O Reino Animalia reúne os animais: seres vivos eucariontes, pluricelulares e heterotróficos, ou seja, que obtêm matéria orgânica ao se alimentar de outros organismos ou de seus produtos. Esse reino inclui desde esponjas muito simples, fixas no ambiente aquático, até seres humanos, aves, insetos e grandes mamíferos. O estudo dos animais é chamado de Zoologia e busca compreender sua diversidade, estrutura, evolução e relações com o ambiente.
Embora os animais tenham grande variedade de formas, tamanhos e hábitos, compartilham características importantes. A classificação biológica organiza essa diversidade em grupos, considerando aspectos como tipo de corpo, presença de tecidos, simetria, cavidade corporal, desenvolvimento embrionário e parentesco evolutivo. Conhecer esses critérios ajuda a entender por que animais aparentemente tão diferentes pertencem ao mesmo reino.
O que é o Reino Animalia
O Reino Animalia, também chamado de reino dos animais ou Metazoa, faz parte dos domínios dos organismos eucariontes. Isso significa que suas células possuem núcleo delimitado por membrana e outras estruturas celulares especializadas. Diferentemente das plantas, os animais não possuem clorofila nem realizam fotossíntese; por isso, dependem de fontes externas de alimento.
Em geral, os animais ingerem o alimento e o digerem internamente. A matéria obtida fornece energia e componentes para o crescimento, a manutenção do organismo e a reprodução. Há exceções na forma de alimentação: esponjas filtram partículas suspensas na água, enquanto parasitas retiram nutrientes de hospedeiros. Ainda assim, todos apresentam nutrição heterotrófica.
Outra característica marcante é a capacidade de movimento em alguma etapa da vida. A maioria dos animais locomove-se ativamente, mas alguns adultos permanecem fixos, como corais e esponjas. Mesmo nesses casos, pode haver fases larvais móveis. A movimentação está relacionada, em muitos grupos, à presença de células nervosas e musculares, que permitem responder aos estímulos do ambiente.
Características gerais dos animais
As células animais não possuem parede celular rígida, estrutura comum em plantas, fungos e muitas algas. Em vez disso, apresentam membrana plasmática e podem estar envolvidas por uma matriz extracelular, rica em proteínas e outras substâncias. Essa condição contribui para a variedade de formas corporais e para a formação de tecidos.
Nos animais mais complexos, células semelhantes se especializam e trabalham juntas, formando tecidos. Os quatro tipos básicos reconhecidos são epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. A combinação dos tecidos forma órgãos, e os órgãos atuam em sistemas, como os sistemas digestório, respiratório, circulatório e nervoso. As esponjas constituem uma exceção importante: têm células especializadas, mas não possuem tecidos verdadeiros.
- Eucariontes: apresentam células com núcleo organizado.
- Pluricelulares: são formados por muitas células, geralmente diferenciadas.
- Heterotróficos: não produzem seu próprio alimento por fotossíntese.
- Sem parede celular: suas células têm maior flexibilidade de forma.
- Com desenvolvimento embrionário: em geral, formam uma blástula em fase inicial do desenvolvimento.
Atenção: pluricelularidade não é exclusiva dos animais. Plantas, fungos e algumas algas também são pluricelulares. O conjunto de características, e não apenas uma delas, é que identifica o Reino Animalia.
Classificação e critérios de estudo
A classificação atual procura representar a história evolutiva dos seres vivos. Portanto, grupos mais próximos em uma classificação filogenética tendem a compartilhar um ancestral comum mais recente. Para organizar os animais, biólogos utilizam evidências anatômicas, embriológicas, fósseis e moleculares, como comparações de DNA.
Um critério frequente é a simetria corporal. Animais assimétricos não podem ser divididos em partes equivalentes por um plano, caso de muitas esponjas. Na simetria radial, o corpo se organiza ao redor de um eixo central, como nas águas-vivas. Na simetria bilateral, um único plano divide o corpo em lados direito e esquerdo aproximadamente semelhantes; ela é comum em animais de movimento direcionado, como minhocas, insetos e mamíferos.
Também se observa a quantidade de folhetos embrionários. Animais diblásticos desenvolvem dois folhetos principais, ectoderma e endoderma. Os triblásticos formam ainda o mesoderma, que origina vários tecidos e estruturas internas. Entre os triblásticos, a presença e a origem da cavidade corporal, chamada celoma, são critérios tradicionais de comparação.
| Critério | Exemplo de condição | Importância no estudo |
|---|---|---|
| Simetria | Radial ou bilateral | Indica padrões de organização corporal. |
| Folhetos embrionários | Diblásticos ou triblásticos | Relacionam-se à formação de tecidos e órgãos. |
| Celoma | Ausente, reduzido ou presente | Ajuda a comparar a cavidade corporal. |
| Segmentação | Corpo dividido em segmentos | Ocorre, por exemplo, em anelídeos e artrópodes. |
Principais filos do Reino Animalia
Os animais são distribuídos em diversos filos. Cada filo reúne organismos com um plano corporal básico e características evolutivas compartilhadas. Entre os grupos mais estudados na educação básica estão poríferos, cnidários, platelmintos, nematódeos, anelídeos, moluscos, artrópodes, equinodermos e cordados.
Invertebrados de organização mais simples
Os poríferos, como as esponjas, vivem principalmente em ambientes marinhos e obtêm alimento por filtração. Não possuem tecidos verdadeiros. Os cnidários incluem águas-vivas, anêmonas e corais; apresentam cnidócitos, células que participam da captura de presas e da defesa. Em geral, possuem simetria radial e cavidade digestória com uma única abertura.
Platelmintos são vermes de corpo achatado, como planárias e tênias. Nematódeos têm corpo cilíndrico e não segmentado; incluem espécies de vida livre e parasitas, como a lombriga. Já os anelídeos, como minhocas e sanguessugas, apresentam corpo dividido em segmentos, característica chamada metameria.
Grupos de grande diversidade
Os moluscos têm corpo mole e, em muitos casos, concha calcária. Caracóis, ostras, polvos e lulas pertencem a esse filo. Os artrópodes formam o grupo mais diverso de animais conhecidos. Possuem exoesqueleto de quitina, corpo segmentado e apêndices articulados. Insetos, aracnídeos, crustáceos, quilópodes e diplópodes são artrópodes.
Equinodermos, como estrelas-do-mar e ouriços-do-mar, são exclusivamente marinhos e apresentam um sistema ambulacrário relacionado à locomoção, alimentação e trocas gasosas. Os adultos geralmente têm simetria radial, mas suas larvas apresentam simetria bilateral, evidência de sua relação evolutiva com outros animais bilaterais.
Vertebrados e invertebrados
A divisão entre invertebrados e vertebrados é muito usada em materiais escolares, mas não corresponde ao mesmo nível de classificação dos filos. Invertebrados são todos os animais que não possuem coluna vertebral. Eles incluem a maioria das espécies animais, entre elas insetos, moluscos, vermes, esponjas e corais.
Os vertebrados pertencem ao filo dos cordados. Em algum momento do desenvolvimento, os cordados apresentam notocorda, tubo nervoso dorsal, fendas faringianas e cauda pós-anal. Nos vertebrados, a notocorda é substituída, total ou parcialmente, pela coluna vertebral. Peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos são os principais grupos de vertebrados.
É importante não concluir que os vertebrados são “mais evoluídos” que os invertebrados. Todos os grupos atuais passaram por longos processos evolutivos e estão adaptados a seus modos de vida. A evolução não tem como objetivo produzir uma escala de superioridade; ela descreve mudanças nas populações ao longo das gerações.
Reprodução e desenvolvimento embrionário
A reprodução sexuada é predominante no Reino Animalia. Nela, gametas se unem durante a fecundação, originando o zigoto. A fecundação pode ser externa, quando ocorre fora do corpo, como em muitos peixes e anfíbios, ou interna, comum em répteis, aves e mamíferos. Alguns animais também realizam reprodução assexuada, como brotamento em certos cnidários e fragmentação em alguns invertebrados.
Depois da fecundação, o embrião passa por divisões celulares. Uma fase inicial forma a blástula, estrutura que é uma característica importante dos animais. Posteriormente ocorre a gastrulação, quando se formam os folhetos embrionários. Esses folhetos darão origem aos tecidos e órgãos do corpo.
O desenvolvimento pode ser direto ou indireto. No desenvolvimento direto, o jovem se parece com o adulto, embora seja menor e imaturo; isso ocorre em aves e mamíferos. No indireto, há uma fase larval bastante diferente do adulto e ocorre metamorfose, como acontece com borboletas e muitos anfíbios. Essas estratégias variam conforme o grupo e as condições ambientais.
Síntese para revisão
O Reino Animalia abrange organismos eucariontes, pluricelulares, heterotróficos e desprovidos de parede celular. A maioria possui tecidos verdadeiros, capacidade de locomoção em pelo menos uma fase da vida e desenvolvimento embrionário que inclui a formação da blástula. A enorme diversidade do reino é organizada por critérios que ajudam a reconhecer relações evolutivas.
- Animais não realizam fotossíntese e dependem de matéria orgânica para obter energia.
- Simetria, tecidos, folhetos embrionários e cavidade corporal são critérios importantes de estudo.
- Poríferos, cnidários, vermes, moluscos, artrópodes, equinodermos e cordados são grupos fundamentais.
- Vertebrados são cordados com coluna vertebral; invertebrados correspondem aos demais animais.
- A classificação científica busca indicar parentesco evolutivo, não estabelecer uma hierarquia entre os seres vivos.
Ao revisar o tema, associe cada filo a suas características mais distintivas: poríferos filtram água, cnidários têm cnidócitos, artrópodes possuem exoesqueleto e apêndices articulados, e cordados apresentam notocorda em alguma fase da vida. Essas relações facilitam a compreensão da diversidade animal.