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Língua Portuguesa

O que é substantivo? Entenda classificação, gênero e número

Substantivos são palavras fundamentais para nomear seres, coisas, sentimentos e ideias. Veja como classificá-los e identificá-los em diferentes contextos.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Substantivo é a palavra usada para nomear seres, objetos, lugares, sentimentos, ações, qualidades e ideias. Em frases como “A menina leu um livro” e “A alegria contagia”, os termos “menina”, “livro” e “alegria” são substantivos porque dão nome a elementos sobre os quais se fala. Essa classe de palavras é essencial na construção das orações, pois permite indicar quem pratica uma ação, o que existe, o que se sente ou qual assunto está em discussão.

Conceito de substantivo

Os substantivos nomeiam tanto elementos concretos quanto elementos que não podem ser tocados. “Cadeira”, “Brasil”, “cachorro” e “chuva” são exemplos de nomes associados a seres, lugares, objetos ou fenômenos. Já “esperança”, “coragem”, “infância” e “beleza” nomeiam sentimentos, estados, períodos ou qualidades.

Uma característica importante é que o substantivo pode ser acompanhado por palavras que o determinam ou caracterizam. Observe: “uma casa”, “essas ideias”, “meu caderno”, “flor vermelha”. Artigos, pronomes, numerais e adjetivos costumam se relacionar diretamente com o substantivo.

Em muitas situações, outras palavras podem passar a exercer função de substantivo. Isso ocorre quando uma palavra é usada como nome e, geralmente, vem acompanhada de artigo. Na frase “O andar faz bem à saúde”, “andar” é originalmente um verbo, mas funciona como substantivo. Em “O belo também pode ser simples”, “belo”, que normalmente é adjetivo, aparece substantivado.

Ideia central: reconhecer um substantivo não depende apenas da palavra isolada. É preciso observar seu sentido e sua função no contexto da frase.

Classificações principais

Os substantivos podem ser classificados de acordo com o modo como nomeiam os seres e as ideias. As classificações não são excludentes: uma mesma palavra pode receber mais de uma. Por exemplo, “cidade” é um substantivo comum, concreto e simples.

Comuns e próprios

O substantivo comum designa seres de uma mesma espécie de maneira geral: aluno, país, rio, escola, planeta. Por isso, costuma ser escrito com letra minúscula, exceto quando inicia uma frase. O substantivo próprio individualiza um ser, um lugar, uma instituição ou outro elemento específico: Ana, Recife, Amazonas, Museu da Língua Portuguesa. Em regra, é escrito com letra inicial maiúscula.

Concretos e abstratos

O substantivo concreto nomeia seres que têm existência própria, real ou imaginária. Entram nesse grupo “pedra”, “árvore”, “sereia” e “fantasma”. Não é necessário que o ser exista no mundo real: basta que seja concebido como um ser independente.

O substantivo abstrato nomeia ações, estados, sentimentos, sensações ou qualidades que dependem de um ser para ocorrerem. “Cansaço” depende de alguém ou algo cansado; “tristeza” depende de quem está triste; “natação” depende do ato de nadar. Assim, “amor” e “medo” são abstratos, embora sejam experiências muito reais.

Simples e compostos; primitivos e derivados

O substantivo simples tem apenas um radical, como “sol”, “flor” e “livro”. O composto apresenta mais de um radical, como “guarda-chuva”, “passatempo” e “couve-flor”. Já o primitivo não se origina de outra palavra da língua, como “pedra”. O derivado é formado a partir de outra palavra: “pedreira”, “pedregulho” e “pedroso” derivam de “pedra”.

ClassificaçãoCritérioExemplos
ComumNomeia seres em geralmenino, cidade, pássaro
PróprioIndividualiza um serLucas, Salvador, Atlântico
ConcretoNomeia ser independentemesa, fada, chuva
AbstratoNomeia ação, estado ou qualidadeleitura, saudade, paciência
CompostoTem mais de um radicalbeija-flor, girassol

Substantivos coletivos

O substantivo coletivo, mesmo estando no singular, indica um conjunto de seres da mesma espécie. “Cardume”, por exemplo, nomeia um conjunto de peixes; “biblioteca”, um conjunto organizado de livros; e “plateia”, um conjunto de espectadores. Seu uso torna a comunicação mais precisa e evita repetições.

Alguns coletivos variam conforme o grupo nomeado. “Alcateia” refere-se a lobos, “manada” pode indicar bois, elefantes ou outros animais de grande porte, e “arquipélago” é um conjunto de ilhas. Nem todos os grupos possuem um coletivo de uso frequente; nesses casos, construções como “grupo de estudantes” são adequadas.

  • enxame: conjunto de abelhas;
  • rebanho: conjunto de ovelhas ou cabras;
  • constelação: conjunto aparente de estrelas;
  • elenco: conjunto de atores de uma obra;
  • frota: conjunto de veículos, especialmente navios ou aviões.

Embora o coletivo esteja no singular, o verbo pode variar conforme a intenção comunicativa. Em “A multidão avançou”, destaca-se o conjunto como unidade. Em “A multidão de torcedores avançaram”, o foco pode recair nos indivíduos. Na escrita formal, convém manter atenção à estrutura completa da oração e ao efeito de sentido desejado.

Flexões do substantivo

Os substantivos podem variar em gênero, número e grau. Essas flexões ajudam a estabelecer concordância com artigos, adjetivos, pronomes e verbos. Por isso, compreender suas formas é importante tanto para a análise gramatical quanto para a produção escrita.

Gênero

Na gramática, os substantivos pertencem ao masculino ou ao feminino. Alguns possuem formas diferentes para indicar sexo, como “menino/menina” e “ator/atriz”; são chamados de biformes. Outros apresentam uma única forma para ambos os sexos, como “estudante”, “artista” e “jornalista”. Nesses casos, o artigo ou outro determinante indica o gênero: “o estudante” e “a estudante”.

Há ainda palavras cujo gênero gramatical não corresponde necessariamente ao sexo de um ser. “A criança” pode designar menino ou menina, mas é feminino gramaticalmente. Além disso, o gênero de objetos e ideias é uma convenção da língua: dizemos “a ponte” e “o relógio”.

Número e grau

O número indica singular ou plural: “flor/flores”, “papel/papéis”, “cidadão/cidadãos”. As formações de plural seguem regras que precisam ser observadas, sobretudo em palavras terminadas em -ão, -l, -m e em substantivos compostos. Em “guarda-chuvas”, apenas o segundo elemento varia; em “couve-flores”, os dois elementos variam.

O grau pode expressar aumento, diminuição ou valor afetivo. “Casa” pode originar “casarão” ou “casinha”. No entanto, nem sempre o aumentativo indica tamanho maior e o diminutivo, tamanho menor: “filhinho” pode revelar carinho, enquanto “doutorzinho” pode transmitir ironia, dependendo da situação comunicativa.

O substantivo na oração

Na oração, o substantivo pode desempenhar diversas funções sintáticas. Com frequência, ele atua como núcleo do sujeito: em “Os pesquisadores analisaram os dados”, “pesquisadores” é o núcleo do sujeito. Também pode ser núcleo de um objeto: em “A turma organizou uma campanha”, “campanha” é o núcleo do objeto direto.

Além disso, pode aparecer como complemento nominal, adjunto adverbial, vocativo ou aposto, conforme a construção. Em “Tenho necessidade de silêncio”, “silêncio” completa o sentido do nome “necessidade”. Em “Estudamos à noite”, “noite” integra uma expressão de tempo. Já em “Machado de Assis, grande escritor brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro”, “escritor” participa de um aposto explicativo.

O conjunto formado por um substantivo e seus acompanhantes é chamado de grupo nominal ou sintagma nominal. Na expressão “as duas novas pesquisas científicas”, o núcleo é “pesquisas”. Os artigos “as”, o numeral “duas” e os adjetivos “novas” e “científicas” acrescentam informações e concordam com esse núcleo.

Para localizar o núcleo de um grupo nominal, retire mentalmente os termos acessórios. Em “aqueles antigos livros de aventura”, a palavra que permanece como centro da ideia é “livros”.

Como identificar e revisar

Para identificar um substantivo em um texto, comece perguntando qual palavra nomeia o ser, o objeto, o lugar, a ação, a qualidade ou a ideia mencionada. Depois, observe se ela pode ser determinada por artigo, pronome ou numeral e se recebe características de adjetivos. Esses indícios ajudam, mas o contexto continua sendo decisivo.

  1. Localize as palavras que dão nome aos elementos da oração.
  2. Verifique se há determinantes, como “o”, “uma”, “meu” ou “três”, ligados a elas.
  3. Classifique o substantivo quanto a comum ou próprio, concreto ou abstrato e, quando for relevante, simples ou composto.
  4. Analise suas flexões de gênero e número para conferir a concordância.
  5. Identifique o núcleo do grupo nominal e sua função na oração.

Como revisão, lembre-se de que substantivos não nomeiam apenas coisas materiais. Palavras como “justiça”, “movimento”, “juventude” e “decisão” também pertencem a essa classe. Diferenciar substantivos de adjetivos e verbos exige atenção ao uso: “jantar” é verbo em “Vamos jantar”, mas é substantivo em “O jantar foi servido”.

Pontos de revisão: substantivos nomeiam seres e conceitos; podem ser comuns ou próprios, concretos ou abstratos, simples ou compostos, primitivos ou derivados; flexionam-se em gênero, número e grau; e geralmente atuam como núcleo de grupos nominais e de funções importantes na oração.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que é substantivo em uma frase?

Substantivo é a palavra que nomeia seres, objetos, lugares, sentimentos, ações ou ideias em uma frase. Em “A professora explicou a matéria”, “professora” e “matéria” são substantivos.

Qual é a diferença entre substantivo concreto e abstrato?

O concreto nomeia um ser considerado independente, como “mesa”, “criança” ou “fantasma”. O abstrato nomeia ações, sentimentos, estados ou qualidades que dependem de um ser, como “corrida”, “alegria” e “bondade”.

Todo substantivo próprio é escrito com letra maiúscula?

Em regra, sim. Nomes próprios de pessoas, lugares, instituições e obras começam com letra maiúscula, como “Mariana”, “Brasil” e “Universidade de São Paulo”.

Como saber se uma palavra foi substantivada?

Uma palavra é substantivada quando, em determinado contexto, passa a funcionar como nome. Isso é comum quando ela vem acompanhada de artigo, como em “o fazer”, “o belo” e “um não”.

Resumo em imagem

Resumo visual: O que é substantivo? Entenda classificação, gênero e número

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon Editora (2017)
  2. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo, Publifolha (2018)
  3. Moderna Gramática Portuguesa — Evanildo Bechara, Nova Fronteira (2019)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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