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Geografia e Atualidades

Tudo sobre projeções cartográficas

As projeções cartográficas transformam a superfície curva da Terra em mapas planos, sempre com algum tipo de distorção. Saiba como elas funcionam e em quais situações cada modelo é mais adequado.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Projeções cartográficas são técnicas usadas para representar a superfície curva da Terra em uma superfície plana, como uma folha, um atlas ou a tela de um celular. Como não é possível “abrir” uma esfera sem alterar suas formas, áreas, distâncias ou direções, todo mapa-múndi apresenta algum grau de distorção. A escolha da projeção depende da finalidade do mapa: navegação, comparação de territórios, previsão do tempo, estudo dos polos ou localização de cidades.

Esse assunto é central na cartografia e aparece com frequência em exercícios escolares, vestibulares e no ENEM. Para interpretá-lo bem, não basta decorar nomes como Mercator e Peters: é preciso observar qual característica foi preservada, qual foi deformada e qual visão do mundo a representação pode transmitir.

O que são projeções cartográficas?

A Terra tem forma aproximadamente esférica, mais precisamente semelhante a um geoide. Já mapas, plantas e telas são planos. A projeção cartográfica é o conjunto de procedimentos matemáticos que relaciona pontos da superfície terrestre a pontos de um plano. Em termos simples, ela define como latitude e longitude serão desenhadas no mapa.

Uma maneira clássica de compreender o processo é imaginar uma fonte de luz projetando os continentes sobre uma superfície que envolve o globo. Essa superfície pode ser um cilindro, um cone ou um plano. Depois, ela é aberta e transformada em mapa. Embora os métodos atuais sejam feitos por cálculos e sistemas digitais, essa imagem ajuda a entender a origem das classificações tradicionais.

As projeções não tornam um mapa “verdadeiro” ou “falso”. Elas produzem representações adequadas ou inadequadas para determinados objetivos. Um mapa de rotas marítimas, por exemplo, precisa favorecer direções; um mapa destinado a comparar a extensão de países precisa reduzir erros de área.

Ideia central: não existe projeção capaz de conservar, ao mesmo tempo e em toda a Terra, áreas, formas, distâncias e direções. Ao analisar um mapa, pergunte primeiro para que ele foi feito.

Por que os mapas têm distorções?

É impossível transformar uma superfície esférica em um plano sem esticar, comprimir ou rasgar partes dela. Um exemplo cotidiano é a casca de uma laranja: se ela for aberta e colocada sobre a mesa, não ficará plana sem se deformar ou se partir. Com o globo terrestre ocorre o mesmo problema geométrico.

As deformações variam conforme a projeção. Em muitos planisférios, as regiões próximas aos polos parecem bem maiores do que são. Por isso, a Groenlândia pode parecer comparável à África em alguns mapas, embora a África tenha área muito superior. Outros modelos preservam melhor a proporção das áreas, mas alteram fortemente os contornos dos continentes.

Além disso, uma projeção pode ter menor distorção em uma parte do planeta e maior em outra. Nas projeções cilíndricas normais, o contato do cilindro imaginário com o globo ocorre na faixa do Equador. Assim, a deformação costuma ser menor nas baixas latitudes e aumenta em direção aos polos.

  • Área: tamanho relativo de países, oceanos e continentes.
  • Forma: desenho local de costas, ilhas e territórios.
  • Distância: medida entre dois pontos.
  • Direção: orientação de trajetos e rumos.

Uma leitura crítica também reconhece que mapas influenciam a percepção do mundo. Quando determinados países aparecem exageradamente grandes, o observador pode associar tamanho visual a maior importância política ou econômica. Por isso, a cartografia envolve escolhas técnicas, históricas e sociais.

Classificação pela superfície de projeção

Uma classificação comum considera a superfície geométrica imaginada para receber a imagem do globo. Ela não descreve sozinha as distorções do mapa, mas indica onde elas tendem a se concentrar e quais regiões podem ser melhor representadas.

Projeções cilíndricas

Nas projeções cilíndricas, a Terra é representada como se estivesse envolvida por um cilindro. Ao abrir esse cilindro, obtém-se um mapa geralmente retangular, com paralelos e meridianos formando linhas retas que se cruzam em ângulos de 90 graus. São muito usadas em planisférios e mapas de baixa latitude. O principal problema é a ampliação das áreas nas altas latitudes.

Projeções cônicas

Nas projeções cônicas, um cone envolve parte do globo, normalmente em latitudes médias. Quando aberto, o resultado apresenta meridianos em linhas que convergem e paralelos em arcos de círculo. Esse tipo é útil para representar extensas áreas no sentido leste-oeste, como países ou regiões localizadas em latitudes médias.

Projeções azimutais ou planas

Nas projeções azimutais, um plano toca ou corta o globo em um ponto. Elas são especialmente adequadas para áreas em torno do ponto de contato, como os polos. Em certos modelos, as direções ou distâncias a partir do centro são preservadas, o que explica seu uso em rotas aéreas e em mapas polares.

SuperfícieAspecto frequente do mapaUso ou área favorecida
CilíndricaGrade retangularPlanisférios e regiões equatoriais
CônicaParalelos em arcosLatitudes médias e áreas leste-oeste
AzimutalCentro destacado e bordas deformadasPolos, rotas e hemisférios

Classificação pelas propriedades preservadas

Outra classificação, muito importante em provas, considera a propriedade que a projeção busca manter. A preservação é mais rigorosa em pontos ou linhas específicas; em escala mundial, nenhuma característica fica perfeita em todos os lugares.

As projeções conformes preservam os ângulos e as formas locais. Por essa razão, são úteis na navegação, pois mantêm a relação entre direções em pequenas áreas. Porém, distorcem as áreas, sobretudo nas regiões polares. A projeção de Mercator é o exemplo mais conhecido.

As projeções equivalentes, também chamadas de iguais ou de área equivalente, mantêm as proporções entre as áreas dos territórios. Assim, se um país possui o dobro da área de outro na realidade, continuará com o dobro no mapa. Em compensação, suas formas podem parecer alongadas ou achatadas. A projeção de Peters é frequentemente apresentada como exemplo didático desse grupo.

As projeções equidistantes conservam distâncias verdadeiras apenas em determinadas direções, linhas ou a partir de um ponto central. Já as projeções azimutais, quando classificadas pela propriedade, preservam direções a partir do centro do mapa. Um mesmo mapa pode receber mais de uma classificação, pois a superfície utilizada e a propriedade privilegiada são critérios diferentes.

Projeções conhecidas e seus usos

A projeção de Mercator, elaborada no século XVI pelo cartógrafo Gerardus Mercator, é cilíndrica e conforme. Nela, os rumos constantes podem ser traçados como linhas retas, característica relevante para a navegação marítima histórica. Seu uso como mapa-múndi escolar, entretanto, exige cautela: áreas próximas aos polos aparecem muito ampliadas.

A projeção de Peters, divulgada por Arno Peters no século XX, é cilíndrica equivalente. Ela valoriza a comparação proporcional das áreas, tornando visível, por exemplo, a grande extensão territorial de países africanos e sul-americanos. Os contornos, porém, ficam bastante deformados. Também é importante saber que projeções equivalentes semelhantes já haviam sido desenvolvidas antes, como a de Gall.

A projeção de Robinson busca um equilíbrio visual entre várias deformações. Não preserva perfeitamente área, forma, distância ou direção, mas evita exageros muito intensos em grande parte do planisfério. Por essa aparência equilibrada, foi amplamente utilizada em atlas e materiais de divulgação.

Em mapas atuais, é comum o uso de projeções adaptadas a finalidades específicas. Sistemas de navegação digital, mapas meteorológicos e bancos de dados geográficos escolhem projeções segundo a escala, a área estudada e o cálculo necessário. Portanto, os mapas não devem ser avaliados apenas pelo aspecto visual, mas pelo contexto de produção.

Como interpretar projeções em questões

Em questões de cartografia, observe primeiro a rede de coordenadas. Meridianos verticais e paralelos horizontais sugerem uma projeção cilíndrica. Meridianos que convergem para um ponto e paralelos curvos indicam uma cônica. Um polo no centro, com continentes dispostos ao redor, costuma indicar uma azimutal.

Depois, compare tamanhos e formas. Se Groenlândia, Canadá, Rússia e Europa setentrional estiverem muito ampliados, há forte deformação nas altas latitudes, característica de muitos mapas cilíndricos conformes. Se África e América do Sul parecerem proporcionalmente grandes, mas alongadas, a intenção pode ser preservar áreas.

  1. Identifique a finalidade do mapa apresentada no enunciado.
  2. Observe a posição do Equador, dos polos e das linhas de latitude e longitude.
  3. Verifique se o destaque está em área, forma, direção ou distância.
  4. Não associe automaticamente um mapa a uma visão “neutra”: toda projeção envolve escolhas.

Também é necessário distinguir projeção de outros elementos cartográficos. Escala, legenda, orientação e coordenadas geográficas são componentes do mapa, mas não são projeções. A escala informa a relação entre medida no mapa e medida real; a projeção define como a superfície terrestre foi convertida em plano.

Síntese e pontos de revisão

As projeções cartográficas são indispensáveis para produzir mapas, mas sempre envolvem deformações. O ponto decisivo é compreender qual propriedade foi priorizada e onde os erros de representação se tornam mais evidentes. Essa análise permite usar mapas de maneira mais precisa e crítica.

  • Mapas planos não reproduzem perfeitamente uma Terra aproximadamente esférica.
  • Projeções cilíndricas tendem a deformar mais as áreas próximas aos polos.
  • Mercator é conforme: favorece formas locais e direções, mas amplia áreas em altas latitudes.
  • Peters é equivalente: preserva proporções de área, mas altera os contornos.
  • Projeções cônicas são adequadas a latitudes médias; azimutais, a regiões polares ou trajetos a partir de um centro.
  • A melhor projeção é aquela que atende ao objetivo do mapa, e não uma que elimine todas as distorções.

Ao estudar, relacione sempre a aparência do mapa à sua função. Essa atitude ajuda a interpretar imagens cartográficas em livros, notícias, aplicativos e avaliações de Geografia.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que são projeções cartográficas?

São métodos matemáticos usados para representar a superfície curva da Terra em um plano. Como essa transformação é impossível sem alterações, toda projeção provoca alguma distorção de área, forma, distância ou direção.

Qual é a principal diferença entre as projeções de Mercator e Peters?

A projeção de Mercator é conforme, preservando ângulos e formas locais, mas ampliando muito as áreas próximas aos polos. A projeção de Peters é equivalente, pois conserva a proporção das áreas dos territórios, embora distorça mais seus formatos.

Existe uma projeção cartográfica sem distorções?

Não. Uma superfície esférica não pode ser transferida para um plano preservando simultaneamente todas as propriedades geométricas. Por isso, cada projeção prioriza características diferentes de acordo com seu uso.

Para que servem as projeções azimutais?

Elas são úteis para representar áreas próximas ao ponto central do mapa, especialmente as regiões polares. Dependendo do modelo, também permitem analisar direções ou distâncias a partir desse centro, sendo aplicadas em rotas aéreas e estudos hemisféricos.

Resumo em imagem

Resumo visual: Tudo sobre projeções cartográficas

Referências

  1. Cartografia: representação, comunicação e visualização de dados espaciais — IBGE (1998)
  2. Noções básicas de cartografia — IBGE (1999)
  3. Geografia: espaço e vivência — Editora Saraiva (2018)
  4. The History of Cartography, Volume 1: Cartography in Prehistoric, Ancient, and Medieval Europe and the Mediterranean — University of Chicago Press (1987)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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