
Em textos literários, publicitários e jornalísticos, a escolha também pode produzir efeitos expressivos. A diferença entre “lutou por direitos” e “lutou contra a desigualdade” não é apenas gramatical: a primeira construção destaca uma causa defendida; a segunda, um obstáculo enfrentado. Questões do ENEM podem explorar justamente essa mudança de perspectiva.
Classificação das preposições
As gramáticas distinguem as preposições em essenciais e acidentais. As essenciais são palavras que exercem exclusivamente a função de preposição, como com, sem, sob, entre e para. Já as acidentais pertencem originalmente a outras classes gramaticais, mas podem atuar como preposição em determinados contextos.
São exemplos frequentes de preposições acidentais: conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, visto e tirante. Em “Segundo a pesquisa, houve redução do consumo”, segundo introduz a fonte da informação. Em “Durante a aula, os celulares ficaram guardados”, durante indica tempo.
| Palavra | Exemplo | Relação predominante |
|---|---|---|
| em | O debate ocorreu em maio. | Tempo |
| para | O projeto foi criado para jovens. | Finalidade ou destinatário |
| por | A estrada foi interditada por causa da chuva. | Causa |
| sobre | O artigo trata sobre mobilidade urbana. | Assunto |
| mediante | O acesso é permitido mediante identificação. | Condição ou meio |
É importante não confundir preposição com conjunção. A preposição liga palavras ou termos de uma oração: “necessidade de mudanças”. A conjunção conecta orações: “Não saiu porque chovia”. Algumas palavras podem assumir funções distintas conforme o emprego, o que reforça a necessidade de examinar a estrutura sintática.
Combinação e contração
Preposições podem se unir a artigos, pronomes ou advérbios. Quando os elementos se juntam sem perda de fonemas, ocorre combinação. O caso mais conhecido é a + o = ao e a + os = aos. Em “Entreguei o trabalho ao professor”, a forma ao reúne a preposição a e o artigo o.
Quando há alteração ou redução sonora, a união recebe o nome de contração. São casos comuns: de + o = do, em + a = na, por + os = pelos, a + aquela = àquela e de + isto = disto. Essas formas devem ser reconhecidas para que o estudante identifique a preposição presente na frase.
Algumas contrações muito cobradas merecem revisão:
- de: do, da, dos, das, dele, dela, deste, dessa, daquele;
- em: no, na, nos, nas, nele, nela, neste, nessa, naquele;
- por: pelo, pela, pelos, pelas;
- a: ao, aos, à, às, àquele, àquela, àquilo.
Há ainda casos em que a norma recomenda não contrair a preposição, especialmente quando o artigo introduz o sujeito de uma oração infinitiva. Prefere-se “Está na hora de os alunos chegarem” a “Está na hora dos alunos chegarem”, pois, na primeira construção, fica mais clara a função de sujeito de os alunos.
Preposição, regência e crase
A regência é a relação de dependência entre uma palavra e seu complemento. Verbos e nomes podem exigir determinada preposição. Conhecer essas exigências evita desvios de norma-padrão e ajuda a compreender por que certas alternativas de questões estão inadequadas.
Alguns exemplos verbais importantes são: quem gosta, gosta de algo; quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo; quem obedece, obedece a alguém ou a algo; quem prefere, prefere uma coisa a outra; quem simpatiza, simpatiza com alguém. Já em “assistir o doente”, o verbo significa prestar assistência e pode ser usado sem preposição.
A crase ocorre, em regra, quando a preposição a se encontra com o artigo feminino a ou as, resultando em à ou às. Em “Fui à biblioteca”, o verbo ir pede a preposição a, e biblioteca admite o artigo feminino. Uma estratégia útil é substituir o termo feminino por um masculino: se surgir ao, haverá crase no feminino. “Fui ao museu”; logo, “fui à biblioteca”.
Não há crase antes de verbos, palavras masculinas em uso geral, pronomes pessoais e artigos indefinidos. Exemplos: “começou a estudar”, “andava a pé”, “entregou a ela” e “referiu-se a uma proposta”.
Contudo, a análise não deve ser mecânica. Em expressões como “cara a cara”, não há artigo; em “à medida que”, há uma locução conjuntiva fixa com crase. A identificação depende das exigências da construção e da presença ou não do artigo.
Como o ENEM cobra preposição
O ENEM tende a abordar a preposição integrada à leitura, em vez de solicitar somente nomenclaturas. Ela pode aparecer em questões sobre coesão, adequação linguística, variação de sentido, efeitos de estilo, regência e reescrita. Assim, uma troca aparentemente pequena deve ser avaliada quanto ao impacto no texto.
Em uma questão de reescrita, por exemplo, substituir “medidas contra o desperdício” por “medidas para o desperdício” produz um problema de sentido: a primeira expressão indica combate ao desperdício; a segunda pode sugerir medidas destinadas a ele. Também é comum a prova perguntar se a retirada, inclusão ou substituição de um termo preserva a coerência e as relações entre ideias.
Estratégia de resolução
Ao encontrar uma preposição em um texto, siga uma sequência de análise:
- Identifique os dois termos ligados por ela.
- Verifique se a relação é exigida por um verbo, nome ou expressão.
- Nomeie o sentido que ela constrói no contexto, como causa, destino, assunto ou instrumento.
- Compare as alternativas e observe se outra preposição mudaria essa relação.
- Considere o gênero textual e a intenção comunicativa do autor.
Essa leitura é especialmente relevante em letras de canções, tirinhas e poemas, nos quais escolhas gramaticais podem gerar ambiguidade, ritmo ou sentidos figurados. A norma-padrão continua importante, mas a questão pode valorizar o efeito de uso em um contexto específico.
Pontos de revisão
Preposição é uma classe invariável que conecta termos e estabelece relações de sentido. Para o ENEM, a revisão mais produtiva une três frentes: reconhecer as preposições e suas contrações, dominar regências frequentes e interpretar o valor semântico assumido em textos reais.
- Preposições essenciais exercem somente essa função; as acidentais assumem função prepositiva conforme o contexto.
- Uma mesma preposição pode indicar relações diferentes, como tempo, causa, finalidade e lugar.
- Combinações e contrações escondem preposições em formas como ao, do, na, pelo e àquela.
- Regência verbal e nominal orienta o uso adequado de preposições e está ligada ao emprego da crase.
- Nas questões, analise sempre o efeito de sentido da escolha prepositiva, e não apenas a regra decorada.
Ao resolver exercícios, acostume-se a justificar cada resposta com base na relação criada entre os termos. Esse procedimento torna o estudo da preposição mais claro e ajuda a ler com precisão os enunciados e os textos da prova.