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Língua Portuguesa

Exercícios de colocação pronominal com gabarito comentado

Pratique as regras de posição dos pronomes oblíquos átonos e confira explicações para cada resposta. O material revisa os usos mais cobrados em exercícios escolares e vestibulares.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Exercícios de colocação pronominal ajudam a praticar a posição dos pronomes oblíquos átonos — como me, te, se, o, a, lhe, nos e lhes — em relação ao verbo. Para resolvê-los, é preciso reconhecer se há uma palavra que atrai o pronome, se o verbo está no início da oração e qual é sua forma verbal. Nesta atividade, você revisará próclise, ênclise e mesóclise com exemplos e gabarito comentado.

O que revisar antes de resolver

Colocação pronominal é o nome dado à posição dos pronomes oblíquos átonos junto ao verbo. Esses pronomes não exercem, em geral, a função de sujeito: eles complementam o sentido verbal. Em “Ela me chamou”, por exemplo, me equivale a “a mim” e funciona como complemento de chamou.

Na norma-padrão, a posição do pronome depende principalmente da estrutura da oração. Há três possibilidades. A próclise ocorre quando o pronome vem antes do verbo: “Não me avise”. A ênclise acontece quando ele vem depois: “Avise-me”. Já a mesóclise coloca o pronome no interior do verbo e aparece com futuro do presente ou futuro do pretérito: “Avisar-me-ão”.

É importante não confundir regra gramatical escolar com todos os usos cotidianos da língua. Na fala brasileira, a próclise é muito comum, inclusive no começo de frases, como em “Me explica isso?”. Em provas que cobram a norma-padrão, porém, costuma-se esperar “Explique-me isso” quando não há termo atrativo antes do verbo.

Dica de leitura: antes de decidir a posição do pronome, localize o verbo e procure, à esquerda dele, palavras como não, nunca, quem, que, quando e talvez. Muitas delas favorecem ou exigem a próclise.

Regras essenciais de colocação pronominal

A próclise é usada diante de elementos chamados atrativos. Entre os mais recorrentes estão palavras negativas, pronomes relativos, pronomes indefinidos, pronomes interrogativos, conjunções subordinativas e certos advérbios. Assim, escrevemos “Nunca lhe contei isso”, “A pessoa que me ajudou chegou” e “Quando nos encontrarmos, conversaremos”.

A ênclise é recomendada quando o verbo inicia a oração e não existe palavra atrativa antes dele. Ela também é comum com o verbo no imperativo afirmativo: “Entregue-me o caderno” e “Conte-nos a novidade”. Não se emprega ênclise com particípio isolado: a forma “tinha entregado-lhe” não segue a norma-padrão. Nesse caso, o pronome fica ligado ao verbo auxiliar: “tinha-lhe entregado”, em contextos formais, ou a construção pode ser reorganizada.

A mesóclise é prevista quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito e não há elemento atrativo: “Dir-lhe-ei a verdade” e “Convidar-nos-iam para a cerimônia”. Se surgir uma palavra atrativa, usa-se a próclise: “Não lhe direi a verdade” e “Quem nos convidaria?”.

PosiçãoQuando ocorre, em geralExemplo
PrócliseHá palavra atrativa antes do verbo.Não me preocupo com isso.
ÊncliseO verbo inicia a oração, sem elemento atrativo.Preocupo-me com isso.
MesócliseFuturo, sem elemento atrativo, em registro formal.Preocupar-me-ei com isso.

Exercícios básicos com gabarito

Complete as frases com o pronome entre parênteses na posição adequada à norma-padrão. Observe com atenção os termos que vêm antes do verbo.

  1. Não _________ explicaram o motivo do atraso. (me)
  2. Quando _________ encontrarem, avisem-me. (nos)
  3. _________ os documentos ainda hoje. (envie-me)
  4. Talvez _________ contem toda a história amanhã. (lhe)
  5. Os candidatos _________ prepararão para a segunda fase. (se)
  6. Jamais _________ esquecerei. (o)

Gabarito comentado

  1. Não me explicaram o motivo do atraso. A palavra negativa não atrai o pronome, produzindo próclise.
  2. Quando nos encontrarem, avisem-me. A conjunção subordinativa quando atrai o pronome na oração subordinada.
  3. Envie-me os documentos ainda hoje. O verbo está no imperativo afirmativo e inicia a oração; por isso, usa-se a ênclise.
  4. Talvez lhe contem toda a história amanhã. O advérbio talvez, quando vem antes do verbo sem pausa marcada, favorece a próclise.
  5. Os candidatos se prepararão para a segunda fase. O pronome aparece antes do futuro porque o sujeito expresso vem antes do verbo. A construção “preparar-se-ão” também seria possível em registro formal, mas a próclise é a opção mais usual no português brasileiro.
  6. Jamais o esquecerei. O advérbio de sentido negativo jamais exige próclise. Note que o retoma uma pessoa ou algo mencionado anteriormente.

Exercícios contextualizados e comentados

Agora, analise as alternativas. Além da posição do pronome, considere a forma verbal e o grau de formalidade indicado pela situação.

  1. Assinale a frase adequada à norma-padrão em uma resposta formal.
    • a) Me mandaram os resultados ontem.
    • b) Mandaram-me os resultados ontem.
    • c) Mandaram os resultados me ontem.
  2. Assinale a alternativa correta.
    • a) Não diga-me isso agora.
    • b) Não me diga isso agora.
    • c) Não diga isso me agora.
  3. Em “Os livros que _________ indicaram são importantes”, a lacuna deve ser preenchida por:
    • a) me
    • b) indicaram-me
    • c) indicar-me-ão
  4. Qual frase apresenta mesóclise corretamente?
    • a) Informar-lhe-ei a decisão amanhã.
    • b) Lhe informarei a decisão amanhã.
    • c) Não informar-lhe-ei a decisão amanhã.
  5. Reescreva, na norma-padrão formal, a oração “Se encontrarão na biblioteca”.
  6. Reescreva “Não entregarei o relatório a você” substituindo “a você” pelo pronome adequado.

Respostas e explicações

Na questão 1, a resposta é a letra b: “Mandaram-me os resultados ontem”. Como o verbo abre a oração e não há termo atrativo, a ênclise é a forma esperada na escrita formal. A alternativa a é frequente na oralidade brasileira, mas não corresponde à prescrição tradicional para o início de período. A opção c separa indevidamente o pronome do verbo.

Na questão 2, a resposta é a letra b. A palavra não exige que o pronome venha antes do verbo: “Não me diga”. Em construções negativas, “não diga-me” é inadequada na norma-padrão.

Na questão 3, a resposta é a letra a: “Os livros que me indicaram são importantes”. O pronome relativo que atrai me. A alternativa b desloca o pronome para depois do verbo, contrariando essa atração; a c também altera, sem motivo, o tempo verbal.

Na questão 4, a resposta é a letra a: “Informar-lhe-ei a decisão amanhã”. O verbo está no futuro do presente, e não há palavra atrativa; por isso, a mesóclise é possível e tradicionalmente recomendada. A letra b é muito usada no português brasileiro, mas não apresenta mesóclise. Na letra c, a palavra não exigiria próclise: “Não lhe informarei”.

Na questão 5, uma reescrita formal é Encontrar-se-ão na biblioteca. O verbo está no futuro do presente e, sem atrativo, admite mesóclise. Já na questão 6, a forma correta é Não lhe entregarei o relatório. A negativa atrai o pronome lhe, que substitui “a você”.

Erros frequentes e como evitá-los

Um erro recorrente é decorar exemplos isolados sem observar o contexto sintático. A mesma forma verbal pode aparecer com posições diferentes: “Contar-me-á a novidade” tem mesóclise; “Não me contará a novidade” tem próclise. A mudança ocorre porque a segunda frase contém a palavra negativa não.

Outro ponto importante são as locuções verbais. Em “deve-se estudar”, o pronome está ligado ao verbo principal ou ao auxiliar conforme a construção e o efeito pretendido. Nas atividades escolares, é comum encontrar “deve-se estudar” e “não se deve estudar” como formas adequadas. Com palavra negativa, a próclise em relação ao auxiliar é obrigatória: “não se deve”.

  • Não coloque o pronome no meio de uma forma verbal simples: escreva “ajudou-me”, e não “ajudou me” em registro formal.
  • Não use hífen entre pronome e verbo na próclise: o correto é “ninguém me avisou”, sem hífen.
  • Não mantenha a mesóclise depois de palavra negativa: escreva “não lhe direi”, e não “não dir-lhe-ei”.
  • Não trate toda frase iniciada por pronome como equivalente na escrita formal: “Me avisaram” é comum na fala, enquanto “Avisaram-me” segue a recomendação tradicional.

Pontos de revisão

Para resolver questões de colocação pronominal, siga uma sequência simples: identifique o verbo, verifique se existe palavra atrativa antes dele, observe o modo e o tempo verbal e só então escolha a posição do pronome. Essa análise evita decisões baseadas apenas na sonoridade da frase.

Resumo final: use próclise com negativas, relativos, interrogativos, indefinidos e conjunções subordinativas; use ênclise, na norma-padrão, quando o verbo inicia a oração sem atrativo; e reconheça a mesóclise nos futuros sem atrativo, sobretudo em textos formais. Ao revisar, compare sempre a posição do pronome com a presença ou ausência de elementos atrativos.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que é colocação pronominal?

É o estudo da posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. As três posições principais são próclise, ênclise e mesóclise.

Quando devo usar próclise?

A próclise é usada diante de palavras que atraem o pronome, como negativas, pronomes relativos e conjunções subordinativas. Exemplos são “não me conte” e “quando te encontrar”.

É errado começar uma frase com “me”?

Na fala e em textos informais do português brasileiro, essa construção é muito comum. Porém, na norma-padrão tradicional cobrada em muitas atividades escolares, prefere-se a ênclise quando o verbo inicia a oração, como em “Avise-me depois”.

Quando ocorre a mesóclise?

A mesóclise ocorre com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito quando não há palavra atrativa. Ela é mais frequente em registros formais, como em “Dir-lhe-ei” e “Convidar-nos-iam”.

Resumo em imagem

Resumo visual: Exercícios de colocação pronominal com gabarito comentado

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra (2017)
  2. Moderna Gramática Portuguesa — Evanildo Bechara (2019)
  3. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo (2018)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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