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Biologia e Saúde

Tudo sobre moluscos: características, classificação e exemplos

Os moluscos são invertebrados de corpo mole que incluem caracóis, ostras, lulas e polvos. Conheça sua diversidade, estrutura corporal, classificação e importância para os ecossistemas e para a sociedade.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II e ensino médio

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Para entender tudo sobre moluscos, é importante saber que eles formam o filo Mollusca, um grupo muito diverso de animais invertebrados. Nele estão organismos conhecidos, como caracóis, lesmas, mexilhões, ostras, lulas e polvos. Embora tenham formas de vida bastante diferentes, os moluscos compartilham características anatômicas básicas, como o corpo mole e a presença de manto. A maioria vive em ambientes marinhos, mas há espécies de água doce e terrestres.

O que são moluscos?

Os moluscos pertencem ao reino Animalia e estão entre os grupos de invertebrados mais numerosos do planeta. Existem mais de 100 mil espécies viventes descritas, distribuídas em oceanos, rios, lagos e regiões terrestres úmidas. A enorme variedade de formatos corporais explica por que uma lesma e um polvo, apesar de parecerem pouco semelhantes, fazem parte do mesmo filo.

O nome Mollusca remete à ideia de corpo mole. Muitos representantes possuem uma concha calcária externa, produzida pelo próprio corpo, que oferece proteção e reduz a perda de água. Porém, a concha não é uma regra para todos: nas lesmas ela é muito reduzida ou inexistente externamente; em lulas e polvos, pode ser interna, reduzida ou ausente. Portanto, dizer que todo molusco tem concha externa é incorreto.

Em termos evolutivos, os moluscos apresentam simetria bilateral, isto é, o corpo pode ser dividido em duas metades aproximadamente espelhadas. Também são animais triblásticos, pois se desenvolvem a partir de três folhetos embrionários, e celomados, com cavidade corporal revestida por tecido de origem mesodérmica. Essas características são comuns a vários filos animais e ajudam a situar os moluscos na classificação zoológica.

Ideia central: moluscos são invertebrados de corpo geralmente mole, organizados em manto, massa visceral e pé muscular. A concha é frequente, mas não está presente da mesma maneira em todos os grupos.

Plano corporal e características dos moluscos

O plano corporal básico dos moluscos inclui três regiões principais. A massa visceral reúne órgãos como coração, intestino e estruturas reprodutivas. O manto é uma dobra de tecido que recobre essa massa e, quando há concha, secreta os materiais que a formam. Já o pé muscular é usado principalmente na locomoção, mas foi modificado de modos distintos ao longo da evolução do grupo.

Nos caracóis, o pé é largo e permite o deslizamento sobre superfícies, geralmente com auxílio de muco. Nos bivalves, como as ostras, ele pode atuar na escavação ou na fixação no substrato. Nos cefalópodes, o pé transformou-se em tentáculos e em um sifão, estrutura relacionada ao deslocamento por jato de água. Essas transformações mostram como uma mesma estrutura básica pode adquirir funções diferentes.

A boca da maior parte dos moluscos possui uma estrutura raspadora chamada rádula. Ela lembra uma fita coberta por minúsculos dentes e serve para obter alimento, raspando algas, plantas ou outras superfícies. Os bivalves são a exceção mais importante: eles não possuem rádula e se alimentam principalmente por filtração, retendo partículas presentes na água.

Outras características relevantes podem ser organizadas da seguinte forma:

  • o sistema digestório é, em geral, completo, com boca e ânus;
  • a circulação costuma ser aberta, com a hemolinfa saindo parcialmente dos vasos e banhando os tecidos;
  • cefalópodes possuem circulação fechada, mais eficiente para sustentar seu metabolismo ativo;
  • a respiração pode ocorrer por brânquias, pulmão ou pela superfície corporal, conforme o ambiente;
  • a excreção é feita por órgãos chamados nefrídios, que participam do equilíbrio de água e sais.

Classificação e principais grupos

O filo Mollusca é dividido em várias classes, mas três delas são especialmente cobradas em conteúdos escolares: Gastropoda, Bivalvia e Cephalopoda. Além dessas, destacam-se os poliplacóforos, conhecidos como quítons. A classificação considera características como o tipo de concha, o desenvolvimento do pé e a organização da cabeça.

GrupoCaracterísticas principaisExemplos
GastrópodesPé rastejante; geralmente uma concha espiralada, embora possa estar reduzida; cabeça bem desenvolvida.Caracóis, caramujos e lesmas
BivalvesConcha formada por duas valvas; não possuem rádula; muitos são filtradores.Ostras, mexilhões e mariscos
CefalópodesCabeça desenvolvida, tentáculos e sifão; predadores ativos; circulação fechada.Polvos, lulas, náutilos e sépias
PoliplacóforosConcha composta por oito placas articuladas; vivem aderidos a rochas.Quítons

Gastrópodes

Os gastrópodes representam a classe mais diversa. Ocupam ambientes marinhos, dulcícolas e terrestres. Nos terrestres, a cavidade do manto funciona como um pulmão, permitindo trocas gasosas com o ar. Muitos possuem tentáculos com olhos na extremidade ou próximos à base. Alguns caramujos podem atuar como hospedeiros intermediários de parasitas; por isso, o estudo do grupo também tem relevância para a saúde pública.

Bivalves e cefalópodes

Bivalves vivem, em grande parte, no ambiente aquático e filtram a água para obter alimento. Essa atividade influencia a qualidade da água, mas também pode fazer com que acumulem microrganismos ou substâncias poluentes presentes no ambiente. Os cefalópodes, por sua vez, são predominantemente marinhos e se destacam pelo sistema nervoso complexo, pela visão desenvolvida e por comportamentos sofisticados, como camuflagem e aprendizado.

Funcionamento do organismo

A forma de alimentação varia conforme a classe e o modo de vida. Caracóis herbívoros usam a rádula para raspar folhas, algas ou superfícies rochosas. Há gastrópodes predadores que perfuram conchas de outros animais. Mexilhões e ostras filtram microrganismos e matéria orgânica suspensa na água. Lulas e polvos capturam presas com os tentáculos e utilizam um bico córneo para dilacerar o alimento.

Em muitos moluscos, a circulação é aberta: o coração impulsiona a hemolinfa por vasos, e esse fluido alcança cavidades corporais antes de retornar ao órgão. O sistema é suficiente para animais de atividade moderada, como diversos bivalves e gastrópodes. Nos cefalópodes, a circulação fechada mantém o sangue dentro dos vasos e permite transporte mais rápido de gases e nutrientes, o que favorece a natação veloz e a predação.

Os cefalópodes possuem ainda pigmentos chamados cromatóforos, células que podem expandir ou contrair e alterar rapidamente a aparência do corpo. A mudança de cor auxilia na comunicação e na camuflagem. Polvos e lulas também podem liberar tinta como mecanismo defensivo, formando uma nuvem que dificulta a ação de predadores enquanto o animal se afasta.

A locomoção também revela a diversidade do filo. Um caracol avança graças a ondas de contração do pé e ao muco que diminui o atrito. Bivalves podem se enterrar em sedimentos usando o pé. Já lulas e polvos puxam água para a cavidade do manto e a expulsam pelo sifão, produzindo propulsão a jato.

Reprodução e desenvolvimento

Os moluscos podem apresentar sexos separados ou hermafroditismo, condição em que um indivíduo possui estruturas reprodutivas masculinas e femininas. Muitas lesmas e caracóis terrestres são hermafroditas, mas normalmente realizam fecundação cruzada: dois indivíduos trocam gametas, aumentando a variabilidade genética da descendência. Há, porém, diferentes estratégias reprodutivas entre as espécies.

Nos bivalves marinhos, é comum a liberação de gametas na água, onde ocorre a fecundação externa. Dos ovos surgem larvas microscópicas que fazem parte do plâncton e podem se dispersar antes de se fixar ou assumir a forma adulta. Em certos moluscos de água doce, uma fase larval pode depender temporariamente de peixes para completar o desenvolvimento.

Cefalópodes apresentam fecundação interna. Em algumas espécies, o macho transfere espermatóforos para a fêmea por meio de um tentáculo especializado. Os ovos costumam ser depositados em locais protegidos, e há espécies nas quais a fêmea cuida da postura. O desenvolvimento pode ser direto, sem uma larva muito diferente do adulto, ou indireto, dependendo do grupo.

Habitat, ecologia e importância

Os oceanos concentram a maior diversidade de moluscos. Em recifes, fundos arenosos, costões rochosos e regiões profundas, esses animais ocupam funções variadas nas cadeias alimentares. Bivalves filtradores consomem partículas suspensas; gastrópodes podem ser herbívoros, detritívoros ou predadores; cefalópodes caçam peixes, crustáceos e outros invertebrados. Ao mesmo tempo, moluscos servem de alimento para peixes, aves, mamíferos e seres humanos.

Em ambientes terrestres, lesmas e caracóis participam da decomposição e do consumo de matéria vegetal. Contudo, algumas espécies podem tornar-se pragas agrícolas ao se alimentar de hortaliças e outras plantações. Espécies introduzidas fora de sua área natural merecem atenção, pois podem competir com organismos nativos e alterar o equilíbrio ecológico.

Os moluscos também possuem importância econômica. Ostras, mexilhões, lulas, polvos e diversos mariscos fazem parte da alimentação humana e são obtidos por pesca ou cultivo. As pérolas se formam em certas ostras e outros bivalves quando camadas de nácar são depositadas em torno de uma partícula estranha. Esse processo é uma resposta do animal, não a produção espontânea de uma pedra preciosa.

Do ponto de vista sanitário, é necessário cuidado com moluscos destinados ao consumo. Bivalves filtradores podem concentrar contaminantes da água, e alimentos crus ou mal cozidos podem transmitir agentes causadores de doenças. Além disso, o contato com água contaminada em áreas onde determinados caramujos atuam no ciclo de parasitas exige orientação das autoridades de saúde. Essas informações são gerais e não substituem recomendações sanitárias locais.

Síntese para revisar

Os moluscos são invertebrados de corpo mole e grande diversidade morfológica. Seu plano corporal reúne, de modo geral, manto, massa visceral e pé muscular. O manto pode secretar a concha, enquanto o pé é adaptado para rastejar, cavar, fixar-se ou formar tentáculos, conforme a classe estudada.

  1. Gastrópodes incluem caracóis, caramujos e lesmas; possuem pé rastejante e, em geral, rádula.
  2. Bivalves têm duas valvas, não possuem rádula e frequentemente se alimentam por filtração.
  3. Cefalópodes incluem lulas e polvos; são predadores ativos, têm tentáculos, sifão e circulação fechada.
  4. A respiração pode ser branquial, pulmonar ou cutânea, dependendo do ambiente e do grupo.
  5. Os moluscos exercem funções ecológicas importantes e apresentam uso alimentar, econômico e científico.

Ao resolver questões, observe especialmente a relação entre estrutura e função. A concha está ligada à proteção; o manto, à sua produção; a rádula, à alimentação de muitos grupos; e o sifão dos cefalópodes, ao deslocamento por jato. Diferenciar gastrópodes, bivalves e cefalópodes é o passo principal para compreender o filo Mollusca.

Dúvidas frequentes sobre o tema

Todo molusco possui concha?

Não. Muitos moluscos têm concha, mas ela pode ser externa, interna, reduzida ou ausente. Lesmas não têm concha externa evidente, enquanto polvos não possuem concha.

Qual é a diferença entre caramujo, caracol e lesma?

Os três são gastrópodes. Em geral, caracóis e caramujos apresentam concha externa, enquanto as lesmas têm a concha muito reduzida ou ausente externamente. Os nomes populares podem variar conforme a região e a espécie.

O que é a rádula dos moluscos?

A rádula é uma estrutura semelhante a uma fita com pequenos dentes, usada para raspar ou cortar o alimento. Ela está presente em muitos moluscos, como caracóis, mas não ocorre nos bivalves, como ostras e mexilhões.

Por que polvos e lulas são moluscos?

Polvos e lulas pertencem à classe dos cefalópodes, uma das classes do filo Mollusca. Eles mantêm características do grupo, como manto e massa visceral, mas seu pé evoluiu para formar tentáculos e estruturas ligadas à locomoção.

Resumo em imagem

Resumo visual: Tudo sobre moluscos: características, classificação e exemplos

Referências

  1. Invertebrados — Hickman, Cleveland P. et al. Editora Guanabara Koogan (2016)
  2. Biologia dos Invertebrados — Ruppert, Edward E.; Fox, Richard S.; Barnes, Robert D. Editora Roca (2005)
  3. Zoologia dos Invertebrados — Brusca, Richard C.; Brusca, Gary J. Editora Guanabara Koogan (2007)
  4. Filo Mollusca — Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (2024)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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