Pronome relativo é a palavra que retoma um termo já mencionado, chamado antecedente, e liga duas orações, evitando repetições. Para resolver exercícios sobre esse tema, é necessário identificar o antecedente, observar a função que o pronome exerce na oração seguinte e verificar se há exigência de preposição.
Esse conteúdo aparece com frequência em atividades de gramática, interpretação e questões de vestibulares. Embora palavras como que, quem e onde sejam comuns no cotidiano, seu emprego correto depende da relação estabelecida entre as partes da frase. A análise atenta torna a escolha mais segura.
O que é pronome relativo?
O pronome relativo introduz uma oração subordinada adjetiva, isto é, uma oração que caracteriza, explica ou delimita um nome da oração anterior. Ele substitui esse nome dentro da nova oração e, ao mesmo tempo, cria uma ligação entre as ideias.
Observe: “A estudante leu o livro. O livro foi indicado pela professora.” Essa construção pode ser reunida em: “A estudante leu o livro que foi indicado pela professora.” O termo que retoma “o livro”, que é seu antecedente, e exerce a função de sujeito de “foi indicado”.
Nem toda ocorrência de que é pronome relativo. Em “Espero que você participe”, por exemplo, a palavra introduz uma oração que completa o verbo “espero”; nesse caso, ela é conjunção integrante. Para ser relativo, o termo precisa retomar um antecedente expresso ou, em algumas construções, facilmente recuperável no contexto.
Dica de identificação: procure uma palavra ou expressão anterior que possa ser retomada pelo pronome. Se houver essa retomada e a palavra introduzir uma oração com valor de característica, trata-se provavelmente de pronome relativo.
Antecedente e função na oração
O antecedente é o termo a que o pronome relativo se refere. Em “O filme que assistimos era longo”, o antecedente é “o filme”. Porém, descobrir o antecedente é apenas a primeira etapa: também é preciso analisar o papel desempenhado pelo relativo na oração que ele introduz.
Na frase anterior, a forma completa seria “Assistimos ao filme”. Assim, em “O filme a que assistimos era longo”, o pronome relativo exerce a função de complemento indireto, pois o verbo assistir, no sentido de ver, exige a preposição a. A preposição deve aparecer antes do pronome: “o filme a que assistimos”.
Compare as funções possíveis:
- Sujeito: “A aluna que apresentou o trabalho recebeu elogios.” O pronome é sujeito de “apresentou”.
- Objeto direto: “A aluna que os colegas elogiaram recebeu elogios.” Os colegas elogiaram a aluna.
- Complemento com preposição: “A aluna de quem falei recebeu elogios.” Falou-se da aluna.
- Adjunto adverbial: “A cidade onde nasci fica no interior.” O pronome indica lugar ligado a “nasci”.
- Ideia de posse: “A autora cujo romance venceu o prêmio dará uma palestra.” O romance pertence à autora.
Portanto, não se deve escolher um pronome apenas porque ele “soa bem”. A regência do verbo ou do nome presente na oração subordinada indica qual forma é adequada e se uma preposição será necessária.
Principais pronomes relativos
O pronome que é o mais usado e pode retomar pessoas, animais, coisas ou ideias. É invariável, ou seja, não muda para masculino, feminino, singular ou plural: “o assunto que estudamos”, “as questões que estudamos”. Ele pode aparecer com preposição: “a regra de que precisamos”, “os amigos com que viajei”.
Quem é empregado, em geral, para pessoas e costuma ser precedido de preposição quando exerce função que a exige: “A professora a quem entreguei o texto respondeu”. Sem preposição, seu uso é mais comum quando não há antecedente expresso: “Quem estuda com regularidade amplia suas possibilidades de aprendizagem.”
As formas o qual, a qual, os quais, as quais concordam com o antecedente. Elas são úteis para dar clareza, especialmente depois de preposições ou quando há risco de ambiguidade. Em “O diretor conversou com os professores e os estudantes, os quais apresentaram propostas”, entende-se que os estudantes apresentaram propostas; a escolha, contudo, deve ser feita de modo a tornar a referência inequívoca.
| Pronome | Uso principal | Exemplo |
|---|---|---|
| que | Retoma pessoas, coisas e ideias | O tema que revisamos caiu na atividade. |
| quem | Retoma pessoas | O colega com quem estudei faltou. |
| onde | Retoma lugar | A escola onde estudamos foi reformada. |
| cujo | Indica posse | O aluno cuja redação se destacou recebeu menção. |
| o qual | Esclarece a referência; varia em gênero e número | A norma segundo a qual agimos foi alterada. |
O relativo cujo merece atenção. Ele estabelece uma relação de posse entre o antecedente e o termo que vem depois: “a pesquisadora cujos dados foram publicados”. “Dados” pertencem à pesquisadora. Por isso, cujo concorda com a coisa possuída, e não com o possuidor. Além disso, não se usa artigo depois dele: são inadequadas formas como “cujo os livros”.
Onde, aonde e donde
Onde deve retomar uma ideia de lugar estático, ligada a verbos que não indicam movimento de destino: “O laboratório onde ocorreu a experiência está fechado.” A experiência ocorreu no laboratório.
Aonde resulta da combinação da preposição a com onde. É usado com verbos que indicam movimento para um lugar e exigem a preposição a: “A biblioteca aonde os alunos foram fica perto daqui.” Na linguagem formal, também se pode escrever “A biblioteca à qual os alunos foram”.
Donde equivale a “de onde” e é menos frequente no uso cotidiano: “A cidade donde vieram os visitantes é histórica.” Em exercícios, o ponto central é verificar a regência: quem vai, vai a algum lugar; quem vem, vem de algum lugar; quem está ou mora, está ou mora em algum lugar.
Evite usar onde para substituir termos que não indicam lugar. Em vez de “A situação onde houve conflito”, prefira “A situação em que houve conflito” ou “A situação na qual houve conflito”.
Preposição e pontuação
Quando o verbo, o nome ou o adjetivo da oração subordinada exige preposição, ela vem antes do pronome relativo. Esse é um dos aspectos mais cobrados em exercícios. Veja: “O assunto de que discordamos foi retomado”; quem discorda, discorda de algo. “A pessoa em quem confio chegou”; quem confia, confia em alguém.
Também podem ocorrer contrações. Em “As regras às quais obedecemos”, há a união de a com o artigo feminino plural que acompanha “quais”. Já com que, a preposição não se contrai: “as regras a que obedecemos”.
Orações explicativas e restritivas
A pontuação modifica o sentido das orações introduzidas por pronome relativo. A oração restritiva delimita o antecedente e não vem isolada por vírgulas: “Os alunos que fizeram a inscrição participarão da oficina.” Apenas parte dos alunos fez a inscrição.
A oração explicativa acrescenta uma informação sobre todo o antecedente e é marcada por vírgulas: “Os alunos, que fizeram a inscrição, participarão da oficina.” Nesse enunciado, entende-se que todos os alunos fizeram a inscrição. Assim, as vírgulas não são um detalhe decorativo: elas alteram a abrangência da afirmação.
Antes de marcar uma alternativa, reconstrua mentalmente a frase sem o pronome relativo. Essa estratégia revela a preposição exigida e a função sintática do termo retomado.
Exercícios comentados sobre pronome relativo
Resolva as questões antes de ler os comentários. O objetivo é aplicar a identificação do antecedente, a regência e o valor dos pronomes.
- Complete: “O livro ___ preciso está na estante.”
- Complete: “A pesquisadora ___ artigo foi premiado participará do debate.”
- Assinale a forma adequada: “A cidade ___ viajaremos nas férias fica no litoral.” a) onde; b) aonde; c) cujo.
- Reescreva corretamente: “O filme que assistimos ontem recebeu muitos prêmios.”
- Explique a diferença de sentido entre: “Os candidatos que entregaram o documento foram chamados” e “Os candidatos, que entregaram o documento, foram chamados”.
Gabarito comentado
1. “O livro de que preciso está na estante.” O verbo “precisar”, no sentido de necessitar, pede a preposição de: preciso de algo. O antecedente é “o livro”, e o relativo exerce função de complemento do verbo “preciso”.
2. “A pesquisadora cujo artigo foi premiado participará do debate.” O artigo pertence à pesquisadora. Note que “cujo” concorda com “artigo”, substantivo masculino singular. Não se escreve “cujo o artigo”.
3. A alternativa correta é b) aonde: “A cidade aonde viajaremos nas férias fica no litoral.” O verbo “viajar”, nessa construção, indica deslocamento para um destino e admite a preposição a. Também seria possível escrever “A cidade para a qual viajaremos”.
4. A forma recomendada é “O filme a que assistimos ontem recebeu muitos prêmios.” No padrão formal, quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo. A ausência da preposição é comum na fala, mas não corresponde à regência prevista pela norma-padrão.
5. Sem vírgulas, a oração é restritiva: somente os candidatos que entregaram o documento foram chamados. Com vírgulas, a oração é explicativa: todos os candidatos entregaram o documento, e todos foram chamados. O pronome é o mesmo, mas a pontuação altera o significado global.
Pontos de revisão
Os pronomes relativos conectam orações e retomam um antecedente. Para usá-los corretamente, localize o termo retomado e examine a estrutura da oração introduzida pelo pronome. Em seguida, confira se o verbo exige preposição e se a escolha do relativo deixa o sentido claro.
- Que é o relativo mais abrangente e pode vir acompanhado de preposição.
- Quem retoma pessoas, especialmente após preposição.
- Onde indica permanência em lugar; aonde, movimento para um lugar; donde, origem.
- Cujo expressa posse, concorda com o termo possuído e não admite artigo depois dele.
- Vírgulas distinguem orações explicativas de restritivas e podem mudar a interpretação da frase.
Ao praticar, substitua o pronome relativo pelo antecedente dentro da oração subordinada. Se a reconstrução produzir “preciso do livro”, “assisti ao filme” ou “confio na pessoa”, ficará mais fácil reconhecer a preposição e justificar a resposta.