Exercícios sobre relevo brasileiro com gabarito ajudam a revisar como as formas da superfície terrestre são classificadas e quais processos as modificam. Para resolvê-los bem, é necessário distinguir planaltos, planícies e depressões pelo processo predominante de formação, relacionar o relevo às estruturas geológicas e evitar confundir altitude com classificação geomorfológica.
O que estudar sobre o relevo brasileiro
O relevo é o conjunto das formas existentes na superfície da Terra, como serras, chapadas, vales, planaltos e áreas mais baixas. Ele resulta da ação contínua de processos internos do planeta, como tectonismo e vulcanismo, e de processos externos, como intemperismo, erosão, transporte e sedimentação. No território brasileiro, os processos externos têm grande importância na modelagem atual da paisagem.
O Brasil está localizado, em sua maior parte, no interior da Placa Sul-Americana, distante das bordas onde se concentram terremotos e vulcões mais intensos. Por isso, não apresenta dobramentos modernos comparáveis aos Andes. Isso não significa que o relevo brasileiro seja imóvel: chuvas, rios, vento, variações de temperatura e organismos desgastam rochas e redistribuem materiais permanentemente.
As estruturas geológicas brasileiras são antigas e incluem escudos cristalinos, bacias sedimentares e faixas de dobramentos antigos. Essas estruturas fornecem a base sobre a qual os agentes externos atuam. Em questões escolares, é comum associar os escudos cristalinos à ocorrência de minerais metálicos e as bacias sedimentares à presença de combustíveis fósseis, embora a distribuição dos recursos dependa de condições geológicas específicas.
Atenção: altitude isolada não define uma planície, um planalto ou uma depressão. A classificação mais utilizada considera principalmente se predominam erosão ou sedimentação e a posição relativa de uma área em relação ao seu entorno.
Formas principais do relevo
Na classificação de Jurandyr Ross, amplamente adotada em materiais didáticos, o relevo brasileiro é organizado em planaltos, planícies e depressões. O pesquisador utilizou dados de altitude, imagens de radar, informações geológicas e, sobretudo, a dinâmica de erosão e sedimentação para propor essa divisão.
| Forma de relevo | Processo predominante | Característica essencial | Exemplo brasileiro |
|---|---|---|---|
| Planalto | Erosão | Área em que o desgaste supera a deposição de sedimentos | Planalto Central |
| Planície | Sedimentação | Área relativamente plana, com deposição de sedimentos | Planície do Pantanal |
| Depressão | Erosão | Área mais baixa que as regiões vizinhas, sem precisar estar abaixo do nível do mar | Depressão Sertaneja e do São Francisco |
Planaltos
Os planaltos ocupam grande parte do território brasileiro. Podem apresentar superfícies elevadas, serras, chapadas e morros, portanto não são necessariamente planos. Neles, a erosão retira materiais em intensidade maior que a sedimentação. Muitas nascentes de rios encontram-se em áreas de planalto, e os desníveis do terreno favorecem a produção de energia hidrelétrica em diversos trechos fluviais.
Planícies e depressões
As planícies são áreas onde sedimentos transportados por rios, mares ou ventos se acumulam. A Planície Amazônica, a Planície do Pantanal e planícies litorâneas são exemplos frequentes em exercícios. Já as depressões são superfícies rebaixadas em relação aos terrenos ao redor. Uma depressão pode estar acima do nível do mar, caso comum no Brasil; somente as depressões abaixo desse nível recebem o nome de absolutas.
Exercícios sobre relevo brasileiro
Assinale a alternativa que apresenta corretamente o critério central usado para diferenciar planaltos e planícies na classificação do relevo brasileiro.
- A) A presença ou ausência de vegetação.
- B) O processo predominante de erosão ou sedimentação.
- C) A distância em relação ao litoral.
- D) A quantidade de habitantes na região.
Uma área extensa, baixa e sujeita ao acúmulo periódico de sedimentos trazidos pelos rios é classificada, em geral, como:
- A) planície.
- B) planalto.
- C) serra.
- D) depressão absoluta.
Julgue as afirmações a seguir como verdadeiras ou falsas: I. Todo planalto é uma superfície completamente plana. II. As depressões brasileiras estão, obrigatoriamente, abaixo do nível do mar. III. A erosão é um processo importante na formação dos planaltos e das depressões.
Explique por que é incorreto afirmar que toda área de grande altitude é um planalto.
O Pantanal é frequentemente citado como exemplo de planície. Qual processo explica principalmente essa classificação?
- A) Dobramento recente de camadas rochosas.
- B) Acúmulo de sedimentos em uma área de inundação.
- C) Vulcanismo intenso e atual.
- D) Formação de geleiras permanentes.
Assinale a opção que relaciona corretamente uma característica geológica do Brasil ao seu relevo.
- A) Predomínio de montanhas jovens e vulcões ativos.
- B) Ocorrência exclusiva de rochas sedimentares em todo o território.
- C) Presença de estruturas geológicas antigas, intensamente remodeladas pela erosão.
- D) Ausência de bacias sedimentares.
Leia a situação: em uma região, a água da chuva infiltra-se nas rochas, dissolve minerais, fragmenta materiais e transporta partículas para os rios. Cite dois processos externos presentes nessa descrição.
Uma depressão relativa é definida como uma área:
- A) abaixo do nível do mar.
- B) mais baixa que as áreas vizinhas.
- C) formada apenas por deposição marinha.
- D) situada obrigatoriamente no litoral.
Relacione o relevo à rede hidrográfica: por que áreas de planalto podem favorecer a instalação de usinas hidrelétricas?
Em uma prova, um estudante afirmou que o Brasil não possui grandes cadeias montanhosas jovens porque seu território está distante de bordas convergentes de placas tectônicas. A afirmação está correta? Justifique brevemente.
Gabarito comentado
B. O critério decisivo é o processo dominante: nos planaltos, predomina a erosão; nas planícies, a sedimentação. A altitude pode auxiliar a descrição, mas não resolve sozinha a classificação.
A. A deposição de materiais transportados pelos rios caracteriza as planícies fluviais. Em muitos casos, essas áreas sofrem inundações em determinados períodos do ano.
I é falsa, II é falsa e III é verdadeira. Planaltos podem ser irregulares e apresentar serras ou chapadas. Depressões relativas, muito comuns no Brasil, ficam abaixo do relevo vizinho, mas não necessariamente abaixo do nível do mar.
Altitude é uma medida vertical em relação ao nível médio do mar, enquanto a classificação geomorfológica considera a dinâmica do relevo. Uma área alta pode ter forte deposição ou outras características que impeçam sua identificação automática como planalto.
B. O Pantanal recebe e acumula sedimentos transportados pela rede hidrográfica, além de apresentar cheias sazonais. Por isso, é classificado como planície.
C. O território brasileiro possui estruturas antigas, como escudos cristalinos e bacias sedimentares. Ao longo de milhões de anos, essas estruturas foram desgastadas e remodeladas por agentes externos.
Há intemperismo químico, quando a água dissolve ou altera minerais, e erosão, quando partículas são removidas e transportadas. Também é possível mencionar o intemperismo físico, se o destaque for a fragmentação das rochas.
B. O termo “relativa” indica comparação com o entorno. Assim, a área pode estar em altitude positiva e ainda ser considerada uma depressão.
Em áreas de planalto, os rios frequentemente percorrem trechos com maior declividade, corredeiras ou quedas-d'água. O desnível permite transformar a energia do movimento da água em energia elétrica, desde que existam condições técnicas, ambientais e econômicas adequadas.
Sim. As grandes cadeias de montanhas jovens geralmente se formam em áreas de encontro de placas, onde há intensa compressão da crosta. Como o Brasil se localiza no interior da Placa Sul-Americana, predominam estruturas antigas, embora existam serras e elevações formadas e remodeladas ao longo do tempo.
Como interpretar questões sobre relevo
Antes de marcar uma alternativa, identifique o conceito pedido. Se o enunciado menciona acúmulo de materiais, cheias de rios, depósitos recentes ou terrenos aluviais, a resposta provavelmente envolve planícies e sedimentação. Se enfatiza desgaste, retirada de partículas, ação de rios e chuvas ou superfícies mais elevadas do entorno, pode indicar planaltos ou depressões.
Também é importante observar palavras que tornam uma frase excessiva, como “sempre”, “nunca”, “somente” e “obrigatoriamente”. A afirmação “toda depressão está abaixo do nível do mar”, por exemplo, é falsa justamente porque existem depressões relativas. Da mesma maneira, dizer que planalto é sinônimo de terreno plano ignora a diversidade de formas presentes nessas áreas.
- Diferencie estrutura geológica da forma atual do relevo.
- Associe sedimentação a planícies e erosão a planaltos e depressões.
- Use a altitude como informação complementar, não como único critério.
- Relacione rios, clima e intemperismo à transformação das paisagens.
- Em mapas, observe legenda, escala, cores hipsométricas e localização regional.
Em questões interdisciplinares, o relevo pode aparecer ligado à ocupação urbana, à agricultura, aos riscos de erosão, às enchentes, à mineração e à geração de energia. Nesses casos, a resposta deve conectar a característica física do terreno às ações humanas, sem supor que o relevo determine sozinho as atividades econômicas ou os problemas sociais.
Pontos de revisão
O relevo brasileiro é antigo e foi intensamente transformado por agentes externos, especialmente água, vento e variações de temperatura. Na classificação de Jurandyr Ross, as três grandes formas são planaltos, planícies e depressões. Planaltos e depressões têm predomínio de erosão; planícies apresentam predomínio de sedimentação.
Para finalizar a revisão, memorize três ideias: planalto não quer dizer área inteiramente plana; depressão não significa necessariamente área abaixo do nível do mar; e planície não é definida apenas por baixa altitude, mas pelo acúmulo de sedimentos. Com esses critérios, a leitura de textos, mapas e exercícios sobre o relevo brasileiro se torna mais precisa.