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O Cortiço: principais autores e obras do Naturalismo

Conheça o autor de O Cortiço, as características do romance e outras obras importantes ligadas ao Naturalismo brasileiro.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino médio

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O Cortiço: principais autores e obras é um tema que exige, antes de tudo, uma correção importante: o romance O Cortiço tem um único autor, Aluísio Azevedo. Publicado em 1890, o livro é uma das obras centrais do Naturalismo brasileiro. Para compreendê-lo, é necessário relacionar seu enredo coletivo, seus personagens e sua crítica social às ideias naturalistas e a outros escritores do período.

Quem é o autor de O Cortiço?

Aluísio Azevedo nasceu em São Luís, no Maranhão, em 1857, e morreu em Buenos Aires, em 1913. Foi romancista, jornalista, desenhista e diplomata. Na literatura, tornou-se um nome decisivo para a consolidação do Naturalismo no Brasil, vertente que buscava observar os seres humanos como produtos de fatores biológicos, sociais e ambientais.

O escritor iniciou sua trajetória com romances de tendência romântica, mas passou a produzir obras marcadas pela crítica aos costumes, pela descrição de grupos sociais e pelo interesse em explicar os comportamentos das personagens a partir das condições em que vivem. O Mulato, de 1881, é geralmente apontado como o marco inicial do Naturalismo brasileiro. Já O Cortiço é considerado seu romance mais conhecido e estudado.

Em vez de construir heróis idealizados, Aluísio Azevedo apresenta personagens contraditórias, sujeitas a desejos, conflitos econômicos e pressões do meio. Esse procedimento não significa que o autor faça uma análise científica no sentido atual da palavra. Ele aplica à ficção ideias muito difundidas no século XIX, algumas hoje reconhecidas como limitadas ou preconceituosas, como o determinismo racial e ambiental.

Atenção: Aluísio Azevedo é o autor de O Cortiço. Quando a questão menciona “principais autores e obras”, normalmente espera que o estudante situe o romance entre autores e títulos representativos do Naturalismo, e não que atribua vários autores ao mesmo livro.

O Cortiço e o contexto do Naturalismo

O Naturalismo surgiu na segunda metade do século XIX como uma radicalização de certas propostas realistas. Seus autores valorizavam a observação da realidade, a crítica às idealizações e a influência de teorias científicas em circulação, sobretudo o evolucionismo e o determinismo. O francês Émile Zola foi uma referência fundamental para o movimento.

No Brasil, o Naturalismo se desenvolveu em uma sociedade marcada pela escravidão, que só seria abolida em 1888, pela urbanização gradual, pela imigração e por profundas desigualdades sociais. Publicado dois anos depois da Abolição e um ano após a Proclamação da República, O Cortiço retrata tensões econômicas e sociais do Rio de Janeiro no fim do Império.

O romance focaliza moradores pobres, trabalhadores, imigrantes portugueses e pessoas negras em um conjunto habitacional popular. A obra não oferece uma visão neutra ou completa dessas experiências: ela é atravessada pela linguagem e pelas teorias de seu tempo. Por isso, uma leitura atual deve reconhecer simultaneamente sua importância literária e os estereótipos presentes em algumas caracterizações.

Uma diferença útil para os estudos é que o Realismo costuma concentrar-se mais na investigação psicológica e moral das personagens, enquanto o Naturalismo enfatiza o corpo, a sexualidade, os impulsos e a influência do ambiente. Na prática, os limites entre as duas escolas não são absolutamente rígidos.

Enredo, espaço e personagens principais

O eixo inicial do enredo é João Romão, comerciante português extremamente econômico e ambicioso. Ele constrói e amplia um cortiço, obtendo lucro com os aluguéis e com os negócios que mantém perto da habitação. Para isso, explora o trabalho de Bertoleza, mulher negra que vive com ele e entrega suas economias ao empreendimento.

Ao lado do cortiço está o sobrado de Miranda, também português, cuja vida representa uma posição social mais elevada. A rivalidade entre João Romão e Miranda expressa a disputa por riqueza, prestígio e ascensão social. João Romão deseja abandonar a imagem de homem pobre e aproximar-se da elite, inclusive por meio de um casamento conveniente.

O cortiço reúne muitas histórias. Rita Baiana, conhecida por sua vitalidade e sociabilidade, envolve-se com o português Jerônimo. Inicialmente apresentado como trabalhador disciplinado, Jerônimo muda seus hábitos depois da convivência com o ambiente, a comida, a música e a atração por Rita. Piedade, esposa de Jerônimo, sofre as consequências desse processo. Outra figura importante é Pombinha, cuja trajetória também evidencia as pressões sociais e materiais sobre as mulheres.

Mais do que servir de cenário, o cortiço funciona como elemento central da narrativa. O narrador o descreve como se fosse um organismo vivo, que cresce, se agita e influencia quem o habita. Essa personificação ajuda a explicar por que a obra é frequentemente lida como um romance de protagonista coletivo.

  • João Romão: proprietário ambicioso, ligado à exploração econômica e ao desejo de ascensão social.
  • Bertoleza: trabalhadora explorada por João Romão; sua trajetória expõe violência e desigualdade racial.
  • Miranda: vizinho rico e rival de João Romão, associado ao prestígio social.
  • Rita Baiana: moradora de grande presença no cortiço, ligada à mudança de Jerônimo.
  • Jerônimo: trabalhador português cuja transformação é explicada pelo narrador por influência do meio.
  • Pombinha: personagem cuja trajetória revela restrições impostas às mulheres e a força das condições sociais.

Características naturalistas na obra

O principal conceito associado a O Cortiço é o determinismo. Na perspectiva naturalista, o comportamento de uma pessoa seria condicionado por hereditariedade, ambiente e momento histórico. No romance, essa ideia aparece especialmente nas transformações de Jerônimo e na força atribuída ao próprio espaço do cortiço.

Também se destaca o coletivismo. Embora João Romão conduza parte importante da ação, o livro acompanha vários moradores e mostra relações de trabalho, afetos, rivalidades e violências. O grupo, e não apenas um indivíduo, revela a estrutura desigual da sociedade retratada.

A linguagem tende à descrição detalhada, por vezes crua, de moradias, corpos, conflitos e práticas cotidianas. Há interesse pela sexualidade e pelos impulsos considerados instintivos. Essas escolhas afastam o romance da idealização romântica, mas não eliminam a posição crítica do narrador, que por vezes julga e estereotipa personagens.

AspectoEm O CortiçoFunção no romance
DeterminismoO meio influencia hábitos e comportamentos, como no caso de Jerônimo.Explicar a conduta das personagens por fatores externos e biológicos.
Personagem coletivaO cortiço reúne múltiplas trajetórias e é tratado como organismo vivo.Mostrar a vida social como força que afeta os indivíduos.
Crítica socialExploração do trabalho, pobreza, racismo e busca por status.Expor desigualdades do Rio de Janeiro oitocentista.
Anti-idealizaçãoPersonagens têm interesses materiais, desejos e contradições.Romper com modelos heroicos e sentimentalizados.

É importante não transformar o determinismo em verdade científica. Ele é uma ideia literária e histórica usada para organizar a narrativa. Ao analisar o livro, vale observar como essa visão limita a liberdade das personagens e como ela pode reforçar preconceitos do século XIX.

Outros autores e obras do Naturalismo

Além de Aluísio Azevedo, outros autores ajudam a entender o Naturalismo em língua portuguesa e suas referências. Adolfo Caminha, por exemplo, publicou Bom-Crioulo, em 1895. O romance trata das relações entre marinheiros, da disciplina militar e da exclusão social, abordando assuntos que causaram forte impacto em sua época.

Inglês de Sousa é outro nome associado ao movimento. Em obras como O Missionário, de 1891, explora conflitos humanos em cenários amazônicos, com atenção às condições sociais e ambientais. Júlio Ribeiro, autor de A Carne, de 1888, também é frequentemente incluído nas discussões sobre o Naturalismo brasileiro por tratar da sexualidade e contestar convenções morais.

Fora do Brasil, Émile Zola é a principal referência. Seu ciclo de romances Les Rougon-Macquart procurava acompanhar uma família sob a influência da hereditariedade e do meio social. O livro Germinal, de 1885, sobre trabalhadores de minas de carvão na França, tornou-se um título emblemático pela crítica às condições de trabalho.

AutorObraRelação com o tema
Aluísio AzevedoO Mulato (1881)Marco inicial do Naturalismo no Brasil.
Aluísio AzevedoO Cortiço (1890)Romance coletivo, urbano e socialmente crítico.
Adolfo CaminhaBom-Crioulo (1895)Aborda marginalização e ambiente da Marinha.
Inglês de SousaO Missionário (1891)Examina conflitos humanos na Amazônia.
Émile ZolaGerminal (1885)Referência europeia para o Naturalismo e a crítica social.

Como interpretar O Cortiço em provas

Em questões escolares, de vestibulares e do ENEM, é comum que um trecho de O Cortiço seja usado para avaliar a identificação de características do Naturalismo. Não basta procurar uma palavra como “ambiente” ou “instinto”: é preciso explicar de que modo a descrição, a ação das personagens ou a voz do narrador constrói essa visão.

Se o fragmento mostrar a transformação de Jerônimo, a resposta pode relacioná-la ao determinismo ambiental. Se apresentar a movimentação dos moradores, convém destacar a personagem coletiva e a ideia de que o cortiço age sobre as pessoas. Quando a questão abordar Bertoleza ou João Romão, a exploração do trabalho e a desigualdade racial são caminhos relevantes de análise.

  1. Identifique quem narra e quais personagens estão em foco.
  2. Observe se o espaço é apenas cenário ou se interfere na ação.
  3. Procure conflitos de classe, raça, gênero, trabalho e ascensão social.
  4. Relacione descrições de corpo, desejo ou comportamento ao Naturalismo.
  5. Evite dizer que toda visão do narrador é uma verdade: reconheça o contexto histórico e os estereótipos da obra.

Outro cuidado importante é não reduzir o livro a uma simples denúncia social. Ele critica desigualdades, mas também reproduz pressupostos racialistas e deterministas comuns no período. Uma interpretação consistente reconhece essa ambivalência: a obra é relevante justamente porque permite discutir literatura, sociedade e os limites das ideias que a estruturam.

Síntese para revisar

O Cortiço, publicado em 1890, foi escrito por Aluísio Azevedo e é uma obra fundamental do Naturalismo brasileiro. Seu enredo acompanha a formação e a vida de um cortiço no Rio de Janeiro, destacando a ambição de João Romão, a exploração de Bertoleza e as relações entre diversos moradores.

Para memorizar, associe o romance a cinco pontos: Aluísio Azevedo como autor; Naturalismo como escola literária; determinismo como influência do meio e da hereditariedade; personagem coletiva na representação do cortiço; e crítica social voltada às desigualdades. Entre outros autores e obras do movimento, destaque Adolfo Caminha e Bom-Crioulo, Inglês de Sousa e O Missionário, além de Émile Zola e Germinal.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Quem escreveu O Cortiço?

O Cortiço foi escrito por Aluísio Azevedo, romancista maranhense e um dos principais nomes do Naturalismo brasileiro. A obra foi publicada em 1890 e é seu romance mais conhecido.

O Cortiço pertence ao Realismo ou ao Naturalismo?

O romance pertence ao Naturalismo, corrente próxima ao Realismo, mas mais marcada pelo determinismo, pela influência do ambiente e pela descrição de impulsos e conflitos sociais. Em O Cortiço, o próprio espaço da habitação coletiva interfere no comportamento das personagens.

Quem é o protagonista de O Cortiço?

João Romão é uma personagem central porque sua ambição move grande parte do enredo. No entanto, muitos estudos consideram o cortiço uma espécie de protagonista coletivo, pois o conjunto de moradores e o ambiente têm papel decisivo na narrativa.

Quais outras obras de Aluísio Azevedo são importantes?

Entre as obras mais lembradas estão O Mulato, publicado em 1881, Casa de Pensão, de 1884, e O Homem, de 1887. O Mulato é frequentemente indicado como o marco inicial do Naturalismo no Brasil.

Resumo em imagem

Resumo visual: O Cortiço: principais autores e obras do Naturalismo

Referências

  1. O Cortiço — Aluísio Azevedo (1890)
  2. História concisa da literatura brasileira — Alfredo Bosi (1994)
  3. Literatura brasileira: dos primeiros cronistas aos últimos românticos — José Veríssimo (1916)
  4. Arquivo Nacional: Memória da Administração Pública Brasileira — Arquivo Nacional (2024)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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