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Educação Infantil

Obras de Candido Portinari para educação infantil

As pinturas de Candido Portinari podem aproximar as crianças da arte brasileira por meio de cenas de brincadeiras, pessoas, trabalho e paisagens. O mais importante é observar, conversar e criar sem buscar cópias perfeitas da obra.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Educação infantil

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As obras de Candido Portinari para educação infantil são recursos valiosos para conversar com as crianças sobre cores, formas, pessoas, brincadeiras e modos de viver no Brasil. Ao observar pinturas do artista, a turma pode expressar o que percebe, imaginar histórias e fazer criações próprias com desenho, pintura, colagem, corpo e movimento.

O contato com obras de arte na infância não tem como objetivo formar pequenos especialistas nem pedir que reproduzam uma imagem fielmente. A proposta é ampliar o repertório cultural, favorecer a sensibilidade e criar ocasiões para que cada criança olhe, fale, escute e invente. Portinari é especialmente interessante porque retratou cenas do cotidiano brasileiro, incluindo jogos e brincadeiras que podem ser reconhecidos ou comparados com as experiências atuais.

Por que trabalhar Portinari na educação infantil?

A arte é uma linguagem pela qual as crianças comunicam ideias, sentimentos e descobertas. Quando a educadora apresenta uma pintura, ela convida o grupo a reparar em detalhes: quem aparece na cena, quais são as cores, o que as figuras parecem estar fazendo, como é o lugar e que sons ou movimentos poderiam existir ali.

As pinturas de Portinari permitem experiências desse tipo porque abordam pessoas, festas, jogos, famílias, trabalhadores e paisagens. Muitas obras mostram crianças em grupo, correndo, soltando pipa ou jogando bola. Esses temas ajudam a estabelecer relações com o brincar, que é central na educação infantil, sem transformar a apreciação artística em uma aula de respostas prontas.

O trabalho também contribui para apresentar um artista brasileiro e para valorizar referências culturais do país. Ao conhecer imagens produzidas em outro tempo, as crianças podem perceber que costumes, roupas, espaços e brinquedos mudam, mas que brincar, conviver e imaginar fazem parte de muitas infâncias.

Ideia central: em vez de perguntar apenas “que desenho é esse?”, proponha questões abertas, como “o que você acha que aconteceu antes desta cena?” e “como você faria esse céu ou esse chão?”. Não existe uma única resposta correta para a interpretação de uma obra.

Quem foi Candido Portinari?

Candido Portinari foi um pintor brasileiro, nascido em 1903, em Brodowski, no interior de São Paulo, e falecido em 1962. Filho de imigrantes italianos que trabalhavam em fazendas de café, cresceu em contato com a vida rural. Sua trajetória, suas observações e sua formação artística aparecem em muitos temas de sua produção.

Portinari realizou pinturas, murais, desenhos e outras obras. Ele retratou trabalhadores rurais, retirantes, crianças, festas populares, personagens religiosos e paisagens. Em algumas imagens, os personagens têm pés ou mãos grandes e corpos alongados. Essas escolhas não são erros: fazem parte de sua maneira de representar pessoas, movimentos e experiências sociais.

Para as crianças pequenas, a biografia deve ser breve e relacionada à observação. Pode-se dizer que ele era um artista que gostava de pintar pessoas e cenas do Brasil. Aos poucos, conforme a faixa etária e o interesse do grupo, é possível acrescentar informações sobre a cidade onde viveu, seu trabalho como pintor e os temas que escolhia.

Obras para apresentar às crianças

A seleção precisa considerar tanto a qualidade da imagem quanto a sensibilidade do tema. O acervo de Portinari inclui obras que abordam pobreza, migração e sofrimento; elas são importantes para o estudo da história e da arte, mas exigem mediação cuidadosa. Na educação infantil, cenas de brincar, convivência e paisagens costumam ser pontos de partida mais adequados.

Obra ou temaO que observarPossibilidades de conversa
FutebolCorpos em movimento, bola, campo e grupo.Jogos conhecidos, regras inventadas e movimentos do corpo.
Meninos BrincandoGestos, interação entre crianças e espaço da cena.Brincadeiras de ontem e de hoje, amizade e imaginação.
Meninos Soltando PipasCéu, linhas, cores e sensação de movimento.Vento, pipas, trajetos e desenhos no ar.
O Lavrador de CaféFigura humana, terra, plantas e proporções do corpo.Trabalho no campo, alimentos e diferentes paisagens.
Cenas de festas e grupos popularesCores, roupas, música sugerida e encontro de pessoas.Festas da comunidade, ritmos e celebrações.

Os títulos ajudam a localizar a obra, mas não devem limitar a conversa. Diante de uma pintura de brincadeira, uma criança pode reparar primeiro no céu, outra pode notar uma roupa e outra pode inventar o nome de um personagem. Todas essas observações podem ser acolhidas e retomadas pelo grupo.

Ao utilizar reproduções, é importante informar que a turma está vendo uma imagem da pintura, e não a obra original. Também vale mostrar mais de uma produção do artista, evitando a ideia de que uma pessoa cria sempre do mesmo jeito.

Como escolher e apresentar imagens

Uma boa mediação começa com imagens nítidas, em tamanho que permita ao grupo visualizar detalhes. A reprodução pode ser impressa ou mostrada em uma tela, desde que todos tenham tempo para olhar. Não é necessário revelar imediatamente o nome do artista ou o título: primeiro, as crianças podem explorar o que veem.

Perguntas que favorecem a observação

  • O que você vê nesta imagem?
  • Quais cores aparecem mais?
  • Quem são as pessoas ou personagens? O que elas parecem fazer?
  • Que parte da pintura chamou mais sua atenção?
  • Se esta cena tivesse som, qual seria?
  • O que você imagina que acontece depois?

É preferível dizer “o que faz você pensar isso?” a corrigir uma interpretação rapidamente. A educadora pode ampliar a fala das crianças: “Você percebeu que parece haver vento; vamos procurar pistas na pintura?”. Desse modo, a conversa se apoia na imagem e, ao mesmo tempo, mantém espaço para a imaginação.

Uma roda de apreciação pode durar poucos minutos com os menores e ser retomada em outros dias. Repetir o encontro com a mesma obra permite perceber aspectos que passaram despercebidos antes. Depois da conversa, o título e uma informação simples sobre Portinari podem completar a experiência.

Propostas de atividades a partir das obras

Após observar as imagens, a turma pode criar sem obrigação de copiar a pintura. O planejamento deve oferecer materiais variados e tempo suficiente para experimentar. A produção das crianças tem valor por suas escolhas de traço, cor, composição e narrativa.

Pintura de brincadeiras

Depois de apreciar uma obra com crianças jogando ou correndo, convide cada participante a desenhar uma brincadeira de que goste. Papéis grandes favorecem gestos amplos; tintas, giz de cera e lápis de cor produzem efeitos diferentes. Durante o processo, pergunte sobre os personagens e registre, se possível, as falas que a criança quiser compartilhar.

Mapa de cores e detalhes

Em pequenos grupos, as crianças podem procurar cores predominantes em uma reprodução e separar papéis, tecidos ou objetos de tons semelhantes. Em seguida, criam uma colagem inspirada nas cores observadas, sem precisar representar a mesma cena. A proposta desenvolve atenção visual e vocabulário para falar de claro, escuro, forte, suave, perto e longe.

Brincadeira em movimento

Uma pintura de futebol ou de pipa pode motivar movimentos corporais. O grupo pode imaginar jogadores correndo, pessoas olhando para o alto ou o vento empurrando uma pipa. A proposta não reproduz a cena como teatro fechado: ela incentiva cada criança a criar gestos e percursos, respeitando o espaço e a segurança.

  1. Apresente a imagem e deixe que o grupo a observe em silêncio por um breve momento.
  2. Converse sobre movimentos, cores e personagens percebidos.
  3. Disponibilize materiais ou organize um espaço para a criação.
  4. Reserve um momento para quem quiser mostrar a produção e contar sobre ela.
  5. Monte uma exposição com os trabalhos e as falas das crianças, identificando autoria.

Cuidados pedagógicos importantes

É necessário evitar atividades baseadas em moldes prontos, desenhos para colorir ou exigência de que todos façam o mesmo produto. Essas práticas reduzem a autoria e podem fazer a criança acreditar que desenhar bem é imitar um modelo. A inspiração em Portinari deve abrir caminhos de criação, e não padronizar resultados.

Também é importante não simplificar demais a obra ao afirmar que um elemento “significa” apenas uma coisa. Uma figura com pés grandes, por exemplo, pode despertar perguntas sobre tamanho, chão, caminhada e trabalho. A informação histórica pode ser oferecida, mas deve dialogar com o que a turma observou.

Obras que mostram dor, fome ou deslocamento exigem planejamento e linguagem adequada. Elas não precisam ser excluídas de toda trajetória escolar, porém seu uso deve considerar a idade, o contexto da turma e os objetivos pedagógicos. Na educação infantil, o professor precisa acolher reações, não expor crianças a conteúdos perturbadores sem mediação e escolher imagens coerentes com a proposta.

Pontos de revisão

Portinari é uma referência importante da arte brasileira e sua produção oferece muitas possibilidades para a educação infantil. Cenas de brincadeiras, grupos, paisagens e pessoas podem estimular observação, conversa, movimento e criação com diferentes materiais.

  • Apresente obras em reproduções de boa qualidade e dê tempo para olhar.
  • Faça perguntas abertas e valorize as interpretações das crianças.
  • Proponha produções autorais, sem cópia obrigatória.
  • Relacione arte, brincadeira, corpo, cores e narrativas.
  • Escolha imagens e informações adequadas à faixa etária, com mediação atenta.

Mais do que memorizar nomes de pinturas, as crianças podem aprender que imagens também contam histórias, despertam perguntas e podem inspirar novas maneiras de criar e compreender o mundo.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Quais obras de Portinari são mais indicadas para a educação infantil?

Cenas de brincadeiras, jogos, festas e paisagens costumam ser boas escolhas, pois permitem observação e conversa próximas do universo infantil. Obras como <em>Futebol</em>, <em>Meninos Brincando</em> e imagens de pipas podem ser usadas com mediação adequada.

É preciso ensinar a biografia completa de Candido Portinari para crianças pequenas?

Não. Uma apresentação breve, dizendo que Portinari foi um artista brasileiro que pintou pessoas e cenas do país, costuma ser suficiente como ponto de partida. Informações adicionais podem aparecer conforme as perguntas e o interesse da turma.

As crianças devem copiar as pinturas de Portinari?

Não é recomendável exigir cópias. A obra pode inspirar criações autorais com cores, personagens, movimentos ou temas semelhantes, mas cada criança deve ter liberdade para fazer suas próprias escolhas.

Como abordar obras de Portinari que retratam sofrimento?

Essas obras pedem planejamento e mediação sensível, pois trazem temas sociais complexos. Na educação infantil, o professor deve avaliar a pertinência para a idade e priorizar imagens que não provoquem exposição inadequada ao sofrimento.

Resumo em imagem

Resumo visual: Obras de Candido Portinari para educação infantil

Referências

  1. Projeto Portinari — Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) (1979)
  2. Candido Portinari — Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2024)
  3. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)
  4. Portinari: o menino de Brodowski — Annateresa Fabris, Editora Moderna (1995)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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