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Biologia e Saúde

O que é Reino Plantae? Características, grupos e reprodução

O Reino Plantae reúne organismos eucariontes, pluricelulares e, em geral, fotossintetizantes. Conheça suas características, sua classificação e seu papel nos ecossistemas.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e Ensino médio

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O Reino Plantae é o grupo de seres vivos que reúne as plantas: organismos eucariontes, pluricelulares e, na maioria dos casos, capazes de produzir matéria orgânica por fotossíntese. Musgos, samambaias, pinheiros, gramíneas, árvores e plantas com flores pertencem a esse reino. Embora haja grande diversidade entre elas, as plantas compartilham características celulares, ciclos de vida e adaptações que permitiram a ocupação do ambiente terrestre.

Conceito de Reino Plantae

Na classificação biológica escolar, os seres vivos são organizados em grandes grupos chamados reinos. O Reino Plantae, também chamado de reino vegetal, inclui as plantas terrestres e seus ancestrais mais próximos entre as algas verdes. Em classificações mais atuais, baseadas em relações evolutivas, o grupo das plantas terrestres recebe o nome de embriófitas, pois forma um embrião protegido durante o desenvolvimento.

As plantas não são apenas “seres que fazem fotossíntese”. Algumas espécies dependem parcialmente de outras fontes de nutrientes e existem organismos fotossintetizantes que não pertencem ao Reino Plantae, como muitas algas. Por isso, a classificação considera um conjunto de características, incluindo tipo de célula, organização do corpo, substâncias de reserva, parede celular e história evolutiva.

Em geral, as plantas são organismos imóveis, isto é, não se deslocam de um lugar para outro como os animais. Isso não significa ausência de movimentos: folhas podem se orientar em direção à luz, raízes crescem em resposta à gravidade e flores podem abrir e fechar conforme condições ambientais. Esses movimentos ocorrem principalmente por crescimento ou por variações na quantidade de água das células.

Características gerais das plantas

As células vegetais são eucariontes, ou seja, possuem núcleo delimitado por membrana e organelas especializadas. Elas também apresentam parede celular formada principalmente por celulose, uma estrutura que ajuda na sustentação e na proteção. Outra característica comum é o grande vacúolo, compartimento que armazena água e outras substâncias e contribui para manter a célula rígida.

A maioria das plantas possui cloroplastos, organelas que contêm clorofila. Esse pigmento absorve parte da energia luminosa usada na fotossíntese. Nesse processo, água e gás carbônico são utilizados para formar compostos orgânicos, enquanto o oxigênio é liberado. A equação simplificada é:

gás carbônico + água + energia luminosa → glicose + oxigênio

O açúcar produzido pode ser usado imediatamente na respiração celular, transportado para outras partes do organismo ou armazenado. Nas plantas, a principal substância de reserva é o amido. A fotossíntese explica por que elas são produtoras nas cadeias alimentares: transformam energia luminosa em energia química disponível nos alimentos.

É importante evitar duas generalizações. Primeiro, as plantas realizam respiração celular durante todo o tempo, inclusive à noite; a fotossíntese depende de luz. Segundo, nem toda planta é verde e totalmente autótrofa. Há plantas parasitas, como algumas espécies de cipó-chumbo, que retiram água e nutrientes de hospedeiros e podem ter pouca ou nenhuma clorofila.

Classificação dos grupos vegetais

Nos conteúdos escolares, as plantas costumam ser estudadas em quatro grandes grupos: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. Essa divisão destaca inovações evolutivas importantes, como a presença de vasos condutores, sementes, flores e frutos. Os grupos não devem ser entendidos como uma escada de “superioridade”, mas como linhagens com características próprias.

GrupoExemplosCaracterísticas marcantesDependência de água para fecundação
BriófitasMusgos e hepáticasNão têm vasos condutores verdadeiros; não formam sementesSim
PteridófitasSamambaias e cavalinhasTêm vasos condutores; não formam sementesSim
GimnospermasPinheiros e araucáriasFormam sementes sem fruto; geralmente têm estróbilosNão
AngiospermasFeijão, roseira e ipêFormam flores, frutos e sementesNão

Briófitas e pteridófitas

As briófitas são plantas de pequeno porte, frequentes em locais úmidos e sombreados. Como não possuem vasos condutores especializados, a distribuição interna de água ocorre principalmente em curtas distâncias. Por isso, não costumam atingir grande altura. O musgo visível no ambiente corresponde, em geral, à fase mais duradoura de seu ciclo, chamada gametófito.

As pteridófitas, por sua vez, possuem xilema e floema, tecidos vasculares que conduzem substâncias pelo corpo. O xilema transporta principalmente água e sais minerais absorvidos do solo; o floema distribui açúcares e outros compostos orgânicos. Essa novidade favoreceu maior porte em muitas espécies. As samambaias produzem esporos, frequentemente reunidos em pontos na face inferior de suas folhas.

Gimnospermas e angiospermas

As gimnospermas foram as primeiras plantas a apresentar sementes. Elas são chamadas de “sementes nuas” porque não ficam envolvidas por um fruto. Em pinheiros e araucárias, as estruturas reprodutivas costumam ser estróbilos, conhecidos popularmente como cones ou pinhas, embora o uso desses nomes varie conforme a espécie e a região.

As angiospermas constituem o grupo mais diverso de plantas atual. Sua principal característica é a formação de flores e frutos. A flor participa da reprodução sexual; após a fecundação, o ovário da flor geralmente se desenvolve em fruto, que protege as sementes e pode colaborar em sua dispersão. Frutos podem ser carnosos, como tomate e manga, ou secos, como o feijão.

Reprodução e alternância de gerações

O ciclo de vida das plantas apresenta alternância de gerações: uma fase multicelular produz gametas e outra produz esporos. A geração que produz gametas é chamada de gametófito e possui células haploides, com um conjunto de cromossomos. A geração que produz esporos é o esporófito, formado por células diploides, com dois conjuntos de cromossomos.

Na reprodução sexual, os gametas se unem na fecundação e originam um zigoto. O zigoto se desenvolve em embrião e, depois, em um novo organismo. Em briófitas e pteridófitas, os gametas masculinos geralmente precisam de uma película de água para alcançar o gameta feminino. Essa é uma razão pela qual a reprodução desses grupos está mais associada a ambientes úmidos.

Nas plantas com sementes, o grão de pólen transporta as estruturas masculinas. A polinização é a transferência do pólen até a parte feminina da estrutura reprodutiva. Ela pode ocorrer pelo vento, pela água ou por animais, como insetos, aves e morcegos. Após a polinização, forma-se o tubo polínico, permitindo que a fecundação aconteça sem a necessidade de água externa.

Não confunda: polinização não é fecundação. A polinização é o transporte do pólen; a fecundação é a união dos gametas que ocorre posteriormente.

Muitas plantas também realizam reprodução assexuada, sem fusão de gametas. Um exemplo é a propagação por estolhos, caules que crescem horizontalmente e originam novas plantas, como ocorre no morangueiro. Tubérculos, rizomas e bulbos também podem dar origem a novos indivíduos. Esse tipo de reprodução mantém, em regra, características genéticas muito semelhantes às da planta original.

Adaptações ao ambiente terrestre

A conquista do ambiente terrestre exigiu soluções para evitar a perda excessiva de água, sustentar o corpo e transportar substâncias. A cutícula, camada cerosa que recobre partes aéreas das plantas, reduz a evaporação. Já os estômatos são pequenas aberturas, principalmente nas folhas, que regulam as trocas gasosas e a saída de vapor d’água.

Raiz, caule e folha são órgãos bem desenvolvidos em muitas plantas vasculares. As raízes fixam a planta e absorvem água e sais minerais; os caules realizam sustentação e condução; as folhas são os principais locais de fotossíntese na maioria das espécies. Essas estruturas, porém, podem sofrer modificações: há raízes de reserva, caules subterrâneos e folhas transformadas em espinhos.

As sementes representam outra adaptação decisiva. Elas protegem o embrião, possuem reserva nutritiva e podem permanecer em dormência até que existam condições adequadas para germinar. Nas angiospermas, o fruto acrescenta proteção e favorece a dispersão. Animais, vento, água e até mecanismos de explosão do fruto podem levar sementes para outros locais.

Importância ecológica e econômica

As plantas sustentam a maior parte das cadeias alimentares terrestres e muitas cadeias aquáticas. Ao realizarem fotossíntese, produzem biomassa que serve de alimento direta ou indiretamente para consumidores. Elas também participam do ciclo do carbono, retirando gás carbônico da atmosfera e incorporando esse elemento a moléculas orgânicas.

A vegetação influencia o solo, o clima local e o ciclo da água. Raízes ajudam a reduzir a erosão, enquanto copas interceptam parte da chuva e oferecem sombra. Florestas, campos, manguezais e outros ecossistemas vegetados fornecem abrigo e alimento para inúmeras espécies. A perda de cobertura vegetal pode afetar a biodiversidade, a qualidade da água e a estabilidade do solo.

Na vida humana, plantas fornecem alimentos, madeira, fibras, papel, combustíveis, substâncias usadas em medicamentos e matérias-primas industriais. Arroz, milho, mandioca, café e algodão são exemplos de produtos de origem vegetal relevantes no Brasil. O uso econômico, entretanto, precisa considerar manejo responsável, conservação das espécies e proteção dos ecossistemas.

Pontos de revisão

  • O Reino Plantae reúne organismos eucariontes, pluricelulares e predominantemente fotossintetizantes.
  • As células vegetais apresentam parede celular de celulose, vacúolo desenvolvido e, em muitas espécies, cloroplastos.
  • Briófitas não têm vasos condutores; pteridófitas têm vasos, mas ambas não formam sementes.
  • Gimnospermas possuem sementes sem frutos; angiospermas produzem flores, frutos e sementes.
  • Polinização é o transporte do pólen, enquanto fecundação é a união dos gametas.
  • As plantas são fundamentais como produtoras, na manutenção dos ecossistemas e no fornecimento de recursos à sociedade.

Para estudar o tema, relacione cada grupo às suas inovações: vasos condutores nas pteridófitas, sementes nas gimnospermas e flores e frutos nas angiospermas. Essa comparação ajuda a compreender tanto a diversidade vegetal quanto as adaptações que favoreceram a vida fora da água.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que diferencia o Reino Plantae do Reino Fungi?

As plantas, em geral, possuem cloroplastos e realizam fotossíntese, produzindo matéria orgânica a partir de água e gás carbônico. Os fungos não possuem clorofila e obtêm nutrientes por absorção de matéria orgânica do ambiente.

Todas as plantas fazem fotossíntese?

A maioria faz, mas há exceções. Algumas plantas parasitas têm pouca clorofila ou não a possuem e retiram recursos de outras plantas, embora ainda pertençam ao Reino Plantae.

Musgo é uma planta?

Sim. Os musgos pertencem ao grupo das briófitas, plantas de pequeno porte que não possuem vasos condutores verdadeiros e dependem de água para a fecundação.

Qual é a diferença entre gimnospermas e angiospermas?

As gimnospermas produzem sementes que não ficam protegidas por frutos, como ocorre nas araucárias. As angiospermas produzem flores e, geralmente após a fecundação, formam frutos que envolvem as sementes.

Resumo em imagem

Resumo visual: O que é Reino Plantae? Características, grupos e reprodução

Referências

  1. Biologia: a unidade e a diversidade, volume 2 — José Mariano Amabis e Gilberto Rodrigues Martho, Moderna (2016)
  2. Biologia Vegetal — James D. Mauseth, Artmed (2019)
  3. Flora do Brasil 2020 — Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2024)
  4. Campbell Biology — Lisa A. Urry e colaboradores, Pearson (2020)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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