A formação do relevo é o conjunto de processos naturais que cria, eleva, desgasta e transforma as irregularidades da superfície terrestre. Montanhas, planaltos, planícies, depressões e vales não são formas fixas: resultam da ação combinada de forças que vêm do interior do planeta e de agentes que atuam na superfície, como a água, o vento, as variações de temperatura e os seres vivos.
O relevo influencia a ocupação humana, os cursos dos rios, os tipos de solo, as atividades econômicas e até aspectos do clima local. Para compreendê-lo, a Geografia recorre também à Geologia e à Geomorfologia, ciência que estuda as formas da superfície terrestre e sua origem. Embora algumas mudanças sejam perceptíveis em poucos anos, como um deslizamento, a maior parte ocorre em escalas de milhares ou milhões de anos.
Conceito de formação do relevo
Relevo é o conjunto das formas existentes na superfície da Terra, tanto nas áreas continentais quanto no fundo dos oceanos. Ele inclui elevações, superfícies mais planas, rebaixamentos e inclinações. A formação do relevo, portanto, não significa apenas o surgimento dessas formas; envolve também suas alterações permanentes ao longo do tempo.
Esse processo depende de uma relação dinâmica entre construção e destruição. Movimentos da crosta terrestre podem elevar grandes blocos rochosos e originar cadeias montanhosas. Ao mesmo tempo, a chuva, os rios e o vento desgastam as rochas, removem fragmentos e depositam materiais em outras áreas. Assim, uma região pode ser elevada por forças internas e, posteriormente, rebaixada pela erosão.
Ideia central: os agentes internos tendem a criar ou elevar grandes estruturas do relevo, enquanto os agentes externos atuam no desgaste, no transporte e na acumulação de sedimentos. Na natureza, esses mecanismos ocorrem ao mesmo tempo.
É importante diferenciar relevo de paisagem. A paisagem é tudo aquilo que pode ser percebido em determinado lugar, incluindo elementos naturais e construídos pelos seres humanos. O relevo é um dos componentes naturais dessa paisagem, ao lado de aspectos como vegetação, clima, rios e solos.
Estrutura da Terra e tempo geológico
A explicação da formação do relevo começa pela estrutura interna do planeta. A Terra é formada, de modo simplificado, por crosta, manto e núcleo. A crosta é a camada mais externa e sólida, onde vivemos. Ela não é inteiramente contínua: está dividida em grandes blocos chamados placas tectônicas, que se movem lentamente sobre materiais mais quentes e plásticos do manto superior.
O movimento das placas ocorre devido à energia interna da Terra, relacionada principalmente ao calor existente em seu interior. Como as placas se deslocam alguns centímetros por ano, seus efeitos podem parecer lentos na escala humana. Porém, acumulados durante milhões de anos, esses deslocamentos modificam profundamente a disposição dos continentes e oceanos e criam grandes formas de relevo.
Por isso, a idade das rochas e os acontecimentos geológicos são fundamentais para interpretar uma paisagem. Uma cadeia de montanhas jovem, em termos geológicos, costuma apresentar altitudes elevadas e encostas íngremes. Já áreas muito antigas foram submetidas por mais tempo ao intemperismo e à erosão, podendo apresentar formas arredondadas e altitudes menores.
Agentes internos: forças que elevam e deformam a crosta
Os agentes internos, também chamados de endógenos, têm origem na energia do interior terrestre. Eles atuam principalmente por meio do tectonismo, do vulcanismo e dos terremotos. Esses fenômenos podem alterar a posição das rochas, provocar fraturas e produzir grandes desníveis na superfície.
Tectonismo e movimentos das placas
O tectonismo corresponde aos movimentos e às deformações da crosta. Quando duas placas tectônicas se aproximam, a pressão pode dobrar camadas rochosas, formando dobramentos. Esse mecanismo está ligado à origem de cadeias montanhosas recentes, como os Andes, na América do Sul, e o Himalaia, na Ásia.
Também podem ocorrer falhas, que são fraturas nas rochas acompanhadas de deslocamento. Em alguns casos, um bloco se eleva em relação a outro; em outros, afunda. Esses movimentos ajudam a formar escarpas, vales tectônicos e depressões. Nas áreas onde as placas se afastam, materiais do interior podem preencher a abertura e formar nova crosta.
Vulcanismo e terremotos
O vulcanismo acontece quando o magma, material rochoso em alta temperatura, alcança ou se aproxima da superfície. Ao resfriar, ele origina rochas magmáticas e pode construir cones vulcânicos, ilhas e extensos derrames de lava. Embora as erupções sejam eventos pontuais, seus depósitos podem modificar grandes áreas.
Os terremotos resultam da liberação súbita de energia acumulada nas rochas, geralmente em zonas de falhas ou de contato entre placas. Nem todo terremoto altera visivelmente o relevo, mas os mais intensos podem provocar rachaduras, deslizamentos e mudanças no nível do terreno. O Brasil está no interior da Placa Sul-Americana, longe de suas bordas mais ativas; por isso, não possui vulcanismo ativo nem terremotos de grande intensidade com frequência.
Agentes externos: desgaste, transporte e deposição
Os agentes externos, ou exógenos, atuam na superfície terrestre. Eles utilizam energia do Sol, da gravidade e da circulação da água para modificar rochas e solos. Seu trabalho costuma ser descrito em três etapas relacionadas: intemperismo, erosão e sedimentação.
O intemperismo é a desagregação ou a alteração das rochas no próprio local onde elas se encontram. Pode ser físico, quando a rocha se fragmenta sem mudar sua composição, ou químico, quando seus minerais são transformados pela ação da água e de substâncias dissolvidas. A alternância entre aquecimento e resfriamento, por exemplo, pode favorecer fissuras em rochas expostas.
A erosão ocorre quando partículas de rocha e solo são removidas e transportadas. A água da chuva e dos rios é um dos principais agentes erosivos, mas o vento, as ondas do mar, o gelo e a gravidade também atuam. Nas encostas, a retirada da cobertura vegetal pode intensificar a erosão, pois as raízes ajudam a fixar o solo e as folhas reduzem o impacto direto das gotas de chuva.
Quando a energia do agente transportador diminui, os materiais carregados tendem a se acumular. Esse processo é chamado de sedimentação ou deposição. Areias, argilas e cascalhos podem ser depositados em leitos de rios, lagos, praias, deltas e planícies. Com o passar do tempo, os sedimentos podem se compactar e originar rochas sedimentares.
- Água: escava vales, transporta sedimentos e forma planícies fluviais.
- Vento: remove partículas finas e acumula areia, formando dunas em áreas favoráveis.
- Mar: desgasta falésias e redistribui sedimentos ao longo das praias.
- Gravidade: desloca materiais em encostas, podendo causar movimentos de massa.
- Seres vivos: raízes fraturam rochas, e a ação humana pode acelerar ou reduzir a erosão.
Formas de relevo e processos predominantes
As formas de relevo recebem classificações de acordo com características como altitude, inclinação, estrutura geológica e processo de origem. Não se deve associar cada forma a apenas um agente, porque quase todas resultam de processos combinados. Ainda assim, alguns mecanismos são mais importantes em determinadas situações.
| Forma de relevo | Características gerais | Processos frequentes |
|---|---|---|
| Montanhas | Grandes elevações, geralmente com encostas acentuadas | Dobramentos, falhamentos, vulcanismo e erosão |
| Planaltos | Áreas elevadas onde a erosão costuma predominar | Soerguimento antigo e desgaste erosivo |
| Planícies | Áreas mais baixas e relativamente planas | Acumulação de sedimentos por rios, mares ou lagos |
| Depressões | Áreas rebaixadas em relação ao entorno | Erosão prolongada ou movimentos tectônicos |
Planaltos e planícies não são definidos apenas pela altitude. Um planalto pode ter altitudes moderadas ou até baixas, desde que o desgaste erosivo seja mais marcante que a deposição de sedimentos. Já uma planície pode ocorrer em altitude elevada, desde que seja uma área de deposição. Essa diferença é muito cobrada em exercícios de Geografia.
Vales, chapadas, cuestas, morros e falésias são exemplos de formas mais específicas. Sua aparência depende do tipo de rocha, da resistência dos materiais ao desgaste, do clima e da atuação dos agentes erosivos. Rochas mais resistentes tendem a permanecer elevadas por mais tempo, enquanto materiais menos resistentes são desgastados com maior facilidade.
A formação do relevo brasileiro
O relevo brasileiro é considerado geologicamente antigo. Grande parte do território está localizada sobre estruturas muito antigas e relativamente estáveis, afastadas das zonas de encontro entre placas tectônicas. Por essa razão, o país não apresenta cadeias de dobramentos modernos, como os Andes, nem vulcões ativos.
Ao longo de milhões de anos, a erosão atuou intensamente sobre as estruturas brasileiras. Por isso, predominam formas de altitude média, como planaltos e depressões. As planícies ocupam áreas menores, mas têm grande importância, sobretudo nas regiões associadas a rios e à sedimentação recente, como a Planície Amazônica, o Pantanal e trechos litorâneos.
Uma classificação bastante utilizada no ensino brasileiro, elaborada pelo geógrafo Jurandyr Ross, organiza o relevo em planaltos, planícies e depressões. Ela considera a ação predominante da erosão e da sedimentação, além de informações geológicas e altimétricas. Essa proposta reforça que o território brasileiro está em transformação contínua, mesmo sem intensa atividade tectônica atual.
As ações humanas também interferem na dinâmica do relevo. Desmatamento, mineração, abertura de estradas, ocupação de encostas e práticas agrícolas inadequadas podem acelerar a erosão e favorecer ravinas, voçorocas e deslizamentos. Em contrapartida, a preservação da vegetação, o terraceamento agrícola e o planejamento urbano podem contribuir para a conservação dos solos e a redução de riscos.
Síntese para revisão
A formação do relevo é contínua e resulta da interação entre forças internas e externas da Terra. O tectonismo, o vulcanismo e os terremotos movimentam e deformam a crosta; o intemperismo, a erosão e a sedimentação desgastam, transportam e acumulam materiais. Desse equilíbrio dinâmico surgem as diferentes formas da superfície terrestre.
- O relevo é o conjunto das formas da superfície terrestre e do fundo oceânico.
- Agentes internos constroem ou deformam estruturas; agentes externos remodelam essas estruturas.
- Intemperismo altera rochas no local, erosão remove e transporta materiais, e sedimentação os deposita.
- Planaltos apresentam predomínio de erosão, enquanto planícies apresentam predomínio de sedimentação.
- No Brasil, estruturas antigas e a longa ação erosiva explicam a predominância de planaltos e depressões.
Ao analisar uma paisagem, procure identificar quais agentes atuam nela e quais evidências eles deixam: um rio pode formar um vale e depositar sedimentos; o mar pode desgastar uma falésia; e movimentos tectônicos podem elevar ou fraturar blocos rochosos. Essa observação permite entender o relevo como uma parte ativa e histórica do espaço geográfico.