Substantivo é a palavra usada para nomear seres, objetos, lugares, sentimentos, ações, qualidades e ideias. Em frases como “A menina leu um livro” e “A alegria contagia”, os termos “menina”, “livro” e “alegria” são substantivos porque dão nome a elementos sobre os quais se fala. Essa classe de palavras é essencial na construção das orações, pois permite indicar quem pratica uma ação, o que existe, o que se sente ou qual assunto está em discussão.
Conceito de substantivo
Os substantivos nomeiam tanto elementos concretos quanto elementos que não podem ser tocados. “Cadeira”, “Brasil”, “cachorro” e “chuva” são exemplos de nomes associados a seres, lugares, objetos ou fenômenos. Já “esperança”, “coragem”, “infância” e “beleza” nomeiam sentimentos, estados, períodos ou qualidades.
Uma característica importante é que o substantivo pode ser acompanhado por palavras que o determinam ou caracterizam. Observe: “uma casa”, “essas ideias”, “meu caderno”, “flor vermelha”. Artigos, pronomes, numerais e adjetivos costumam se relacionar diretamente com o substantivo.
Em muitas situações, outras palavras podem passar a exercer função de substantivo. Isso ocorre quando uma palavra é usada como nome e, geralmente, vem acompanhada de artigo. Na frase “O andar faz bem à saúde”, “andar” é originalmente um verbo, mas funciona como substantivo. Em “O belo também pode ser simples”, “belo”, que normalmente é adjetivo, aparece substantivado.
Ideia central: reconhecer um substantivo não depende apenas da palavra isolada. É preciso observar seu sentido e sua função no contexto da frase.
Classificações principais
Os substantivos podem ser classificados de acordo com o modo como nomeiam os seres e as ideias. As classificações não são excludentes: uma mesma palavra pode receber mais de uma. Por exemplo, “cidade” é um substantivo comum, concreto e simples.
Comuns e próprios
O substantivo comum designa seres de uma mesma espécie de maneira geral: aluno, país, rio, escola, planeta. Por isso, costuma ser escrito com letra minúscula, exceto quando inicia uma frase. O substantivo próprio individualiza um ser, um lugar, uma instituição ou outro elemento específico: Ana, Recife, Amazonas, Museu da Língua Portuguesa. Em regra, é escrito com letra inicial maiúscula.
Concretos e abstratos
O substantivo concreto nomeia seres que têm existência própria, real ou imaginária. Entram nesse grupo “pedra”, “árvore”, “sereia” e “fantasma”. Não é necessário que o ser exista no mundo real: basta que seja concebido como um ser independente.
O substantivo abstrato nomeia ações, estados, sentimentos, sensações ou qualidades que dependem de um ser para ocorrerem. “Cansaço” depende de alguém ou algo cansado; “tristeza” depende de quem está triste; “natação” depende do ato de nadar. Assim, “amor” e “medo” são abstratos, embora sejam experiências muito reais.
Simples e compostos; primitivos e derivados
O substantivo simples tem apenas um radical, como “sol”, “flor” e “livro”. O composto apresenta mais de um radical, como “guarda-chuva”, “passatempo” e “couve-flor”. Já o primitivo não se origina de outra palavra da língua, como “pedra”. O derivado é formado a partir de outra palavra: “pedreira”, “pedregulho” e “pedroso” derivam de “pedra”.
| Classificação | Critério | Exemplos |
|---|---|---|
| Comum | Nomeia seres em geral | menino, cidade, pássaro |
| Próprio | Individualiza um ser | Lucas, Salvador, Atlântico |
| Concreto | Nomeia ser independente | mesa, fada, chuva |
| Abstrato | Nomeia ação, estado ou qualidade | leitura, saudade, paciência |
| Composto | Tem mais de um radical | beija-flor, girassol |
Substantivos coletivos
O substantivo coletivo, mesmo estando no singular, indica um conjunto de seres da mesma espécie. “Cardume”, por exemplo, nomeia um conjunto de peixes; “biblioteca”, um conjunto organizado de livros; e “plateia”, um conjunto de espectadores. Seu uso torna a comunicação mais precisa e evita repetições.
Alguns coletivos variam conforme o grupo nomeado. “Alcateia” refere-se a lobos, “manada” pode indicar bois, elefantes ou outros animais de grande porte, e “arquipélago” é um conjunto de ilhas. Nem todos os grupos possuem um coletivo de uso frequente; nesses casos, construções como “grupo de estudantes” são adequadas.
- enxame: conjunto de abelhas;
- rebanho: conjunto de ovelhas ou cabras;
- constelação: conjunto aparente de estrelas;
- elenco: conjunto de atores de uma obra;
- frota: conjunto de veículos, especialmente navios ou aviões.
Embora o coletivo esteja no singular, o verbo pode variar conforme a intenção comunicativa. Em “A multidão avançou”, destaca-se o conjunto como unidade. Em “A multidão de torcedores avançaram”, o foco pode recair nos indivíduos. Na escrita formal, convém manter atenção à estrutura completa da oração e ao efeito de sentido desejado.
Flexões do substantivo
Os substantivos podem variar em gênero, número e grau. Essas flexões ajudam a estabelecer concordância com artigos, adjetivos, pronomes e verbos. Por isso, compreender suas formas é importante tanto para a análise gramatical quanto para a produção escrita.
Gênero
Na gramática, os substantivos pertencem ao masculino ou ao feminino. Alguns possuem formas diferentes para indicar sexo, como “menino/menina” e “ator/atriz”; são chamados de biformes. Outros apresentam uma única forma para ambos os sexos, como “estudante”, “artista” e “jornalista”. Nesses casos, o artigo ou outro determinante indica o gênero: “o estudante” e “a estudante”.
Há ainda palavras cujo gênero gramatical não corresponde necessariamente ao sexo de um ser. “A criança” pode designar menino ou menina, mas é feminino gramaticalmente. Além disso, o gênero de objetos e ideias é uma convenção da língua: dizemos “a ponte” e “o relógio”.
Número e grau
O número indica singular ou plural: “flor/flores”, “papel/papéis”, “cidadão/cidadãos”. As formações de plural seguem regras que precisam ser observadas, sobretudo em palavras terminadas em -ão, -l, -m e em substantivos compostos. Em “guarda-chuvas”, apenas o segundo elemento varia; em “couve-flores”, os dois elementos variam.
O grau pode expressar aumento, diminuição ou valor afetivo. “Casa” pode originar “casarão” ou “casinha”. No entanto, nem sempre o aumentativo indica tamanho maior e o diminutivo, tamanho menor: “filhinho” pode revelar carinho, enquanto “doutorzinho” pode transmitir ironia, dependendo da situação comunicativa.
O substantivo na oração
Na oração, o substantivo pode desempenhar diversas funções sintáticas. Com frequência, ele atua como núcleo do sujeito: em “Os pesquisadores analisaram os dados”, “pesquisadores” é o núcleo do sujeito. Também pode ser núcleo de um objeto: em “A turma organizou uma campanha”, “campanha” é o núcleo do objeto direto.
Além disso, pode aparecer como complemento nominal, adjunto adverbial, vocativo ou aposto, conforme a construção. Em “Tenho necessidade de silêncio”, “silêncio” completa o sentido do nome “necessidade”. Em “Estudamos à noite”, “noite” integra uma expressão de tempo. Já em “Machado de Assis, grande escritor brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro”, “escritor” participa de um aposto explicativo.
O conjunto formado por um substantivo e seus acompanhantes é chamado de grupo nominal ou sintagma nominal. Na expressão “as duas novas pesquisas científicas”, o núcleo é “pesquisas”. Os artigos “as”, o numeral “duas” e os adjetivos “novas” e “científicas” acrescentam informações e concordam com esse núcleo.
Para localizar o núcleo de um grupo nominal, retire mentalmente os termos acessórios. Em “aqueles antigos livros de aventura”, a palavra que permanece como centro da ideia é “livros”.
Como identificar e revisar
Para identificar um substantivo em um texto, comece perguntando qual palavra nomeia o ser, o objeto, o lugar, a ação, a qualidade ou a ideia mencionada. Depois, observe se ela pode ser determinada por artigo, pronome ou numeral e se recebe características de adjetivos. Esses indícios ajudam, mas o contexto continua sendo decisivo.
- Localize as palavras que dão nome aos elementos da oração.
- Verifique se há determinantes, como “o”, “uma”, “meu” ou “três”, ligados a elas.
- Classifique o substantivo quanto a comum ou próprio, concreto ou abstrato e, quando for relevante, simples ou composto.
- Analise suas flexões de gênero e número para conferir a concordância.
- Identifique o núcleo do grupo nominal e sua função na oração.
Como revisão, lembre-se de que substantivos não nomeiam apenas coisas materiais. Palavras como “justiça”, “movimento”, “juventude” e “decisão” também pertencem a essa classe. Diferenciar substantivos de adjetivos e verbos exige atenção ao uso: “jantar” é verbo em “Vamos jantar”, mas é substantivo em “O jantar foi servido”.
Pontos de revisão: substantivos nomeiam seres e conceitos; podem ser comuns ou próprios, concretos ou abstratos, simples ou compostos, primitivos ou derivados; flexionam-se em gênero, número e grau; e geralmente atuam como núcleo de grupos nominais e de funções importantes na oração.