As atividades de aumentativo e diminutivo ajudam a reconhecer e empregar formas que indicam tamanho, intensidade, afeto, ironia ou desprezo. Esses graus são estudados principalmente com os substantivos e os adjetivos. Para resolvê-los bem, não basta decorar terminações: é preciso observar a palavra formada e o contexto em que ela aparece.
Em textos literários, conversas, notícias e questões de gramática, palavras como casarão, florzinha, mulherão e filhinho podem transmitir muito mais do que uma simples ideia de grandeza ou pequenez. Neste material, você verá as formas mais frequentes, seus efeitos de sentido e exercícios com respostas explicadas.
O que são os graus do substantivo
O grau é uma variação que pode modificar o sentido de um substantivo ou de um adjetivo. No caso dos substantivos, há três possibilidades principais: o grau normal, o diminutivo e o aumentativo. O grau normal apresenta o nome sem ideia adicional de tamanho; o diminutivo tende a indicar algo menor; e o aumentativo, algo maior.
| Grau | Exemplo | Ideia mais comum |
|---|---|---|
| Normal | casa | Nome em sua forma básica |
| Diminutivo | casinha | Casa pequena ou ideia afetiva |
| Aumentativo | casarão | Casa grande ou imponente |
A alteração costuma ocorrer com o acréscimo de um sufixo, isto é, uma parte colocada depois do radical da palavra. Em livrinho, por exemplo, o radical é livr- e o sufixo -inho forma o diminutivo. Em livrão, o sufixo -ão constrói o aumentativo.
É importante não confundir grau com flexão de gênero ou número. As palavras menino e menina diferem em gênero; menino e meninos, em número. Já meninão e menininha apresentam variação de grau e, conforme a situação, podem também revelar a opinião de quem fala.
Como formar aumentativos e diminutivos
As formas de grau podem ser sintéticas ou analíticas. Na forma sintética, usa-se uma única palavra com sufixo: portão, ruazinha e narigão. Na forma analítica, a ideia é construída com outra palavra: casa grande, cachorro pequeno, enorme árvore. Em exercícios escolares, o pedido por “aumentativo” ou “diminutivo” geralmente espera a forma sintética, mas o enunciado deve ser lido com atenção.
Terminações frequentes
No diminutivo, aparecem com frequência os sufixos -inho, -zinho, -inha e -zinha: bola/bolinha, flor/florzinha, papel/papelzinho. No aumentativo, são comuns -ão, -zão, -ona, -aço, -aça, -eirão e -arrão: casa/casarão, copo/copázio, amigo/amigão e corpo/corpanzil. Nem todas as palavras aceitam todos os sufixos.
A língua possui formas consagradas pelo uso que não seguem um único padrão. Por isso, dicionários e gramáticas podem registrar mais de uma possibilidade em alguns casos. Mulherão, vozeirão, vilarejo e cabeçorra mostram que as escolhas dependem da história e do uso de cada palavra.
Atenção: palavras terminadas em -ão nem sempre são aumentativos. Portão, por exemplo, é um substantivo com sentido próprio: não significa necessariamente “porta grande”. Para identificar o grau, observe se há relação de sentido com uma palavra de base, como porta.
Sentidos além do tamanho
O contexto pode mudar completamente o valor de um sufixo. Dizer “Que filminho bonito!” pode demonstrar carinho ou avaliação positiva, sem afirmar que o filme é curto. Já em “Ele escreveu um textinho sem desenvolver as ideias”, o diminutivo pode indicar desvalorização. Da mesma forma, “Ela é uma mulherão” costuma elogiar uma mulher admirada, enquanto “aquele jornalzinho” pode ter tom depreciativo.
Assim, a interpretação precisa considerar quem fala, para quem fala e em qual situação. Em uma conversa familiar, vovozinha pode ser uma forma afetuosa. Em um texto crítico, autorzinho pode revelar desprezo. O sufixo não tem um único significado fixo: ele contribui para a intenção comunicativa.
- Tamanho: carrão pode indicar um carro grande.
- Afeto: filhinha pode expressar carinho.
- Intensidade ou admiração: jogadoraço pode elogiar uma atleta muito habilidosa.
- Ironia ou desprezo: poetastro e jornalzinho podem desqualificar alguém ou algo.
Também é necessário diferenciar o grau de palavras derivadas que ganharam significado próprio. Cartilha, por exemplo, não é apenas uma “carta pequena”; é um tipo de publicação. Folheto não precisa ser interpretado simplesmente como “folha pequena”. Nesses casos, a palavra pode até ter origem em uma noção de diminutivo, mas funciona com sentido lexical estabelecido.
Atividades de formação
Resolva as questões antes de consultar o gabarito. Ao formar as palavras, lembre-se de verificar se a terminação escolhida combina com o uso corrente da língua.
- Escreva o diminutivo sintético de: casa, flor, papel, livro e cão.
- Escreva um aumentativo sintético possível para: amigo, voz, muro, casa e nariz.
- Classifique as formas abaixo como aumentativo, diminutivo ou palavra que não expressa necessariamente grau: gatinho, portão, vozeirão, cartilha e carrinho.
- Reescreva as expressões analíticas usando uma forma sintética, quando possível: “um cão pequeno”, “uma rua pequena”, “um homem grande” e “uma voz muito forte”.
- Explique por que a palavra portão não deve ser classificada automaticamente como aumentativo de porta.
Atividades de uso e interpretação
Leia os enunciados e responda às questões considerando o contexto, e não apenas o tamanho indicado pelos sufixos.
I. “A avó guardou o sapatinho do bebê como lembrança.”
II. “O candidato apresentou um projetinho sem dados nem justificativas.”
III. “A pesquisadora fez um trabalhão para organizar o acervo.”
IV. “O menino atravessou a rua e viu um cachorrão brincando no quintal.”
- Na frase I, o diminutivo indica obrigatoriamente que o sapato é pequeno? Que outro efeito de sentido pode estar presente?
- Na frase II, qual é o provável efeito de sentido de projetinho: carinho, neutralidade ou desvalorização? Justifique com elementos da frase.
- Na frase III, trabalhão indica apenas um trabalho fisicamente grande? Explique o sentido mais adequado.
- Na frase IV, qual é a interpretação mais provável de cachorrão? Ela poderia mudar em outro contexto?
- Corrija a afirmação: “Todo substantivo terminado em -inho é diminutivo, e todo substantivo terminado em -ão é aumentativo.”
Gabarito comentado
Atividade de formação: 1. casinha, florzinha, papelzinho, livrinho e cãozinho. Em alguns casos, a inclusão de -zinho preserva melhor a pronúncia ou é a forma mais usual.
2. São respostas possíveis: amigão, vozeirão, murão, casarão e narigão. Há palavras com mais de uma formação aceitável, mas a frequência de uso deve orientar a escolha. 3. Gatinho, vozeirão e carrinho apresentam, em princípio, diminutivo, aumentativo e diminutivo; portão e cartilha têm sentidos próprios e não indicam necessariamente grau.
4. Respostas possíveis: cãozinho, ruazinha, homenzarrão e vozeirão. 5. Portão nomeia uma estrutura que fecha ou dá acesso a uma entrada. Embora se relacione historicamente a porta, é usado como substantivo autônomo, não como simples “porta grande”.
Atividade de uso: I. O tamanho pequeno é provável porque se trata de um bebê, mas o diminutivo também produz um efeito afetivo. II. Há desvalorização: a expressão “sem dados nem justificativas” mostra que o falante considera o projeto insuficiente. III. Trabalhão sugere muito esforço, dificuldade ou grande quantidade de trabalho, e não somente dimensão física. IV. A leitura mais provável é a de um cachorro grande; em outra situação, porém, a palavra também poderia sugerir admiração ou reforço expressivo.
Por fim, a afirmação da questão 5 é falsa. As terminações são pistas importantes, mas não bastam para a classificação. É preciso verificar se a palavra mantém relação de grau com uma forma básica e qual sentido ela assume no enunciado.
Pontos de revisão
- O aumentativo e o diminutivo são formas de grau, geralmente criadas por sufixos.
- As formas sintéticas usam uma palavra, como casinha e casarão; as analíticas usam expressões, como “casa pequena” e “casa grande”.
- -inho e -ão são terminações frequentes, mas não classificam uma palavra sozinhos.
- Além de tamanho, os graus podem transmitir afeto, intensidade, admiração, ironia ou desprezo.
- Para interpretar corretamente, observe a relação da palavra com sua base e o contexto da frase.
Ao revisar, experimente criar duas frases para cada forma estudada: uma com sentido literal de tamanho e outra com valor afetivo ou avaliativo. Essa comparação mostra como a escolha dos sufixos participa da construção de sentidos na língua portuguesa.