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Física

Impulso: exercícios resolvidos passo a passo

Entenda o que é impulso, como aplicá-lo em situações de colisão e como resolver questões com força, tempo e quantidade de movimento.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino médio

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Impulso exercícios resolvidos passo a passo envolvem relacionar a força aplicada a um corpo com o intervalo de tempo de sua atuação. Em Física, o impulso permite calcular, por exemplo, como uma raquete altera o movimento de uma bola, como o chute acelera uma bola de futebol ou por que dispositivos de segurança reduzem danos em colisões.

Esse assunto pertence à Mecânica e está diretamente ligado à quantidade de movimento. Para resolver questões, não basta substituir números em uma fórmula: é necessário identificar a direção escolhida como positiva, verificar se a força é constante e interpretar se o corpo aumenta, diminui ou inverte seu movimento.

Conceito de impulso

O impulso de uma força mede o efeito dessa força quando ela atua durante certo tempo. Se uma força constante de intensidade F atua durante um intervalo de tempo Δt, o módulo do impulso é dado por:

I = F · Δt

Nessa expressão, I é o impulso, F é a força resultante aplicada ao corpo e Δt é a duração da interação. Quanto maior for a força, maior será o impulso. Da mesma forma, uma força menor pode produzir um impulso considerável se atuar por um tempo suficientemente longo.

Impulso é uma grandeza vetorial. Isso significa que tem módulo, direção e sentido. Em um problema que ocorre em linha reta, costuma-se adotar um eixo: para a direita, por exemplo, o impulso pode ser positivo; para a esquerda, negativo. O sinal não indica que o impulso seja “menor”, mas apenas informa seu sentido em relação ao referencial escolhido.

É importante falar em força resultante. Quando diversas forças agem sobre um corpo, o impulso relevante para a mudança de movimento é o da soma vetorial dessas forças. Em muitos exercícios, peso e normal se anulam verticalmente, e a força resultante analisada fica apenas na direção horizontal.

Unidades, direção e sinal

No Sistema Internacional de Unidades, a força é medida em newton (N) e o tempo, em segundo (s). Portanto, a unidade do impulso é newton-segundo:

[I] = N · s

Como 1 N equivale a 1 kg·m/s², também é possível escrever N·s como kg·m/s. Essa equivalência é essencial, pois kg·m/s é igualmente a unidade da quantidade de movimento.

GrandezaSímbolo usualUnidade no SI
ImpulsoIN·s ou kg·m/s
Força resultanteFN
Intervalo de tempoΔts
Quantidade de movimentop ou Qkg·m/s

Nos cálculos em uma dimensão, os sinais precisam acompanhar a direção. Se a direita é positiva e a força resultante aponta para a esquerda, então F é negativa e seu impulso também será negativo. Um erro comum é usar somente os módulos e concluir incorretamente que a velocidade aumentou, quando, na realidade, o corpo pode ter reduzido a velocidade ou mudado de sentido.

Teorema do impulso e quantidade de movimento

A quantidade de movimento, também chamada momento linear, é definida pelo produto da massa pela velocidade:

p = m · v

Por ser uma grandeza vetorial, a quantidade de movimento tem a mesma direção e o mesmo sentido da velocidade. O teorema do impulso afirma que o impulso da força resultante é igual à variação da quantidade de movimento:

I = Δp = pf − pi = m·vf − m·vi

Quando a massa permanece constante, situação comum nos exercícios escolares, pode-se escrever I = m(vf − vi). Essa versão é especialmente útil em colisões, chutes e rebatidas, pois permite descobrir a força média ou o tempo de contato mesmo quando a força não é fornecida diretamente.

Se a força varia ao longo do tempo, a fórmula I = F·Δt continua válida apenas se F representar a força média no intervalo. Em uma representação gráfica de força por tempo, o impulso corresponde à área sob a curva. Para uma força constante, a área é a de um retângulo; para uma força que cresce linearmente de zero até um valor máximo, a área pode ser calculada como a de um triângulo.

Passo a passo para resolver exercícios

Uma organização simples diminui os erros de sinal, de unidade e de interpretação. Antes de escolher uma equação, observe qual é a informação pedida e quais dados foram oferecidos.

  1. Defina um sentido positivo. Em movimentos horizontais, é comum escolher a direita como positiva, mas outra escolha também funciona se for mantida até o fim.
  2. Registre os dados com unidades. Identifique massa, velocidades, força e tempo. Converta milissegundos para segundos quando necessário.
  3. Determine a situação física. Se há força constante e tempo, use I = F·Δt. Se há velocidades antes e depois, use I = Δp.
  4. Use sinais nas grandezas vetoriais. Velocidade contrária ao eixo positivo deve entrar com sinal negativo.
  5. Confira a unidade e o sentido do resultado. O resultado do impulso deve aparecer em N·s ou kg·m/s, e seu sinal deve concordar com a mudança observada no movimento.

Também vale verificar se a resposta faz sentido físico. Uma bola que vinha para a direita e sai para a esquerda sofreu uma variação de quantidade de movimento para a esquerda. Logo, o impulso resultante deve ser negativo se a direita foi adotada como sentido positivo.

Exercícios resolvidos

1. Força constante durante um intervalo

Uma força horizontal constante de 30 N atua sobre um carrinho durante 0,4 s, no sentido para a direita. Determine o impulso aplicado.

Como a força é constante, aplica-se I = F·Δt. Substituindo os valores: I = 30 · 0,4 = 12 N·s. Considerando a direita como positiva, o resultado é I = +12 N·s. O sinal informa que o impulso aponta para a direita.

2. Bola que parte do repouso

Uma bola de massa 0,20 kg está inicialmente em repouso. Após um chute, ela passa a se mover para a direita com velocidade de 15 m/s. Calcule o impulso resultante recebido pela bola.

Escolhendo a direita como positiva, vi = 0 e vf = +15 m/s. Pelo teorema do impulso: I = m(vf − vi). Logo, I = 0,20·(15 − 0) = 3,0 kg·m/s. Como kg·m/s equivale a N·s, o impulso é +3,0 N·s, para a direita.

Note que não é preciso conhecer o tempo do chute para encontrar o impulso. As velocidades inicial e final, junto com a massa, já permitem calcular a variação da quantidade de movimento.

3. Rebatida com inversão de sentido

Uma bola de tênis de massa 0,060 kg chega a uma raquete com velocidade de 20 m/s para a esquerda e retorna com velocidade de 30 m/s para a direita. A interação dura 0,010 s. Determine o impulso e a força média exercida sobre a bola.

Adotando a direita como positiva, vi = −20 m/s e vf = +30 m/s. Primeiro, calcule o impulso: I = 0,060·[30 − (−20)] = 0,060·50 = +3,0 N·s. A variação é positiva porque o impulso aponta para a direita.

Para a força média, use I = Fm·Δt. Assim, Fm = I/Δt = 3,0/0,010 = 300 N. Portanto, a força média tem módulo de 300 N e aponta para a direita. A inversão de sentido explica por que a variação de velocidade é 50 m/s, e não 10 m/s.

Situações reais e segurança

O conceito de impulso ajuda a entender equipamentos de proteção. Em uma colisão, a variação de quantidade de movimento de uma pessoa ou de um veículo pode ser aproximadamente a mesma independentemente do material que reduz a parada. Porém, ao aumentar o tempo de desaceleração, diminui-se a força média necessária para produzir aquele impulso.

É por isso que airbags, cintos de segurança, capacetes e áreas de deformação dos veículos são importantes. Eles prolongam o intervalo de tempo em que o movimento é reduzido, evitando que a força média atinja valores ainda maiores. Isso não elimina todos os riscos de acidentes, mas é um princípio físico relevante para a redução de danos.

O mesmo raciocínio aparece nos esportes. Um jogador pode acompanhar a bola com as mãos ao recebê-la, aumentando o tempo de contato. Para a mesma variação de quantidade de movimento, a força média sobre as mãos se torna menor. Já em um salto, dobrar os joelhos ajuda a prolongar a desaceleração do corpo após o contato com o solo.

Pontos de revisão

  • O impulso de uma força constante é calculado por I = F·Δt.
  • A unidade do impulso é N·s, equivalente a kg·m/s.
  • O teorema do impulso estabelece que I = Δp.
  • Para massa constante, I = m(vf − vi).
  • Velocidades e impulsos devem ter sinal quando o problema for unidimensional.
  • Se o corpo inverte o sentido, uma velocidade entra negativa e a outra positiva, conforme o eixo adotado.
  • Para a mesma variação de quantidade de movimento, aumentar o tempo de interação reduz a força média.

Ao resolver uma questão, comece pela interpretação da situação e só depois faça as contas. Identificar corretamente o sentido do movimento e escolher a forma adequada do teorema do impulso são atitudes mais importantes do que decorar fórmulas isoladas.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Qual é a diferença entre impulso e quantidade de movimento?

O impulso está relacionado à ação de uma força durante um intervalo de tempo. A quantidade de movimento é uma propriedade do corpo em movimento, calculada pelo produto da massa pela velocidade. O teorema do impulso afirma que o impulso resultante é igual à variação da quantidade de movimento.

Por que o impulso pode ser negativo?

O impulso é uma grandeza vetorial, portanto seu sinal indica o sentido adotado no eixo de referência. Se a direita é positiva e a força resultante aponta para a esquerda, o impulso é negativo. Isso não significa que seu módulo seja inválido ou menor que zero.

Quando posso usar a fórmula I = F vezes Δt?

Essa fórmula pode ser usada diretamente quando a força resultante é constante durante o intervalo analisado. Se a força variar, deve-se usar a força média no intervalo ou calcular a área sob o gráfico de força em função do tempo. Em ambos os casos, o impulso continua sendo igual à variação da quantidade de movimento.

Como calcular a força média em uma colisão?

Primeiro, calcule o impulso pela variação da quantidade de movimento: I = m(vf − vi). Depois, divida o impulso pelo tempo de contato: Fm = I/Δt. É necessário considerar os sinais das velocidades se houver mudança de sentido.

Referências

  1. Física: Mecânica — Grupo de Reelaboração do Ensino de Física (GREF), EDUSP (1993)
  2. Física 1: Mecânica — Ramalho, Nicolau e Toledo, Moderna (2009)
  3. Fundamentos de Física, volume 1: Mecânica — David Halliday, Robert Resnick e Jearl Walker, LTC (2016)
  4. Base Nacional Comum Curricular — Ministério da Educação (2018)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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