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Educação e Pedagogia

Relatório ABNT: estrutura, formatação e como fazer

Entenda como organizar um relatório conforme as orientações da ABNT e as exigências da sua instituição. Veja a estrutura, a formatação e os cuidados com fontes e referências.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II, ensino médio e preparação para vestibulares

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Um relatório ABNT é um texto organizado para registrar, explicar e avaliar uma atividade, uma pesquisa, uma visita técnica, um experimento ou um estágio, seguindo regras de apresentação padronizadas. Na escola, o relatório deve também obedecer ao roteiro fornecido pelo professor ou pela instituição, pois as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas orientam a forma do trabalho, mas não substituem os objetivos específicos da atividade.

O que é relatório ABNT

Relatório é um documento que apresenta fatos e resultados de maneira clara, ordenada e verificável. Diferentemente de uma redação opinativa, ele parte de uma experiência, de observações ou de dados. Por exemplo, após uma aula de laboratório, o estudante pode relatar o objetivo do experimento, os materiais usados, os procedimentos realizados, os resultados observados e a interpretação desses resultados.

A expressão “relatório ABNT” costuma ser usada para trabalhos escolares e acadêmicos formatados segundo normas técnicas brasileiras. Contudo, existe uma diferença importante: a norma específica para relatórios técnicos e científicos é a ABNT NBR 10719. Já muitos relatórios entregues em disciplinas seguem uma estrutura mais simples, definida pelo docente, e usam outras normas principalmente para capa, citações, referências e apresentação gráfica.

Atenção: antes de formatar, leia o enunciado da atividade. Se ele determinar número de páginas, itens obrigatórios, modelo de capa ou forma de avaliação, essas orientações devem ser priorizadas.

Um bom relatório não é apenas uma sequência de etapas. Ele explica por que a atividade foi feita, como ocorreu e o que pode ser concluído a partir das evidências disponíveis. Portanto, clareza, precisão e coerência são mais importantes do que usar palavras difíceis.

Normas que orientam o relatório

As normas da ABNT são documentos técnicos que ajudam a padronizar trabalhos. Nem toda norma se aplica integralmente a todos os relatórios, mas algumas aparecem com frequência em atividades escolares, científicas e acadêmicas.

NormaAssunto principalUso no relatório
ABNT NBR 10719Relatório técnico e/ou científicoOrienta a apresentação e a composição desse tipo de documento.
ABNT NBR 14724Trabalhos acadêmicosÉ usada como referência para organização e apresentação de trabalhos.
ABNT NBR 6023ReferênciasOrienta a identificação das fontes consultadas.
ABNT NBR 10520CitaçõesOrienta como indicar ideias e trechos de outros autores.

As versões dessas normas podem ser atualizadas. Por isso, escolas e universidades às vezes adotam manuais próprios, baseados em determinada edição. Não é recomendável confiar em modelos encontrados sem identificação na internet, pois eles podem usar regras antigas ou misturar padrões diferentes.

Também é importante não confundir normalização com conteúdo. A ABNT ajuda a apresentar informações de modo uniforme; ela não torna um texto bem escrito automaticamente. Um relatório com margens corretas, mas com resultados inventados ou sem explicação, continua sendo inadequado.

Estrutura do relatório

A estrutura varia conforme o tipo e a extensão do documento. Em um relatório escolar curto, alguns elementos podem ser reunidos em poucas páginas. Em relatórios de pesquisa, estágio ou atividades técnicas, a organização tende a ser mais detalhada. Em geral, os elementos podem ser agrupados em três partes.

Elementos pré-textuais

São apresentados antes do texto principal. A capa normalmente contém nome da instituição, nome do autor, título, local e ano. Quando solicitada, a folha de rosto acrescenta uma breve informação sobre a natureza do trabalho, como a disciplina, a turma e o nome do professor. Sumário é útil em trabalhos mais longos, pois lista as seções e as páginas em que elas começam.

Elementos textuais

Constituem o desenvolvimento do relatório. Uma sequência bastante usada é:

  1. Introdução: apresenta o tema, o contexto, o objetivo e, quando necessário, o período ou local da atividade.
  2. Desenvolvimento ou metodologia: descreve como a atividade foi realizada, quais materiais, métodos ou fontes foram utilizados.
  3. Resultados e discussão: registra dados, observações e interpretações relacionadas ao objetivo.
  4. Conclusão: retoma o que foi aprendido ou verificado, sem introduzir informações que não apareceram antes.

Elementos pós-textuais

Depois da conclusão, são incluídas as referências, quando houve consulta a livros, artigos, documentos ou páginas institucionais. Apêndices e anexos podem aparecer se forem necessários. O apêndice é elaborado pelo próprio autor, como um questionário aplicado; o anexo é produzido por outra pessoa ou instituição, como uma tabela oficial utilizada na análise.

Formatação da página

Em trabalhos acadêmicos, é comum usar papel A4, texto em cor preta e fonte de tamanho 12, como Arial ou Times New Roman. Para citações longas, notas, paginação e legendas, costuma-se empregar tamanho menor. As margens geralmente adotadas são 3 cm na parte superior e esquerda e 2 cm na parte inferior e direita. Entretanto, o manual da instituição pode indicar medidas diferentes.

O espaçamento entre linhas do corpo do texto é, em muitos modelos, de 1,5. Referências, notas e citações diretas longas costumam usar espaçamento simples. Os parágrafos devem manter um padrão de alinhamento e recuo; não se deve alternar estilos aleatoriamente nem usar vários tipos de fonte para decorar a página.

Os títulos das seções precisam ser visualmente identificáveis e seguir uma hierarquia. Se o relatório usa seções numeradas, mantenha a sequência: 1 INTRODUÇÃO, 2 DESENVOLVIMENTO, 2.1 subtítulo e assim por diante. Evite deixar um título sozinho no fim da página, sem texto abaixo dele. A numeração das páginas é contada desde o início do trabalho, mas sua exibição depende do modelo adotado.

Padronização não significa excesso de enfeites. Um documento legível, com títulos claros e espaçamento regular, facilita a avaliação e a consulta posterior.

Redação e organização das informações

Antes de escrever, selecione o que é relevante para responder ao objetivo da atividade. Um relatório de visita a um museu, por exemplo, não precisa listar todos os objetos vistos: deve destacar aqueles que ajudam a explicar a proposta da visita. A ordem cronológica pode ser útil, mas não substitui a organização por temas ou etapas quando ela torna a explicação mais clara.

Use linguagem objetiva. Frases como “foi possível observar”, “os dados indicaram” e “a atividade permitiu comparar” ajudam a concentrar o texto nos fatos. A primeira pessoa pode ser aceita quando o professor a solicitar, sobretudo em relatos de experiência, mas é essencial manter o mesmo padrão ao longo do trabalho.

  • Registre dados durante a atividade, em vez de depender apenas da memória.
  • Diferencie observação de interpretação: primeiro informe o que ocorreu; depois explique o significado.
  • Apresente números com unidade de medida e contexto.
  • Revise termos técnicos, nomes científicos, datas e cálculos.
  • Não altere resultados para que pareçam mais adequados à hipótese inicial.

Na conclusão, responda diretamente ao objetivo anunciado na introdução. Se houve limitações, como pouco tempo de observação ou falhas em materiais, elas podem ser mencionadas com honestidade. Reconhecer limites mostra cuidado com o processo de investigação.

Citações, referências e anexos

Quando uma ideia, um dado ou uma explicação vem de outra fonte, o relatório deve indicar essa origem. A citação indireta ocorre quando o estudante reescreve a ideia com suas próprias palavras; a citação direta reproduz exatamente um trecho e exige maior atenção à indicação da fonte e da página, quando disponível. Copiar textos sem identificação caracteriza plágio.

No sistema autor-data, muito usado em trabalhos acadêmicos, a identificação pode aparecer no texto ou entre parênteses, com sobrenome do autor e ano. Ao final, cada obra citada deve constar na lista de referências. A referência precisa trazer elementos suficientes para que outra pessoa consiga reconhecer e localizar a publicação: autoria, título, edição quando houver, local, editora e data, entre outros dados aplicáveis.

As referências são organizadas em ordem alfabética pelo sobrenome do primeiro autor ou pelo nome da entidade responsável. Só devem ser listadas as fontes efetivamente consultadas e mencionadas no trabalho. Materiais fornecidos pelo professor também devem ser identificados conforme as informações disponíveis.

Anexos não devem servir para esconder partes essenciais da explicação. Se uma tabela é indispensável para entender o resultado, ela deve ser apresentada ou discutida no desenvolvimento. Use anexos para documentos complementares, mantendo títulos claros, como “ANEXO A — Roteiro da visita técnica”.

Revisão final

Antes de entregar, faça uma revisão em duas etapas. Primeiro, verifique o conteúdo: objetivo, procedimentos, resultados e conclusão estão conectados? Depois, revise a apresentação: títulos, páginas, citações e referências seguem um padrão? Ler o texto em voz baixa ajuda a perceber repetições, frases longas demais e passagens sem sentido.

Como síntese, um relatório ABNT bem elaborado reúne informações confiáveis, estrutura coerente e formatação consistente. O ponto de partida é sempre o enunciado da tarefa; as normas técnicas organizam o documento e tornam a comunicação mais precisa. Ao registrar o processo com fidelidade e indicar as fontes utilizadas, o estudante demonstra responsabilidade na produção do conhecimento.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Todo relatório escolar precisa ter capa e sumário?

Não necessariamente. A capa costuma ser solicitada com frequência, mas o sumário é mais útil e mais comum em trabalhos extensos, com várias seções. O roteiro do professor ou da instituição deve orientar essa decisão.

Qual é a norma da ABNT específica para relatório?

A ABNT NBR 10719 trata da apresentação de relatórios técnicos e/ou científicos. Outros documentos, como a NBR 6023 e a NBR 10520, são importantes quando o relatório utiliza referências e citações.

Posso usar primeira pessoa em um relatório?

Depende do gênero solicitado e da orientação do professor. Em relatos de experiência, expressões como “observamos” podem ser adequadas; em textos mais técnicos, é comum preferir construções impessoais. O mais importante é manter consistência.

O que deve entrar na conclusão de um relatório?

A conclusão deve retomar o objetivo e apresentar o que os resultados ou observações permitem afirmar. Ela pode mencionar limitações da atividade, mas não deve trazer dados novos que não foram explicados no desenvolvimento.

Resumo em imagem

Resumo visual: Relatório ABNT: estrutura, formatação e como fazer

Referências

  1. ABNT NBR 10719: Informação e documentação — Relatório técnico e/ou científico — Apresentação — Associação Brasileira de Normas Técnicas (2015)
  2. ABNT NBR 14724: Informação e documentação — Trabalhos acadêmicos — Apresentação — Associação Brasileira de Normas Técnicas (2011)
  3. ABNT NBR 6023: Informação e documentação — Referências — Elaboração — Associação Brasileira de Normas Técnicas (2018)
  4. ABNT NBR 10520: Informação e documentação — Citações em documentos — Apresentação — Associação Brasileira de Normas Técnicas (2023)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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