Ir para o conteúdo
Matéria Educativa Portal de conteúdo educativo
Língua Portuguesa

Exercícios sobre orações subordinadas substantivas: questões comentadas

Aprenda a identificar e classificar orações subordinadas substantivas por meio de exercícios com gabarito comentado. Revise funções sintáticas e conectivos importantes.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e Ensino médio

Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn Telegram E-mail

Ferramentas: Exportar Word

Exercícios sobre orações subordinadas substantivas ajudam a treinar a identificação de uma estrutura muito cobrada em atividades de gramática: uma oração que, no período composto, exerce função própria de substantivo. Para resolvê-los, é essencial observar a relação da oração com o verbo ou com um nome da oração principal, e não apenas decorar conectivos.

Em geral, essas orações são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. Elas podem funcionar como sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto. A classificação correta depende do papel sintático que desempenham no enunciado.

Como reconhecer uma oração subordinada substantiva

Uma oração é um enunciado organizado em torno de um verbo ou de uma locução verbal. No período “A professora explicou que a prova seria adiada”, há dois verbos: explicou e seria adiada. Portanto, há duas orações.

A segunda oração, “que a prova seria adiada”, completa o sentido do verbo explicou. Ela equivale, de modo aproximado, a um substantivo: “A professora explicou o adiamento da prova”. Por desempenhar a função de objeto direto, recebe o nome de oração subordinada substantiva objetiva direta.

Um teste útil é substituir a oração iniciada por que ou se por “isso”. Se a frase mantiver uma estrutura compreensível, há forte indicação de que a oração exerce função substantiva. Exemplo: “Todos esperavam que o evento começasse” → “Todos esperavam isso”.

Mas atenção: a presença de que não basta. Em “O livro que li era interessante”, o termo “que li” caracteriza o substantivo livro; trata-se de uma oração subordinada adjetiva, e não substantiva.

Classificações e funções sintáticas

As orações subordinadas substantivas recebem o nome da função sintática que exercem. Identificar o termo da oração principal que pede complemento, ou verificar o que está sendo explicado, permite chegar à classificação com segurança.

ClassificaçãoFunção e exemplo
SubjetivaFunciona como sujeito: “É necessário que todos participem.”
Objetiva diretaCompleta verbo sem preposição: “Desejo que você compreenda.”
Objetiva indiretaCompleta verbo com preposição: “Duvido de que ele venha.”
Completiva nominalCompleta o sentido de um nome: “Tenho certeza de que estudaram.”
PredicativaFunciona como predicativo do sujeito: “A verdade é que houve atraso.”
ApositivaExplica um termo anterior: “Só peço uma coisa: que respeitem o prazo.”

A oração objetiva indireta e a completiva nominal costumam causar confusão porque ambas são introduzidas por preposição. A diferença está no elemento completado: a objetiva indireta completa um verbo, como em “insistir em”; a completiva nominal completa um nome, como em “certeza de”, “medo de” ou “necessidade de”.

Método para resolver as questões

Em vez de tentar reconhecer a classificação pela aparência, siga uma sequência de análise. Ela reduz erros em frases mais longas e em alternativas de vestibulares.

  1. Localize os verbos ou locuções verbais e separe as orações.
  2. Encontre a oração dependente, geralmente introduzida por que ou se.
  3. Descubra qual palavra da oração principal ela completa ou explica.
  4. Pergunte se essa palavra é verbo, nome, predicativo ou um termo que receberá explicação.
  5. Determine a função sintática e, então, a classificação da oração.

Por exemplo, em “Convém que os candidatos leiam o enunciado”, a oração “que os candidatos leiam o enunciado” não completa um verbo com sujeito já expresso. Ela exerce o papel de sujeito de “convém”. A ordem invertida pode esclarecer: “Que os candidatos leiam o enunciado convém.” Logo, é subjetiva.

Exercícios para praticar

Classifique as orações destacadas em subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, predicativa ou apositiva. Antes de consultar o gabarito, aplique o método de análise e observe a presença ou a ausência de preposição.

  1. É importante que a turma entregue o trabalho no prazo.
  2. Os pesquisadores afirmaram que os dados seriam revisados.
  3. O diretor insistiu em que os alunos participassem da reunião.
  4. Havia esperança de que a chuva diminuísse durante a tarde.
  5. Meu maior desejo é que todos tenham acesso à leitura.
  6. A coordenadora fez um pedido: que ninguém saísse antes do aviso.
  7. Não sabemos se haverá aula amanhã.
  8. Ela tinha consciência de que precisava mudar seus hábitos de estudo.

Questão de análise

Compare os períodos: “Afirmaram que o resultado saiu” e “A certeza de que o resultado saiu tranquilizou a equipe”. Embora a oração destacada seja introduzida por que nos dois casos, sua classificação é igual? Justifique a resposta a partir do termo que ela completa.

Gabarito comentado

  1. Subjetiva. A oração “que a turma entregue o trabalho no prazo” funciona como sujeito da expressão “é importante”. O adjetivo importante aparece em uma estrutura impessoal, sem sujeito expresso.
  2. Objetiva direta. A oração completa diretamente o verbo afirmaram, que não exige preposição nesse emprego. Quem afirma, afirma algo.
  3. Objetiva indireta. A oração completa o verbo insistiu, empregado com a preposição em. Quem insiste, insiste em algo.
  4. Completiva nominal. A preposição de é exigida pelo substantivo esperança. A oração completa, portanto, um nome e não um verbo.
  5. Predicativa. A oração aparece depois do verbo de ligação é e atribui conteúdo ao sujeito “meu maior desejo”.
  6. Apositiva. Ela explica o substantivo “pedido”, apresentado antes dos dois-pontos. O conteúdo do pedido é justamente que ninguém saia antes do aviso.
  7. Objetiva direta. A conjunção integrante se introduz a oração que completa o verbo “sabemos”, sem preposição: não sabemos isso.
  8. Completiva nominal. A oração completa o nome “consciência”, que exige a preposição de: consciência de algo.

Na questão de análise, as classificações são diferentes. Em “Afirmaram que o resultado saiu”, a oração completa o verbo afirmaram, sendo objetiva direta. Já em “A certeza de que o resultado saiu”, ela completa o substantivo certeza; por isso, é completiva nominal.

Erros frequentes

O erro mais comum é chamar toda oração com que de objetiva direta. A classificação não é determinada pelo conectivo, mas pela função exercida no período. Outro problema é ignorar a preposição: ela pode ser exigida pelo verbo, como em “duvidar de”, ou por um nome, como em “necessidade de”.

Também é importante distinguir oração apositiva de predicativa. A apositiva normalmente explica um termo anterior, frequentemente após dois-pontos; a predicativa vem ligada ao sujeito por verbo de ligação, como ser, e funciona como uma característica ou identificação desse sujeito.

Pontos de revisão

Para revisar, lembre-se de que as orações subordinadas substantivas equivalem a um substantivo e, em muitos casos, podem ser retomadas por “isso”. Localize o verbo da oração subordinada, identifique o termo que ela completa e observe se há preposição.

  • Se exercer papel de sujeito, será subjetiva.
  • Se completar verbo, será objetiva direta ou indireta.
  • Se completar nome, será completiva nominal.
  • Se vier após verbo de ligação, poderá ser predicativa.
  • Se explicar um termo anterior, será apositiva.

Com esse procedimento, os exercícios deixam de ser uma tarefa de memorização e passam a ser uma análise da estrutura e do sentido do período.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que são orações subordinadas substantivas?

São orações que exercem no período uma função típica de substantivo, como sujeito, objeto ou complemento. Geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes “que” e “se”.

Como diferenciar uma oração objetiva indireta de uma completiva nominal?

A objetiva indireta completa o sentido de um verbo que exige preposição, como “gostar de” ou “insistir em”. A completiva nominal completa um substantivo, um adjetivo ou um advérbio, como em “certeza de que”.

Toda oração iniciada por “que” é substantiva?

Não. O termo “que” também pode introduzir orações subordinadas adjetivas, que caracterizam um substantivo, e outros tipos de construção. É preciso analisar a função da oração no período.

A oração iniciada por “se” pode ser subordinada substantiva?

Sim. Quando “se” funciona como conjunção integrante, ele pode introduzir uma oração substantiva, como em “Não sei se ele virá”. Nesse caso, a oração completa o verbo “sei”.

Resumo em imagem

Resumo visual: Exercícios sobre orações subordinadas substantivas: questões comentadas

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra (2017)
  2. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo (2018)
  3. Gramática Pedagógica do Português Brasileiro — Marcos Bagno (2012)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

Continue estudando

Mais de Língua Portuguesa