Exercícios sobre orações subordinadas substantivas ajudam a treinar a identificação de uma estrutura muito cobrada em atividades de gramática: uma oração que, no período composto, exerce função própria de substantivo. Para resolvê-los, é essencial observar a relação da oração com o verbo ou com um nome da oração principal, e não apenas decorar conectivos.
Em geral, essas orações são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. Elas podem funcionar como sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto. A classificação correta depende do papel sintático que desempenham no enunciado.
Como reconhecer uma oração subordinada substantiva
Uma oração é um enunciado organizado em torno de um verbo ou de uma locução verbal. No período “A professora explicou que a prova seria adiada”, há dois verbos: explicou e seria adiada. Portanto, há duas orações.
A segunda oração, “que a prova seria adiada”, completa o sentido do verbo explicou. Ela equivale, de modo aproximado, a um substantivo: “A professora explicou o adiamento da prova”. Por desempenhar a função de objeto direto, recebe o nome de oração subordinada substantiva objetiva direta.
Um teste útil é substituir a oração iniciada por que ou se por “isso”. Se a frase mantiver uma estrutura compreensível, há forte indicação de que a oração exerce função substantiva. Exemplo: “Todos esperavam que o evento começasse” → “Todos esperavam isso”.
Mas atenção: a presença de que não basta. Em “O livro que li era interessante”, o termo “que li” caracteriza o substantivo livro; trata-se de uma oração subordinada adjetiva, e não substantiva.
Classificações e funções sintáticas
As orações subordinadas substantivas recebem o nome da função sintática que exercem. Identificar o termo da oração principal que pede complemento, ou verificar o que está sendo explicado, permite chegar à classificação com segurança.
| Classificação | Função e exemplo |
|---|---|
| Subjetiva | Funciona como sujeito: “É necessário que todos participem.” |
| Objetiva direta | Completa verbo sem preposição: “Desejo que você compreenda.” |
| Objetiva indireta | Completa verbo com preposição: “Duvido de que ele venha.” |
| Completiva nominal | Completa o sentido de um nome: “Tenho certeza de que estudaram.” |
| Predicativa | Funciona como predicativo do sujeito: “A verdade é que houve atraso.” |
| Apositiva | Explica um termo anterior: “Só peço uma coisa: que respeitem o prazo.” |
A oração objetiva indireta e a completiva nominal costumam causar confusão porque ambas são introduzidas por preposição. A diferença está no elemento completado: a objetiva indireta completa um verbo, como em “insistir em”; a completiva nominal completa um nome, como em “certeza de”, “medo de” ou “necessidade de”.
Método para resolver as questões
Em vez de tentar reconhecer a classificação pela aparência, siga uma sequência de análise. Ela reduz erros em frases mais longas e em alternativas de vestibulares.
- Localize os verbos ou locuções verbais e separe as orações.
- Encontre a oração dependente, geralmente introduzida por que ou se.
- Descubra qual palavra da oração principal ela completa ou explica.
- Pergunte se essa palavra é verbo, nome, predicativo ou um termo que receberá explicação.
- Determine a função sintática e, então, a classificação da oração.
Por exemplo, em “Convém que os candidatos leiam o enunciado”, a oração “que os candidatos leiam o enunciado” não completa um verbo com sujeito já expresso. Ela exerce o papel de sujeito de “convém”. A ordem invertida pode esclarecer: “Que os candidatos leiam o enunciado convém.” Logo, é subjetiva.
Exercícios para praticar
Classifique as orações destacadas em subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, predicativa ou apositiva. Antes de consultar o gabarito, aplique o método de análise e observe a presença ou a ausência de preposição.
- É importante que a turma entregue o trabalho no prazo.
- Os pesquisadores afirmaram que os dados seriam revisados.
- O diretor insistiu em que os alunos participassem da reunião.
- Havia esperança de que a chuva diminuísse durante a tarde.
- Meu maior desejo é que todos tenham acesso à leitura.
- A coordenadora fez um pedido: que ninguém saísse antes do aviso.
- Não sabemos se haverá aula amanhã.
- Ela tinha consciência de que precisava mudar seus hábitos de estudo.
Questão de análise
Compare os períodos: “Afirmaram que o resultado saiu” e “A certeza de que o resultado saiu tranquilizou a equipe”. Embora a oração destacada seja introduzida por que nos dois casos, sua classificação é igual? Justifique a resposta a partir do termo que ela completa.
Gabarito comentado
- Subjetiva. A oração “que a turma entregue o trabalho no prazo” funciona como sujeito da expressão “é importante”. O adjetivo importante aparece em uma estrutura impessoal, sem sujeito expresso.
- Objetiva direta. A oração completa diretamente o verbo afirmaram, que não exige preposição nesse emprego. Quem afirma, afirma algo.
- Objetiva indireta. A oração completa o verbo insistiu, empregado com a preposição em. Quem insiste, insiste em algo.
- Completiva nominal. A preposição de é exigida pelo substantivo esperança. A oração completa, portanto, um nome e não um verbo.
- Predicativa. A oração aparece depois do verbo de ligação é e atribui conteúdo ao sujeito “meu maior desejo”.
- Apositiva. Ela explica o substantivo “pedido”, apresentado antes dos dois-pontos. O conteúdo do pedido é justamente que ninguém saia antes do aviso.
- Objetiva direta. A conjunção integrante se introduz a oração que completa o verbo “sabemos”, sem preposição: não sabemos isso.
- Completiva nominal. A oração completa o nome “consciência”, que exige a preposição de: consciência de algo.
Na questão de análise, as classificações são diferentes. Em “Afirmaram que o resultado saiu”, a oração completa o verbo afirmaram, sendo objetiva direta. Já em “A certeza de que o resultado saiu”, ela completa o substantivo certeza; por isso, é completiva nominal.
Erros frequentes
O erro mais comum é chamar toda oração com que de objetiva direta. A classificação não é determinada pelo conectivo, mas pela função exercida no período. Outro problema é ignorar a preposição: ela pode ser exigida pelo verbo, como em “duvidar de”, ou por um nome, como em “necessidade de”.
Também é importante distinguir oração apositiva de predicativa. A apositiva normalmente explica um termo anterior, frequentemente após dois-pontos; a predicativa vem ligada ao sujeito por verbo de ligação, como ser, e funciona como uma característica ou identificação desse sujeito.
Pontos de revisão
Para revisar, lembre-se de que as orações subordinadas substantivas equivalem a um substantivo e, em muitos casos, podem ser retomadas por “isso”. Localize o verbo da oração subordinada, identifique o termo que ela completa e observe se há preposição.
- Se exercer papel de sujeito, será subjetiva.
- Se completar verbo, será objetiva direta ou indireta.
- Se completar nome, será completiva nominal.
- Se vier após verbo de ligação, poderá ser predicativa.
- Se explicar um termo anterior, será apositiva.
Com esse procedimento, os exercícios deixam de ser uma tarefa de memorização e passam a ser uma análise da estrutura e do sentido do período.