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História do Brasil

7 de Setembro: a Independência do Brasil

O 7 de Setembro marca a declaração de Independência do Brasil, em 1822. A data simboliza a separação política de Portugal, resultado de um processo histórico mais amplo.

Por Stefano Barcellos

Publicado em · 9 min de leitura ·Ensino fundamental II, Ensino médio e vestibulares

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7 de Setembro é o Dia da Independência do Brasil. A data recorda o episódio de 1822 em que Dom Pedro declarou a separação política entre Brasil e Portugal, nas proximidades do riacho do Ipiranga, em São Paulo. Embora seja simbolizada pelo chamado Grito do Ipiranga, a independência não foi um ato isolado: ela resultou de disputas políticas, interesses econômicos e conflitos militares ocorridos entre 1821 e 1825.

O que se comemora em 7 de Setembro?

Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro, então príncipe regente do Brasil, rompeu publicamente com as determinações das Cortes portuguesas e afirmou a separação do país. A frase tradicionalmente associada ao momento é “Independência ou Morte!”. Por isso, a data tornou-se o principal símbolo da emancipação brasileira em relação a Portugal.

O Brasil havia sido colônia portuguesa desde o século XVI. Com a independência, deixou de estar subordinado ao governo de Lisboa e passou a organizar um Estado próprio. Pouco depois, em 12 de outubro de 1822, Dom Pedro foi aclamado imperador, adotando o título de Dom Pedro I. A coroação ocorreu em dezembro do mesmo ano.

É importante distinguir três acontecimentos que muitas vezes aparecem juntos nos livros didáticos: a declaração de 7 de setembro, a consolidação militar da separação em diversas províncias e o reconhecimento oficial por Portugal, ocorrido apenas em 1825. Assim, a data celebrada nacionalmente é central para a memória do país, mas não encerrou imediatamente todos os conflitos.

Ideia principal: o 7 de Setembro representa a ruptura política com Portugal, mas a Independência do Brasil foi um processo gradual, com negociações e guerras em diferentes regiões.

O contexto da Independência

Para compreender 1822, é necessário voltar a 1808. Naquele ano, a família real portuguesa transferiu-se para o Rio de Janeiro, fugindo da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte. A presença da corte modificou profundamente a antiga colônia: os portos foram abertos ao comércio com nações amigas, instituições foram criadas e o Rio de Janeiro tornou-se sede do governo português.

Em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino, formando com Portugal e Algarve o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Isso significava que, formalmente, o território brasileiro já não era chamado de colônia. Ainda assim, as relações políticas continuavam favorecendo os interesses da monarquia portuguesa e das elites proprietárias locais.

Em 1820, a Revolução Liberal do Porto exigiu uma Constituição em Portugal e o retorno do rei Dom João VI, que voltou a Lisboa em 1821. As Cortes portuguesas, assembleia encarregada de elaborar leis, passaram a tomar medidas para reduzir a autonomia administrativa conquistada pelo Brasil desde 1808. Entre outras determinações, queriam que Dom Pedro retornasse a Portugal.

Grupos influentes no Brasil, especialmente proprietários rurais e comerciantes ligados ao mercado interno, temiam perder privilégios e poder político. Eles apoiaram a permanência de Dom Pedro. Em 9 de janeiro de 1822, ele anunciou que ficaria no Brasil, episódio conhecido como Dia do Fico. A partir daí, o rompimento com as Cortes tornou-se cada vez mais provável.

  • A transferência da corte em 1808 elevou a importância política e econômica do Brasil.
  • O retorno de Dom João VI a Portugal abriu uma disputa sobre o governo brasileiro.
  • As Cortes tentaram centralizar novamente as decisões em Lisboa.
  • Elites brasileiras apoiaram Dom Pedro para preservar autonomia e interesses locais.

O episódio do Ipiranga

No início de setembro de 1822, Dom Pedro estava em viagem pela província de São Paulo. Ele recebeu notícias de novas exigências das Cortes: a anulação de decisões tomadas por seu governo e a ordem de retorno imediato a Portugal. Também recebeu cartas de José Bonifácio de Andrada e Silva e de sua esposa, Maria Leopoldina, que defendiam uma reação firme às ordens portuguesas.

Em 7 de setembro, durante o retorno à cidade de São Paulo, Dom Pedro e sua comitiva estavam próximos ao riacho do Ipiranga. Segundo a narrativa consagrada, ele declarou que o Brasil não obedeceria mais a Portugal e pronunciou “Independência ou Morte!”. O fato foi posteriormente transformado em um dos grandes marcos fundadores da nação brasileira.

Há, porém, uma diferença entre o acontecimento histórico e sua representação artística. A pintura Independência ou Morte, de Pedro Américo, produzida em 1888, mostra Dom Pedro em uma cena heroica, montado em um cavalo e cercado por guardas. Pesquisadores ressaltam que a obra expressa uma visão idealizada, produzida décadas depois, e não funciona como registro literal da cena.

DataAcontecimentoImportância
9 de janeiro de 1822Dia do FicoDom Pedro decide permanecer no Brasil.
7 de setembro de 1822Declaração de independênciaRuptura política é simbolicamente anunciada.
12 de outubro de 1822Aclamação de Dom Pedro IInício do Império do Brasil.
1825Reconhecimento portuguêsPortugal aceita formalmente a independência.

A independência como processo

A separação não foi aceita de modo imediato em todo o território. Tropas portuguesas e grupos favoráveis à manutenção dos vínculos com Lisboa resistiram em províncias como Bahia, Maranhão, Pará, Piauí e Cisplatina, área que corresponde em grande parte ao atual Uruguai. Houve confrontos armados, mobilização de moradores e participação de soldados brasileiros e estrangeiros.

Na Bahia, a resistência portuguesa foi especialmente forte. A expulsão das tropas de Portugal de Salvador, em 2 de julho de 1823, é considerada um marco decisivo para a consolidação da independência naquela província. Por isso, o Dois de Julho possui grande importância histórica e cívica na Bahia.

Também é incorreto imaginar que toda a população participou das decisões políticas. O processo foi conduzido principalmente por setores das elites agrárias, militares, burocráticas e comerciais. Mulheres, pessoas escravizadas, indígenas e os segmentos pobres livres tiveram pouca ou nenhuma participação institucional, embora tenham vivido diretamente as consequências das guerras e das mudanças de governo.

A independência brasileira teve uma característica particular na América: em vez de criar uma república, manteve a monarquia. Dom Pedro I tornou-se imperador, e a Constituição de 1824 estabeleceu quatro poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador. Este último era exclusivo do imperador e lhe dava ampla influência sobre o funcionamento político do país.

Reconhecimento e consequências

Portugal reconheceu a independência do Brasil em 1825, por meio de um tratado mediado pela Inglaterra. Como parte do acordo, o Brasil comprometeu-se a pagar uma indenização a Portugal. Para realizar o pagamento, recorreu a empréstimos britânicos. Essa situação contribuiu para o endividamento externo do novo país e para a continuidade da influência inglesa sobre sua economia.

Politicamente, a independência criou o Império do Brasil e permitiu a formação de instituições nacionais. Porém, ela não transformou de imediato a estrutura social. A escravidão permaneceu como base do trabalho em grande parte da economia e só foi abolida em 1888, 66 anos depois do 7 de Setembro. A concentração de terras e a exclusão política da maioria da população também continuaram.

O que mudou e o que permaneceu

AspectoApós a independência
Relação com PortugalO Brasil tornou-se politicamente independente.
Forma de governoFoi criada uma monarquia constitucional, o Império.
EscravidãoFoi mantida e continuou essencial à economia.
Participação políticaPermaneceu restrita, com voto censitário e exclusões sociais.
EconomiaContinuou baseada sobretudo na exportação agrícola.

Portanto, a independência significou soberania política, isto é, a capacidade de o Brasil ter governo próprio e estabelecer suas leis. Entretanto, não representou uma ruptura completa com as desigualdades herdadas do período colonial. Essa distinção é fundamental para interpretar criticamente o período imperial.

Significado da data e comemorações

O 7 de Setembro é feriado nacional no Brasil e costuma ser marcado por cerimônias cívicas, desfiles militares e atividades escolares. As celebrações reforçam a ideia de pertencimento nacional e lembram a criação do Estado brasileiro independente. O formato dessas comemorações variou ao longo do tempo, conforme os interesses políticos e as visões de patriotismo de cada época.

Durante o Império, a data ajudou a valorizar a figura de Dom Pedro I e a monarquia. Na República, proclamada em 1889, o 7 de Setembro continuou sendo uma referência nacional, mas passou a ser associado à história do país como um todo, e não apenas à família imperial. Monumentos, livros, pinturas e festas públicas contribuíram para fixar o episódio do Ipiranga no imaginário coletivo.

Estudar a data não significa apenas memorizar uma frase ou um nome. Significa analisar como o Brasil se tornou independente, quem participou desse processo, quais grupos foram excluídos e quais permanências coloniais continuaram presentes no novo Estado.

Pontos para revisar

O 7 de Setembro de 1822 marca a declaração de independência do Brasil em relação a Portugal, liderada por Dom Pedro. O episódio ocorreu no contexto da crise do Reino Unido e das pressões das Cortes portuguesas para limitar a autonomia brasileira.

  1. Dom João VI veio ao Brasil em 1808 e retornou a Portugal em 1821.
  2. O Dia do Fico, em janeiro de 1822, antecedeu a separação formal.
  3. Dom Pedro declarou a independência em 7 de setembro e foi aclamado imperador em outubro.
  4. Conflitos militares continuaram em várias províncias após a declaração.
  5. Portugal reconheceu a independência somente em 1825.
  6. A ruptura política não aboliu a escravidão nem ampliou imediatamente a participação popular.

Para questões de prova: evite tratar a Independência do Brasil como um acontecimento instantâneo e totalmente popular. Ela foi um processo político e militar, liderado por elites, que preservou a monarquia, a escravidão e várias estruturas sociais do período colonial.

Dúvidas frequentes sobre o tema

O que aconteceu no dia 7 de setembro de 1822?

Dom Pedro declarou a separação política do Brasil em relação a Portugal, em episódio associado às margens do riacho do Ipiranga. A data tornou-se o símbolo da Independência do Brasil, embora os conflitos e negociações tenham continuado depois dela.

Quem proclamou a Independência do Brasil?

A proclamação é atribuída a Dom Pedro, que era príncipe regente e se tornou Dom Pedro I após a criação do Império do Brasil. Sua ação teve apoio de grupos das elites brasileiras e de conselheiros como José Bonifácio.

Por que a Independência do Brasil não acabou com a escravidão?

A economia brasileira dependia amplamente do trabalho escravizado, e os grupos que conduziram a independência não pretendiam alterar essa estrutura. A escravidão foi mantida no Império e abolida somente em 1888, com a Lei Áurea.

Portugal aceitou imediatamente a independência brasileira?

Não. Houve resistência militar em algumas províncias e negociações diplomáticas posteriores. Portugal reconheceu oficialmente a independência do Brasil em 1825, em acordo que envolveu indenização e mediação inglesa.

Referências

  1. História do Brasil — Boris Fausto, Editora da Universidade de São Paulo (2019)
  2. Brasil: uma biografia — Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling, Companhia das Letras (2015)
  3. Independência do Brasil — Biblioteca Nacional (2022)
  4. Constituição Política do Império do Brasil, de 1824 — Arquivo Nacional (1824)

Sobre o autor

Stefano Barcellos

Stefano Barcellos

Editor responsável e revisor de conteúdo

Escreve e revisa material didático há mais de dez anos, com foco em ciências da natureza e produção de conteúdo educativo para estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e ao ENEM.

Formação: Direito pela UCPel

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