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Língua Portuguesa

Tudo sobre numeral: classificação, flexão e exemplos

Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, multiplicação ou fração. Conheça seus tipos, suas flexões e os usos mais cobrados em exercícios de gramática.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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O numeral é a palavra que expressa uma quantidade, uma posição em uma sequência, uma multiplicação ou uma parte de um todo. Em “três livros”, por exemplo, “três” informa quantos livros há; em “terceiro livro”, indica a posição dele em uma ordem. Essa classe de palavras é importante para a leitura precisa de enunciados, notícias, problemas matemáticos e textos do cotidiano.

Na gramática, os numerais podem acompanhar um substantivo ou aparecer de modo independente. Eles respondem, conforme o caso, a perguntas como “quanto?”, “em que posição?”, “quantas vezes?” e “que parte?”. Saber classificá-los ajuda a escolher a forma adequada em situações de concordância e de escrita.

O que é numeral?

Numeral é uma classe gramatical variável em muitas de suas formas e está ligada à ideia de número. Quando acompanha um substantivo, geralmente funciona como determinante: “cinco estudantes”, “duas semanas”, “o décimo capítulo”. Quando substitui o substantivo já conhecido pelo contexto, pode ser empregado sozinho: “Dos candidatos, apenas dois foram aprovados”.

Nem toda palavra que sugere quantidade é necessariamente numeral. Termos como “muito”, “pouco”, “vários”, “algum” e “nenhum” são pronomes indefinidos, porque apresentam quantidade imprecisa. Já “quatro”, “cem” e “mil” exprimem valores definidos e, por isso, são numerais.

Ideia central: o numeral expressa um número exato ou uma relação numérica definida. Sua classificação depende do sentido que assume na frase.

É comum associar numeral apenas à contagem, mas essa é somente uma de suas funções. A palavra “dobro”, por exemplo, não mostra quantos elementos existem, e sim quantas vezes uma quantidade foi multiplicada. Da mesma forma, “meio” pode indicar uma divisão em duas partes iguais.

Classificação dos numerais

Tradicionalmente, a gramática divide os numerais em quatro grupos principais: cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários. Cada grupo expressa uma relação diferente com o número.

TipoIdeia expressaExemplos
CardinalQuantidade exataum, sete, vinte, mil
OrdinalOrdem ou posiçãoprimeiro, décima, centésimo
MultiplicativoMultiplicação de uma quantidadeduplo, triplo, quádruplo
FracionárioParte de um todomeio, terço, quarto, décimo

Cardinais

Os cardinais indicam uma quantidade determinada: “dois irmãos”, “quinze questões”, “cem páginas”. Em geral, são a forma mais frequente de numeral. Os termos “zero”, “um”, “dois”, “três” e assim sucessivamente pertencem a esse grupo. Também podem aparecer em números compostos, como “duzentos e quarenta alunos”.

Em alguns contextos, um cardinal pode indicar posição. É o que ocorre em “capítulo um” ou “página vinte”. Nesses casos, a forma cardinal é aceita para designar a ordem, sobretudo em capítulos, andares, linhas de ônibus, datas e identificação de eventos.

Ordinais, multiplicativos e fracionários

Os ordinais mostram a posição de um elemento em uma série: “a primeira colocada”, “o vigésimo ano”, “a centésima edição”. Já os multiplicativos indicam aumento proporcional: “o dobro do valor”, “uma dose tripla”, “o quádruplo da produção”. Os fracionários, por sua vez, nomeiam partes iguais de uma unidade: “meia hora”, “um terço da turma”, “dois quintos do percurso”.

Algumas gramáticas mencionam ainda os numerais coletivos, como “dezena”, “dúzia”, “centena”, “milhar” e “par”. Eles designam conjuntos com número determinado de elementos. Porém, essas palavras são frequentemente classificadas como substantivos, pois admitem artigo e outras características dessa classe: “uma dúzia de ovos”, “as centenas chegaram cedo”.

Flexão dos numerais

A flexão é a mudança de forma de uma palavra para indicar gênero ou número. Nem todos os numerais se flexionam da mesma maneira. Entre os cardinais, “um” e “dois” variam em gênero: “um aluno”, “uma aluna”, “dois alunos”, “duas alunas”. As centenas, a partir de duzentos, também concordam com o substantivo: “duzentos livros”, “duzentas páginas”, “quinhentos reais”, “quinhentas pessoas”.

Os cardinais “mil”, “milhão”, “bilhão” e formas semelhantes exigem atenção. “Mil” não varia: “dois mil habitantes”, “duas mil habitantes”. Já “milhão” é substantivo numeral e pode ir ao plural: “um milhão de pessoas”, “três milhões de pessoas”. Observe o uso da preposição “de” após “milhão”, “bilhão”, “trilhão” e seus plurais quando acompanham outro substantivo.

Os ordinais geralmente variam em gênero e número: “primeiro colocado”, “primeira colocada”, “primeiros colocados”, “primeiras colocadas”. Multiplicativos também podem variar quando funcionam como adjetivos: “porção dupla”, “ingressos duplos”. Os fracionários concordam com o cardinal que os antecede: “um terço”, “dois terços”; “uma décima parte”, “duas décimas partes”.

Compare: “Ela esperou meia hora” e “Ela estava meio cansada”. No primeiro caso, “meia” é numeral fracionário e concorda com “hora”. No segundo, “meio” é advérbio de intensidade, portanto permanece invariável.

Uso dos numerais em frases

O contexto define o emprego correto do numeral. Em “Comprei três cadernos”, o cardinal acompanha o substantivo e informa quantidade. Em “Comprei o terceiro caderno da lista”, o ordinal localiza o item em uma sequência. Já em “O novo prédio tem o dobro da altura do antigo”, o multiplicativo estabelece uma comparação proporcional.

Veja outros usos frequentes:

  • “A equipe ficou em segundo lugar.” — numeral ordinal.
  • “Restou apenas um quarto da água.” — numeral fracionário.
  • “A biblioteca recebeu quatrocentos livros.” — numeral cardinal.
  • “O laboratório produziu uma quantidade tripla de amostras.” — numeral multiplicativo.
  • “Assisti ao episódio vinte da série.” — cardinal com valor de ordem.

Em textos formais, os ordinais são mais usuais para indicar posições baixas, como “primeiro”, “segundo” e “terceiro”. Para posições elevadas, é comum empregar cardinais: “artigo 50”, “capítulo 32”, “página 148”. Não há uma regra única para todos os casos; é necessário considerar a convenção do gênero textual.

Outro ponto importante está em expressões como “ambos os estudantes” e “ambas as propostas”. “Ambos” tem valor numérico de “os dois” ou “as duas” e exige a presença de artigo ou de outro determinante: “ambos os lados”, “ambas as equipes”.

Numerais e outras classes de palavras

Distinguir numerais de palavras parecidas evita erros de classificação. Pronomes indefinidos apontam quantidade de modo vago: “muitos alunos”, “poucas dúvidas”, “diversas alternativas”. Como não especificam um número, não são numerais. Já “muitos dos vinte alunos” reúne um pronome indefinido, “muitos”, e um numeral cardinal, “vinte”.

Os artigos indefinidos “um” e “uma” podem ser confundidos com numerais. Em “Preciso de um caderno”, “um” pode equivaler a “qualquer caderno” e funcionar como artigo indefinido. Em “Preciso de um caderno, não de dois”, a oposição com “dois” evidencia seu valor de numeral. O sentido é o principal critério para a análise.

Certos multiplicativos e fracionários também podem assumir outras classificações conforme o contexto. Em “O dobro de candidatos compareceu”, “dobro” tem valor numérico. Em “Ele fez um trabalho dobrado”, a palavra pode ser entendida como adjetivo, com o sentido de intensificado ou duplicado. A classe gramatical não deve ser definida apenas pela forma isolada da palavra.

Grafia, datas e algarismos romanos

Em textos corridos, costuma-se escrever por extenso os números de uma palavra, especialmente quando não envolvem medidas, cálculos ou dados estatísticos: “sete dias”, “vinte participantes”. Em documentos, pesquisas, tabelas e informações quantitativas, os algarismos facilitam a leitura: “7 dias”, “20 participantes”, “35% da turma”. A escolha depende da finalidade e da padronização do texto.

Nas datas, o primeiro dia do mês pode ser registrado como “1.º de maio” ou “1º de maio”, indicando “primeiro”. Os demais dias são normalmente cardinais: “2 de maio”, “15 de novembro”. Em séculos, nomes de papas, reis, capítulos e eventos, aparecem algarismos romanos: “século XXI”, “João Paulo II”, “Capítulo IV”.

Ao ler um algarismo romano, a pronúncia pode variar conforme a convenção. Em nomes de monarcas e papas, é tradicional usar ordinais até dez: “Luís XIV” pode ser lido como “Luís quatorze”, e formas como “Luís décimo quarto” também ocorrem em contextos didáticos. Em séculos, a leitura cardinal é a mais comum: “século vinte e um”.

Revisão sobre numeral

Para reconhecer um numeral, verifique se a palavra expressa uma relação numérica exata. Se ela informa quantidade, trata-se de cardinal; se indica posição, é ordinal; se aponta multiplicação, é multiplicativo; e, se mostra parte de um todo, é fracionário. Depois, observe se a forma precisa concordar em gênero ou número com outra palavra da oração.

  1. “Duas atletas chegaram primeiro.” Identifique “duas” como cardinal e “primeiro” como ordinal.
  2. “A receita pede meio litro de leite.” Reconheça “meio” como fracionário.
  3. “A empresa registrou o triplo de inscrições.” Classifique “triplo” como multiplicativo.
  4. “Muitos estudantes faltaram.” Note que “muitos” é pronome indefinido, não numeral.

Em exercícios, leia a frase inteira antes de responder. Palavras como “um”, “meio”, “dobro” e “centena” podem desempenhar funções diferentes conforme o contexto. A análise do sentido, da concordância e da relação com o substantivo permite classificar o termo com mais segurança.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que é numeral na gramática?

Numeral é a palavra que indica uma relação numérica definida, como quantidade, ordem, multiplicação ou fração. Em “cinco livros”, por exemplo, “cinco” é um numeral cardinal porque informa uma quantidade exata.

Quais são os quatro tipos principais de numeral?

Os principais tipos são cardinal, ordinal, multiplicativo e fracionário. Eles indicam, respectivamente, quantidade, posição, multiplicação e parte de um todo.

A palavra “meio” é sempre numeral?

Não. Em “meia hora”, “meia” é numeral fracionário e concorda com o substantivo “hora”. Em “meio cansado”, “meio” é advérbio de intensidade e não varia.

Qual é a diferença entre numeral e pronome indefinido?

O numeral expressa uma quantidade exata, como “dez alunos”. O pronome indefinido indica quantidade vaga, como “muitos alunos”, “alguns alunos” ou “poucos alunos”.

Resumo em imagem

Resumo visual: Tudo sobre numeral: classificação, flexão e exemplos

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon (2017)
  2. Moderna Gramática Portuguesa — Evanildo Bechara, Nova Fronteira (2019)
  3. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)
  4. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa — Academia Brasileira de Letras (2021)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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