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Física

Queda livre: exercícios resolvidos e como calcular

Entenda o movimento de queda livre, escolha corretamente as fórmulas e resolva exercícios com velocidade, tempo, altura e gravidade.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino médio

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Queda livre exercícios exigem o uso das equações do movimento uniformemente variado para descrever corpos que se movem verticalmente apenas sob a ação da gravidade. Para resolvê-los, identifique a situação inicial, escolha um sentido positivo para o eixo vertical, organize os dados e aplique a fórmula que contém as grandezas pedidas. Em muitas questões escolares, adota-se g = 10 m/s²; quando o enunciado usar maior precisão, pode aparecer g = 9,8 m/s².

Embora a expressão sugira simplesmente “deixar cair”, o assunto também abrange objetos lançados para cima ou para baixo. O ponto essencial é que, desprezando a resistência do ar, a aceleração é constante e dirigida para baixo. Assim, a queda livre é um caso particular do movimento uniformemente variado, ou MUV.

O que é queda livre

Na definição física, um corpo está em queda livre quando a força gravitacional é a única força relevante atuando sobre ele. Próximo à superfície terrestre, essa força produz uma aceleração aproximadamente constante, chamada aceleração da gravidade. Seu módulo é indicado pela letra g.

Uma pedra abandonada de uma ponte é o exemplo mais comum: ela parte do repouso e ganha rapidez ao cair. Já uma bola lançada verticalmente para cima sobe diminuindo sua velocidade, para por um instante na altura máxima e depois desce. Durante toda essa trajetória, a aceleração continua apontando para baixo. O que muda é o sentido da velocidade.

No cotidiano, o ar exerce resistência e pode alterar bastante o movimento de penas, folhas e paraquedas. Porém, em exercícios introdutórios, essa resistência geralmente é desprezada, salvo se o enunciado disser o contrário. Quando ela é desprezada, corpos de massas diferentes caem com a mesma aceleração no mesmo local. Por isso, uma esfera metálica e uma bolinha de papel compactada, soltas da mesma altura no vácuo, chegam juntas ao chão.

Ideia central: massa não aparece nas fórmulas de queda livre ideal. Ela influencia o peso do corpo, mas não o valor da aceleração gravitacional quando a resistência do ar é ignorada.

Grandezas e convenções de sinal

Antes de calcular, defina um eixo vertical. A escolha é livre, mas deve ser mantida até o final. É muito comum adotar o sentido para cima como positivo. Nessa convenção, a aceleração da gravidade é negativa: a = −g. Se for adotado o sentido para baixo como positivo, então a = +g.

Os principais símbolos usados são:

  • y ou s: posição vertical do corpo, em metros;
  • Δy: deslocamento vertical, calculado por posição final menos posição inicial;
  • v0: velocidade inicial, em m/s;
  • v: velocidade em um instante posterior, em m/s;
  • t: intervalo de tempo, em segundos;
  • g: módulo da aceleração gravitacional, em m/s².

Em uma queda a partir do repouso, v0 é zero. Isso não significa que a velocidade seja zero durante todo o trajeto: ela aumenta em módulo a cada segundo. Se o corpo foi lançado para cima e o eixo positivo aponta para cima, sua velocidade inicial é positiva; ao descer, sua velocidade passa a ser negativa. O sinal informa o sentido, enquanto o módulo informa a rapidez.

SituaçãoSentido da velocidadeAceleração, com cima positivo
Subida após lançamentoPositiva−g
Altura máximaZero instantaneamente−g
DescidaNegativa−g

Fórmulas da queda livre

As fórmulas são as mesmas do MUV. Considerando o sentido para cima como positivo, substitui-se a aceleração por −g:

v = v0 − gt

Essa equação relaciona velocidade e tempo. É especialmente útil para descobrir quando um objeto chega à altura máxima, pois nesse ponto v = 0.

y = y0 + v0t − gt²/2

Essa expressão fornece a posição vertical em função do tempo. Se o problema informar uma altura h e o corpo for abandonado do repouso, também é possível medir o deslocamento para baixo como positivo e escrever h = gt²/2.

v² = v0² − 2g(y − y0)

Conhecida como equação de Torricelli, ela elimina o tempo. É conveniente quando a questão apresenta altura e velocidade, mas não informa duração do movimento.

Unidades e leitura física

Use metros, segundos e metros por segundo para evitar erros de conversão. Se uma altura vier em centímetros, converta-a para metros antes de substituir na fórmula. A unidade m/s² quer dizer que a velocidade varia 10 m/s a cada segundo quando se usa g = 10 m/s². Na descida, com cima positivo, essa variação é de −10 m/s por segundo.

Como resolver exercícios

O cálculo fica mais seguro quando é feito em etapas. Não comece escolhendo uma fórmula apenas porque ela parece familiar: primeiro determine quais informações o problema realmente fornece e o que deseja encontrar.

  1. Leia a situação: verifique se o corpo foi abandonado, lançado para cima ou lançado para baixo.
  2. Defina o eixo: indique qual sentido será positivo e escreva o sinal da aceleração.
  3. Liste os dados: separe altura, velocidades, tempo e valor de g, sempre com unidades.
  4. Escolha a equação: dê preferência à que reúna a incógnita e os dados conhecidos.
  5. Faça a substituição com sinais: parênteses evitam perder o sinal negativo da aceleração.
  6. Interprete a resposta: verifique se o valor e a unidade fazem sentido para a situação.

Em questões de altura máxima, uma informação decisiva é que a velocidade é nula somente no instante de inversão do sentido. Isso não quer dizer que a aceleração se anula. A gravidade continua agindo e, logo depois, o objeto inicia a descida.

Uma resposta negativa de velocidade ou deslocamento não é necessariamente um erro. Ela pode apenas indicar que o movimento ocorreu no sentido oposto ao escolhido como positivo.

Exercícios resolvidos

1. Objeto abandonado de uma altura

Uma pedra é abandonada de uma janela situada a 45 m do solo. Despreze o ar e adote g = 10 m/s². Determine o tempo de queda e o módulo da velocidade ao atingir o chão.

Como a pedra é abandonada, v0 = 0. Tomando o deslocamento para baixo como positivo, temos 45 = 10t²/2. Logo, 45 = 5t², de modo que t² = 9 e t = 3 s. Para a velocidade, v = v0 + gt = 0 + 10 · 3 = 30 m/s. Portanto, a pedra leva 3 s e atinge o solo com rapidez de 30 m/s, dirigida para baixo.

2. Lançamento vertical para cima

Uma bola é lançada verticalmente para cima com velocidade inicial de 20 m/s. Considere g = 10 m/s². Qual é o tempo de subida e qual é a altura máxima em relação ao ponto de lançamento?

Com cima positivo, v = v0 − gt. No ponto mais alto, v = 0: 0 = 20 − 10t. Assim, t = 2 s. Para a altura, y − y0 = 20 · 2 − 10 · 2²/2 = 40 − 20 = 20 m. A bola sobe durante 2 s e alcança 20 m acima do ponto de partida.

3. Uso da equação sem tempo

Um objeto é lançado para baixo com velocidade inicial de 4 m/s e percorre 12 m até o chão. Qual é o módulo de sua velocidade final? Adote g = 10 m/s² e o sentido para baixo como positivo.

Aplicando v² = v0² + 2gΔs, obtemos v² = 4² + 2 · 10 · 12 = 16 + 240 = 256. Portanto, v = 16 m/s. Escolhe-se a raiz positiva porque, nesta convenção, o objeto se move para baixo, que é o sentido positivo.

Erros comuns e gráficos

Um erro frequente é usar g como se fosse sempre positivo, mesmo depois de escolher para cima como sentido positivo. Nessa convenção, o valor algébrico da aceleração é −10 m/s². Outro problema comum é afirmar que a gravidade desaparece na altura máxima. O que vale zero nesse instante é a velocidade; a aceleração permanece constante.

Também é preciso distinguir distância percorrida de deslocamento. Uma bola lançada para cima e que retorna ao ponto de partida percorre uma distância total positiva, mas tem deslocamento igual a zero. Caso a questão peça velocidade final, o sinal será relevante; se pedir rapidez, informe apenas o módulo.

Nos gráficos, a posição em função do tempo tem formato de parábola. Em um lançamento para cima, ela cresce até um máximo e depois diminui. Já o gráfico da velocidade em função do tempo é uma reta com inclinação negativa quando o eixo positivo aponta para cima. O gráfico da aceleração é uma linha horizontal no valor −g, pois a aceleração não muda ao longo do movimento ideal.

Pontos de revisão

Para revisar queda livre, retenha quatro ideias: a gravidade é a única ação considerada; a aceleração tem direção vertical para baixo; as equações são as do MUV; e os sinais dependem do eixo escolhido. A consistência da convenção é mais importante do que escolher cima ou baixo como positivo.

  • Corpo abandonado: velocidade inicial igual a zero.
  • Altura máxima: velocidade igual a zero, aceleração diferente de zero.
  • Sem resistência do ar: todos os corpos têm a mesma aceleração gravitacional no mesmo lugar.
  • g = 10 m/s² é uma aproximação usual quando o enunciado permite.
  • Antes de calcular, confira unidades, sinais e a grandeza solicitada.

Em exercícios mais elaborados, desenhar um esquema simples com o eixo, a origem e os sentidos das velocidades ajuda a evitar confusões. Depois de encontrar o resultado, faça uma leitura física: em uma queda, a velocidade final deve apontar para baixo; em uma subida, a rapidez deve diminuir até o ponto mais alto.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Queda livre e lançamento vertical são a mesma coisa?

Ambos são movimentos sob ação exclusiva da gravidade, com aceleração constante para baixo. A diferença está na condição inicial: na queda a partir do repouso, a velocidade inicial é zero; no lançamento vertical, ela não é zero.

Por que a velocidade é zero na altura máxima?

No ponto mais alto, o corpo troca o sentido de seu movimento, passando da subida para a descida. Por isso, sua velocidade é momentaneamente nula, mas a aceleração da gravidade continua atuando para baixo.

Quando devo usar g = 10 m/s² ou g = 9,8 m/s²?

Use o valor informado no enunciado. Se não houver indicação, em exercícios escolares e de vestibulares costuma-se adotar 10 m/s² quando a conta for aproximada; 9,8 m/s² é um valor mais próximo do observado na superfície da Terra.

A massa altera o tempo de queda?

No modelo ideal, que despreza a resistência do ar, não. Corpos de massas diferentes abandonados da mesma altura caem com a mesma aceleração e chegam ao solo no mesmo tempo.

Resumo em imagem

Resumo visual: Queda livre: exercícios resolvidos e como calcular

Referências

  1. Princípios de Física, volume 1: Mecânica — Raymond A. Serway e John W. Jewett Jr.; Cengage Learning (2014)
  2. Fundamentos da Física, volume 1: Mecânica — David Halliday, Robert Resnick e Jearl Walker; LTC (2016)
  3. Física, volume 1: Mecânica — Alberto Gaspar; Ática (2016)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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