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Língua Portuguesa

Aumentativo e diminutivo: atividades com gabarito

Entenda como se formam o aumentativo e o diminutivo, quais sentidos eles podem expressar e pratique com atividades comentadas.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino fundamental II

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As atividades de aumentativo e diminutivo ajudam a reconhecer e empregar formas que indicam tamanho, intensidade, afeto, ironia ou desprezo. Esses graus são estudados principalmente com os substantivos e os adjetivos. Para resolvê-los bem, não basta decorar terminações: é preciso observar a palavra formada e o contexto em que ela aparece.

Em textos literários, conversas, notícias e questões de gramática, palavras como casarão, florzinha, mulherão e filhinho podem transmitir muito mais do que uma simples ideia de grandeza ou pequenez. Neste material, você verá as formas mais frequentes, seus efeitos de sentido e exercícios com respostas explicadas.

O que são os graus do substantivo

O grau é uma variação que pode modificar o sentido de um substantivo ou de um adjetivo. No caso dos substantivos, há três possibilidades principais: o grau normal, o diminutivo e o aumentativo. O grau normal apresenta o nome sem ideia adicional de tamanho; o diminutivo tende a indicar algo menor; e o aumentativo, algo maior.

GrauExemploIdeia mais comum
NormalcasaNome em sua forma básica
DiminutivocasinhaCasa pequena ou ideia afetiva
AumentativocasarãoCasa grande ou imponente

A alteração costuma ocorrer com o acréscimo de um sufixo, isto é, uma parte colocada depois do radical da palavra. Em livrinho, por exemplo, o radical é livr- e o sufixo -inho forma o diminutivo. Em livrão, o sufixo -ão constrói o aumentativo.

É importante não confundir grau com flexão de gênero ou número. As palavras menino e menina diferem em gênero; menino e meninos, em número. Já meninão e menininha apresentam variação de grau e, conforme a situação, podem também revelar a opinião de quem fala.

Como formar aumentativos e diminutivos

As formas de grau podem ser sintéticas ou analíticas. Na forma sintética, usa-se uma única palavra com sufixo: portão, ruazinha e narigão. Na forma analítica, a ideia é construída com outra palavra: casa grande, cachorro pequeno, enorme árvore. Em exercícios escolares, o pedido por “aumentativo” ou “diminutivo” geralmente espera a forma sintética, mas o enunciado deve ser lido com atenção.

Terminações frequentes

No diminutivo, aparecem com frequência os sufixos -inho, -zinho, -inha e -zinha: bola/bolinha, flor/florzinha, papel/papelzinho. No aumentativo, são comuns -ão, -zão, -ona, -aço, -aça, -eirão e -arrão: casa/casarão, copo/copázio, amigo/amigão e corpo/corpanzil. Nem todas as palavras aceitam todos os sufixos.

A língua possui formas consagradas pelo uso que não seguem um único padrão. Por isso, dicionários e gramáticas podem registrar mais de uma possibilidade em alguns casos. Mulherão, vozeirão, vilarejo e cabeçorra mostram que as escolhas dependem da história e do uso de cada palavra.

Atenção: palavras terminadas em -ão nem sempre são aumentativos. Portão, por exemplo, é um substantivo com sentido próprio: não significa necessariamente “porta grande”. Para identificar o grau, observe se há relação de sentido com uma palavra de base, como porta.

Sentidos além do tamanho

O contexto pode mudar completamente o valor de um sufixo. Dizer “Que filminho bonito!” pode demonstrar carinho ou avaliação positiva, sem afirmar que o filme é curto. Já em “Ele escreveu um textinho sem desenvolver as ideias”, o diminutivo pode indicar desvalorização. Da mesma forma, “Ela é uma mulherão” costuma elogiar uma mulher admirada, enquanto “aquele jornalzinho” pode ter tom depreciativo.

Assim, a interpretação precisa considerar quem fala, para quem fala e em qual situação. Em uma conversa familiar, vovozinha pode ser uma forma afetuosa. Em um texto crítico, autorzinho pode revelar desprezo. O sufixo não tem um único significado fixo: ele contribui para a intenção comunicativa.

  • Tamanho: carrão pode indicar um carro grande.
  • Afeto: filhinha pode expressar carinho.
  • Intensidade ou admiração: jogadoraço pode elogiar uma atleta muito habilidosa.
  • Ironia ou desprezo: poetastro e jornalzinho podem desqualificar alguém ou algo.

Também é necessário diferenciar o grau de palavras derivadas que ganharam significado próprio. Cartilha, por exemplo, não é apenas uma “carta pequena”; é um tipo de publicação. Folheto não precisa ser interpretado simplesmente como “folha pequena”. Nesses casos, a palavra pode até ter origem em uma noção de diminutivo, mas funciona com sentido lexical estabelecido.

Atividades de formação

Resolva as questões antes de consultar o gabarito. Ao formar as palavras, lembre-se de verificar se a terminação escolhida combina com o uso corrente da língua.

  1. Escreva o diminutivo sintético de: casa, flor, papel, livro e cão.
  2. Escreva um aumentativo sintético possível para: amigo, voz, muro, casa e nariz.
  3. Classifique as formas abaixo como aumentativo, diminutivo ou palavra que não expressa necessariamente grau: gatinho, portão, vozeirão, cartilha e carrinho.
  4. Reescreva as expressões analíticas usando uma forma sintética, quando possível: “um cão pequeno”, “uma rua pequena”, “um homem grande” e “uma voz muito forte”.
  5. Explique por que a palavra portão não deve ser classificada automaticamente como aumentativo de porta.

Atividades de uso e interpretação

Leia os enunciados e responda às questões considerando o contexto, e não apenas o tamanho indicado pelos sufixos.

I. “A avó guardou o sapatinho do bebê como lembrança.”

II. “O candidato apresentou um projetinho sem dados nem justificativas.”

III. “A pesquisadora fez um trabalhão para organizar o acervo.”

IV. “O menino atravessou a rua e viu um cachorrão brincando no quintal.”

  1. Na frase I, o diminutivo indica obrigatoriamente que o sapato é pequeno? Que outro efeito de sentido pode estar presente?
  2. Na frase II, qual é o provável efeito de sentido de projetinho: carinho, neutralidade ou desvalorização? Justifique com elementos da frase.
  3. Na frase III, trabalhão indica apenas um trabalho fisicamente grande? Explique o sentido mais adequado.
  4. Na frase IV, qual é a interpretação mais provável de cachorrão? Ela poderia mudar em outro contexto?
  5. Corrija a afirmação: “Todo substantivo terminado em -inho é diminutivo, e todo substantivo terminado em -ão é aumentativo.”

Gabarito comentado

Atividade de formação: 1. casinha, florzinha, papelzinho, livrinho e cãozinho. Em alguns casos, a inclusão de -zinho preserva melhor a pronúncia ou é a forma mais usual.

2. São respostas possíveis: amigão, vozeirão, murão, casarão e narigão. Há palavras com mais de uma formação aceitável, mas a frequência de uso deve orientar a escolha. 3. Gatinho, vozeirão e carrinho apresentam, em princípio, diminutivo, aumentativo e diminutivo; portão e cartilha têm sentidos próprios e não indicam necessariamente grau.

4. Respostas possíveis: cãozinho, ruazinha, homenzarrão e vozeirão. 5. Portão nomeia uma estrutura que fecha ou dá acesso a uma entrada. Embora se relacione historicamente a porta, é usado como substantivo autônomo, não como simples “porta grande”.

Atividade de uso: I. O tamanho pequeno é provável porque se trata de um bebê, mas o diminutivo também produz um efeito afetivo. II. Há desvalorização: a expressão “sem dados nem justificativas” mostra que o falante considera o projeto insuficiente. III. Trabalhão sugere muito esforço, dificuldade ou grande quantidade de trabalho, e não somente dimensão física. IV. A leitura mais provável é a de um cachorro grande; em outra situação, porém, a palavra também poderia sugerir admiração ou reforço expressivo.

Por fim, a afirmação da questão 5 é falsa. As terminações são pistas importantes, mas não bastam para a classificação. É preciso verificar se a palavra mantém relação de grau com uma forma básica e qual sentido ela assume no enunciado.

Pontos de revisão

  • O aumentativo e o diminutivo são formas de grau, geralmente criadas por sufixos.
  • As formas sintéticas usam uma palavra, como casinha e casarão; as analíticas usam expressões, como “casa pequena” e “casa grande”.
  • -inho e -ão são terminações frequentes, mas não classificam uma palavra sozinhos.
  • Além de tamanho, os graus podem transmitir afeto, intensidade, admiração, ironia ou desprezo.
  • Para interpretar corretamente, observe a relação da palavra com sua base e o contexto da frase.

Ao revisar, experimente criar duas frases para cada forma estudada: uma com sentido literal de tamanho e outra com valor afetivo ou avaliativo. Essa comparação mostra como a escolha dos sufixos participa da construção de sentidos na língua portuguesa.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que é aumentativo e diminutivo?

São variações de grau que podem ser aplicadas principalmente a substantivos e adjetivos. Em geral, o aumentativo sugere grandeza e o diminutivo sugere pequenez, mas ambos também podem expressar avaliações e sentimentos.

Qual é a diferença entre grau sintético e grau analítico?

O grau sintético é formado em uma única palavra, com o acréscimo de um sufixo, como em "florzinha" e "casarão". O grau analítico é expresso por mais de uma palavra, como em "flor pequena" e "casa grande".

Toda palavra terminada em -ão é aumentativo?

Não. Palavras como "portão" e "fogão" possuem sentido próprio e não são usadas obrigatoriamente como aumentativos de "porta" e "fogo". A classificação depende da relação de sentido e do uso da palavra no contexto.

O diminutivo sempre indica algo pequeno?

Não. Ele pode indicar carinho, proximidade, ironia ou desvalorização. Em "filhinha", por exemplo, o efeito pode ser afetivo; em "textinho sem profundidade", pode ser depreciativo.

Resumo em imagem

Resumo visual: Aumentativo e diminutivo: atividades com gabarito

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon (2017)
  2. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa — Domingos Paschoal Cegalla, Companhia Editora Nacional (2020)
  3. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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