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Língua Portuguesa

Tudo sobre prefixo e sufixo: conceitos, exemplos e exercícios

Prefixos e sufixos são afixos que se unem a uma palavra para alterar seu sentido ou sua classe gramatical. Veja como reconhecê-los e empregá-los na análise morfológica.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Entender tudo sobre prefixo e sufixo é aprender como muitas palavras da língua portuguesa são construídas e têm seu significado modificado. Prefixo e sufixo são afixos, isto é, elementos que se juntam a um radical ou a uma palavra já existente. O prefixo aparece antes da base; o sufixo, depois dela. Ao reconhecer essa posição e observar o sentido produzido, fica mais simples interpretar vocabulário, ampliar repertório e resolver questões de morfologia.

A formação de palavras não é um detalhe isolado da gramática. Ela ajuda a perceber relações de sentido entre termos como feliz, infeliz e felicidade. Embora tenham significados diferentes e possam exercer funções gramaticais distintas, essas palavras compartilham uma mesma base. Por isso, analisar seus elementos permite compreender tanto a estrutura quanto o uso das palavras em textos.

O que são afixos e como atuam nas palavras

Os afixos são morfemas, ou seja, unidades mínimas que carregam significado ou função gramatical. Eles não costumam aparecer sozinhos: unem-se a uma base para formar uma palavra nova. A base pode ser um radical, como feliz, ou uma palavra completa, como fazer. Entre os afixos, os mais estudados são o prefixo e o sufixo.

Observe a palavra refazer. Nela, re- é o prefixo e indica repetição: fazer novamente. Já em felicidade, o elemento -dade é um sufixo que transforma o adjetivo feliz em substantivo abstrato. Assim, os afixos podem modificar o significado, a classe gramatical ou os dois aspectos ao mesmo tempo.

Base ou radical é a parte que concentra a ideia principal da palavra. Em desleal, por exemplo, a base é leal; o prefixo des- acrescenta uma ideia de negação ou oposição.

Nem toda parte inicial ou final de uma palavra é necessariamente um afixo. Em mesa, por exemplo, não há um sufixo -sa. A divisão só faz sentido quando o elemento pode ser reconhecido como formador de palavras e quando há relação de significado com uma base. Esse cuidado evita análises feitas apenas pela aparência.

Prefixo: definição e sentidos mais frequentes

O prefixo é o afixo colocado antes da base. Ele geralmente altera o sentido da palavra sem mudar sua classe gramatical. Em possível e impossível, por exemplo, ambas as palavras são adjetivos, mas o prefixo im- introduz a ideia de negação. Esse processo recebe o nome de derivação prefixal.

Os prefixos podem expressar sentidos variados, e o contexto é essencial para interpretá-los. O prefixo re-, em reler, sugere repetição; anti-, em antivírus, indica oposição ou proteção contra algo; pré-, em pré-história, aponta anterioridade; e super-, em superlotado, transmite intensidade ou excesso.

  • des-: negação, separação ou ação contrária, como em desfazer e desleal;
  • in-, im- e i-: negação, como em incapaz, imoral e ilegal;
  • re-: repetição ou intensificação, como em recomeçar e reforçar;
  • sub-: posição inferior, como em subsolo;
  • inter-: posição entre elementos ou relação recíproca, como em intermunicipal e interagir.

O mesmo prefixo pode apresentar mais de uma nuance. Em rever, re- pode significar “ver novamente”; em reformar, pode sugerir uma transformação feita de novo ou uma renovação. Portanto, não basta decorar uma lista: é necessário observar a palavra inteira e a situação em que ela é empregada.

Sufixo: definição e funções

O sufixo é o afixo colocado depois da base. Diferentemente do prefixo, ele com frequência modifica a classe gramatical da palavra. Em claro, há um adjetivo; em claridade, o sufixo -idade forma um substantivo. Em modernizar, o sufixo -izar cria um verbo a partir do adjetivo moderno.

Esse mecanismo é chamado de derivação sufixal. É muito produtivo na língua portuguesa, isto é, permite a criação de inúmeras palavras. Os sufixos podem indicar ação, profissão, lugar, coletividade, diminutivo, aumentativo, qualidade e muitos outros valores. Algumas dessas formações já estão consolidadas no vocabulário; outras surgem em contextos cotidianos, científicos ou tecnológicos.

Classes de palavras formadas por sufixação

Certos sufixos são especialmente importantes porque costumam formar determinadas classes gramaticais. O sufixo -mente forma advérbios a partir de adjetivos, como em cuidadosamente. Os sufixos -ção e -mento frequentemente formam substantivos ligados a ações ou resultados, como organização e crescimento.

Também são comuns os sufixos que formam adjetivos, como -oso em chuvoso e -ável em aceitável, além dos que formam nomes de agentes, como -ista em jornalista e -eiro em padeiro. O significado não é totalmente fixo em todos os casos, mas há tendências que facilitam a análise.

Diferenças entre prefixo e sufixo

A diferença central é a posição: o prefixo vem antes da base, enquanto o sufixo vem depois. Porém, a análise não deve terminar aí. Em geral, a prefixação preserva a classe gramatical, e a sufixação tem mais possibilidade de alterá-la. Trata-se de uma tendência, não de uma regra absoluta para todas as palavras.

AspectoPrefixoSufixo
PosiçãoAntes da baseDepois da base
Exemploin + feliz = infelizfeliz + dade = felicidade
Efeito mais comumAltera o sentidoAltera o sentido e pode mudar a classe
ProcessoDerivação prefixalDerivação sufixal

Há palavras que recebem os dois tipos de afixo. Em infelizmente, o prefixo in- une-se a feliz, formando infeliz; depois, o sufixo -mente forma um advérbio. Quando prefixo e sufixo são acrescentados à base, há derivação prefixal e sufixal. Isso não deve ser confundido automaticamente com parassíntese.

Derivação e outros processos de formação de palavras

Na derivação prefixal e sufixal, a palavra pode existir com apenas um dos acréscimos. Em infelizmente, existem infeliz e felizmente, ainda que tenham sentidos diferentes. Já na derivação parassintética, prefixo e sufixo são adicionados simultaneamente, e a palavra normalmente não existe sem um deles.

Um exemplo tradicional é entristecer. A base é triste, mas não se usam, com o mesmo sentido, as formas entriste ou tristecer. Por isso, considera-se que os elementos en- e -ecer foram acrescentados ao mesmo tempo. Outros exemplos frequentes são anoitecer, envelhecer e ensurdecer.

Derivação não é composição

Na derivação, uma palavra é formada por acréscimo de afixos a uma base. Na composição, unem-se dois ou mais radicais ou palavras. Passatempo, formado por passa e tempo, é um caso de composição; não possui prefixo nem sufixo. Distinguir esses processos é importante porque provas podem apresentar palavras longas que parecem derivadas, mas são compostas.

Para reconhecer a parassíntese, verifique se a palavra continua existindo quando se retira apenas o prefixo ou apenas o sufixo. Se as duas formas intermediárias não existirem, há um forte indício desse processo.

Como identificar prefixos e sufixos em questões

Em exercícios, comece localizando uma palavra conhecida dentro do vocábulo analisado. Em desnecessário, reconhece-se a base necessário; o elemento des- está antes dela e introduz negação. Em leitura, a base está relacionada ao verbo ler, e o sufixo -tura contribui para a formação de um substantivo.

  1. Separe a base que contém a ideia central da palavra.
  2. Observe se há elemento antes ou depois dessa base.
  3. Compare a palavra derivada com a palavra de origem.
  4. Identifique a mudança de sentido e, se houver, a mudança de classe gramatical.
  5. Confira o contexto, pois ele pode definir a interpretação mais adequada.

Evite dois erros comuns. O primeiro é cortar palavras apenas por semelhança sonora: nem toda terminação é sufixo. O segundo é acreditar que cada afixo possui um único sentido obrigatório. Em desarmar, por exemplo, des- pode indicar retirar armas; em outras palavras, o mesmo prefixo pode expressar desfazimento ou oposição.

Também é útil relacionar famílias de palavras. Ao comparar legal, ilegal, legalidade e ilegalmente, torna-se visível como os afixos reorganizam significados e funções. Essa observação é mais eficiente do que decorar exemplos isolados, pois revela o funcionamento do sistema da língua.

Síntese para revisar

Prefixo e sufixo são afixos empregados na formação de palavras. O prefixo vem antes da base e costuma modificar principalmente o sentido; o sufixo vem depois e pode modificar tanto o sentido quanto a classe gramatical. A palavra infeliz exemplifica prefixação, enquanto felicidade exemplifica sufixação.

Para uma revisão rápida, lembre-se de que reler contém o prefixo re-, modernizar contém o sufixo -izar e infelizmente reúne os dois. Analise sempre a base, a posição do elemento acrescentado e o efeito produzido. Desse modo, a identificação deixa de ser uma tarefa de memorização e passa a ser uma leitura consciente da estrutura das palavras.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que é prefixo?

Prefixo é um afixo colocado antes de uma base para formar outra palavra. Em geral, ele altera o sentido da base, como ocorre em infeliz, formada por in- mais feliz.

O que é sufixo?

Sufixo é um afixo colocado depois de uma base. Ele pode alterar o sentido e também a classe gramatical, como em feliz, adjetivo, e felicidade, substantivo.

Qual é a diferença entre derivação prefixal e sufixal?

Na derivação prefixal, acrescenta-se um prefixo antes da base, como em refazer. Na derivação sufixal, acrescenta-se um sufixo após a base, como em lentamente.

Como diferenciar derivação prefixal e sufixal de parassíntese?

Na derivação prefixal e sufixal, normalmente é possível identificar uma palavra formada apenas com o prefixo ou apenas com o sufixo. Na parassíntese, os dois afixos costumam ser acrescentados simultaneamente, como em entristecer.

Resumo em imagem

Resumo visual: Tudo sobre prefixo e sufixo: conceitos, exemplos e exercícios

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra (2017)
  2. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo (2018)
  3. Moderna Gramática Portuguesa — Evanildo Bechara (2019)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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