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Língua Portuguesa

Tipos de conectores: classificação, exemplos e usos

Conectores são palavras ou expressões que ligam ideias e indicam relações de sentido no texto. Conheça suas classificações e aprenda a empregá-los com precisão.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Os tipos de conectores são classificados conforme a relação de sentido que estabelecem entre palavras, orações, períodos ou parágrafos. Eles organizam a progressão das ideias de um texto e podem indicar, por exemplo, adição, oposição, causa, consequência, condição, conclusão e explicação. Por isso, reconhecer esses elementos é essencial tanto para interpretar textos quanto para produzir uma redação clara.

Também chamados de conectivos, os conectores podem ser conjunções, advérbios, locuções ou outras expressões. Uma mesma palavra pode assumir sentidos diferentes conforme o contexto. Assim, mais importante do que decorar uma lista é observar a relação lógica construída entre as informações.

O que são conectores?

Conectores são unidades linguísticas que estabelecem uma ligação explícita entre partes de um enunciado. Observe: “A biblioteca estava fechada, portanto voltamos para casa.” A palavra “portanto” mostra que a volta para casa é uma conclusão ou consequência do fechamento da biblioteca.

Sem conectores, um texto pode apresentar frases corretas, mas parecer fragmentado: “Choveu muito. A partida foi adiada.” Ao inserir “por isso”, a relação fica evidente: “Choveu muito; por isso, a partida foi adiada.” Essa conexão contribui para a coesão textual, isto é, para a articulação formal das partes do texto.

É importante diferenciar coesão de coerência. A coesão diz respeito aos mecanismos linguísticos de ligação, entre eles os conectores. A coerência está ligada ao sentido global e à lógica do texto. Um conector bem empregado favorece a coerência, mas não resolve sozinho uma ideia contraditória ou mal desenvolvida.

Atenção: um conector não é apenas uma “palavra de ligação”. Ele orienta a leitura, pois informa como uma ideia deve ser relacionada à outra: como soma, contraste, justificativa, hipótese, finalidade ou resultado.

Conectores e relações de sentido

A classificação mais útil dos conectores parte do sentido que eles expressam. Alguns pertencem à mesma classe gramatical, mas desempenham funções distintas no texto. “Porque”, por exemplo, costuma introduzir causa ou explicação; já “embora” introduz concessão, isto é, um fato que contrasta com o que se afirma na oração principal, sem impedi-lo.

Relação de sentidoConectores frequentesExemplo
Adiçãoe, também, além dissoLeu o capítulo e resolveu os exercícios.
Oposiçãomas, porém, contudoEstudou bastante, mas ficou nervoso.
Causaporque, como, visto queComo faltou energia, a aula foi suspensa.
Consequênciaportanto, por isso, de modo queO prazo acabou; portanto, não houve inscrição.
Condiçãose, caso, desde queSe revisar o conteúdo, entenderá melhor.
Concessãoembora, ainda que, mesmo queEmbora estivesse cansada, continuou lendo.

Há casos em que a pontuação ajuda a perceber a relação, mas ela não substitui o conector. Vírgulas, ponto e vírgula e pontos organizam o período; os conectivos, por sua vez, tornam mais preciso o vínculo semântico. Na escrita formal, escolher o conector correto evita interpretações ambíguas.

Conectores coordenativos

Os conectores coordenativos unem orações independentes sintaticamente. Isso significa que cada oração, em geral, possui sentido e estrutura próprios. Na gramática tradicional, as conjunções coordenativas são divididas em cinco grupos principais.

  • Aditivos: expressam soma de informações. Exemplos: “e”, “nem”, “não só... mas também”.
  • Adversativos: indicam oposição, contraste ou quebra de expectativa. Exemplos: “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”, “entretanto”.
  • Alternativos: apresentam escolha, alternância ou exclusão. Exemplos: “ou”, “ora... ora”, “quer... quer”, “seja... seja”.
  • Conclusivos: introduzem uma conclusão derivada do que foi dito. Exemplos: “logo”, “portanto”, “assim”, “por conseguinte”.
  • Explicativos: apresentam uma justificativa ou explicação para uma afirmação, muitas vezes em ordens, pedidos ou conselhos. Exemplos: “porque”, “pois”, “que”.

Compare: “Feche a janela, porque está frio” traz uma explicação que justifica a ordem. Em “Não saí porque estava frio”, “porque” introduz uma causa para o fato de não sair. A forma é a mesma, mas a relação e a estrutura da frase são diferentes.

O termo “pois” merece atenção. Quando aparece antes do verbo, geralmente é explicativo: “Não se atrase, pois a prova começará cedo.” Quando vem deslocado, entre vírgulas ou depois do verbo, tende a ser conclusivo: “A prova começará cedo; não se atrase, pois.” Esse segundo uso é menos comum na fala cotidiana.

Conectores subordinativos

Os conectores subordinativos introduzem uma oração que depende sintaticamente de outra, chamada de oração principal. Eles são especialmente relevantes em textos argumentativos e explicativos, porque permitem detalhar circunstâncias, estabelecer hipóteses e construir raciocínios mais complexos.

Causais, consecutivos e comparativos

As conjunções causais indicam o motivo de um acontecimento: “A pesquisa foi adiada porque os dados estavam incompletos.” Entre elas estão “porque”, “como”, “já que”, “uma vez que” e “visto que”. Quando “como” tem valor causal, costuma aparecer no início: “Como o ônibus atrasou, chegamos depois do horário.”

As consecutivas apresentam um resultado: “Choveu tanto que as ruas alagaram.” São comuns as estruturas “tão... que”, “tanto... que”, “tal... que” e “de modo que”. Já as comparativas estabelecem comparação: “Ela escreve melhor do que imagina” ou “O experimento foi tão cuidadoso quanto o anterior”.

Condicionais, concessivos, finais e temporais

As condicionais apresentam uma hipótese necessária para que algo ocorra: “Caso haja dúvidas, consulte o material.” Além de “caso”, aparecem “se”, “contanto que”, “desde que” e “a menos que”. Elas não afirmam que o fato acontecerá; indicam em que situação ele poderá ocorrer.

As concessivas introduzem uma ideia contrária à expectativa: “Mesmo que chova, o evento será realizado.” “Embora”, “ainda que”, “apesar de que” e “por mais que” são exemplos. Em “Embora estivesse doente, foi à aula”, seria esperado que a doença impedisse a ida, mas isso não ocorreu.

As finais apontam objetivo: “Estudou para que pudesse compreender o tema.” São frequentes “para que”, “a fim de que” e “porque”, em usos mais formais. As temporais localizam os fatos no tempo: “Quando terminou a atividade, entregou-a ao professor”; “enquanto”, “assim que”, “logo que” e “depois que” também cumprem essa função.

Outros recursos conectivos no texto

Nem todo conector é uma conjunção. Advérbios e locuções adverbiais também podem ligar períodos e parágrafos. Em uma dissertação, expressões como “além disso”, “por outro lado”, “desse modo”, “em primeiro lugar” e “em síntese” ajudam a sinalizar a organização da argumentação.

Esses elementos exigem atenção à pontuação. Quando “portanto”, “contudo”, “entretanto” e “assim” aparecem no interior da oração, normalmente ficam isolados por vírgulas: “Os resultados, contudo, ainda são preliminares.” No início, pode haver vírgula depois deles: “Contudo, os resultados ainda são preliminares.”

Também há conectores que retomam informações anteriores por meio de pronomes e expressões nominais. Em “A cidade ampliou as ciclovias. Essa medida reduziu o trânsito em algumas avenidas”, a expressão destacada conecta a segunda frase à ideia anterior. Trata-se de coesão referencial, que trabalha junto à coesão estabelecida pelas conjunções.

Em textos argumentativos, variar os conectores é importante, mas a prioridade é preservar o sentido. Trocar “portanto” por “porém”, apenas para evitar repetição, altera a lógica do raciocínio.

Como escolher o conector adequado

Para selecionar um conector, primeiro identifique a relação entre as duas ideias. Pergunte: a segunda informação acrescenta algo, contrasta com a primeira, explica sua causa, mostra uma consequência ou apresenta uma condição? Só então escolha a expressão que traduz essa relação.

  1. Leia as orações sem o conectivo e determine o vínculo lógico entre elas.
  2. Teste um conector compatível com esse vínculo.
  3. Verifique se a frase continua clara e se a pontuação está adequada.
  4. Observe se o conectivo combina com o grau de formalidade do texto.
  5. Releia o parágrafo para evitar repetições excessivas e relações contraditórias.

Veja um erro frequente: “O aluno faltou à aula, portanto estava doente.” Nesse caso, a doença explica a falta, e não é uma conclusão dela. A forma adequada é “O aluno faltou à aula porque estava doente” ou “O aluno estava doente; portanto, faltou à aula.” A ordem das informações pode mudar, mas a relação precisa permanecer lógica.

Outro cuidado é não usar conectores conclusivos para iniciar qualquer novo parágrafo. “Portanto” exige que haja uma conclusão baseada em argumentos anteriores. Se a intenção for apenas acrescentar outro argumento, “além disso” será mais apropriado. A precisão dos conectivos fortalece a progressão textual e facilita a leitura.

Pontos de revisão

Os conectores articulam as partes do texto e revelam a relação de sentido entre elas. Podem ser conjunções, advérbios, locuções ou expressões referenciais. Entre as relações mais cobradas estão adição, oposição, alternância, explicação, conclusão, causa, consequência, condição, concessão, finalidade e tempo.

Ao analisar uma questão ou revisar uma redação, não se limite ao nome gramatical do conector. Observe o efeito que ele produz no contexto. “Mas” costuma marcar oposição; “porque” pode indicar causa ou explicação; “portanto” introduz conclusão; e “embora” aponta concessão. Compreender essas relações torna a leitura mais atenta e a escrita mais organizada.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que são conectores textuais?

Conectores textuais são palavras ou expressões que ligam partes de um texto e deixam clara a relação entre elas. Eles podem indicar soma, oposição, causa, conclusão, condição, entre outros sentidos.

Conectores e conjunções são a mesma coisa?

Não exatamente. As conjunções são uma classe de palavras que frequentemente atua como conector, mas advérbios e locuções, como “portanto”, “além disso” e “por outro lado”, também conectam ideias.

Qual é a diferença entre “porque” e “portanto”?

“Porque” geralmente introduz a causa ou a explicação de um fato. “Portanto” introduz uma conclusão ou consequência baseada em uma informação anterior.

Como saber se um conector é adversativo ou concessivo?

O adversativo, como “mas”, opõe duas ideias em orações coordenadas. O concessivo, como “embora”, introduz um fato que contraria uma expectativa, mas não impede a realização do fato principal.

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Resumo visual: Tipos de conectores: classificação, exemplos e usos

Referências

  1. Nova Gramática do Português Contemporâneo — Celso Cunha e Lindley Cintra, Lexikon (2017)
  2. Moderna Gramática Portuguesa — Evanildo Bechara, Nova Fronteira (2019)
  3. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa — José Carlos de Azeredo, Publifolha (2010)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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