Os exercícios sobre tipos de sujeito ajudam a reconhecer quem ou o que realiza, sofre ou vivencia o fato indicado pelo verbo. Para resolvê-los corretamente, é necessário observar a relação entre verbo e sujeito, em vez de apenas procurar a primeira palavra da oração. Nesta revisão, você encontrará conceitos, estratégias e questões com gabarito comentado.
Como identificar o sujeito
O sujeito é um dos termos essenciais da oração. Em geral, ele é o termo sobre o qual se declara alguma coisa e com o qual o verbo estabelece concordância. Na oração “Os estudantes chegaram cedo”, o verbo “chegaram” está no plural porque concorda com “os estudantes”, que é o sujeito.
Uma maneira útil de localizá-lo é partir do verbo e perguntar: “quem é que?” ou “o que é que?” pratica, sofre ou apresenta o estado expresso pelo verbo. Em “A chuva alagou as ruas”, pergunta-se: “O que alagou as ruas?”. A resposta é “a chuva”. Porém, esse procedimento não deve ser aplicado mecanicamente, pois há orações que não têm sujeito.
Também é importante não confundir sujeito com objeto. Em “A equipe venceu o campeonato”, “a equipe” é o sujeito, pois realizou a ação de vencer; “o campeonato” é o objeto direto, pois completa o sentido do verbo. A posição na oração não define a função: em “Chegaram os convidados”, o sujeito aparece depois do verbo, mas continua sendo “os convidados”.
Dica central: identifique primeiro o verbo ou a locução verbal. Depois, verifique se existe um termo com o qual ele concorda. Essa análise é mais segura do que procurar apenas um substantivo na frase.
Principais tipos de sujeito
A classificação depende da presença do sujeito na oração, da possibilidade de identificá-lo e do número de núcleos que ele apresenta. Núcleo é a palavra principal do sujeito, geralmente um substantivo, pronome ou numeral.
| Tipo | Característica | Exemplo |
|---|---|---|
| Sujeito simples | Apresenta um núcleo. | “A professora explicou a matéria.” |
| Sujeito composto | Apresenta dois ou mais núcleos. | “A professora e os alunos discutiram o tema.” |
| Sujeito oculto | Não aparece expresso, mas pode ser identificado pela desinência verbal ou pelo contexto. | “Chegamos cedo.” |
| Sujeito indeterminado | Existe, mas não se pode ou não se deseja identificar quem ele é. | “Disseram que haverá mudanças.” |
| Oração sem sujeito | O verbo é impessoal; portanto, não há sujeito. | “Faz dois anos que nos conhecemos.” |
Sujeito simples e sujeito composto
O sujeito simples pode ser formado por muitas palavras, desde que tenha apenas um núcleo. Em “Os antigos livros da biblioteca desapareceram”, o sujeito é “os antigos livros da biblioteca”, e o núcleo é “livros”. Já em “Livros e revistas desapareceram”, há dois núcleos, “livros” e “revistas”; por isso, o sujeito é composto.
Sujeito oculto, indeterminado e oração sem sujeito
O sujeito oculto, também chamado de desinencial ou elíptico, pode ser recuperado pela forma verbal: em “Estudamos para a avaliação”, a terminação de “estudamos” indica “nós”. No sujeito indeterminado, o agente não é recuperável. Isso ocorre, por exemplo, com verbo na terceira pessoa do plural sem referência anterior definida: “Bateram à porta”.
Outra forma de indeterminação ocorre com o pronome “se” junto a verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação na terceira pessoa do singular: “Precisa-se de voluntários” e “Vive-se bem aqui”. Não confunda esse caso com a voz passiva sintética: em “Vendem-se apartamentos”, “apartamentos” é sujeito paciente, e o verbo vai ao plural.
Nas orações sem sujeito, alguns verbos são impessoais. São casos frequentes o verbo “haver” com sentido de existir ou ocorrer, o verbo “fazer” ao indicar tempo transcorrido ou fenômeno climático e verbos que indicam fenômenos da natureza, como “chover”, quando usados literalmente.
Estratégia para resolver questões
Ao responder a uma questão de classificação, siga uma sequência de análise. Ela evita erros causados por frases invertidas, sujeitos longos e verbos impessoais.
- Localize o verbo ou a locução verbal da oração.
- Observe se o verbo está em uma construção impessoal, como “havia”, “faz” indicando tempo ou “choveu”.
- Se não for impessoal, procure o termo que concorda com o verbo.
- Conte os núcleos desse termo: um indica sujeito simples; dois ou mais indicam sujeito composto.
- Se o sujeito não estiver escrito, avalie se ele é recuperável pelo verbo ou pelo contexto. Se não for, poderá ser indeterminado.
A concordância verbal oferece pistas decisivas. Em “Faltam três páginas”, o verbo está no plural para concordar com “três páginas”, sujeito posposto. Em contraste, na frase “Há três páginas faltando”, “há” permanece no singular porque o verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal.
Exercícios de identificação
Leia as orações a seguir. Em cada uma, identifique o sujeito, quando houver, e indique seu núcleo ou seus núcleos. Se a oração não tiver sujeito, escreva “oração sem sujeito”.
- As luzes do corredor permaneceram acesas durante a noite.
- Chegaram atrasados os participantes da reunião.
- O diretor e a coordenadora anunciaram as mudanças.
- Faremos a inscrição amanhã pela manhã.
- Havia muitas dúvidas sobre o regulamento.
- Choveu intensamente no litoral ontem.
- Meus irmãos mais novos gostam de histórias em quadrinhos.
- Faz dez dias que a biblioteca está fechada.
Antes de consultar a correção, observe as formas verbais: “permaneceram”, “chegaram”, “anunciaram”, “faremos”, “havia”, “choveu”, “gostam” e “faz”. Essa etapa mostra que nem todo verbo no singular possui sujeito simples e que um sujeito pode estar deslocado para depois do predicado.
Exercícios de classificação
Classifique o sujeito das orações abaixo em simples, composto, oculto ou indeterminado. Quando não existir sujeito, indique “oração sem sujeito”.
- Os atletas treinaram durante toda a tarde.
- A chuva e o vento derrubaram algumas árvores.
- Voltaremos ao laboratório depois do intervalo.
- Falaram sobre o resultado da seleção.
- Precisa-se de profissionais qualificados.
- Vendem-se bicicletas usadas nesta loja.
- Houve problemas técnicos durante a transmissão.
- Naquela cidade, fazia muito frio em julho.
- Eu e minha prima organizamos os materiais.
- Encontraram uma carteira no pátio da escola.
Nas frases com “se”, analise a transitividade do verbo. “Precisar de” exige preposição e, por isso, “de profissionais qualificados” não é sujeito. Já “vender” é transitivo direto; em “Vendem-se bicicletas”, “bicicletas” recebe a ação e funciona como sujeito paciente. A concordância no plural confirma essa interpretação.
Gabarito comentado
Respostas dos exercícios de identificação
- O sujeito é “As luzes do corredor”; o núcleo é “luzes”.
- O sujeito é “os participantes da reunião”; o núcleo é “participantes”. Ele está posposto ao verbo “chegaram”.
- O sujeito é “O diretor e a coordenadora”; os núcleos são “diretor” e “coordenadora”.
- O sujeito é oculto: “nós”. A forma “faremos” permite identificá-lo.
- É uma oração sem sujeito. “Havia” tem sentido de existir e o verbo “haver” é impessoal nesse emprego.
- É uma oração sem sujeito. O verbo “chover” indica fenômeno da natureza em sentido literal.
- O sujeito é “Meus irmãos mais novos”; o núcleo é “irmãos”.
- É uma oração sem sujeito. “Faz” indica tempo transcorrido e permanece no singular.
Respostas dos exercícios de classificação
- Sujeito simples: “Os atletas”. O núcleo é “atletas”.
- Sujeito composto: “A chuva e o vento”. Há dois núcleos.
- Sujeito oculto: “nós”. Ele é indicado pela forma verbal “voltaremos”.
- Sujeito indeterminado. O verbo está na terceira pessoa do plural, mas não há elemento que permita saber quem falou.
- Sujeito indeterminado. O verbo “precisar” é transitivo indireto, pois exige a preposição “de”, e o “se” é índice de indeterminação.
- Sujeito simples: “bicicletas usadas”. O núcleo é “bicicletas”; o “se” é partícula apassivadora.
- Oração sem sujeito. “Houve” equivale a “existiram”, mas o verbo “haver” permanece no singular.
- Oração sem sujeito. O verbo “fazer” indica fenômeno climático e é impessoal.
- Sujeito composto: “Eu e minha prima”. Os núcleos são “eu” e “prima”.
- Sujeito indeterminado. O verbo está na terceira pessoa do plural sem agente determinado pelo contexto.
Um erro comum é chamar de sujeito indeterminado o termo que aparece depois de “haver”. Em “Houve problemas”, “problemas” é objeto direto, não sujeito. Outro equívoco é supor que toda oração com “se” tenha sujeito indeterminado. A análise da transitividade e da concordância é indispensável para diferenciar as construções.
Pontos de revisão
Para revisar os tipos de sujeito, comece sempre pelo verbo. Em seguida, verifique se há concordância com algum termo da oração e quantos núcleos esse termo possui. Lembre-se de que sujeitos podem aparecer antes ou depois do verbo e podem até ficar ocultos.
- Sujeito simples: um núcleo.
- Sujeito composto: dois ou mais núcleos.
- Sujeito oculto: identificável pela desinência verbal ou pelo contexto.
- Sujeito indeterminado: existente, mas impossível de identificar.
- Oração sem sujeito: construída com verbo impessoal.
Em exercícios, dê atenção especial a “haver” com sentido de existir, “fazer” indicando tempo ou clima, verbos de fenômenos naturais e frases com “se”. Essas estruturas são recorrentes porque exigem análise sintática, e não apenas a memorização de definições.