Exercícios de concordância verbal ajudam a reconhecer a relação entre o verbo e o sujeito da oração. Para resolvê-los corretamente, localize primeiro quem pratica, sofre ou apresenta o fato expresso pelo verbo; em seguida, observe o número e a pessoa desse sujeito. A regra parece simples, mas construções com porcentagens, pronomes, expressões partitivas e sujeito posposto exigem análise cuidadosa.
Em textos formais, a concordância é importante para a clareza e para a adequação à norma-padrão. Porém, não basta decorar terminações verbais: é preciso compreender a estrutura da frase. Neste artigo, você revisará as regras mais frequentes e poderá praticá-las em questões com respostas comentadas.
O que é concordância verbal
Concordância verbal é a adequação do verbo ao sujeito em número, singular ou plural, e em pessoa, primeira, segunda ou terceira. Na oração “Os estudantes revisaram o conteúdo”, o núcleo do sujeito é “estudantes”, que está na terceira pessoa do plural. Por isso, o verbo também aparece no plural: “revisaram”.
O núcleo é a palavra principal do sujeito. Ele determina a forma verbal, mesmo quando há outros termos próximos ao verbo. Em “A coleção de livros antigos pertence à biblioteca”, o verbo fica no singular porque o núcleo do sujeito é “coleção”, e não “livros”. Esse é um ponto decisivo: palavras dentro de complementos nominais ou preposicionados não comandam a concordância.
Procedimento útil: encontre o verbo, pergunte “quem é que?” ou “o que é que?” realiza o fato e identifique o núcleo da resposta. Só então escolha a forma verbal.
Também é necessário distinguir sujeito de outros termos. Em “Chegaram muitos candidatos”, o sujeito vem depois do verbo: “muitos candidatos”. Ainda assim, ele exige plural. Já em “Havia muitos candidatos”, “muitos candidatos” é objeto direto do verbo haver no sentido de existir; portanto, o verbo permanece no singular.
Regras fundamentais
Quando o sujeito apresenta um único núcleo, o verbo concorda diretamente com ele. Se o núcleo estiver no singular, emprega-se singular; se estiver no plural, emprega-se plural. A ordem dos termos não altera essa relação: “A turma chegou cedo” e “Chegou cedo a turma” mantêm o verbo no singular.
Com sujeito composto, formado por dois ou mais núcleos, a regra geral é usar o verbo no plural. Assim, em “A professora e os alunos organizaram a feira”, “professora” e “alunos” formam um conjunto plural. Quando o sujeito composto vem depois do verbo, o plural continua sendo a forma preferível na norma-padrão: “Chegaram a diretora e os coordenadores”.
Há ainda concordância de pessoa. Se o sujeito composto inclui “eu”, o verbo vai normalmente para a primeira pessoa do plural: “Eu e meus colegas faremos o trabalho”. Se não houver “eu”, mas houver “tu”, a forma tradicional é a segunda pessoa do plural: “Tu e teus amigos fareis”. No uso brasileiro, é frequente a construção com “vocês” e terceira pessoa: “Você e seus amigos farão”.
- Sujeito simples: “A pesquisadora apresentou os dados.”
- Sujeito simples no plural: “As pesquisadoras apresentaram os dados.”
- Sujeito composto: “A pesquisadora e os estudantes apresentaram os dados.”
- Sujeito posposto: “Surgiram novas propostas durante o debate.”
Os pronomes de tratamento, como “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria” e “Vossa Majestade”, exigem verbo na terceira pessoa: “Vossa Excelência decidirá o encaminhamento”. Embora se refiram ao interlocutor, esses pronomes têm concordância gramatical de terceira pessoa.
Casos especiais que exigem atenção
Expressões partitivas e porcentagens
Expressões como “a maioria de”, “grande parte de”, “a metade de” e “uma parcela de” podem levar o verbo ao singular, concordando com o núcleo da expressão, ou ao plural, concordando com o termo plural especificado. Em “A maioria dos alunos participou” e “A maioria dos alunos participaram”, as duas formas são aceitas pela gramática. Em situações escolares, convém manter coerência e preferir a forma que deixe mais clara a ideia enfatizada.
Com porcentagens, o verbo tende a concordar com o número indicado: “1% da turma faltou”; “30% dos alunos faltaram”. Se houver um determinante plural, como “os 20%”, o plural é esperado: “Os 20% dos eleitores aprovaram a medida”.
Pronomes e coletivos
Com “quem”, o verbo costuma ficar na terceira pessoa do singular: “Fui eu quem explicou a regra”. Também se admite a concordância com o antecedente: “Fui eu quem expliquei a regra”. Com “que”, o verbo concorda obrigatoriamente com o antecedente: “Fui eu que expliquei a regra”.
Os coletivos, como “multidão”, “equipe”, “classe” e “grupo”, levam o verbo ao singular quando aparecem sem especificação: “A equipe venceu”. Se vierem acompanhados de expressão plural, pode haver atração para o plural em certos contextos: “Um grupo de turistas chegou” ou “Um grupo de turistas chegaram”. A forma singular destaca o grupo como unidade e é uma escolha segura em textos formais.
Verbos impessoais
Os verbos impessoais não têm sujeito e, por isso, ficam na terceira pessoa do singular. O verbo haver, com sentido de existir, ocorrer ou acontecer, é impessoal: “Havia dúvidas”, “Houve problemas”, “Deve haver soluções”. Mesmo acompanhado por outro verbo, mantém-se no singular.
O verbo fazer, ao indicar tempo decorrido ou fenômeno climático, também é impessoal: “Faz três anos que estudo aqui”; “Fazia dias frios”. Já em “Eles fazem relatórios”, o verbo tem sujeito e varia normalmente. Observe a comparação:
| Construção | Forma adequada | Justificativa |
|---|---|---|
| Existir muitos motivos | Havia muitos motivos | Haver tem sentido de existir e é impessoal. |
| Decorrer dois meses | Faz dois meses | Fazer indica tempo transcorrido. |
| Aparecer muitos motivos | Apareceram muitos motivos | “Muitos motivos” é sujeito plural. |
Exercícios objetivos de concordância verbal
Complete as frases com a forma verbal adequada. Antes de consultar o gabarito, destaque mentalmente o núcleo do sujeito ou verifique se o verbo é impessoal.
- A maior parte dos visitantes ________ cedo. (chegou/chegaram)
- ________ muitos argumentos para a revisão da proposta. (Havia/Haviam)
- Nem o diretor nem os professores ________ da reunião. (participou/participaram)
- ________ cinco anos que a biblioteca foi inaugurada. (Faz/Fazem)
- Mais de um estudante ________ a mesma pergunta. (fez/fizeram)
- Eu, tu e Marina ________ o regulamento. (leremos/lereis/lerão)
- Qual das alternativas ________ mais adequada? (parece/parecem)
- Os Estados Unidos ________ grande extensão territorial. (possui/possuem)
Gabarito comentado
1. As duas formas são possíveis: “A maior parte dos visitantes chegou” enfatiza “parte”; “chegaram” aproxima o verbo de “visitantes”. 2. “Havia”, pois haver com sentido de existir é impessoal. 3. “Participaram”: com núcleos ligados por “nem... nem”, usa-se geralmente o plural quando a ideia é de soma.
4. “Faz”, porque o verbo indica tempo decorrido. 5. “Fez”: a expressão “mais de um” pede, em regra, verbo no singular. O plural pode ocorrer se houver ideia de reciprocidade, como em “Mais de um aluno se cumprimentaram”. 6. “Leremos”, pois a presença de “eu” leva o verbo à primeira pessoa do plural.
7. “Parece”, porque o núcleo é o pronome interrogativo singular “qual”. 8. “Possuem”: nomes de países pluralizados com artigo, como “os Estados Unidos”, geralmente levam o verbo ao plural. Entretanto, se o nome for entendido como uma entidade singular sem artigo, podem ocorrer usos no singular em contextos específicos.
Exercícios contextualizados
Reescreva as frases que apresentam inadequação de concordância segundo a norma-padrão. Algumas já estão corretas.
- Devem haver alternativas mais econômicas.
- Chegou ao laboratório os materiais solicitados.
- Mais de 40% da área foi preservada.
- Foi os estudantes que organizaram o abaixo-assinado.
- Existe diferenças entre os dois conceitos.
- Vossa Senhoria estais convidado para a cerimônia.
Resoluções
Na frase 1, a forma adequada é “Deve haver alternativas mais econômicas”. Como “haver” é impessoal no sentido de existir, o auxiliar “dever” também fica no singular. Na frase 2, escreva “Chegaram ao laboratório os materiais solicitados”, pois o sujeito posposto está no plural.
A frase 3 está correta: “40% da área” apresenta como referência um núcleo singular, “área”, e o verbo pode ficar no singular. Na frase 4, a correção é “Foram os estudantes que organizaram o abaixo-assinado”; o verbo concorda com “os estudantes”. Na frase 5, use “Existem diferenças entre os dois conceitos”, porque “diferenças” é sujeito plural do verbo existir.
Por fim, a frase 6 deve ser “Vossa Senhoria está convidada para a cerimônia”. Pronomes de tratamento pedem terceira pessoa. A forma do adjetivo pode variar conforme o sexo da pessoa a quem se dirige o enunciado: “convidado” ou “convidada”.
Como revisar e sintetizar
Uma revisão eficiente não depende de memorizar listas isoladas. Ao praticar, classifique cada caso: sujeito simples, sujeito composto, expressão partitiva, pronome relativo, verbo impessoal ou outro tipo de construção. Depois, explique em uma frase por que o verbo está no singular ou no plural. Essa justificativa revela se a regra foi realmente compreendida.
- Localize o verbo principal e seus possíveis auxiliares.
- Identifique o sujeito e o núcleo desse sujeito.
- Desconsidere, inicialmente, termos introduzidos por preposição, pois eles podem apenas acompanhar o núcleo.
- Verifique se há verbo impessoal, sobretudo haver com sentido de existir e fazer indicando tempo.
- Leia a frase completa novamente para conferir sentido e coerência.
Concordar não é aproximar o verbo da palavra mais próxima: é relacioná-lo corretamente ao sujeito da oração.
Em síntese, a regra central é a concordância entre verbo e núcleo do sujeito. Os desafios mais comuns surgem quando o sujeito está distante, aparece depois do verbo ou é substituído por estruturas especiais. Ao reconhecer essas construções e resolver exercícios comentados, você transforma a análise gramatical em um procedimento objetivo de leitura e escrita.