Ir para o conteúdo
Matéria Educativa Portal de conteúdo educativo
Química

Aminas e amidas: resumo, diferenças e nomenclatura

Aminas e amidas são funções orgânicas nitrogenadas, mas possuem grupos funcionais, propriedades e nomenclaturas diferentes. Veja como identificá-las e distingui-las.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 8 min de leitura ·Ensino médio

Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn Telegram E-mail

Ferramentas: Exportar Word

Aminas e amidas são funções orgânicas que contêm nitrogênio e aparecem em muitas substâncias naturais e industriais. A diferença decisiva é estrutural: nas aminas, o nitrogênio está ligado a carbonos e/ou hidrogênios, enquanto nas amidas ele se liga diretamente ao carbono de uma carbonila, o grupo C=O. Reconhecer esse detalhe permite prever propriedades, nomear compostos e resolver questões de Química Orgânica.

Embora os nomes sejam parecidos, não se trata da mesma função química. As aminas costumam apresentar caráter básico mais evidente e podem ser entendidas como derivadas da amônia. As amidas, por sua vez, são derivadas formalmente de ácidos carboxílicos e têm o grupo funcional ligado à carbonila. A análise da fórmula estrutural, e não apenas a presença de nitrogênio, é o caminho mais seguro para diferenciá-las.

Funções nitrogenadas: ideia central

Funções orgânicas são conjuntos de compostos que possuem determinado grupo de átomos responsável por propriedades químicas características. Quando o nitrogênio participa desse grupo, formam-se diferentes funções nitrogenadas, entre elas aminas, amidas, nitrilas e nitrocompostos. Portanto, encontrar a letra N em uma fórmula não basta para concluir qual é a função presente.

Nas aminas e nas amidas, o nitrogênio pode fazer três ligações simples e conservar um par de elétrons não ligantes. Esse par eletrônico é especialmente importante para compreender o comportamento básico das aminas. Nas amidas, porém, a proximidade com a carbonila altera a distribuição dos elétrons e reduz muito essa basicidade.

Regra de identificação: se houver um nitrogênio ligado diretamente ao carbono de C=O, a função é amida. Se o nitrogênio estiver ligado a grupos orgânicos sem essa carbonila diretamente associada, a função é amina.

Observe que uma molécula pode ter mais de uma função orgânica. Um composto pode apresentar, por exemplo, uma amina e uma hidroxila; outro pode conter uma amida e uma ligação dupla. Nesses casos, cada grupo deve ser localizado separadamente antes da nomenclatura ou da comparação das propriedades.

Aminas: estrutura e classificação

As aminas são consideradas derivados da amônia, NH₃. Na amônia, os três hidrogênios podem ser substituídos por grupos orgânicos, geralmente grupos alquila ou arila. Sua fórmula geral pode ser representada por RNH₂, R₂NH ou R₃N, em que R representa uma cadeia carbônica.

A classificação depende do número de grupos orgânicos ligados diretamente ao nitrogênio, e não do tamanho da cadeia:

  • Amina primária: apresenta um grupo orgânico ligado ao nitrogênio, como a metilamina, CH₃NH₂.
  • Amina secundária: apresenta dois grupos orgânicos ligados ao nitrogênio, como a dimetilamina, (CH₃)₂NH.
  • Amina terciária: apresenta três grupos orgânicos ligados ao nitrogênio, como a trimetilamina, (CH₃)₃N.

Há ainda os sais de amônio quaternário, nos quais o nitrogênio está ligado a quatro grupos e possui carga positiva. Eles não são classificados como aminas propriamente ditas, pois o nitrogênio já não mantém o par de elétrons livre característico dessas moléculas.

Em geral, as aminas alifáticas de baixa massa molecular têm odor marcante e são solúveis em água em alguma medida. A solubilidade ocorre porque o nitrogênio pode estabelecer interações com moléculas de água. À medida que a cadeia carbônica cresce, a parte apolar da molécula se torna mais importante e a solubilidade tende a diminuir.

O caráter básico das aminas decorre da capacidade de o nitrogênio receber um próton, H⁺, usando seu par de elétrons livre. Em meio aquoso, uma amina pode formar um íon amônio substituído. Esse comportamento explica a reação de muitas aminas com ácidos, produzindo sais.

Amidas e o grupo carbonila

As amidas possuem o grupo funcional em que um nitrogênio está ligado diretamente ao carbono da carbonila. A representação mais comum é RCONH₂, mas também existem amidas com substituintes orgânicos no nitrogênio: RCONHR' e RCONR'R''. Elas podem ser vistas como derivados de ácidos carboxílicos nos quais o grupo OH da carboxila foi substituído por um grupo contendo nitrogênio.

A etanamida, CH₃CONH₂, é um exemplo simples. Nela, o trecho CONH₂ revela imediatamente a presença da função amida. Já na dimetilformamida, conhecida pela sigla DMF, há uma carbonila ligada a um nitrogênio que possui dois grupos metila.

As amidas são classificadas conforme o número de grupos carbônicos ligados ao nitrogênio:

  • Amida primária: o nitrogênio está ligado à carbonila e a dois hidrogênios, como em RCONH₂.
  • Amida secundária: o nitrogênio está ligado à carbonila, a um grupo orgânico e a um hidrogênio, como em RCONHR'.
  • Amida terciária: o nitrogênio está ligado à carbonila e a dois grupos orgânicos, como em RCONR'R''.

Essa classificação não deve ser confundida com a das aminas. Em ambos os casos, observa-se o número de substituintes orgânicos diretamente ligados ao nitrogênio, mas a amida necessariamente tem uma ligação N–C em que esse carbono pertence à carbonila.

A presença simultânea de oxigênio e nitrogênio favorece interações intermoleculares intensas. Muitas amidas apresentam pontos de fusão e de ebulição relativamente elevados em comparação com compostos orgânicos de massa semelhante. As amidas que possuem ligação N–H podem formar ligações de hidrogênio entre si de modo particularmente eficiente.

Diferenças entre aminas e amidas

A principal diferença entre as duas funções está na posição do nitrogênio. Nas aminas, ele não está ligado diretamente a uma carbonila. Nas amidas, essa ligação é obrigatória. Essa organização modifica a reatividade: na amida, o par de elétrons do nitrogênio interage com a carbonila, ficando menos disponível para captar prótons.

CaracterísticaAminasAmidas
Grupo característicoN ligado a H e/ou carbonosN ligado diretamente ao carbono de C=O
ExemploCH₃NH₂, metilaminaCH₃CONH₂, etanamida
Origem formalDerivadas da amôniaDerivadas de ácidos carboxílicos
BasicidadeGeralmente mais básicaGeralmente pouco básica
Interações intermolecularesVariam com a estruturaFrequentemente intensas, sobretudo com N–H

Uma comparação útil é observar a metilamina, CH₃NH₂, e a etanamida, CH₃CONH₂. Ambas contêm o agrupamento NH₂, mas apenas a segunda contém C=O ao lado do nitrogênio. Por isso, classificá-las apenas pelo trecho NH₂ seria um erro. A fórmula deve ser lida como um todo.

Em exercícios, também é comum aparecer uma cadeia longa ou ramificada. Nesses casos, procure primeiro a carbonila. Se ela estiver imediatamente conectada ao nitrogênio, marque a molécula como amida. Se houver carbonila em outra parte da molécula, mas sem ligação direta com N, pode haver uma amina associada a outra função, como cetona, aldeído ou ácido carboxílico.

Nomenclatura e identificação nas fórmulas

Na nomenclatura usual recomendada pela IUPAC para amidas simples, usa-se o nome do hidrocarboneto correspondente à cadeia principal e troca-se a terminação por amida. Assim, a amida derivada do ácido metanoico é a metanamida; a derivada do ácido etanoico é a etanamida; e a derivada do ácido propanoico é a propanamida.

Quando existem grupos orgânicos ligados ao nitrogênio da amida, eles são indicados pelo prefixo N-. Por exemplo, CH₃CONHCH₃ é N-metiletanamida, porque um grupo metila está ligado ao átomo de nitrogênio. Se houver dois grupos iguais no nitrogênio, usa-se N,N-, como em N,N-dimetilmetanamida.

Para aminas, uma forma frequente de nomear consiste em indicar o grupo orgânico seguido de amina: metilamina, etilamina e propilamina. Em estruturas mais complexas, a nomenclatura sistemática pode usar o sufixo amina ou o prefixo amino-, dependendo da função prioritária da molécula. Em nível escolar, é essencial reconhecer a cadeia ligada ao N e verificar se a carbonila está ausente ou presente.

Estratégia para resolver questões

  1. Localize todos os átomos de nitrogênio na fórmula.
  2. Verifique se algum deles está ligado diretamente a um carbono de carbonila, C=O.
  3. Se estiver, identifique uma amida; se não estiver, avalie se a estrutura corresponde a uma amina.
  4. Conte quantos grupos carbônicos se ligam ao nitrogênio para fazer a classificação pedida.
  5. Leia a cadeia principal para elaborar ou conferir o nome do composto.

Também é importante diferenciar amidas de aminas aromáticas. Na anilina, por exemplo, o nitrogênio está ligado a um anel benzênico, mas não a uma carbonila; portanto, a anilina é uma amina. Já a benzamida possui o grupo CONH₂ ligado ao anel benzênico e é uma amida.

Ocorrências e aplicações

As aminas estão presentes em substâncias biologicamente relevantes. Muitos neurotransmissores e alcaloides apresentam grupos amina, o que influencia sua interação com outras moléculas. A trimetilamina, por exemplo, está associada ao odor característico de peixe em processo de deterioração. Isso não significa que todas as aminas tenham o mesmo odor ou a mesma ação no organismo, pois suas estruturas variam bastante.

As amidas também têm grande importância biológica. A ligação peptídica, que une aminoácidos nas proteínas, é uma ligação do tipo amida. Dessa forma, proteínas como enzimas, anticorpos e componentes estruturais dos seres vivos dependem da formação repetida desse grupo químico.

Na indústria, amidas aparecem em solventes, fármacos e polímeros. As poliamidas, como o náilon, são materiais formados por unidades repetidas ligadas por grupos amida. Já compostos com grupos amina podem ser usados na fabricação de corantes, medicamentos, produtos de limpeza e materiais poliméricos. As aplicações dependem da substância específica e de suas propriedades, não somente da função orgânica isolada.

Pontos de revisão

Para sintetizar, aminas e amidas são funções nitrogenadas distintas. Amina é derivada da amônia e não apresenta o nitrogênio ligado diretamente a uma carbonila. Amida é derivada formalmente de um ácido carboxílico e apresenta o agrupamento C(=O)–N.

  • O grupo funcional das aminas pode ser representado por RNH₂, R₂NH ou R₃N.
  • O grupo funcional básico das amidas é C(=O)–N, com possíveis substituintes no nitrogênio.
  • Aminas, em geral, são mais básicas que amidas.
  • Nas amidas, a carbonila reduz a disponibilidade do par de elétrons do nitrogênio.
  • O teste visual mais confiável é procurar a ligação direta entre N e o carbono do grupo C=O.

Ao estudar fórmulas estruturais, priorize a identificação do grupo funcional antes de memorizar nomes. Essa prática ajuda a distinguir funções parecidas, interpretar propriedades e compreender exemplos presentes em processos biológicos e industriais.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Qual é a principal diferença entre amina e amida?

A amina possui nitrogênio ligado a hidrogênios e/ou grupos carbônicos, sem estar diretamente ligado a uma carbonila. Na amida, o nitrogênio está obrigatoriamente ligado ao carbono do grupo C=O.

Como saber se uma amida é primária, secundária ou terciária?

Deve-se observar quantos grupos orgânicos estão ligados ao nitrogênio. Uma amida primária tem dois hidrogênios no N, a secundária tem um grupo orgânico e um hidrogênio, e a terciária tem dois grupos orgânicos ligados ao N.

Por que as aminas são mais básicas que as amidas?

Nas aminas, o par de elétrons do nitrogênio está mais disponível para receber um próton. Nas amidas, esse par interage com a carbonila, o que reduz a capacidade de o nitrogênio atuar como base.

A ligação peptídica é uma amida?

Sim. A ligação peptídica é formada entre o grupo carboxila de um aminoácido e o grupo amino de outro, produzindo uma ligação do tipo amida. Ela é fundamental para a estrutura das proteínas.

Resumo em imagem

Resumo visual: Aminas e amidas: resumo, diferenças e nomenclatura

Referências

  1. Química Orgânica — John McMurry, Cengage Learning (2016)
  2. Química: a ciência central — Theodore L. Brown, H. Eugene LeMay, Bruce E. Bursten e colaboradores, Pearson (2019)
  3. Química Orgânica — T. W. Graham Solomons, Craig B. Fryhle e Scott A. Snyder, LTC (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

Continue estudando

Mais de Química