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Língua Portuguesa

Adjunto adnominal x complemento nominal: diferenças e exemplos

Adjunto adnominal e complemento nominal acompanham substantivos, mas exercem funções diferentes. Aprenda a distingui-los pela relação de sentido e pela voz ativa ou passiva.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino médio

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A diferença entre adjunto adnominal x complemento nominal está principalmente no sentido que cada termo estabelece com o nome. O adjunto adnominal caracteriza, determina ou especifica um substantivo; o complemento nominal completa o sentido de um nome que apresenta significado incompleto. Embora ambos possam aparecer depois do substantivo e ser introduzidos por preposição, eles não desempenham a mesma função sintática.

Essa distinção é frequente em exercícios de análise sintática, vestibulares e ENEM porque exige mais do que decorar regras. É preciso observar a classe e o sentido do termo principal, além de perceber se o elemento preposicionado atua como agente, possuidor, característica ou alvo da ideia expressa pelo nome.

O que são os termos ligados ao nome

O adjunto adnominal é o termo que acompanha um substantivo para delimitá-lo, caracterizá-lo ou indicar uma circunstância relacionada a ele. Pode ser exercido por artigo, numeral, pronome, adjetivo ou locução adjetiva. Em “as provas difíceis”, por exemplo, “as” e “difíceis” são adjuntos adnominais de “provas”.

Quando o adjunto é uma locução adjetiva, ele costuma vir introduzido por preposição. Na frase “O livro de matemática está na mochila”, a expressão “de matemática” especifica o tipo de livro. Portanto, é adjunto adnominal, mesmo tendo preposição. A presença de preposição, sozinha, não basta para classificar um termo como complemento nominal.

O complemento nominal, por sua vez, é um termo obrigatoriamente preposicionado que completa o sentido de um substantivo abstrato, de um adjetivo ou de um advérbio. Veja: “A necessidade de apoio era evidente.” O substantivo “necessidade” expressa uma ideia que pede complemento: necessidade de quê? “De apoio” completa esse significado.

Também há complemento nominal em “Ela estava favorável à proposta” e em “O diretor agiu contrariamente às regras”. Nos dois exemplos, os termos destacados completam, respectivamente, o sentido do adjetivo “favorável” e do advérbio “contrariamente”. Assim, complemento nominal não se liga apenas a substantivos, embora a comparação com o adjunto adnominal seja mais comum quando os dois acompanham um nome.

Ideia central: o adjunto adnominal acrescenta uma determinação ou característica ao substantivo. O complemento nominal completa uma ideia que está no nome, no adjetivo ou no advérbio.

Como distinguir na prática

O critério mais importante aparece quando o termo preposicionado acompanha um substantivo abstrato, isto é, um nome que indica ação, sentimento, estado, qualidade ou conceito. Nesses casos, pergunte qual é a relação de sentido entre o substantivo e o termo que o acompanha.

Em “A crítica do jornalista foi publicada”, “do jornalista” indica quem fez a crítica. O jornalista é o agente da ação contida no substantivo “crítica”; por isso, a expressão funciona como adjunto adnominal. Já em “A crítica ao jornalista foi publicada”, “ao jornalista” indica quem recebeu a crítica. Ele é o alvo, ou paciente, da ação; logo, trata-se de complemento nominal.

Uma estratégia útil é transformar a construção nominal em uma oração com verbo. “A crítica do jornalista” equivale a “o jornalista criticou”. “A crítica ao jornalista” equivale a “criticaram o jornalista”. Na primeira transformação, o termo vira sujeito, o que aponta para adjunto adnominal. Na segunda, ele vira objeto direto, o que indica complemento nominal.

Esse teste não deve ser aplicado de modo mecânico, mas esclarece muitas questões. Em “o amor de mãe”, a expressão pode significar tanto o amor que a mãe sente quanto o amor dirigido à mãe, dependendo do contexto. Se a mãe ama, há adjunto adnominal; se alguém ama a mãe, há complemento nominal. Uma frase isolada nem sempre oferece dados suficientes para eliminar a ambiguidade.

Comparação essencial entre as funções

AspectoAdjunto adnominalComplemento nominal
Termo a que se ligaSubstantivoSubstantivo, adjetivo ou advérbio
Forma possívelCom ou sem preposiçãoSempre com preposição
Valor semânticoAgente, possuidor, origem, matéria, tipo, característica ou determinaçãoAlvo, paciente, destinatário ou conteúdo que completa a ideia
Nome principalPode ser concreto ou abstratoEm geral, substantivo abstrato; também adjetivo e advérbio
Exemplo“A construção dos operários”“A construção da ponte”

Na última linha da tabela, “dos operários” identifica os responsáveis pela construção. Os operários constroem; por isso, o termo é adjunto adnominal. Em “da ponte”, a ponte é aquilo que foi construído. Como recebe a ação expressa por “construção”, a expressão é complemento nominal.

É importante notar que o adjunto adnominal pode expressar relações muito variadas. Em “casa de madeira”, indica matéria; em “caderno do aluno”, sugere posse; em “problema de física”, especifica assunto; em “viagem de férias”, delimita uma modalidade ou finalidade. Nenhum desses casos completa necessariamente um nome de sentido abstrato como ocorre com o complemento nominal.

Casos que geram dúvidas

Substantivos abstratos com termos introduzidos por “de”

A preposição “de” aparece nos dois casos e, por isso, costuma gerar confusão. Compare “a defesa do advogado” e “a defesa do réu”. Na primeira expressão, o advogado realiza o ato de defender: é adjunto adnominal. Na segunda, o réu é defendido: é complemento nominal.

O mesmo raciocínio vale para “a admiração dos estudantes pela pesquisadora”. “Dos estudantes” indica os admiradores e funciona como adjunto adnominal. Já “pela pesquisadora” mostra quem é admirada e funciona como complemento nominal. Uma única oração pode conter as duas funções ligadas ao mesmo substantivo abstrato.

Posse e alvo não são a mesma relação

Em “o retrato da avó”, a interpretação mais comum é “o retrato que pertence à avó” ou “o retrato que mostra a avó”. O contexto decide a relação, mas normalmente não há uma ação abstrata exigindo complemento. Em “a saudade da avó”, entretanto, “da avó” tende a indicar a pessoa de quem se sente saudade. Como “avó” é o alvo do sentimento, a expressão é complemento nominal.

Outro contraste é “o conselho do professor” e “a obediência ao professor”. O professor dá o conselho, sendo agente da ação nominalizada; logo, “do professor” é adjunto adnominal. Já o professor recebe a obediência: “ao professor” é complemento nominal.

Adjetivos e advérbios

Se o termo preposicionado completa um adjetivo ou advérbio, a classificação é direta: será complemento nominal. Em “Os alunos estavam conscientes do problema”, “do problema” completa “conscientes”. Em “O grupo agiu favoravelmente ao projeto”, “ao projeto” completa “favoravelmente”. Adjunto adnominal, por definição, liga-se somente a substantivos.

Passo a passo para analisar frases

Ao encontrar uma expressão ligada a um nome, siga uma sequência de observação. Ela reduz o risco de decidir apenas pela preposição usada.

  1. Localize o termo principal. Verifique se a expressão se liga a um substantivo, a um adjetivo ou a um advérbio.
  2. Observe se há preposição. A ausência de preposição exclui o complemento nominal. Mas sua presença não exclui o adjunto adnominal.
  3. Analise o tipo de substantivo. Se ele for abstrato, investigue com atenção a relação de sentido; se for concreto, é mais provável haver adjunto adnominal.
  4. Identifique o papel semântico. Quem pratica, possui, origina ou caracteriza tende a ser adjunto adnominal. Quem sofre, recebe ou é o alvo da ação, do sentimento ou da qualidade tende a ser complemento nominal.
  5. Faça a transformação verbal. Quando possível, transforme o nome abstrato em verbo para descobrir se o termo se torna sujeito ou objeto.

Considere a frase “A leitura dos candidatos dos documentos foi cuidadosa”. “Dos candidatos” pode ser entendido como quem leu os documentos; nesse caso, é adjunto adnominal. “Dos documentos” mostra aquilo que foi lido e é complemento nominal. A transformação confirma a análise: “os candidatos leram os documentos”.

Também é necessário considerar o contexto. Em uma situação real de comunicação, ele informa se “a fotografia da artista” foi tirada pela artista, pertence a ela ou a representa. Em construções ambíguas, uma classificação categórica sem contexto pode ser inadequada. Em provas, geralmente os demais elementos da frase orientam a interpretação esperada.

Síntese e revisão

Para separar adjunto adnominal e complemento nominal, não se limite a perguntar “tem preposição?”. Examine o sentido da relação. O adjunto adnominal determina o substantivo e frequentemente traz uma noção ativa, de posse, origem, matéria ou especificação. O complemento nominal completa um nome de sentido incompleto e, quando ligado a um substantivo abstrato, costuma indicar o alvo ou paciente da ideia.

  • Adjunto adnominal: acompanha apenas substantivo; pode ter ou não preposição; pode indicar agente, possuidor, matéria ou tipo.
  • Complemento nominal: completa substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio; vem sempre preposicionado; costuma indicar alvo, paciente ou destinatário.
  • Teste decisivo: transforme o substantivo abstrato em verbo e observe se o termo equivale, em geral, ao sujeito ou ao objeto da oração.
  • Atenção: expressões isoladas podem ser ambíguas. O contexto é parte essencial da análise sintática.

Com essa leitura combinada de forma, classe gramatical e sentido, a diferença deixa de depender de memorização e passa a ser compreendida como uma relação entre os termos da oração.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Todo termo preposicionado ligado a um substantivo é complemento nominal?

Não. O adjunto adnominal também pode ser introduzido por preposição, como em “mesa de madeira” e “livro do aluno”. É necessário analisar a relação de sentido entre o termo e o substantivo.

O complemento nominal pode acompanhar um substantivo concreto?

Na abordagem escolar, ele se liga principalmente a substantivos abstratos, pois estes costumam exigir uma complementação de sentido. Além disso, pode complementar adjetivos e advérbios. Substantivos concretos acompanhados de locuções preposicionadas geralmente apresentam adjuntos adnominais.

Como a transformação em oração ajuda na classificação?

Ela permite perceber a função semântica do termo ligado a um substantivo abstrato. Se o termo corresponder a quem pratica a ação, tende a ser adjunto adnominal; se corresponder ao alvo da ação, tende a ser complemento nominal.

Uma expressão pode ser adjunto adnominal ou complemento nominal conforme o contexto?

Sim. Em “amor de mãe”, a expressão pode indicar o sentimento que a mãe sente ou o sentimento dirigido a ela. O contexto define se “mãe” é agente, caso de adjunto adnominal, ou alvo, caso de complemento nominal.

Resumo em imagem

Resumo visual: Adjunto adnominal x complemento nominal: diferenças e exemplos

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra (2017)
  2. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo (2018)
  3. Moderna Gramática Portuguesa — Evanildo Bechara (2019)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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