Ir para o conteúdo
Matéria Educativa Portal de conteúdo educativo
Geografia e Atualidades

Tipos de relevo no Brasil: planaltos, planícies e depressões

O relevo brasileiro é formado principalmente por planaltos, planícies e depressões. Conheça as características dessas formas e as principais classificações usadas na Geografia.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn Telegram E-mail

Ferramentas: Exportar Word

Os tipos de relevo no Brasil são, principalmente, os planaltos, as planícies e as depressões. Essas formas correspondem às irregularidades da superfície terrestre e resultam da ação conjunta de processos internos do planeta, como movimentos tectônicos, e de processos externos, como chuva, rios, vento, variações de temperatura e gravidade. No território brasileiro, que é geologicamente antigo e relativamente estável, a erosão e a deposição de sedimentos têm papel essencial na configuração das paisagens.

Estudar o relevo ajuda a compreender a distribuição dos rios, dos solos, das cidades, das atividades econômicas e até alguns riscos ambientais. Uma área elevada, por exemplo, não é necessariamente uma montanha; do mesmo modo, uma área baixa não é obrigatoriamente uma planície. Para identificar cada forma de relevo, a Geografia considera sobretudo a relação entre altitude, inclinação do terreno e os processos que predominam na paisagem.

O que é relevo?

Relevo é o conjunto das formas existentes na superfície terrestre. Montanhas, serras, chapadas, vales, planaltos e planícies são exemplos dessas formas. Ele não é imóvel: embora algumas transformações sejam muito lentas na escala da vida humana, a superfície da Terra está em mudança contínua.

Dois grupos de agentes atuam sobre o relevo. Os agentes internos, também chamados de endógenos, vêm do interior do planeta. Entre eles estão o tectonismo, o vulcanismo e os terremotos. Já os agentes externos, ou exógenos, agem na superfície e incluem o intemperismo, a erosão, o transporte e a sedimentação.

No Brasil, não existem grandes cadeias de montanhas jovens, como os Andes, porque o país se localiza no interior da Placa Sul-Americana, longe das zonas tectônicas mais ativas. Isso não significa que o relevo seja plano. Há extensas áreas elevadas, serras e chapadas, formadas e remodeladas durante milhões de anos.

Atenção: altitude não é o único critério para classificar o relevo. Uma área pode estar em altitude elevada e ser uma planície se nela predomina a deposição de sedimentos. O principal critério das classificações mais recentes é o processo de erosão ou sedimentação.

Como o relevo brasileiro se forma e se transforma

A base geológica do Brasil é muito antiga. Grande parte do território é formada por escudos cristalinos e por bacias sedimentares. Os escudos são estruturas antigas, compostas principalmente por rochas cristalinas, e concentram importantes jazidas minerais. As bacias sedimentares resultam do acúmulo de sedimentos ao longo do tempo e ocupam extensas áreas do país.

Sobre essa base geológica atuam agentes externos. A água da chuva infiltra-se nas rochas, dissolve ou fragmenta minerais e ajuda a formar solos. Os rios retiram materiais de determinadas áreas, transportam-nos e os depositam em outras. O vento também move partículas, especialmente em regiões mais secas ou com pouca cobertura vegetal. Esse conjunto de ações explica por que o relevo apresenta diferentes formas.

Os processos mais importantes para entender o tema são:

  • Intemperismo: desagregação e alteração das rochas pela água, pelo calor, por organismos e por reações químicas.
  • Erosão: retirada e desgaste de materiais da superfície por água, vento, gelo ou gravidade.
  • Transporte: deslocamento dos fragmentos de rocha e sedimentos.
  • Sedimentação: deposição dos materiais transportados, comum em áreas mais baixas e pouco inclinadas.

O desmatamento, a ocupação irregular de encostas, a mineração e práticas agrícolas sem conservação do solo podem acelerar a erosão. Por isso, a análise do relevo também é importante para o planejamento territorial e ambiental.

Planaltos: predomínio da erosão

Os planaltos são áreas em que a erosão predomina sobre a sedimentação. Em geral, apresentam superfícies mais altas que as áreas vizinhas, mas podem ter formas variadas: serras, chapadas, morros e terrenos ondulados. Portanto, um planalto não é sinônimo de superfície totalmente plana.

As chapadas são exemplos marcantes. Elas costumam apresentar topo relativamente plano e bordas mais íngremes, formando escarpas. A Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, e a Chapada Diamantina, na Bahia, são referências conhecidas. As serras, por sua vez, apresentam maiores desníveis e formas mais acidentadas, como ocorre em partes das serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço.

Os planaltos ocupam grande parcela do território brasileiro e são importantes para a rede hidrográfica. Muitas nascentes e divisores de água localizam-se nessas áreas, favorecendo o aproveitamento hidrelétrico em rios que descem por trechos inclinados. O Planalto Central, por exemplo, abriga nascentes relacionadas a grandes bacias hidrográficas do país.

Na classificação de Jurandyr Ross, aparecem denominações como Planaltos e Serras de Goiás-Minas, Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste e Planaltos da Bacia do Paraná. Esses nomes mostram que os planaltos brasileiros diferem quanto à estrutura geológica, à altitude e às formas produzidas pela erosão.

Planícies: áreas de sedimentação

As planícies são superfícies em que a sedimentação é mais intensa que a erosão. Geralmente são áreas baixas, pouco inclinadas e associadas a rios, lagos, mares ou zonas costeiras. Porém, a característica decisiva é o acúmulo recente de sedimentos, e não apenas a baixa altitude.

Na Planície Amazônica, os rios transportam e depositam grande quantidade de sedimentos, sobretudo nas áreas próximas aos cursos d’água. Nas cheias, parte dessas áreas pode ser inundada, formando ambientes como várzeas e igapós. A extensa região amazônica, entretanto, não é inteiramente plana: há também planaltos e depressões em seu interior.

Outra área relevante é a Planície do Pantanal, localizada principalmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ela apresenta inundações periódicas ligadas ao regime dos rios da bacia do Alto Paraguai. Essas cheias influenciam a vegetação, a fauna, a pecuária e o modo de ocupação humana da região.

Há ainda as planícies litorâneas, formadas pela ação combinada do mar, dos rios e do vento. Praias, restingas, dunas, manguezais e lagoas costeiras são paisagens associadas a esses ambientes. Por serem áreas muito ocupadas, exigem atenção a problemas como erosão costeira, impermeabilização do solo e alagamentos.

Depressões: áreas mais baixas que o entorno

As depressões são áreas rebaixadas em relação às terras que as cercam. Elas não precisam estar abaixo do nível do mar. No Brasil, predominam as depressões relativas, que se situam em altitudes superiores ao nível do mar, mas abaixo dos planaltos vizinhos.

Essas áreas costumam ser resultado de intenso trabalho erosivo ao longo de milhões de anos. A erosão desgasta materiais menos resistentes e cria superfícies mais baixas entre estruturas elevadas. Muitas depressões brasileiras acompanham bordas de bacias sedimentares ou aparecem entre planaltos.

Entre os exemplos estão a Depressão Sertaneja e do São Francisco, no interior do Nordeste, e a Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná, presente em áreas do Sudeste e do Sul. As condições de clima, solo, vegetação e disponibilidade de água variam bastante entre essas regiões; por isso, não se deve tratar todas as depressões como paisagens iguais.

Classificações do relevo brasileiro

As classificações do relevo mudaram à medida que os conhecimentos e as técnicas de mapeamento avançaram. Três propostas são frequentemente estudadas nas escolas: as de Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Sáber e Jurandyr Ross. Elas não devem ser vistas como totalmente opostas, mas como interpretações produzidas em períodos diferentes e com critérios distintos.

AutorCritério principalDivisão geral
Aroldo de AzevedoAltitudePlanaltos e planícies
Aziz Ab’SáberPredomínio de erosão ou sedimentaçãoPlanaltos e planícies
Jurandyr RossEstrutura geológica, formas e processos erosivos e sedimentaresPlanaltos, planícies e depressões

A classificação de Aroldo de Azevedo, elaborada na década de 1940, usava principalmente a altitude. De modo geral, áreas acima de 200 metros eram consideradas planaltos, enquanto áreas abaixo desse valor eram classificadas como planícies. Esse modelo foi importante historicamente, mas não explicava adequadamente áreas baixas submetidas à erosão ou áreas altas onde ocorria sedimentação.

Aziz Ab’Sáber propôs, em 1958, uma classificação baseada na ação predominante dos processos externos. Para ele, planaltos eram áreas onde a erosão superava a sedimentação, e planícies eram áreas de deposição de sedimentos. A altitude deixou de ser o fator central.

A proposta de Jurandyr Ross, divulgada a partir da década de 1980, é a mais usada em materiais escolares atuais. Ela incorporou as depressões como uma grande unidade do relevo e se baseou em levantamentos mais detalhados. Ross identificou 28 unidades: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. Em provas, é comum associar essa classificação ao uso de dados de radar e à consideração integrada de estrutura geológica e modelagem da superfície.

Síntese para revisão

O relevo brasileiro é antigo, diversificado e continuamente transformado por agentes naturais. Embora movimentos internos tenham contribuído para a formação de sua base geológica, o desgaste das rochas e a deposição de sedimentos explicam muitas de suas formas atuais.

  1. Planaltos: predomínio da erosão; podem apresentar serras, chapadas e morros.
  2. Planícies: predomínio da sedimentação; associam-se frequentemente a rios, litoral e áreas inundáveis.
  3. Depressões: áreas mais baixas que o relevo ao redor; no Brasil, são em sua maioria relativas.
  4. Classificação atual mais cobrada: a de Jurandyr Ross, que divide o relevo em planaltos, planícies e depressões.
  5. Ideia essencial: altitude isolada não define uma forma de relevo; é necessário observar os processos que atuam no local.

Ao analisar uma paisagem ou um mapa, procure relacionar o relevo à geologia, ao clima, aos rios e à ocupação humana. Essa integração permite entender por que determinadas áreas favorecem agricultura, hidrelétricas, conservação ambiental ou exigem maior cuidado diante de erosões, enchentes e deslizamentos.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Quais são os três principais tipos de relevo no Brasil?

Os três principais tipos são planaltos, planícies e depressões. Essa divisão é especialmente associada à classificação de Jurandyr Ross, amplamente utilizada no ensino de Geografia.

Por que o Brasil não possui grandes montanhas jovens?

O Brasil está localizado em uma área relativamente estável da Placa Sul-Americana, distante das principais zonas de encontro entre placas tectônicas. Por isso, não apresenta dobramentos modernos extensos como a Cordilheira dos Andes.

Depressão é uma área abaixo do nível do mar?

Nem sempre. No Brasil, a maioria das depressões é relativa, isto é, está acima do nível do mar, mas em posição mais baixa do que os planaltos ao redor.

Qual é a classificação do relevo brasileiro mais usada atualmente?

A classificação de Jurandyr Ross é a mais difundida nos materiais escolares atuais. Ela considera a estrutura geológica, as formas da superfície e o predomínio de processos de erosão e sedimentação.

Resumo em imagem

Resumo visual: Tipos de relevo no Brasil: planaltos, planícies e depressões

Referências

  1. Geografia do Brasil — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016)
  2. Geografia do Brasil — Jurandyr Luciano Sanches Ross, organizador (2005)
  3. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas — Aziz Nacib Ab’Sáber (2003)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

Continue estudando

Mais de Geografia e Atualidades